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11/set

Antes tarde do que nunca, como sempre costumo dizer, eis que estou aqui para falar dessa série maravilhosa! Ainda bem que essa saudade será sanada em breve, porque, como vocês bem sabem, minha vida sem Viola Davis não é a mesma. Eu tenho que olhar para essa mulher todos os dias.

 

Saibam que foi bem difícil escrever este post porque, aos meus lindos olhos, How To Get Away with Murder não tem defeito. É perfeita e redondinha. Não tem tanto o que meter o bedelho. Por isso, centralizei minhas impressões tendo o Piloto como referência. Vamos?

 

How To Get Away with Murder é uma série criminal, com muito suspense, que estreou no ano passado e é transmitida pela ABC, emissora famosa por abrigar a amada e odiada ShondaLand. Rhimes assume o posto de produtora executiva nesse projeto, mas não desce a lenha diretamente como acontece em Grey’s Anatomy e em Scandal. Quem assume tudo é Peter Nowalk, seu parceiro de anos (e 100% confiável), o criador dessa tramoia que transcorre no universo da advocacia.

 

A história  começa com um teaser do que aconteceu 3 meses depois (considerando o presente que trata como 3 meses antes), um pouco confuso, como se fosse o plot central propriamente dito. Não entendemos o que acontece e o mesmo vale para os envolvidos que, entre trancos e barrancos, em uma noite da fogueira, onde os ânimos universitários estão à flor da pele, precisam decidir o que fazer com um cadáver.

 

Minutos cruciais que apresentam o clima da série e um dos conflitos que moverá esses personagens, inclusive Annalise Keating, a protagonista.

 

Esse acontecimento rende as primeiras incógnitas da temporada, em um clima tenso e urgente, lembrando Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. Sério, quando vi aquele bando desesperado para se livrar do corpo, só lembrei de Freddie Prinze Jr.. Esse rastro marca o início de uma angústia que a série estende sem dó. É impossível não pensar que o cadáver se levantará para atormentar cada membro do grupo, fatos reais – e esperei que isso rolasse.

 

Não há uma compreensão imediata dessa cena, algo que só acontece em uma nova sequência, quando saltamos para o presente. Nenhum morto voltará do além, pois outro caso rouba o brilho: o desaparecimento de uma jovem chamada Lila.

 

É aí que notamos que o conflito na abertura do Piloto não passa de um retrocesso. Um flashback de uma ação concluída que é explicada no decorrer dos episódios. No caso, como aquele grupo chegou naquele ponto. Assim, HTGAWM se revela como dona de uma história de via dupla, cujas curvas representam o desenvolvimento dos personagens, as reviravoltas e os cliffhangers que tiram o sono.

 

A classe de direito

 

Annalise Keating, personagem de Davis, é professora de Direito Penal em Middleton. Uma mulher prestigiada (e odiada) no ramo, que vence todas as defesas dos seus clientes e que qualquer uma quer ser quando crescer (ou sonha em destruir em frente ao júri). O nome da sua aula dá título a série, How To Get Away with Murder, e em cada episódio essa mulher apresenta um caso e tortura os alunos, tipo o Snape, questionando o modus operandi e como defender tal pessoa.

 

O bacana é que a personagem explora o lado psicológico dos seus clientes e a causa dos crimes, pois são chaves para compreender e construir uma defesa irrefutável. Inclusive, para alimentar a pulguinha que temos sobre como um ser humano que respira leis defende um criminoso – algo que, definitivamente, nunca entenderei. Ok que há inocentes nessa cesta, mas Annalise livra todos (ou quase). Só me restou imaginar quem seria essa mulher na vida real, porque eita sangue de cobra.

 

Para dar voz aos demais personagens, Annalise incita a competição entre os alunos por meio de um Clube do Slugue de Direito. Os escolhidos são os promissores da sua classe (ou quase), no caso, Connor, Michaela, Asher, Laurel e Wes. O quinteto ingressa em um estágio no escritório da conceituada advogada, participa dos julgamentos e da ação propriamente dita, e batalha por um troféu – que não é apenas um troféu, mas sinônimo de muito ódio e…

 

Os escolhidos por Annalise possuem perfis um pouco clichês. Michaela e Laurel são iguais, diferindo apenas no quesito agressividade. Enquanto uma vai fundo em querer o troféu, a outra se faz e consegue muito mais benefícios nesse job. Connor é meu spirit animal por trabalhar só com verdades, mas a ousadia dele para cima dos homens é algo que não herdei. Asher é o gordinho gostoso, com status mas flopado, e que você inclui na balada só para vê-lo pagar mico (#maldades).

