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06/ago

Hoje falarei da minha primeira inspiração e mentora da vida, antes mesmo de J.K. Rowling: Céline Dion. Não é novidade para ninguém o quanto amo essa mulher e a rasgação de seda está totalmente permitida.

 

O meu encontro com a Céline aconteceu muito cedo – mas nunca me dei conta de que era ela por ser uma pivete na época –, no filme A Bela e a Fera. Para quem tem o VHS, sabe que depois dos créditos finais tem o videoclipe da música-tema, Beauty and The Beast, e lá está essa mulher com suas madeixas cacheadas em um dueto maravilhoso e arrepiante na companhia de Peabo Bryson.

 

Beauty and The Beast foi a canção que a apresentou ao mundo e só fui notá-la anos depois. Por motivos de Titanic, obviamente. Não havia música melhor que My Heart Will Go On. Quando comprei a trilha sonora desse filme, os vizinhos foram obrigados a me ouvir cantando as notas altas (que morte terrível a deles!). Meu amor era tão sufocante que minha prima, a que me levou para ver o navio afundar no cinema, me deu o CD Let’s Talk About Love de presente de aniversário.

 

Lembro-me até hoje do drama: ela tinha escondido no topo do barzinho que tinha na sala. Quando abri, soltei um berro. Imaginem um álbum que não parava de tocar. É esse aí mesmo!

 

Céline foi quem abriu as portas para que eu me interessasse pela língua inglesa. Eu andava com o encarte embaixo do braço e um dicionário, achando que manjava muito. Eram aquelas traduções bem feias, palavra por palavra, que não faziam sentido. Porém, foi assim que comecei a me aprimorar e criei o costume de traduzir qualquer música.

 

Aos leigos, Céline não é apenas a mulher que canta Beauty and The Beast ou My Heart Will Go On. Ela é uma das artistas que mais fatura e que continua a faturar no mundo da música. E nunca, nunca mesmo, precisou mudar sua assinatura musical para “se provar”, permanecendo como uma narradora de histórias de amor em meio a acordes clássicos. Essa mulher só tem a coletânea mais vendida da história (entre outros recordes). No caso, All The Way … A Decade of Song.

 

É isso o que mais aprecio em um artista musical. Ele se manter fiel ao que tem feito desde o início, não se comercializando para se encaixar – isso para mim é sinal de desespero, sinto muito. Um detalhe que Céline penou muito para encontrar lá em meados dos anos 90. Como casar uma voz poderosa em um estilo musical? Qual seria sua assinatura no mercado? Que som a tornaria identificável? Fato que precisava de uma sonoridade marcante e que destacasse seu gogó.

 

E cá estamos com uma história de sucesso.

 

Por essas e outras que prezo demais originalidade. Não consigo aceitar quando artistas que um dia gostei muito mudam radicalmente para “sobreviver” no antro musical. Sou chata mesmo.

 

Na época em que só falava de Céline, me sentia estranha por gostar de uma cantora que cantava para adultos. Por mais que a escutasse toda hora, ainda não a via como uma inspiração/mentora. Isso aconteceu quando fui de carona para casa de uma amiga e a mãe que dirigia meteu Céline no carro. Nisso, ouvindo All By Myself, projetei que seria uma mulher independente, dona do volante, ouvindo Céline Dion porque sou incrível – ainda não vivi essa cena até o fechamento deste post.

 

Céline canta baladas românticas, daquelas que tocavam nas rádios de madrugada para qualquer um chorar. A cantora também foi a rainha de vários casamentos dos anos 90 e dou amém por não ter trocado alianças naquela época, pois tenho certeza que faria como muitas noivas: exigiria entrar na igreja com a música-tema de Titanic. Sério: não tinha uma cerimônia que não tocasse a bendita My Heart Will Go On, mas nem assim enjoei dela. Ainda escuto como se fosse inédita.

