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28/set

Essa conclusão de mais um capítulo da vida de Davros e do Doctor foi incrível! Um jogo de manipulação saboroso em meio a uma fotografia de encher os olhos. Assim como o episódio anterior, esse também berrou o alarme Who Clássico e chego aqui entorpecida.

 

Fazia tempo que não xingava uma trama tão intrincada, ao ponto de querer invadir tudo e estapear os envolvidos. A sacada, que nem deve ser chamada de sacada, era nos ludibriar no que poderia ser realmente o último dia do Time Lord. O recado de “ele sempre sabe que ganhará” caiu por terra por breves minutos, provando que quanto menor a esperança, maior o impacto da reviravolta.

 

Missy e Clara renderam boas risadas logo de início, mas tudo silenciou com o flashback de alguns Doctors. Não aguento retrocessos, pois eles me fazem pular em círculos, de verdade. Fico tão extasiada e nunca consigo descrever o que sinto em momentos como esse.

 

O conflito entre Doctor e Davros só serviu para botar em cheque a resolução deste episódio: o Time Lord vitorioso. Foi impossível não se envolver na lábia de Davros e não cogitar que, dessa vez, o Dalek rei se daria bem. Uma brincadeira que deu muito certo, pois o discurso do saleiro do mal foi magnífico. Alguém avisa para ele que o rótulo falsiane 2015 lhe pertence com todos os méritos.

 

As cenas entre os dois inimigos foram carregadas de dualidade. Enquanto achávamos que um jogava, o outro jogava muito mais. Literalmente, o Time Lord chegou muito perto do seu último dia e quase assistiu a um novo amanhecer a favor dos Daleks. Que belo presente de morte seria esse, não? Ainda bem que deu tudo errado. Foi um embate passivo, sarcástico, cheio de trocadilhos e, acima de tudo, agonizante. Fazia muito tempo que não xingava o Doctor, juro para vocês.

 

Se é uma coisa que me tira do eixo é personagem sendo otário diante de uma falcatrua óbvia. Ainda bem que esse senhor não tem o mojo humano para ser feito de trouxa, pois, com certeza, teria caído na pose “fragilizada” de Davros. Eu caí que nem uma besta e fiquei aflita berrando “não podicê!”.

 

Este episódio trouxe à tona as mais variadas emoções. Tendo em vista o fato de que o Doctor estava completamente encurralado, a tensão e o desespero foram enaltecidos, mas não tanto quanto a frustração de pensar que dali o personagem não sairia. Ok que ele sairia, oras, ele sempre sai, porém, até o fatídico momento, a aflição se destacou. Quase morri quando o Time Lord me desfila com a saia de Davros. Foi engraçadíssimo, mas quem não desejou que esse senhor se retirasse dali?

 

Mais uma vez, houve paralelos com o 8×02 e surtei demais. Quase tive um infarto quando Davros indaga se foi um bom homem, como se soubesse do tom da indagação que tirou o 12º do eixo na temporada passada. Período do qual o Time Lord estava totalmente perdido sobre sua moralidade. Pior que isso foi a jogada na face de que o Doctor é híbrido, a resposta para o saleiro do bem, do episódio referido, que o julgou como Dalek e estava corretíssimo… Será?

 

Agora, a inconstância desse senhor está mais do que explicada. Basta relembrarmos todos os momentos em que o personagem se viu sem esperança. Praticamente um Dalek, com muito sangue nos olhos e a arrogância de se sentir imbatível no auge. Sem esperança, o dark side do Doctor vem à tona. A outra faceta que, talvez, pode até ter a ver com seu hibridismo. É uma nuance visceral e fatal como um ataque de vários Daleks. Só há foco em destruição e ai de quem estiver no meio.

 

Inclusive, ter um DNA Dalek também explica o desconfiar desconfiando que está à flor da pele nessa versão do Doctor. Antes, ele dava mais a cara tapa, agora hesita com frequência, como um saleiro, questionando e testando para ter certeza de quem ou o quê precisa ser exterminado. Queria estar morta!

