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26/set

E mais uma vez, recebemos um soco na cara com assinatura ShondaLand. Só eu mesma para ter sido ingênua ao pensar que a premiere da 2ª temporada de How To Get Away With Murder seria um pouquinho mais light. Até porque o foco seria a morte de Rebecca, então, estava mais em clima de resolução. Como ser otária pela milésima vez na vida quando se trata dessa empresa, viu?

 

Murder retornou dentro da sua essência e rendeu vários twists como de praxe. Não houve uma fogueira dessa vez, mas retrocessos do depois ao assassinato de Rebecca. Annalise e Frank representaram um pouco da tensão da trama, mas não foi o bastante para suprimir o clima de paranoia do quinteto fantástico.

 

Passaram-se 10 dias, que mais pareceram 24 horas, do ocorrido e deu para captar a barra que é estar amarrado a uma mulher que revelou uma tranquilidade tremenda em não ser ética para proteger sua reputação. Annalise foi o choque de realidade, assumindo seu lugar com uma compostura impecável. Foi saudoso rever a sala de direito, que serviu para acentuar o humor de cada personagem. São em momentos assim que Peter entrega muito em situações minimalistas.

 

A começar pelo tema que, provavelmente, será o dessa temporada: pessoas ditas que amam e que matam. Por obsessão? Por vingança? Há muitos nortes e por causa de um deles Wes foi carregado até o final como o principal suspeito da morte de Rebecca.

 

Até parece…

 

Wes não estava no mesmo clima do 1×01. Ele estava puro azedume e, mesmo com o coração partido, manteve o queixo empinado. Esse personagem mostra bem como é a maldição de ser cúmplice e foi muito legal ver um novo atrito entre mentora e aluno, uma briga banhada de petulância.

 

Os demais membros da panelinha estavam entregues a uma paranoia particular, alguns mais outros menos, por causa dos desdobramentos do caso Sam. Além de terem que suportar a realidade do que foram capazes de fazer, ainda aguentarão as cutucadas com chapa quente, pois, a menor oportunidade, um jogará as nhacas do passado na face do outro. Como viver?

 

Esse clima inicial foi importantíssimo para salientar que ninguém debaixo daquele teto é inocente. Todos foram corrompidos na temporada anterior e o interessante será acompanhar as novas reações quando estiverem diante de mais uma situação que exigirá muito da moral deles. Se é que ainda há, pois Annalise já começou sabotando o caso alheio, por bel-prazer.

 

A verdade é que Annalise fez isso a fim de esquecer o que houve e para renovar as próprias emoções. Por mais que não seja uma personagem transparente, ela é a que mais quebra. Essa mulher necessita de novos ares e nada mais sensato que encontrar isso em uma nova competição. A advogada precisava de uma dose de adrenalina para abafar o barulho dos cacos que ecoam o nome de Nate.

 

Foi ilegal o que ela fez, mas dominar o que furtou pode vir a ser uma forma de limpar seu nome, de mostrar que ainda é excelente e que não teve nada a ver com a morte de Sam. Nada como manter as aparências, certo, Annalise?

 

Óbvio que o grupo vai junto e sabemos como o barco funciona. Se ela afundar, todos afundarão. Sem dúvidas, haverá um momento que alguém dará com a língua entre os dentes. Afinal, nem todo caso é perfeito. Por mais que exista uma advogada perspicaz para limpar a sujeira de mais de 4 pessoas, essa bola de ar está murchando e nem quero ver quem dará o último sopro.

 

Viola Davis mostrou porque ganhou o Emmy em apenas 40 minutos de episódio. Annalise continua surpreendente. Se só tínhamos uma faceta dela ao longo da 1ª temporada, agora tivemos a mulher-mãe, mulher-advogada, mulher-aflita, mulher-protetora, mulher-que-gosta-de-mulher (mas gritei muito, hein?) e mulher-baladeira. A versatilidade quicando de minuto a minuto, sem um pingo de dificuldade, nos dando muito de uma personagem que foi intraduzível ao longo da S1.