 

Por fim, Wes como Dino Thomas de Harry Potter aquele que caiu da espaçonave, não manja nada da profissão que escolheu e é o pobre entre os ricos. Sendo o último a ser escolhido, ele compõe esse grupo detentor de perfis não tão inusitados, mas que se assemelham pelo desejo de conquistar Annalise (e o troféu).

 

Isso não quer dizer que eles não sejam interessantes. Todos têm algo a acrescentar e não é do dinheiro a que me refiro. Os personagens têm o caráter desconstruído e precisam lidar com escolhas que podem condená-los para sempre. Mudá-los para sempre. Esse é o grande desafio além de querer o bendito troféu. No transcorrer da temporada, a suposta perfeição de cada um míngua e, no fim, os vemos no limite da razão. Lá no finale, não há olhos brilhantes de ambição, mas de desespero!

 

Até que essa mudança aconteça, cada um tenta provar que merece o troféu (e Annalise). Um objeto que alimenta a competição e que abre margem para conhecermos melhor cada personagem. É uma batalha deliciosa de egos – e desacreditamos de certas atitudes que rendem vitória.

 

Além desses bodes expiatórios em forma de alunos, há Frank e Bonnie, os funcionários leais de Annalise. Nem pensem que ambos são engomadinhos e perfeitinhos, pois esses personagens são bem sujos também. Em alguns momentos, você quer arremessá-los pela janela por motivos de estupidez, detalhes dos muitos que tiram a advogada do sério (e é quando ela mais me representa).

 

A dual Annalise

 

Sabe a regra de Game of Thrones sobre não se apegar aos personagens? É bom aplicar um pouco desse sentimento em HTGAWM, porque nem a protagonista é confiável. Não pensem em morte, mesmo tendo várias, mas Annalise é aquele tipo de personagem que nos faz de trouxa sem perder a elegância (só a compostura).

 

Você não fica com raiva dela e assemelho esse sentimento ao Frank Underwood de House of Cards. Você acha tudo foda, mesmo sendo totalmente amoral.

 

Vai entender o ser humano…

 

E a série prega comportamentos amorais e investe forte em quebras de condutas que ferem qualquer artigo de um livro de Direito. Annalise é a maior destruidora por ser escrita como uma vencedora. Daquela que tem fome de ganhar. Que pisa e usa para ter sucesso. Comportamentos que inspiram seus alunos de ouro a agirem da mesma forma, especialmente para conseguirem provas que culminem na vitória da defesa. Por causa dessa necessidade de impressionar, ninguém, a princípio, nota que a advogada os educa a ser nada do que planejaram quando entraram na universidade.

 

Os primeiros episódios a vendem toda fria e distante. Quando o teto de vidro trinca, ela dá a outra face que revela uma torturante fragilidade. Considerando tudo que transcorre, é complicado defendê-la, mas você, como seriador, solta fogos a cada investida dela. Annalise tem muita energia até quando está na lama, de pijama, cantando All By Myself. Como não amar?

 

O bárbaro de Annalise é que seu desenvolvimento a mantém como uma incógnita. Ninguém acha que uma mulher tão forte sofre com bobagens, como a traição do marido (vai me dizer que você não acha isso uma tolice no mundo das séries? Quem é que sofre por isso no século 21?). Quando esse fato vem à tona, é de se esperar o mais do mesmo, a personagem ser salva por um novo amor, mas não é isso que acontece.

 

O buraco é mais negro do que aparenta.

 

O coração partido de Annalise foge do resultado clichê, o que dá mais mérito para HTGAWM. Nada mais cansativo que mulher buscando vingança porque o mozão a traiu. A advogada é outro nível e brinca de um jeito que você quer enlouquecidamente aprender (mesmo garantindo passagem na cadeia). Ela tinha tudo para ser aquela megera ferida, mas optou por jogar. E para vencer, óbvio.

 

A fragilidade de Annalise com relação ao marido só tem um pouco da minha tolerância porque, embora faça tudo para salvá-lo, ela se coloca em primeiro lugar – e nem percebemos. A série garante um belo viver de aparências e a protagonista convence. Cada decepção a impulsiona a agir de formas inesperadas, rendendo vários twists – e você fica “não podicê!”.

 

Outro ponto interessante é que as discrepâncias entre os alunos afloram as várias facetas de Annalise. Ela não demonstra afinidade por um e nem repúdio por outro. A personagem é impassível, só sente algo quando o caso de Lila começa a lhe prender pelos calcanhares. Período em que passa a escolher os mais fortes para dar aval a um teatro que não perde a graciosidade em 15 episódios.

