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15/set

Antes de Rowling ser minha mentora no âmbito escrita, houve outra mulher chamada Nora Roberts. Ela não é tão popular em comparação aos grandes best-sellers (sendo que também é uma), mas, até hoje, sinto dificuldade de encontrar alguém que a tenha lido e amado. Muitas pessoas nem sequer conseguem relacionar o nome a uma obra, mas essa escritora é real, popular, prolifera e muito versátil na hora de elaborar enredos. No caso dela, é muito difícil ler mais do mesmo.

 

Roberts é famosa pelos romances, grande parte focados no convívio familiar. O que gosto muito em seus livros é a atmosfera de suspense que ela dá um jeito de inserir em meio ao drama, o que torna um pouco difícil abandonar a leitura. A autora tem muitos títulos – muitos mesmo – e, quando tinha 17 anos, só queria dominar seu estilo de escrita que mistura esses dois gêneros, sem ficar forçado e/ou com uma resolução muito na bolha de ilusão – como alguns escritores por aí.

 

Essa mentora literária foge do típico marido-trai-mulher, por exemplo, sempre trazendo problemas variados que existem em várias casas e/ou culturas. Há um leque de temas que a autora desenvolve, até fantasia (bruxas?), o que justifica a quantidade de livros publicados há mais de 3 décadas.

 

Quem me levou ao encontro de Nora foi uma antiga parceira de fanfics. O primeiro que comprei foi Segredos, na intuição, que conta a história da rica Emma, cujo miolo da trama foi varrido para o fundo da sua memória. É um drama com suspense. Ao terminá-lo, fiquei encantada com o estilo de escrita. Para mim, considerando a época, foi um tipo que poderia me inspirar com tão pouca experiência por causa da fácil narrativa, sem floreios e sem viagens na maionese. Porém, isso não tira/tirou a preocupação da autora com os detalhes, algo que realmente aprecio.

 

Essa escritora é daquele tipo que não precisa se esforçar muito para criar novas histórias, talvez, por não ter a pressão da editora (ao menos, não tanta). Inclusive, porque ela escreve, em grande parte do tempo, sobre assuntos que conhece. Porém, ao ler dois títulos, é possível captar as diferenças dos enredos, e até mesmo dos personagens, e é impossível não se envolver ao ponto de querer mais.

 

Tenho em mente que a nova Nora Roberts da minha vida seria Jojo Moyes, porque ambas têm um estilo de escrita parecido e têm o mesmo gosto por romances – com uma pitada de suspense em alguns títulos. Ambas centralizam personagens femininas, amam um drama familiar e tentam ao máximo não concluírem suas histórias como se fosse uma novela. Elas se preocupam com suas protagonistas e lhes dão problemáticas que as aprofundam em vários âmbitos.

 

Pode até ser um tipo de leitura bem fraco, daquele que você aproveita em dias de tédio, mas as duas escrevem de um jeito muito gostoso. Muito envolvente.

 

Outro livro que gosto muito da Nora é Manhattan – Louca e Desvairada (e a capa nacional é linda!). Nele, Nora fez algo que aprecio – também – em um livro: duas histórias em um mesmo volume. Ambas são diferentes, mas transcorrem na mesma cidade e não tem como não querer o encontro dos personagens. Sim, fui feita de otária de um jeito inesquecível!

 

Nora nunca teve receio de ousar nas suas histórias. Justamente por causa do seu gosto pelo suspense, algo que não investia separadamente devido aos bem-sucedidos romances. Para suprir esse desejo, ela inseriu nuances desse gênero em várias obras – o que sempre deu muito certo para mim e sempre me prendeu. É possível captar isso em Doce Vingança, por exemplo, que conta a história de Adrienne que só quer se vingar do pai dela. Mas por quê?

 

Embora goste muito dos romances dela, meu coração pertence aos livros em que assina como J.D. Robb. Com esse pseudônimo, Nora publicou/publica a Série Mortal, minha favorita e que tenho empilhada, e não completa, na minha prateleira. Amo demais! Todos são ambientados em um século 21 que não parece – até então – em nada com o nosso, em New York, com um toque tremendo de futurismo.

 

Minha Eve Dallas <3

 

Eve Dallas é a protagonista, deusa do meu ser, que sempre vejo como a Mariska lá no começo de Law & Order: SVU – sim, sou louca nesse nível. Ela é a policial que norteia uma investigação a cada volume e essa é a parte mais bacana da Série Mortal. Cada livro lido me faz sentir como se assistisse a um episódio de séries desse gênero. E vocês sabem que não gosto, de forma alguma (#mentira).

 

Dallas é maravilhosa, badass, sangue frio e vulnerável. É uma das personagens das quais sou muito apaixonada. A Série Mortal também me deu o OTP que mais sofri – e continuo a sofrer – na juventude: Eve e Roarke. Ambos são cheios de traumas e de haters querendo vingança, e Nora os faz se conhecer em meio a pressão de cada investigação (leia-se: em cada livro).