 

São nesses momentos fora do sério que o sentimentalismo do Doctor simplesmente some, porém, outras emoções transbordam e não são as mais fraternas. Ele se torna outra pessoa, por assim dizer. De novo, Capaldi nos brindou com ótima atuação, encarnando a frieza do seu personagem com maestria e depois nos derrubando com sua compaixão.

 

Essa compaixão foi responsável pela melhor cena do episódio: a conversa entre os inimigos, com direito a risinhos cúmplices e tapinhas nas costas. Desacreditei! O tom de desabafo ficou muito honesto. Absurdamente convincente. Para isso, nada como botá-los de novo em postos de equiparidade, introduzindo uma pitada de nostalgia e de dever, como se ambos sempre estivessem do mesmo lado.A semelhança de um genocídio e de proteger suas respectivas raças pareceu o estopim para uma concordância. Porém, quando a compaixão do Doctor é alertada como algo que o mataria/matará, esse “afeto” virou perigo – e xinguei muito de revolta.

 

Admito que me emocionei com essa troca de falsidade. Diálogos sucintos que tragaram, não dando nem chance de pestanejar para capturar o blefe. Foram cutucadas certeiras que me fizeram crer que Davros estava arrependido – enquanto berrava os palavrões – sendo que ele não sente nada, né?

 

Nisso, voltamos ao Dalek legal do 8×02. Essa lata realmente sentia. Realmente lamentava. Por que Davros não poderia sentir também não é? Que belas lágrimas de crocodilo!

 

O momento-chave foi o tal defeito dos Daleks. Falta de respeito? Really? Era falta de regeneração mesmo e foi rápido captar essa furada. O interesse por Gallifrey também chamou atenção, até cogitei por alguns segundos que Davros só queria saber se a terrinha ainda existia para tocar o terror. Afinal, Skaro foi reerguida, então, por que não pensar que o lar dos Time Lords está bem à beça? Marchar para encontrar os inimigos seria batata. Ainda mais quando se tem o viajante mor como refém. Visualizei fácil uma nova guerra para exterminar a concorrência.

 

O twist foi esperado e inesperado ao mesmo tempo, pois a fraqueza do Doctor foi cutucada e Davros achou que o tinha vencido. A realidade veio à tona com uma reviravolta bem-humorada que culminou em uma resolução emocionante. A moral da história foi pontuar o quanto é importante ter compaixão. Sentimento que ainda é a vida e a morte do Time Lord que amamos.

 

O salto para a resolução do cliffhanger deixou muito o que pensar. De fato, não deveria haver essa de amigos e de inimigos. Desde que haja compaixão, podemos fazer a diferença. O Doctor representa essa mudança constante. Ele pode perder a esperança, pode se perder de si mesmo, pode se isolar em seu azedume, mas jamais deixará de ser simplesmente o Doctor. Aquele altruísta, que salva, que não desiste mesmo quando se está sob o teto de muitos Daleks. Essa é uma mensagem importantíssima. Se formos parar toda vez que um mal acontece, o mundo estagnará.

 

O Doctor se revelou como um ser dois em um. Será? Há o amigo e o inimigo em suas veias. Será? O amigo que salva e o inimigo que não pensa duas vezes em segurar uma arma para provocar uma guerra. Será? Um instinto de Time Lord em proteger e o gosto de matar de um Dalek. Será?A linha tênue é a compaixão que, uma vez perdida, abre brecha para tragédias. Esse personagem tem a polaridade invertida, pensa melhor dentro do verbo salvar, se deixando levar, sendo pretensioso e vencendo no final das contas.

 

Porém, o conflito com o dark side está presente, querendo ganhar espaço na emoção em vez da razão. Até quando esse senhor segurará a onda?