 

Agora, é a fase de se remendar e de trazer à tona uma nova versão de Annalise. Pelo visto, uma mais ousada e ao mesmo tempo mais sensível – que dependerá demais do ângulo do qual se encontrará.

 

As cenas com Eve enalteceram as camadas mais frágeis dessa personagem. Uma fragilidade que acredito que será sua condenação. Ela se entregou para a parceira, sem pensar duas vezes. Permitiu-se a uma dose de nostalgia que a fez reabsorver quem era antes. Mais tenso que isso só mesmo se revelar uma chefe bacana que abraça o happy hour. Mostrar-se demais é zona de perigo para uma mulher que ainda é odiada no ramo que trabalha e que é uma ameaça na vida social daqueles que a seguem por não terem opção. A dureza da cumplicidade que uma hora será um fardo.

 

Os momentos com Eve trouxeram a curiosidade de saber quem foi Annalise na universidade. O choque foi dado em sequência: ela foi uma pessoa divertida (mas deu mancada) e morava com a parceira de profissão. Não só morava, como tinha um romance. A advogada tinha uma alma, gente, até Sam entrar na vida dela e absorver tudo. Quero saber desse antes, pfvr!

 

O que vi em Eve foi um novo Nate. Quero acreditar que Annalise tem as melhores das intenções, mas é difícil quando relembramos a sofrência do ex-affair. A princípio, posso até considerar que é uma nova aventura, que sinaliza um novo ciclo da personagem, que até se jogou maravilhosamente na balada, mas nada me tira da cabeça que isso terminará em nhaca. A advogada usa as pessoas, ué.

 

Foi uma inserção surpresa a da Famke. Jamais passaria pela minha cabeça que sua personagem tinha sido crush da Annalise. Achei sensacional (embora continue a não ser a mais fã da atriz).

 

Mesmo com várias facetas transbordando para os lados, Annalise continua enigmática. Posso temer o próximo bote? Tudo bem que sinto que a advogada será engolida por causa da pressão do julgamento de Nate. Considerando o cliffhanger, é fácil prever uma queda brusca. A vingança em forma de karma.

 

E quem matou Rebecca foi…

 

Bonnie! A promessa da premiere foi cumprida e admito que não fiquei surpresa. Para mim, foi meio really? Justifico essa falta de choque por não curti-la tanto. No aguardo de um melhor desenvolvimento, por que precisa, né? Chega de mimimi.

 

Ainda fico passada com a lealdade de Bonnie. Não entra na minha cabeça como uma pessoa se submete a ser capacho – isso na vida real também. Não entendo, de verdade, e isso vale até para quem é puxa-saco. Não vejo lógica. Pior que nem posso dizer que é insegurança, pois a mais quieta das moças provou do que é capaz. É nesse quesito que mora minha surpresa.

 

Bonnie pode até ter feito o que fez em nome de Sam ou para reconquistar a confiança de Annalise, mas senti uma vontade tremenda de se provar para si mesma. De realmente ir lá e fazer algo do qual não foi mandada. A personagem pode jurar que fez pensando em alguém X, mas só vi ali desejo pessoal.

 

O requinte dela foi muito calculado, arrisco a dizer que houve até elegância na hora de envolver a cabeça de Rebecca no plástico. Ela foi delicada. Fez tudo ponderadamente, sem hesitar, de uma forma simples e limpa. A covardia só apareceu quando não ousou a acompanhar a morte da garota, sadismo que pertence à Annalise, que só faltou rir quando Sam foi morto na sala.

 

Tenho que concordar com Frank: a culpa sempre vem dos mais quietos. Ok que uso daqueles que se menos suspeita e Bonnie não estava na minha lista. Até que curti, mas só pela maneira como ela executou o plano e envolveu Rebecca na sua lábia. O esquema de dar esperança e roubá-la com rapidez. Toma meu like!