 

O que a faz ainda mais minha mentora é sua habilidade de amar incondicionalmente o trabalho e seu marido, René, o agente que se tornou o grande amor da sua vida. Hoje em dia, há mulheres que diriam ser uó parar sua agenda de compromissos para cuidar de um homem, independente das circunstâncias. Doa a quem doer, mas é isso que mais admiro na Céline. Essa confiança que ela tem de amar o marido, de pausar sua vida para ajudá-lo, e de não ter receio de admitir isso.

 

René foi diagnosticado com câncer na laringe em 1999 e ainda combate a doença. Este ano, Céline fez várias pausas em seus shows em Vegas – seu lar atual – para cuidar da saúde dele. A parte mais dolorida é saber que ela está conformada com o destino do marido e isso deixa meu coração partido. Afinal, até onde sei, ele nunca a desrespeitou. Sempre cuidou muito bem dela. Sempre esteve ali, especialmente quando ela tentou engravidar e ficou abatida com os abortos espontâneos.

 

Em momento algum eles esconderam suas crises, sendo sempre abertos e honestos com seu público. Um público que Céline temeu demais assim que resolveu assumir o relacionamento com um homem que era 20 e poucos anos mais velho que ela na época.

 

O que muitos não sabem é que René foi, e é, o homem que norteou sua carreira. Ele a tirou do Canadá para girá-la nos Estados Unidos e no Reino Unido. Tudo começou com músicas francesas que culminaram em um fenômeno musical. Ele se empenhou para fazê-la crescer e acabou sendo amado incondicionalmente.

 

Ela poderia cuspir no prato que comeu, como muita gente mesquinha nesse ramo. Tudo que Céline faz por René é por amor e por agradecimento. Um gesto genuíno.

 

No DVD da turnê Taking Chances, Céline faz um discurso emocionado antes de engatar My Love (que pertence ao mesmo álbum). Ela diz que fica extremamente emocional por se tratar de uma música que soa mais como uma oração. É o hino do amor que há entre René e ela, e vocês não fazem ideia do quanto sofrerei se um dia essa história acabar. Meu OTP da vida desde pivete.

 

Compreendo todas as medidas dela em parar para ficar ao lado de uma das pessoas que confiou no seu talento. Que realmente batalhou para que fosse um fenômeno musical. Admiro como ela mostra sua força e sua vulnerabilidade, sem um pingo de vergonha, tendo em vista que sua dor é sobre um homem. Muitos a chamariam de fraca por se inclinar ao parceiro que é seu melhor amigo e seu marido.

 

E ela é mais forte que uma rocha! Ela não se esconde e me cativa repetidas vezes por ser sempre transparente. Por sempre ser honesta com as circunstâncias. Ela lida com os problemas em vez de continuar a vida como se nada estivesse acontecendo. De cabeça erguida!

 

É preciso de muita coragem para se mostrar tão frágil. Ainda mais quando é uma pessoa que tem uma energia maravilhosa e empolgante, o que torna meio inacreditável quando a vejo abrir o jogo sobre um momento ruim da sua vida. Mas ela é verdadeira como mulher e como artista. Ela é pura entrega e isso me inspira.

 

Sou uma pessoa que acredita no amor dos outros no âmbito relacionamento. E no amor dos meus personagens, claro. Penso que não teria tanto peito como Céline de parar tudo por um parceiro – sou meio centralizadora –, mas só saberei disso quando estiver em um namorinho firme. Já me disseram que essa de “fazer minhas coisas e você fica para depois” é algo que muda, mas eu não sinto que estarei disposta a isso. Sou muito “meus projetos primeiro e você por último”.

 

E a Céline vem com toda essa força, toda essa honestidade, toda essa tranquilidade. Ela já é bem-sucedida, parar não a afetaria financeiramente ou artisticamente. Todas as vezes que penso nisso, a coloco como uma mulher comum (sendo que ela é, mas pensem naquela chefe linda que você ama admirar). Ela continua com seus projetos e para por uma pessoa que é seu alicerce. Ela não vive centralizada só no trabalho. Quero ser assim um dia, mas ainda sou meio egoísta.

