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03/ago

Hoje é #EstherDay e obviamente que não deixaria esse dia passar em branco.

 

Esther me marcou, muito, como se realmente a tivesse conhecido pessoalmente. Como se tivesse contado com a oportunidade de ter uma longa conversa com ela. É isso que acontece quando se tem tanta afinidade com a história de uma pessoa, independente de tê-la visto cara a cara. É impossível esquecê-la, ainda mais quando se trata de um ser humano lindo.

 

Já disse muitas coisas maravilhosas sobre Esther no decorrer de uma semana que rolou em sua homenagem (e que vocês podem ler aqui). Hoje, só quero falar um pouco sobre um dos traços mais marcantes da sua pessoa: aceitar os outros como exatamente são. Vou um pouco contra a maré.

 

É fato que para muitos aceitar o próximo é tão utópico quanto viver fazendo o que ama. Muitos pensam que é lorota, pois tudo que importa nesta vida é aparência e bens materiais. Todos nós temos o botão do pré-julgamento que só precisa de um leve pressionar para se tornar uma opinião audível. Um julgamento mais duro que o outro. Mais sarcástico que o outro.

 

Cabe a nós mudar isso. Cabe a nós realmente nos esforçar para ver além da embalagem.

 

Não pagarei de Madre Teresa, pois sei que grande parte da minha vida foi a base de julgar e de ser julgada. Até que houve uma hora que simplesmente resolvi me policiar. É realmente muito difícil, especialmente naqueles momentos em que seu santo não bate com o de uma pessoa que acabou de conhecer. Pode não ser pela aparência, mas por causa de uma simples atitude ou de uma fala que nosso íntimo devolve com desaprovação. Aquela história da “primeira impressão é a que fica”.

 

Mesmo que o “santo não bata”, o julgamento não precisa entrar em cena.

 

Minha adolescência foi a base de julgamentos. Era muito fácil julgar a menina e o menino, rir da cara dela/dele, pois sei lá como isso acontecia, mas havia certo prazer. É fato que, às vezes, para mudarmos certas atitudes precisamos de um baque. Isso aconteceu quando entrei no mercado de trabalho, em uma empresa de um casal de coreanos que não eram as melhores pessoas do mundo.

 

O chefe adorava humilhar as pessoas e praticava uma pressão psicológica aterrorizante. Ele realmente duvidava da capacidade dos seus funcionários (ser chamada de burra era igual a ser chamada de linda. Uma facilidade sem precedentes). Do outro lado, tinha a chefe que nunca se esforçou para tornar o ambiente agradável junto com o marido. Ambos só sabiam criticar o trabalho, a aparência, os resultados. Elogios? Ah! Não mesmo!

 

Na mente deles, elogiar era o mesmo que pedir para o funcionário ficar relaxado. Fatos reais!

 

Por ser meu primeiro emprego, foi muito fácil ficar chocada. Afinal, pensava que um ambiente de trabalho tinha que ser acolhedor. Isso, tendo em vista a minha mãe. Ela chegava totalmente estressada, mas havia uma história boa para contar no final do dia.

 

Eu não tive uma história boa para contar. Só as picuinhas, os julgamentos e a falta de respeito.

 

Era assédio no trabalho, mas eu tinha 19 anos. Nunca tinha trabalhado na vida. Vinha de uma onda de recusas profissionais por não ter experiência/formação acadêmica. O primeiro que mordeu minha isca cedi. Poderia ter vazado? Poderia! Mas suportei o bullying deles e o de outras funcionárias – que amavam cochichar pelo telefone. Achava uma imundície, mas precisava do emprego.Obviamente que não me submeteria a isso de novo. Jamais!

 

Passei a absorver essas atitudes e não as compreendia. Na minha mente, essa picuinha era coisa do ensino médio, período que ninguém sabe quem realmente é, e o que realmente quer.

 

Vi esses comportamentos em outros locais. Parecia um modo de operação fixo – ou tive a má sorte de não encontrar um emprego com ambiente bacana. Isso afetou totalmente meu comportamento. Passei a ficar mais na defensiva, especialmente por ser muito sincera.

 

O que quero dizer com esse trecho de história é que passamos muito tempo maltratando o outro. Acho ainda mais enojante quando adultos fazem isso. Afinal, você espera um comportamento maduro. Seu chefe ou sua chefe precisam ser um exemplo. Os funcionários precisam saber dos limites. No fim, em qualquer ambiente, há sempre alguém que limita o outro a um rótulo que se espalha como viral baseado, muitas vezes, em dor de cotovelo ou fofoquinha. Ou em absolutamente nada.