 

O quinteto fantástico (que agora é quarteto)

 

Todos se assemelharam pela falta de motivação de voltar à rotina que já não tem mais propósito. Rachei o bico quando Annalise indaga sobre o bendito troféu (RIP). Pelo menos, há um mistério nas mãos deles, que é o Eggs 911, que respondeu ao surto de Michaela. Quero pensar que Wes nem chegará perto disso, pois quero que essa pista flua por conta própria. Já me bastou o que Dino Thomas fez para proteger Rebecca a todo custo. Nossa, queria arrancar meus olhos algumas vezes!

 

Independente disso, o tal Eggs reviverá a memória de Rebecca e isso só aumentará a paranoia no grupo. Todos estão no mesmo ambiente de novo, mas em quem confiar? As mortes dela, de Sam e de Lila não serão esquecidas tão cedo, porque é o tormento dessa turma. E precisa estar presente.

 

Quem me surpreendeu foi menino Connor. Ele caiu na fama de little bitch no transcorrer da temporada passada e, só mais tarde, bem mais tarde, reconheceu que gostava de Oliver. Imaginei que o personagem trabalharia na poker face depois do twist sobre a saúde do namorado, achei que buscaria sexo em outras camas, mas foi provado o contrário e estou vomitando arco-íris.

 

Fiquei feliz por vê-lo agir contra tudo que cogitei. Há uma tentativa de amadurecimento da parte de Connor, o que é muito bom. Porém, o início dessa problemática ainda é suave se formos pensar no momento em que Oliver sentir os sintomas da AIDS. Algo que, provavelmente, só aumentará a paranoia do sexo por medo de contaminar o namorado. E sabemos que o boy ama/é sexo.

 

De todas as histórias desta temporada, a que mais me interessa é a de Oliver. Justamente por trazer um assunto não muito pautado em séries atuais. É uma chance de não romantizar um relacionamento entre duas pessoas (ma-ra-vi-lho-sas) do mesmo sexo. Acho válida essa fuga da perfeição, o que abre margem para uma storyline que tem tudo para ser palpável e gerar conscientização.

 

Concluindo

 

Foi um retorno que valeu a espera. Cada twist seguido de salto temporal foi de perder a cabeça e acredito no potencial dos próximos episódios. Ainda mais quando somos brindados com um cliffhanger que envolve logo a protagonista. Qual será o caminho perpétuo da personagem para ter sido tombada com um tiro que pode custar a sua vida?

 

Pensando no tema da premiere, já coloco Eve na lista. Pensar que ela está sendo usada por Annalise é possível. Afinal, é dessa mulher que estamos falando.

 

Há Asher, que anda metido aonde não deve e sabemos que dedo-duro não tem vida longa com Annalise. Penso que não demorará muito para Bonnie farejar algo de errado. Essa mulher pode até ser carente, mas só se faz de burra – e agora é assassina. Por enquanto, ele é o único que está mergulhado em uma nova onda contra advogada e a tendência é se afogar.

 

Ou pode ser alguém do caso que ela afanou. Ele não foi concluído neste episódio, como os outros da temporada passada, dando a entender que é mais relevante ao que aparenta. Com certeza, será um meio para Annalise sair do controle da sua ética mais uma vez.

 

Atrelado a isso, há o caso Nate que promete consumi-la por inteiro. E se foi ele, hum?

 

E, de novo, Wes no lugar errado. Como faz?

 

Fora disso, há o misterioso Frank. Quem é esse homem? O que faz? O que come? Qual é seu trabalho? Por que diabos Annalise o aceita enquanto encara Bonnie por cima do ombro?

 

As emoções continuarão à flor da pele, pois o grupo está claramente lidando com conflitos internos com relação ao que rolou na temporada anterior. Por isso a sensação de dia seguinte, pois todos ainda mastigavam os acontecimentos de Lila/Sam e a suposta fuga de Rebecca. Todos continuam interligados na mesma teia, parecem convencidos de que o que aconteceu no porão, ficou no porão, mas haverá novamente o conflito de moral característico da série.

 

Fato é que ninguém terá tempo de se recuperar dos últimos acontecimentos. Há o novo caso, que desencadeará outro e que culminará no cliffhanger. Alguém me ajuda?

 

A pergunta que não quer calar: Annalise será uma boa mulher nesta season?

Stefs
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