 

Esse amor pelo marido não é a única coisa que me inspira, claro, pois incluo o quique que ela deu na adolescência para perseguir o sonho de ser cantora. Ela não lamenta de ter perdido essa fase da vida, pois só queria concretizar um objetivo. E concretizou.

 

Sério, Céline é imparável. Quando decide, está decidido, e acabou. Aprendi muito com ela sobre não mudar de ideia. Se é isso que quero, é isso que quero e fim. Sim, tenho um gênio bem difícil no quesito decisões também.

 

Geminiana. Vocês queriam mais o quê? Oscilação faz parte do pacote!

 

Claro que não poderia deixar de dizer algo sobre o peso da música dela na minha vida. Por mais que grande parte fale de amor, eu não recorro a ela quando estou de coração partido, por exemplo. Pasmem, mas sinto quietude quando estou para baixo e força quando preciso de um impulso. Consigo ouvi-la o dia inteiro, sem nenhum problema. Por mais que muitos só tenham essa impressão de artista-que-canta-música-mela-cueca, ela cantarola muitas letras sobre otimismo e fé.

 

Let’s Talk About Love é o nome do álbum que mudou minha vida e da música que diz que precisamos falar mais de amor, seja de mãe para filho, esposa para marido, de amiga para amiga. E a composição dela é muito perfeita. Tem meu hino A New Day Has Come, que remete a um amor que salva, mas sempre quando a escuto vejo um futuro possível. Taking Chances a mesma coisa.

 

Céline dá voz ao amor de mulher para homem e vice-versa, mas o fato de escutá-la tanto é porque encontro a palavrinha que citei ali em cima: otimismo. Não levo tanto as letras no literal, pois há canções que me dão extrema força, como I Surrender e It’s All Come Back to Me Now, e elas não têm nada a ver com “supere seus problemas e chute a poeira”.

 

Não consigo traduzir meus sentimentos quando escuto Céline. É muito espiritual.

 

Sempre digo que Céline é minha última horcrux. Que a partir do momento que eu vê-la, morrerei. Acho que será mais grave em comparação à Rowling, pois a acompanho desde muito pivete. Essa mulher cantarolou na minha infância sem eu saber e ganhou poder na adolescência, silenciando muitos ruídos.

 

Rowling caiu como uma luva coincidentemente quando Dion entrou em hiatus por causa do René e fiquei um bom tempo sem músicas novas. Eis duas mulheres dispostas a acabarem com a minha vida se rolar um encontro real. Mas sei que Céline será tombaço.

 

De alguma forma, amadureci sem ao menos perceber por causa da Céline. Não sei descrever o que viria a ser esse amadurecimento, pois ela é minha referência de mulher. Uma mulher destemida. Que não esconde o quanto é apaixonada por seu parceiro. Que não sente vergonha de querer ter filhos mesmo tendo falhado, nem por sua culpa. Ela é o reflexo de importantes altos e baixos da vida adulta, que nunca vi de forma tão crua quando era mais nova. A história dela foi muito impactante para mim com apenas 11 anos e continua a me impactar. De eu ficar malzona mesmo.

 

Tenho muito orgulho de ser fã dela como artista e como mulher. E tenho sorte de ter tido essa mentora tão awesome. Céline Dion continua a me ensinar muitas coisas. Não só sobre ser mulher, mas sobre amor, um tema sempre muito difícil para eu viver e muito fácil para eu escrever sobre.

 

Deixo o meu hino atual Incredible, do último álbum Love Me Back To Life, aquela música que você ouve e termina com um sorriso na cara (ou chorando porque sou dessas).

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

 

Stefs
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  • paraaaaaaaaaaaaaaabens que palavras maravilhosas. Amo a rainha também. LACRADORAAAAAAAAAAAAAAAAA

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