 

Annalise Keating é a razão dessa história funcionar tão minuciosamente. Ela é o cérebro que move tudo, tem perspicácia e usa da sua fragilidade para o circo pegar fogo. Literalmente, a advogada não é nem um pouco confiável e, quando a máscara cai, o nosso desejo é se dar socos na cara.

 

Digo isso porque todo protagonista vem com a proposta de salvar e de ser salvo. Ainda mais se for mulher. Queremos que essa pessoa vença, sambe nos vilões e eleve as pessoas que estão ao seu redor.

 

Mas e quando essa protagonista é tão mocinha quanto vilã? Annalise tem caráter duvidoso. Literalmente, ela apenas observa e, havendo brecha, dá o bote.

 

Sendo assim, a outra mágica da série é trincar a máscara de uma personagem que é adorada, vista sem defeitos. Geralmente, mulheres que assumem a trama ficam à mercê dos outros personagens, e dos homens, mas aqui acontece o contrário. Annalise é o movimento. Ela tem independência.

 

Fazendo um crossover, casava Annalise e Frank (de House of Cards e não o funcionário tarado). Ambos possuem muitas semelhanças e provocam as mesmas sensações. Eles sentem e mastigam perdas/desilusões, mas não afundam. Os dois usam essas emoções como gatilhos de reviravoltas porque não aceitam, de forma alguma, perder.

 

Annalise permite que Sam a destrua. Ela se entrega, tenta salvar o que não dá para ser salvo, e o mantém por perto. A personagem se automutila emocionalmente. Frank faz isso incontáveis vezes ao se entregar às sapatadas da Claire. O perigo é o retorno desse embate interno. Underwood e Keating sofrem, mas voltam melhores e não hesitam em fazer o que tem que ser feito para manter a soberania.

 

E torcemos desesperadamente por esses dois que não valem 1 Dilma. Ambos são atraentes, manipulativos e amorais. Para a TV, essa pegada é um prato cheio porque é mais interessante trabalhar caracterizações multifacetadas. Humaniza a história.

 

HTGAWM só é HTGAWM por causa da protagonista. Ela nos traga pela inteligência e pelo sangue frio, a alma de Annalise. E, claro, pelo talento estrondoso da Viola.

 

Uma história cheia de reviravoltas

 

O troféu das trevas

 

HTGAWM faz você de otário até os últimos minutos. Imagino Shonda rindo que nem uma condenada no season finale. Não é fácil, gente, sinceramente!

 

Por mais que Shonda não esteja diretamente envolvida com essa série, Peter aprendeu direitinho com sua mentora. A história segue pelo caminho que você acha que é certo, depois muda o percurso, assim, como um GPS desnorteado. Os personagens não são como você pensa, a história não segue como você imagina e Annalise é uma falsiane que geral ama amar (ou odiar, quem sabe).

 

Quando digo que HTGAWM é redondinha é por causa do raciocínio da trama. A história incha e se esparrama, daquele tipo que um escritor consideraria um desafio e tanto controlar. O roteiro é atemporal e exige que o telespectador fique em alerta, especialmente porque há o background dos personagens que se embute ao plot central. O ritmo eletrizante não morre, nem mesmo com o quicar constante entre o presente e o passado e vice-versa.

 

A série é daquelas que instiga você a pensar. Instiga você a querer saber o que diabos está acontecendo. Quem é preguiçoso, não tem vez em HTGAWM, pois é como sentar em uma sala de interrogatório e tentar esclarecer porque fulano fez isso e ciclana fez aquilo. É tudo muito envolvente e viciante. Cada reviravolta não culmina em um nó, em um encerramento, mas em uma nova porta que abre um novo viés, uma teia de aranha que não tem a menor intenção de ficar menor.

 

Nada aqui é mastigadinho e os personagens não retornam na próxima semana do mesmo jeito. Só com os efeitos colaterais do que aconteceu no episódio anterior.

 

Quem merece os aplausos por segurar uma história que brinca com a nossa mente é o elenco. Você não capta o blefe. Todos são norteados nessa brincadeira, cuja mentora é Annalise. Todos possuem muitas nuances, muitas facetas. Por detrás da arrogância, há fragilidade, e quando há fragilidade, há sangue nos olhos. Cada sentimento e ação levam a outro patamar. E é onde mora a angústia.

 

O mais genial da série é essa transição de caráter e isso torna HTGAWM muito significativa. A tramoia é cheia de acertos, é bem alinhada e focada, mas, além das mortes, há o corromper de valores. Os personagens mostram como as circunstâncias são capazes de mudar o mais simples das pessoas – como Wes. O que acontece são os testes da vida que os força a despir ou não a moral.

 

Concluindo

 

How To Get Away with Murder nos deixa agonizando a cada semana e questiona até que ponto você iria para sair imune de uma situação. O quanto uma circunstância mudará sua vida para sempre. Sinceramente, é uma das melhores séries criminais que já assisti e olhem que amo muito o gênero.

