Menu:
27/set

É bem capaz que esta resenha seja um pouco (pouco?) nostálgica. Gostaria de agradecer ao Tim pelo retorno desse universo do qual nem imaginava que sentia falta até estar diante de Noah Bennet, cinco anos depois. Estou bem feliz de escrever sobre Heroes Reborn nos próximos dias, pois preencherei a lacuna de não ter tido um blog lá em 2007, ano que me vi viciada, para exprimir minhas opiniões. Acho que até seria bem perigoso naquela época, pois fiz parte do grupo de fãs assíduos. Em outras palavras, do grupo de fãs perigosos que esbravejava com os haters.

 

Hoje estou mais light, ok?

 

Antes de falar sobre o que interessa, um aviso importante: quem não assistiu Dark Matters, prelúdio de Heroes Reborn, pegará vários spoilers (mas acho que não interferirá em nada. Acho).

 

Ainda não acredito que a NBC tirou Heroes da tumba. Primeiro: a emissora foi a principal responsável pelo decair da narrativa da série, praticamente obrigando Tim a mudar tudo o que tinha planejado. Segundo: o showrunner não saiu feliz do job e fiquei surpresa por ter topado o come back.Para quem não sabe, este revival não tem o objetivo de ir longe, sendo redondinha em seus 13 episódios. Se rolar renovação, rolou, mas duvido que isso aconteça.

 

Dark Matters é importante por ter situado o clima do mundo com relação a existência escancarada dos EVOs. Tudo mudou, pois a meta de Reborn é explorar problemas sociais para desenvolver a história dos personagens. Dessa vez, não haverá tanto o formato de quadrinhos – característico de Heroes, aonde há os mocinhos que se unem contra um vilão em comum –, embora tenha rolado a divisão de volume (e gritei com isso).

 

O revival trará à tona algo que vivemos hoje em dia: o preconceito e a intolerância. Uma fórmula que humaniza a narrativa dentro do fato de que não é todo mundo que aceita o “diferente”.

 

E quando se é diferente, a maldade atinge níveis inacreditáveis.

 

A realidade agora é brutal: todos os EVOs precisam se registrar e cada mapa genético precisa pertencer a um banco de dados. O salto no tempo de Reborn apenas pontuou que a Inquisição de pessoas com poderes já rolava por debaixo dos panos e, depois do terrorismo, se tornou escancarada. Entidades e humanos corrompidos capturam na caruda quem é especial. Justo!

 

Clima dos episódios

 

Nada mais honroso que começar a história em Odessa, Texas, o lar da líder de torcida que há muito tempo foi a razão de manter o mundo em segurança. Uma adolescente que foi responsável em botar os EVOs diante dos holofotes ao saltar e mostrar que tem a habilidade de se regenerar. Uma atitude destrinchada com mais detalhes em Dark Matters que mostrou como os humanos passaram a tratar aqueles com poderes. Bem mal, claro, forçando a criação de grupos de protesto que aclamam os mesmos direitos para os seres especiais.

 

Os primeiros minutos da premiere salientaram tudo isso, só que do ponto de vista de Noah Bennet.

 

Meu nome é Claire Bennet e essa é a tentativa…

 

Foi assim que o caos se instalou. Uma das frases clássicas de Heroes e que se tornou motivo de inspiração para os EVOs saírem do armário. Uma ideia que, a princípio, parecia funcional até o ataque dito como terrorista no tal 13 de junho – que Dark Matters explica como a situação transcorreu do ponto de vista de Quentin, que virou o braço direito de Noah ao longo da premiere. Um ataque que mudou tudo e já considero genial a maneira como a mídia entrou em cena.Não precisou de repórteres para todos os lados, pois o burburinho de fundo foi o bastante para acentuar o clima que não rima com apaziguar. Uma reviravolta que impulsionou os EVOs para a toca.

 

Teria sido os EVOS? Teria sido os humanos? Teria sido as duas raças? Não se sabe. O que se sabe é que o despertar de Reborn nada se assemelhou ao Gênesis de Heroes.

 

Não havia clima de descoberta, de paranoia, de confusão. De ficar catatônico ao se ver como detentor de habilidades que começavam a florescer conforme um eclipse solar se aproxima. Foi pura descoberta, ao contrário do que acontece agora, período que todos têm plena consciência de que pessoas com poderes existem. Só faltava uma razão para começar um ciclo de repressão. Uns por ódio, outros por repulsa, alguns por vingança. Como no início, quem tem poder precisa se esconder, a diferença é que há terror enraizado por causa de um ataque que receberam a culpa.

