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22/set

DUDES! Com alegria no coração volto a mais uma temporada de resenhas de Doctor Who (e peço desculpas pelo atraso inicial). Neste presente momento, meu cérebro está explodindo com tanta coisa maravilhosa que aconteceu nesta premiere, desde o sempre elogiável trabalho de edição até a trilha sonora (é bom ter moço Murray de volta). Confesso que não estava empolgada com o retorno, embora tenha até gostado da S8. Só foi rever Capaldi que ignorei os traumas do passado. O negócio é curtir mais um ano dessa série linda, especialmente porque será o último da Srta. Clara.

 

Os primeiros minutos deste episódio foram extremamente instigadores. Descobrir que aquela criança se tratava de Davros, na sua curta fase inocente, me fez cair para trás. Por causa dessa situação, que foi dolorosamente dividida em duas partes, o caráter do Time Lord estremeceu e voltamos a um dos grandes questionamentos da S8: seria ele mau?

 

Sabemos que o Doctor é um personagem multifacetado, com um background marcado por altos e baixos. Histórias que fomentaram seu caráter, mais precisamente quando zarpou de Gallifrey. De tudo que poderia ter se transformado, ele preferiu viajar entre o tempo e o espaço ao lado de uma/um companheira/o. O personagem decidiu focar no lado bom de ser Time Lord, mas sabemos que há um dark side camuflado, enrustido, responsável pelas nuances do 12º. A causa que o fez oscilar na temporada passada por ser a versão mais sombria e mais alienígena.

 

Pelo visto, esse norte continuará firme e forte, o que acho excelente, pois não aguentaria mais saltinhos à la 11º (nada contra, amo o doido do Eleventh, demais da conta, mas sentia falta de um Doctor maduro). Penso que essa faceta ganhará um pouco mais de forma por causa do revival de Davros. Para endurecer alguém, nada mais certo que trazer à tona uma nhaca do passado. Já que a Mestre será mais parceira do Time Lord nesta temporada, nada como resgatar o saleiro-mor.

 

Davros foi o choque da premiere. O impacto. Porém, por mais que estivesse presente como o conflito da trama, o intuito foi resgatar a maior insegurança do Doctor. O personagem pode até querer vingança, capaz que saia um pouco satisfeito por ver o Time Lord quase beijando seus pés, mas a chefia dos Daleks fincou algo ainda mais essencial na trama: o mudar pelas circunstâncias.

 

Doctor e Davros são crianças da guerra. Se viram no limite do combate. Se perderam no meio do caminho. Um giro no percurso os tornaram quem são. A diferença é que um ainda espia por cima do ombro, incerto se deve ser tão amado como o herói, sendo que se culpa pelo episódio Gallifrey. Já o outro, sabe muito bem quem é e se orgulha. O episódio foi sensacional nesse quesito, colocando-os em equiparidade. Contudo, sabemos da sutil linha que os separa – só um ainda sente o peso das escolhas feitas no passado. Erros e acertos dentro de determinadas circunstâncias.

 

Daí, entramos no senso de dever do Time Lord. De repaginar o passado.

 

O 12º tem um lado negro, um ponto que a S8 explorou em vários momentos. Davros entra nesse meio como um lembrete de que bondade não existe e, de quebra, aproveitou para enumerar todas as ditas fraquezas do Time Lord. O que o faz humano e que poderia ter sido extirpado depois da guerra.

 

Ambos poderiam ser iguais em tudo, mas o alienígena foi lá e se apaixonou pela humanidade e faz questão de salvá-la a menor oportunidade. Esses fatores só aumentam o encanto dessa história, principalmente quando caímos em si que o 12º não liga tanto para os humanos.

 

Um encanto que só cresceu justamente por causa do paralelo deste episódio com o 8×02. Antes, vimos o Doctor driblar o ceticismo para salvar uma criatura que foi programada para matá-lo – e que nem queria matar. Um Dalek que sentia muito sendo que é pago para sentir nada. O saleiro do bem só nos fez voltar ao questionamento sobre o caráter do Time Lord. E nem ele tem uma resposta.

 

Se houve ceticismo com um Dalek, por que não podemos desconfiar desse herói? Nem todo mundo é sempre bom, certo? O Doctor pode ser mau, né? Ou nem?

 

Esse foi um belo gancho que resgatou também o momento em que o Doctor é chamado de Dalek. Abrir a cicatriz e apertar a ferida são novas chances para o personagem olhar para trás e realmente voltar ao início da sua saga para responder algo em aberto na temporada passada.

 

O peso disso ficou mais real no novo lamento em torno de mais um último dia para o Doctor. Bem a cara dele dar festa para celebrar a morte, uma meditação um tanto quanto bizarra, coisa de alienígena. Nada como colocá-lo em tom de despedida juntamente com Davros, aumentando a aflição sobre a ideia de que ambos estarão juntos antes de “receber terra na cara”. Nada como provocar a impressão de uma tragédia para atiçar as mais variadas emoções.