 

No fim de um dia puxado, a compaixão é o que importa. A solidariedade também. O reconhecer da vergonha para aproveitar as chances que surgirem para acarretar uma mudança. O Doctor foi lá e mostrou que há bondade para o pequeno Davros, abandonado na mina de mãos. No fundo, somos desesperados pela mudança. Uns para o bem. Outros para o mal. O importante é que a versão humana de um futuro Dalek aprendeu a mais bela das lições de vida.

 

A extrema preocupação do 12º com a Clara 

 

Pre-ci-so falar sobre isso, sendo que fiz a egípcia na semana passada por ter achado que era apenas impressão. Muito que bem, não acho que seja impressão.

 

A preocupação do Doctor com a Clara estava nas alturas neste episódio. Mais que no anterior. Pensei que toda a dramática só estava centrada no tal último dia dele, mas isso tem cara de últimos dias da companion. Aquele abraço dos dois no 9×01 não me sai da cabeça. Há uma brecha entre os personagens e penso que tudo começa com a bendita sonic screwdriver. Não só isso, como a mudança do figurino do Doctor – algo que Capaldi contou em uma entrevista que seria explicado.

 

De duas, uma: o Doctor já sabe como ou quando Clara terminará. Ver o pânico dele em resgatar a companion justificaria toda essa apreensão. Inclusive, o jogo mental de Davros e dos Daleks ao darem certeza de que a menina morreu (isso, se não pensarmos no truque da Missy). Não sei, há uma lacuna não preenchida, nem sei se irá, mas o Time Lord sabe de algo. Ah, sabe!

 

Clara dentro do Dalek

 

O que foi essa experiência? Não tenho palavras. A agonia da personagem reforçou o clima de desespero deste episódio. A claustrofobia de estar dentro de uma maquinaria maligna que muda qualquer um que passa a viver lá dentro. Ver Clara naquela situação me deixou sem ar, especialmente quando luta para se autoafirmar. Não sei vocês, mas acho que essa aventura a mudará de alguma forma. A preocupação do Doctor ao liberá-la não passou despercebida.

 

Foi intenso o reencontro Doctor-companion. Lembrou demais o 11º e o Dalek-Soufflé Girl. Esses paralelos estão me tirando do sério, sinceramente.

 

Missy: a fangirl

 

Agora é válido perguntar: qual é a dela? Todos os pulinhos fangirl – que me representaram demais – e toda a ação/preocupação em salvar o Doctor para…. Sabotar a Clara? É claro que a saga dos Daleks não termina até a série terminar, e ela ficou empacada em uma Skaro em destruição. O que esperar dessa versão do Mestre que ainda é intraduzível? Que, pelo visto, quer o dark side do “parceiro” suprimindo o good side?

 

Missy me deixa boquiaberta. As atitudes teatrais dela são impagáveis. De novo, elogio a maneira como a personagem explicou várias coisas para Clara, forçando-a a raciocinar. Os momentos da Time Lady até renderam uma indagação: o que acontece quando o Doctor está na linha do perigo? Para mim, é Clara que acontece e voltamos na questão dos ecos da companion espalhados por aí.

 

Até chuto que a sombra que o Time Lord vê antes de atacar os androides no flashback era ela.

 

Concluindo

 

O episódio foi de uma magnitude indescritível. Perfeito. Cheio de premeditações que culminaram em resultados contrários. Aflitivo, mas surpreendente. Uma bela conclusão.

 

Senti que este episódio foi realmente um retorno ao início. Uma nova treta com Davros, a Mestre com segundas intenções, uma companion que começou como Dalek e voltou para dentro de um. Agora é a questão de um Time Lord híbrido e como se dará essa nova realidade que pareceu tão interessante para dona Missy. Resta saber o quanto essa experiência mudou o 12º. PS: alguém poderia falar mais sobre essa profecia?

 

PS²: Missy tem uma filha, como assim?

Stefs
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