 

O primeiro episódio não contou com a magia de pessoas comuns se tornando extraordinárias, como diria Suresh. Todos estão apavorados. A real agora é: você se descobre ou é descoberto como detentor de poder e será perseguido. O despertar desse volume pode significar muitas coisas, dentre elas aceitação.Aceitar que existe EVOs. Seria isso possível?

 

Aonde estão os heróis? 

 

O 13 de junho nos levou para vários momentos antes da tragédia. Um ano depois e o cenário se apresentou piorado, menos para Noah que vive em um comercial de margarina sob um nome falso. Por mais que tenha mais odiado que amado esse homem, penso que o revival não seria o mesmo sem ele. Amei (e ainda amo) muitos heróis, mas esse senhor e seu icônico óculos são insubstituíveis.

 

E isso inclui a maldita Primatech.

 

O primeiro episódio foi sucinto e dividido em vários momentos. Ao contrário de Genesis, que apresentou cada personagem e os poderes (sem nomeá-los na lata), a problemática da trama ganhou destaque e mostrou o que unirá os heróis atuais e alguns do passado. Foi de sua importância dar ênfase ao clima que engolirá essa turma logo de cara, para sentirmos que a situação está mais séria que antes. Daí, calhamos na indagação: Claire fez certo em sair da penumbra? Noah e Cia. honrarão a memória dela – já que a líder de torcida se tornou uma ativista sem saber?

 

Claire foi uma ponte para várias coisas na premiere, uma menção honrosa das mais necessárias, especialmente quando me lembro da relação dela com Noah. Ouvir que ambos brigaram foi algo banal, afinal, discutir era o moto deles. Por intermédio da personagem, empresas fachadas entraram em cena, como Renautas (que também foi apresentada em Dark Matters), uma agência que recruta EVOs para, possivelmente, transferi-los para a Primatech – tese que considero afirmada por causa de Quentin e do 2º episódio que revelou a fábrica de papel ainda em funcionamento.O mais chocante de Reborn nem foi o fato da caça aos EVOs, mas como os humanos estão realmente focados a exterminá-los. Afinal, pessoas com poderes estão em vantagem nas estatísticas. Em curto tempo de tela, Luke e Joanne representaram muito bem os seus papéis, sendo o espelho daqueles que querem vingança.

 

Uma vingança que se tornou tão arraigada dentro deles que exterminar pessoas com poderes soa como um hobby. O ataque dentro da lavanderia, que também é palco em Dark Matters, foi a sacudidela brusca para mostrar que esse retorno não será brincadeira. Que também haverá espaço para a justiça com as próprias mãos.

 

O segundo episódio situou um pouco mais a problemática e deu um nome a ela. Monetizar EVOs?Juro que fiquei arrepiada quando o segurança conta isso ao Noah.

 

A sequência respaldou o interesse científico por detrás de cada EVO. Em Heroes, Noah era o responsável em capturá-los e transferi-los, todos como fonte de estudo, rotulados e arquivados. O retorno da Primatech não só honra o início, como pode ser o engate final para o personagem encontrar redenção. Foi nesse lugar que aconteceu as maiores atrocidades contra pessoas com poderes e nada mais sensato que Bennet sentir na pele o que um dia provocou.

 

O papo de monetizar EVOs era algo que imaginava já que o teor científico, a curiosidade de saber como uma pessoa nasce assim, foi muito explorado em Heroes. Pensando em Claire, dá para fazer incontáveis coisas com seu poder de regeneração – e venderia como água, já que os humanos andam mais fúteis que o normal e sempre optam pela estética. O mesmo vale para outros capturados, como Micah (vide Dark Matters) e sua habilidade com máquinas. Criar maquinaria mais responsiva soa bem para vocês? Adeus, Apple!

 

Isso firmou o abuso humano, um ponto que segurará o interesse. Até onde uma pessoa é capaz de ir por dinheiro? Não que seja uma surpresa para nós, mas não deixa de ser uma pauta que inconforma. Em Reborn, corpos são usados para fins lucrativos, sem autorização, um replay do trabalho anterior de Noah. Essa nova realidade promete ser mais crua, pois os envolvidos tomarão a liberdade daqueles com poder, tirarão o que lhes pertence e usarão só cheesus sabe para quê.

 

Pressinto que essa dramática pesará demais, principalmente quando ocorrer a aparição dos heróis antigos. Tudo que aconteceu no passado será a lição de casa a ser retomada. Ajuda, Suresh!

 

Os novos personagens

 

Por mais que ame Heroes com todo meu coração, achei os personagens fracos. Lembro que sofri a mesma coisa com o Piloto da série, que teve uma hora de duração, mas os heróis se revelaram interessantes a cada minuto. Vale até o adendo de que o elenco era mais velho, o que amadureceu imediatamente a história. Pessoas adultas com problemas pessoais, salvo Claire que era adolescente.