 

Sério! O equilíbrio da trama em conciliar o último dia do Doctor e de Davros ficou outstanding! O pico da trama embalado pela dança ritmada dos Daleks que estavam mais destemidos que o normal em acabar com o teto de vidro de um Time Lord desesperado. Chateada com os tiros na TARDIS.

 

Ainda é cedo para dizer, mas aposto tudo no Capaldi mais uma vez. Ele é versátil (como se isso fosse alguma novidade) e mostrou seu talento ao sair do papel de rockstar para o homem incapacitado de proteger sua companion. O que foi vê-lo ajoelhado? Que cena foi essa, né, gente? O cara manda muito bem, sem brincadeira!

 

Não houve tanto do Doctor neste episódio, mas, o que teve, foi o bastante para capturarmos o que ele passará daqui por diante. No fim, o personagem pode até ter uma resposta sobre ser bom ou ruim, mas o percurso até uma conclusão não será fácil. Só sei que o Time Lord provou que não consegue segurar suas emoções humanas mesmo em uma versão mais alienígena.

 

Esse senhor foi divertido, irreverente, intenso ao arraigar um fim, e ensinou novamente que um herói é capaz de transformar até uma criança em um monstro. Um perfeito conflito de moral que o mudará mais uma vez. Já mudou, na verdade, ao ponto de ser ousado em mudar a história.

 

Exterminate? Confirmação de que Doctor é um Dalek de dois corações? Será que ele o matou? Me ajuda a te ajudar, amigo!

 

Clara e Missy

 

Vou me abster de falar muito da Missy, porque ela continua deliciosa. Desde a aparição épica até a maneira como tentou convencer os Daleks para dar a volta ao mundo com ela, essa Mestre conquistou, deu um novo fôlego para a trama e divertiu à beça. Vale até dizer que gostei muito de vê-la com a Clara, pois, por mais que quisesse descartar a companion, a malandra assumiu o posto do Doctor no quesito de dar uma lição de casa sobre o que acontece no ato. Achei demais!

 

Como todos sabem, meu amor pela Clara diminuiu no fim da S7 e decaiu de vez na S8. Não porque ela traiu o Doctor – o argumento de tudo e todos –, mas devido ao fato de que o trabalho na storyline dela decaiu e empobreceu. Da menina que salvou a timeline do Doctor, ela estagnou em vários nada por causa do Pink. Sim, reforço que achei legal o foco na rotina da personagem, mas e o desenvolvimento? E morreu!…

 

Tenho muito respeito por ela ter ingressado na TARDIS não como a mulher que não sabe o que fazer da vida, mas por estar predestinada (não que todas não estivessem, mas a garota impossível não estava infeliz com o cotidiano). O que me matou foi a arrogância e a petulância da companion na S8. Mesmo assim, quero acreditar que ela será uma pessoa melhor nesta temporada e senti um pouco de firmeza neste episódio. Clara voltou mais atenta, destemida e confrontou Missy impecavelmente.

 

A personagem estava muito ousada neste episódio, amei a postura supercentrada dela, de verdade. O que me deixa meio assim é o fato de sentir seu endurecimento interno, que automaticamente a fez mais focada no quesito companheira do Doctor, por causa da morte do Danny. Estou meio-cansada-de-mulher-mudando-por-causa-de-homem-em-qualquer-história e espero que seja uma impressão. Clara merece mostrar seu valor por si mesma. Como a Soufflé Girl.

 

E venham cá: como não tremer quando o Doctor explica para a Clara como os Daleks foram feitos? Sempre tive um sério problema com essa lacuna que diferencia a companion da Soufflé Girl (que estava no 7×01 – Asylum of the Daleks). Ainda sinto dentro do meu coração que esse plot será resgatado.

 

Concluindo 

 

O episódio foi muito satisfatório. Um belo retorno. A trama instigou e envolveu, brindou com mistério sem perder o apelo de ótimo entretenimento, e o transitar em lugares diferentes entre o tempo e o espaço casaram com o ritmo eletrizante. Foi bem triste cair em si que tudo já tinha acabado, pois foi tão gostoso assistir, digno de várias reprises, mesmo com o rastro de aflição.

 

Mas foi a dramática das atuações que se destacaram, sendo o verdadeiro tremor da premiere. Além disso, dou meu amém pelo retorno dos cliffhangers e nunca me dei conta do tanto que sentia falta do “continua” até vê-lo antes dos créditos finais.Vale um adendo para o comeback da mistura entre mitologia do Time Lord e o viés científico sempre muito bem representado pela UNIT. O que foi o tiro de rever Skaro também? Tudo muito Who Clássico.

 

Agora, há os famosos questionamentos, especialmente sobre um tal testamento. Qqtáacontecendo? E menina Clara? E malvada Missy?

 

Estou bem ansiosa! <3

Stefs
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