 

Dou até o crédito dessa satisfação ao Peter e aos escritores que ouvem o elenco, especialmente Viola que dá vários insights sobre sua personagem.

 

Essa série é muito bem escrita e todo episódio tira os personagens da zona de conforto. Considerando o tempo que foi lançada, a considero uma grata surpresa. Afinal, estamos em época dos 3 Rs – remake, revival e reboot – e HTGAWM se desenvolve originalmente em cima de alguns clichês. E como sempre digo: use o clichê, mas seja inusitado.

 

É muita perfeição que pode ser conferida em 15 episódios. O retorno está marcado para o dia 24 de setembro. Se vocês nunca assistiram e querem, para acompanhar a S2 em dia, saibam que HTGAWM é igual GoT: pegou spoiler e a experiência é arruinada.

 

 

PS: Connor e Oliver é vida!
Stefs
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  • Toda vez que alguém fala em HTGAWM só imagino Shodanás rindo da desgraça alheia e planejando os próximos passos…

  • Olá gata! E ae,aproveitando o hiatus? Sódades dos papos da CW.

    Surtei ao ver vc falando de HTGAWM(que nome grande hein, Nowalk?)! Comecei serie por motivos mais que obvios de Viola "dextruidora" Davis. Você ja viu o que ela faz com o texto? Uau…eu não consigo dimensionar a personagem por causa dessa camada grossa que ela tem. E quando eu pensei que iria seguir por um caminho mais sisudo da personagem, nos encontramos com o calcanhar de Aquiles dela, ou seja, o marido. – morto ainda é marido?-

    Sinceramente, por mais que eu amasse series com esse tipo de pegada, como CSI e similares, pensei que seria mais uma de resoluções comuns. Mas não, abordar a ética num linha tênus de sobrevivência é algo fantástico. Por mais que o dever dela seja com seus clientes e nao com a ética que ela prega.

    Das maravilhosas cenas da series, duas para mim são icônicas. Chamados por mim de momentos de desconstruçao da Keating.
    1. A revelação da mãe dela em relação a frustração do passado. Quer dizer, todo diálogo entre as duas era tão visceral que era até pesado assimilar.

    2. O acerto de contas com o Sam depois que ela descobre tudo! Cara, que puta cena! Sem hipocrisia alguma, nunca vi uma cena com tanta intensidade, bom texto, e interpretações fodásticas na TV.

    Para mim os personagens coadjuvantes também tem lá sua importância. Por mais que eu não engula Micaela o menino Dino. Connor ganhar profundidade ao começar uma relação mais estavel. Bonnie é interessante e shippo ela com o bobão.

    O que mais me atrai na serie é a constante sensação de tensão a cada cena. Sinceramente depois do Finale eu quis gritarrrrrr, gritei- e apanhei da mãe- pq foi muito boa! Sinceramente não sei o que imaginar da Annaliese agora.
    C vai resenhar a segunda temporada?? Vai!

    Um bjo!!!!
    Manda autógrafos!

    PS da CW: As promos da series vampirescas!!!! Estão fodasssssss! Vem dia 8

  • Pior que ela nem trabalha diretamente nessa série. Fica só na miúda hahahahahahaha Mas com certeza ela deve rir muito por dar alguns conselho – já que faz parte do time de produtores executivos.

  • Não há o que dizê sobre esse seu comentário, senhor!

    Como disse lá no Twitter, foi bem mágica sua visita, porque nem tinha dado 30 minutos que tinha apertado o botão publicar hahahhahaha

    Mas faço um adendo ao que disse: também achei que Murder seguiria pelo caminho do mais do mesmo. É um grande risco em séries desse gênero e, hoje em dia, está cada vez mais difícil ser criativo ao escrever sobre crime + polícia.

    O interessante é que Murder tem vários picos, o que a torna viciante. Ela não se prende só ao plot central – no caso foi a Lila -, a trama dá um jeito de sobreviver com outras histórias e o resultado foi 100% efetivo. Até porque também é complicadíssimo dar atenção ao background dos personagens, com flashbacks e tudo mais, em meio a tentativa de resolver um crime. Tem série que não arrisca, mas Murder se jogou do penhasco e se saiu bem-sucedida.

    Sobre as resenhas: queria muito fazer, mas a fall já está tãooo apertada para mim. A começar por TVD e TO no mesmo dia – e Murder tbm.

    Seria de lascar, porque vc sabe que as resenhas da vampirada são mais complexas e penso que com Annalise não seria diferente. Mas quem sabe, hein?

    Beijossssss!