 

Essa minha taxa de rejeição nem é pela “mania” de não desapegar do elenco antigo, mas porque não fui cativada por nenhum deles. Achei que isso não aconteceria, mas não me animei. Ao menos, por enquanto. Quando o Piloto de Heroes acabou, já sabia quem amaria para sempre (Niki e Hiro <3). Penso que o problema de agora é que não houve a introdução da mitologia, o que impediu que o início do revival fosse mais envolvente. A trama foi direto para a ação e nem culpo por se tratar de uma minissérie. A treta é mais importante que a introdução dos personagens.

 

Por isso acho importante assistir a série antes de Reborn, pois a experiência anterior não será perdida e será possível associar as menções e captar as entrelinhas.

 

O 2º episódio focou no seu novo elenco e mostrou um pouco mais deles. Amei forte terem respeitado a maneira como acontece as apresentações e por ter heróis espalhados em diferentes partes do mundo (que não é coisa de Sense8, mas de Heroes mesmo, se liguem).

 

Penso que Tommy será meu xodó, levando em conta que chamo o Stiles de Teen Wolf de filho. Rachei o bico da parceria dele com Brad. Não curti o plot da Miko, achei fora da proposta, mas Tim sabe o que faz. A relação dela com Ren me lembrou Hiro e Ando. Rendeu boas risadas também.

 

Quem se destacou bastante foi Carlos. Já posso imaginá-lo dando uns tapas em Luke? Afinal, enquanto um estará focado em honrar o irmão, o outro saiu da Primatech com todas as fichas dos EVOs nas mãos para matar geral. E gosto do ator, só precisa aflorar esse personagem.

 

Senti falta de uma quantidade maior de mulheres também, EVOs e humanas. Havia um certo equilíbrio em Heroes e Reborn já me decepciona por ter metade do elenco feminino vilanizado. Queria uma figura como a Claire, mas penso que quem assumirá esse papel é Emily. Ela sabe do poder de Tommy e entenderá que toda essa repressão não faz sentido. Roda de oração!

 

Concluindo

 

Há algumas coisas que diferenciaram Heroes e Reborn, e destaco a falta do grande vilão, como Sylar. Noah também saiu dessa responsabilidade por ser agora vítima de um novo sistema. Os inimigos são os humanos pretensiosos que almejam o lucro e os vingativos que querem justiça por causa das perdas do 13 de junho. Uma ficção que não imagino tão distante da nossa realidade, pois uns matam por menos. Idealizem se fôssemos rodeados por pessoas com poderes?A essa altura seria presa, pois sou a maior simpatizante. Com certeza, pertenceria ao Paladino da Verdade – o grupo de protesto que chama atenção para os direitos dos EVOs (Dark Matters tem detalhes).

 

Admito que os dois episódios foram muito lentos e quem nunca entrou em contato com esse universo não será fisgado. O 2º episódio nem deu motivo para continuar a jornada. Tim fez um trabalho de fã para fã, então, se você saltar o passado, não sacará o presente e não entrará no novo clima. A experiência foi de pura nostalgia para quem acompanhou os heróis em 2006 e saí satisfeita por conhecer certos rostos e por ter sido brindada com o formato que fez a série um sucesso.

 

Reborn trouxe a fórmula do passado e talhará uma nova tramoia. Penso que não tem erro. A série pode até ter um novo nome, mas vem com um gosto de familiarização altíssimo. São novos ares. Houve muitas menções honrosas além de Claire, como o retorno de Suresh e do Haitiano (René), elos que uma vez suportaram/ajudaram Noah. Foi tudo escrito dentro dos conformes e só tenho elogios por ter sido fiel ao passado, com todo cuidado aos detalhes.

 

Tenho até que dizer o quão genial foi a troca de “temos que impedir” de Genesis para “está a caminho”. O que diabos está a caminho?

 

Agora, venham cá: quem não sentiu vontade de esfregar a cara do Noah na tela da Primatech por motivos de Micah Sanders? Tive um pequeno grande surto com essa cena. E não tinha o nome da Phoebe, irmã do Quentin, e já penso que deu em nhaca, uma maior que a vista em Dark Matters.

 

Foram tantas perguntas deixadas no meio do caminho que mal posso esperar para a continuação. O que aconteceu com Claire? O que Noah esqueceu? Quem é o gordinho da moeda e o que quer com Tommy? O que farão com menina Molly? Quem é James Dearing – isso me cheira a presença do Parkman? O que Joanne e Luke farão com aquela pasta, mesmo sendo óbvio?

 

Acelera eclipse solar que quero ver o barraco rolar!

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3