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14/set

Este post é inspirado em uma iniciativa da autora Joanne Harris, que assina Chocolate (você acha que não a conhece, mas seu livro deu vida ao filme de mesmo nome). Ela não é só famosa pelo ofício, como também por criar, sempre que pode, tags que viram facilmente Trending Topic no Twitter.

 

Há algumas semanas, Harris subiu #10CoisasParaNãoDizerAUmEscritor, que contou com a participação de vários parceiros de escrita. Aproveito o embalo e compartilho algumas perguntas/falas que sempre encontram meu caminho, rebatem na minha linda face e me forçam a dar um sorrisinho amarelado.

 

Não serão 10, até porque tenho amigos que conhecem a palavra limites #amém.

 

E o livro?

 

Desde que abri o jogo de que escrevo um livro, o “e o livro?” se tornou o mais novo “e aí, tudo bem?”. Minha resposta é a mesma: “indo”. Seja sobre minha vida ou sobre o livro, nunca tenho muito o que dizer (às vezes posso ter, mas até pensar sobre isso já estou cansada).

 

O “e o livro?” me faz revirar os olhos porque algumas pessoas acham que escrever um é a coisa mais fácil do mundo. Que publicá-lo então é só uma questão de botá-lo na prateleira. De vez em quando, essa indagação tende a me irritar, porque não tem uma resposta – que não soe grosseira – para fazer fulano ou fulana se dar por satisfeito/a. O silêncio que se segue é muito awkward.

 

A pessoa pergunta, dou um sorriso amarelo e falo o “indo”. Tudo termina em um aceno de cabeça.

 

Mas é bem verdade que ele está indo, gente. Cês sabem disso!

 

Fica pronto quando?

 

Minha mãe me defendendo das visitas

 

O “fica pronto quando?” se tornou o “e aí, novidades?”. É engraçado como certas conversas mudaram quando disse que escrevia um livro. As pessoas querem saber o que você tem aprontado e querem entender porque você mofa no quarto no final de semana – até quando tem visitas.

 

Essa questão das visitas é meu perrengue constante. Assim, acho chato visita surpresa, especialmente nos finais de semana. Sou metódica quanto a isso, se pudesse teria agenda para controlar quem vem aqui em casa, porque preciso me preparar espiritualmente e psicologicamente (é meio egoísta, eu sei, mas final de semana é sagrado for Christ’s Sake para eu escrever o WP).

 

Daí, quando aparecem os engraçadinhos, não ouso fazer sala porque estou escrevendo. Se não escrevo, não haverá uma resposta para “fica pronto quando?”. E aí como fica? Minha mãe diz ok e, tadinha, aguenta o perrengue sozinha com a minha irmã. Sinto-me mal depois, mas penso no quanto produzi por ter me feito de difícil e tudo fica bem de volta.

 

Assim, o “não sei”, que simboliza minha resposta, é o mesmo que “nenhuma e você?”.

 

É alguma coisa sobre Harry Potter?

 

Nessas horas, tenho vontade de dizer “quem me dera, amiguinho”, mas minha fascinação por Harry Potter me condenou. Geral só acha que li/leio a saga da Rowling. Minha mãe, especialmente, mas nem a culpo porque ela assistiu essa parte da minha vida e é até normal vê-la indagar até quando saio de casa, com meus belos 29 anos, se vou a algum encontro que envolve o menino bruxo.

 

Mas as outras pessoas culpo sim, oras. Basta olhar a minha prateleira e ver que não há só Harry Potter nela. Não me sinto ofendida com a possibilidade de escrever algo inspirado na saga, jamais (passei anos escrevendo fics sobre os Marotos, duh!), mas, aos que estão de fora, aviso: limitar meu mundo a 7 livros (que amarei para sempre) me deixa enfurecida.

 

Mas aprendi a usar esse questionamento como escudo. Tem gente que acha que o We Project é sobre magia, então, que continue a achar. Me poupa a energia.

 

Vai ter triângulo amoroso?

 

Não, amigos, não tem e não terá. Quem me conhece, sabe que não suporto esse negócio, acho desnecessário, e já acho uó a essa altura do campeonato toda adolescente/mulher ter movimento de trama só porque não consegue decidir entre dois caras. Taí minha crítica.

 

Quero estar na fila para pegar seu autógrafo

 

As pessoas não sabem o efeito que isso causa na vida de uma pessoa que escreve. Ao menos, na minha. Acho divertido, entro na dança, me sinto até estimulada a continuar. Porém, ouvir algo desse tipo mexe com as expectativas e com as esperanças. É um comentário inocente, claro. E quem é que não quer realmente dar um autógrafo para as pessoas queridas? Mas isso se transforma em cobrança.

 

A cobrança de terminar, a cobrança do mico de não dar certo, a cobrança de não desistir – porque querem o bendito autógrafo – e a cobrança de evitar o flop total. É barra, gente.

 

Imagina, todos esses anos escrevendo para depois dizer: gente, não tem mais livro, acabou. Não terá autógrafo também, então, podem mudar o discurso.  

 

Mas você só está sentada sem fazer nada…

 

Minha mãe vive me dizendo isso nos finais de semana. Também não a culpo por isso.

 

Mas aqui vai o recado: quando sumo nos finais de semana, não é porque estou mofando na cama – algo que acontece só quando a TPM está em alta ou estou realmente muito, muito cansada. Passo sábado e domingo escrevendo tudo que não consigo escrever de segunda a sexta. Ou seja, estou trabalhando, mesmo sentada na mesma posição que fico durante a semana.

 

Até ver séries se torna trabalho. Nem sempre o revival de algumas é por saudade, mas por pesquisa.

 

Entendeu, mãe?

 

A sua taxa de publicação é muito próxima de zero

 

Ninguém me disse isso diretamente, mas é o que leio quase todo santo dia. E é desanimador.

 

Há um diabinho que sussurra no meu ouvido dizendo para eu parar porque essa energia está sendo gasta à toa. É meio preocupante olhar para o mercado editorial brasileiro, cada vez mais fechado, só abrindo espaço para best-sellers internacionais. Culpo sem dó várias editoras por causa disso, que não julgam pelo seu talento, mas pela sua grana e pelo seu nome.

 

Me apadrinha, Pedro Bandeira?

 

Meu trabalho é muito próximo a de um autônomo (só que o autônomo recebe Dilmas e eu não). Você tem que investir por conta própria e fazer uma roda de oração para que dê certo.

 

Fico empacada quando penso na taxa de publicação zero. Já fiquei meses sem escrever porque pensei que tudo não passava de fogo de palha. Quase 3 anos depois e estamos aqui…

 

 

Pensei em vários tópicos para este post, mas, na hora, muita coisa fugiu. Essas são as frases/perguntas que escuto com mais frequência e já aprendi a levar na esportiva.

 

Mas não me venham com “e o livro?”, porque você ativará meus péssimos modos hahaha.

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