 

Embora Rowling tenha me empurrado a escrever na prática e me mostrado que devo fazer isso para o resto da vida, Nora fez o favor de dar molde ao sonho. Meu desejo de contar histórias começou com ela, mas foi tia Jo que me colocou na linha de fogo.

 

Usei muito do que absorvia de cada livro dessa mentora literária nas minhas fanfics de Harry Potter. Muitos dos meus romances de gaveta bebeu da fonte de alguns títulos da Nora e gosto de pensar que o We Project tem um pezinho na Série Mortal.

 

Inclusive, ambas escrevem em 3ª pessoa e são culpadas por eu não simpatizar tanto com a 1ª – se o livro for bom, perdoo, porque há autores que sabem contar uma história nesse POV. Isso refletiu em todo meu trabalho de escrita e, claro, no WP que é uma narrativa com vários olhos.

 

Nora não tem aquele buzz no Brasil, mas é muito querida. Ela não tem um tremendo hype como outros escritores (que nem mereciam tanta atenção), mas tem livros publicados pra caramba, desfilou/desfila nas listas do The New York Times até dizer chega, vende bastante e já foi plagiada. O “anonimato” nunca a impediu de produzir. Todo ano tem livro novo e fico na saia justa porque não consigo acompanhar.

 

Além de tudo isso, Nora escreve para instigar. Mesmo que seja em um dramalhão romântico. Ela tem liberdade para aprofundar seu enredo e conclui cada história de forma satisfatória. A autora disseca os plots, garante realismo no desenrolar da trama e humaniza as personagens – como Eve Dallas. E, sério, gosto muito de escritores que fazem isso, especialmente quando juntam romance e suspense.

 

Eu era “nova” quando comecei a ler Nora, uma leitura que é sempre indicada para mulheres casadas, donas de casa, divorciadas, etc.. Lê-la era tão esquisito quanto ouvir Céline Dion, também rotulada como a cantora da mulher adulta, com o coração partido e afins. E eu lia e ouvia essas mulheres muito mais velhas que eu. Até minha mãe ama Nora e Céline, gente!

 

Lembro-me do drama que era quando caçava um livro da Nora e me via cercada de mulheres mais velhas que faziam a mesma busca. Deveriam me achar a adolescente mais torta do universo, que deveria estar na área infantojuvenil e tal… Acho que até me olhavam torto porque nos livros dessa autora há cenas de sexo – Série Mortal – algo que sinalizava uma leitura “não adequada para mim”. Só sei sentir sobre esse passado!

 

Mas vale um agradecimento, porque Nora me deu coragem para escrever minhas primeiras cenas de sexo (em fanfics). Todas terríveis, óbvio, mas, com o tempo, encontrei o meio termo de ser sexy sem ser vulgar. Isso me faz até lembrar que, em um fórum de HP, derrubei meus leitores quando anunciei o NC/17. Foi muito épico – e me dá vergonha toda vez que releio, de verdade.

 

Para alguns, a Série Mortal pode ser bizarra, mas para mim continua sendo uma das obras mais incríveis que pararam na minha prateleira. Até porque era meados dos anos 2000 quando comecei a lê-la, então, é o mesmo que pegar uma série muito antiga e tentar assisti-la. Quem nunca?

 

Mas tem o Roarke, gente! Lembro-me que emprestei o Nudez Mortal para uma amiga da faculdade e ela ficou toda assanhada querendo os outros livros. Entendo completamente.

 

Tenho muito respeito pela Nora, embora a tenha abandonado nos últimos anos. Preciso completar minha Série Mortal que só vai até o Natal Mortal. Enfim, lê-la é uma questão de gosto e, caso queiram, não esperem nada avassalador (mas leiam, sem compromissos). É uma leitura light, como Jojo Moyes, e encantadora à sua maneira.

 

Só sei que, para mim, ela é incrível, seus romances esquentam o meu coração e Eve Dallas me faz querer ser como ela toda vez. É ótimo lembrá-la como minha mentora e fica a menção honrosa – Nora foi a primeira a pertencer à Galeria da Fama de Escritores Românticos dos EUA. Acho que isso diz muita coisa sobre seu trabalho.

 

E aceito qualquer livro dela de Natal, ok?

 

PS: reclamo, mesmo, dessa mulherada que opta por pseudônimo masculino. Tudo bem que, no caso de Nora, foi uma homenagem aos filhos. Porém, isso me faz lembrar da Rowling, que também só foi “levada a sério” ao topar ser creditada como homem. Penso que uma mulher escritora nos anos 90 era tão digna de anonimato quanto as do século 18/19. Isso é frustrante, pessoal!

Stefs
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