 

Seja na escola, no trabalho ou em apenas uma viagem de trem. Há sempre quem nos julgará e o comportamento automático é julgar de volta. Por isso, retorno no se policiar.

 

Nos últimos dias tenho me sentido mais enojada que o normal com a sociedade. Isso é válido para homem e para mulher. Século 21 e as pessoas ainda determinam quem é você pela cor da pele e pela opção sexual. Julgam por se acharem tronados, o que lhes dá o direito ilusório de enumerar tudo o que possuem e tudo o que são. Sinto muito, nada disso importa – ao menos não para mim.

 

Como minha mãe diz: quando você morrer, tudo ficará aqui. Todos os bens materiais e as roupas que moldam sua aparência. Detalhes que parecem armas que dão direito a qualquer um a falar mal do outro. Porque ele/ela não tem o bastante. Não é um igual.

 

Como se o mundo precisasse de só um tipo de pessoa. Bitch, please!

 

Eu não tenho o bastante. Esther não tinha o bastante. Muitas pessoas por aí não têm o bastante. O que muitos desse grupo têm em comum é a sede de fazer a diferença. Porque há prazer em elevar o outro e não humilhá-lo. Seria maravilhoso se todo mundo partisse do benefício da dúvida.

 

Penso que aqui isso é sim utópico, porque metade da população vive demais à mercê do outro. Espiando a vida do outro. Preocupado demais em ser melhor que o outro. Não temos exemplos formidáveis e, quando temos, não ganham o valor que merecem – e isso rebate em nós e pensamos que nossos esforços são em vão.

 

Quando aparecem aqueles que se acham o exemplo, é evidente que é manipulação. Então, devemos partir de nós mesmos.

 

Hoje, estamos mais receosos em aceitar até mesmo gestos genuínos. Porque uma pessoa que retribui, só por retribuir, quer alguma coisa, né? Até nisso você é julgado.

 

Voltemos a Esther. Ela fez muito acamada e com pouca idade. Pelo próximo e por ela. Ela não precisou de dinheiro, do carro do ano ou da família perfeita. Mesmo limitada, ela mostrou que é possível fazer sempre mais, independente da condição da qual cada um se encontra. Ela retribuiu dentro dos seus esforços ao mesmo tempo que fazia questão de relembrar a cada um dos seus amigos e familiares que todos eram incríveis como exatamente eram.

 

Quem faz isso hoje em dia? Elogiar uma pessoa por todas as qualidades e os defeitos?

 

Se você faz isso, você é um falso!

 

Precisamos dizer mais o quanto o outro é incrível e não desanimá-lo com julgamentos e impressões negativas. Não é uma tarefa fácil, claro, mas há um fator em comum: ao tratar os outros bem, você é tratado da mesma forma. Essa é uma verdade irrefutável, simplesmente por ser a forma como você se mostra ao mundo. Isso rebate em todos os âmbitos da vida.

 

Ter uma mente pequena, com pensamentos tacanhos ou inspirados no que os outros dizem, não ajuda em absolutamente. Só atrapalha. Só cria ruído. Interrompe a corrente de amor, sabem?

 

O #EstherDay é destinado para relembrar as pessoas que as amamos. Até mesmo quem não conhecemos. Pelo que são. Pelo que fizeram. Hoje, infelizmente, falta cada vez mais amor, empatia e aceitação. Não só com o próximo, mas consigo mesmo.

 

É uma via de duas mãos: se você não está feliz na própria pele, dificilmente você fará outro alguém se sentir querido e apreciado. Porque você quererá deixá-lo para baixo porque você está para baixo. Você julgará até se sentir melhor e, no fim, possivelmente, se sentirá um lixo.

 

O que falta é apreciar o outro. Pelo que pensa, pelo que faz. Pelo que se é.

 

O que falta é criar discussões sadias no mesmo tom de voz.

 

Ouvir mais e interromper menos.

 

Criar postos de igualdade.

 

Policiar o julgamento.

 

Neste #EstherDay, só posso pedir que apreciemos e admiremos mais o que os outros fazem. Que vozes sejam elevadas para o bem e não para o mal. Que qualquer pessoa seja valorizada pelo que é e não pelo que tem. Pela mudança que ela quer aplicar na sua vida e na do outro. Aprendi muito em vários ambientes e lamento muito por existirem pessoas tão baixas. Mas é como uma série, um livro ou um filme: é o conflito de cada storyline. Vencer os inimigos com elegância e esperteza vale mais que se equiparar a eles para conquistar o mundo.

 

PS: saiba que você é incrível! ♥

Stefs
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