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10/set

Os dias de #TBT potterianos são os melhores. Porém, por mais lindos que sejam, há espaço para falar sobre coisas desagradáveis, que existem aos baldes no universo Potter, e uma delas se chama Dolores Umbridge. Este é o momento em que poluo o Random Girl com preconceito e com muito ódio no coração. Ao menos, no que condiz a essa criatura que saiu da 2ª Guerra Bruxa vivinha da silva para inconformismo de geral. Juro que a trocaria pelo Dumbledore – e quem me conhece sabe que não suporto o diretor (mais detalhes, cliquem aqui, e não rompam comigo).

 

Esse resgate se deve porque, no ano passado, Rowling liberou a ficha da Umbridge no Pottermore. Obviamente que o impacto foi enojante. Se eu já sentia asco dessa personagem, saber do passado que fomentou seu caráter só aumentou o sentimento.

 

A primeira aparição de Umbridge aconteceu em Harry Potter e a Ordem da Fênix. Logo de cara foi fácil notar que ela seria aquele tipo de personagem que se camufla em uma falsa inocência. A primeira impressão ficou e quase matou. Afinal, quem duvidaria de uma senhora que ama rosa e gatinhos, não é? Detalhes que lhe deram um ar inofensivo, sendo que, por dentro, o desejo de tacar fogo em Hogwarts e nos nascidos trouxas borbulhava. Um parasita que queria vir à tona.

 

Ela sinaliza o que um sonserino tem de “melhor”: viver de aparência. E, ah!, como Umbridge viveu das aparências, gente, a começar por ser meio-sangue. Sempre me perguntei como um bruxo mestiço ingressava na Sonserina, pois isso nunca fez sentido para mim. Não me lembro se esse tópico foi explicado na saga – sim, mais um motivo para reler os livros pela milésima vez –, mas, considerando que só a nata do mundo bruxo é permitida nessa Casa, cidadãos como Voldemort, Snape e Umbridge destoam o propósito da bandeira de cobrinhas que odeiam trouxas.

 

Esses três abraçaram fervorosamente a repulsa por sangues-ruins. Nem os Malfoy eram tão dedicados a esse hate, embora desgostassem por ser uma questão de manter a linhagem familiar pura. O mesmo vale para Bellatrix que só gostava de causar. O desprezo desse trio pela comunidade não-mágica foi motivado por vingança – Voldemort pelo descaso do pai, Snape pelo abuso em casa e Umbridge pela vergonha da família que, no trouxês, ela descreveria como um flop completo.

 

Sempre considerei Umbridge um Voldemort de saia e a ficha dela não mente. Sua mãe era trouxa (Ellen Cracknell) e o pai era bruxo (Orford Umbridge). O ponto de perturbação aqui é o irmão aborto, que a personagem logo centralizou a culpa na figura materna – que não tinha poderes.

 

Orford trabalhou por anos no Departamento de Manutenção Mágica no Ministério da Magia e ficou subentendido que Ellen era dona de casa. O casamento em crise fez a mulher voltar para o mundo trouxa com o filho embaixo do braço, largando o marido e a filha demoníaca.

 

Se Umbridge chorou? Não, gente! Ela ergueu as mãos para o céu e disse amém!

 

Com espaço para tocar o samba, Umbridge dominou a casa e usou a sua já afiada manipulação para isolar o pai dentro de casa. E ela conseguiu! Orford largou o emprego crente de que a filha o sustentaria. Acho que esse senhor nunca pensou que seria otário. E foi otário!

 

Ao contrário de muitos alunos da Sonserina que transbordavam orgulho de suas famílias, Umbridge morria de vergonha da sua e fez de tudo para escondê-la. E conseguiu também. Embora muitos desconfiassem de suas origens, ninguém tinha peito para indagar (eu jogaria essa coxinha na parede, sim senhor!).

 

O casamento infeliz dos pais ressaltou seu desprezo por qualquer forma de fracasso, e ausência de ambição, e a despedida da mãe abriu espaço para seu lado teatral ganhar forma. Inclusive, a falta de contato com a figura materna lhe deu a máscara que segurou por anos: de pagar de sangue-puro.

 

Famílias desmanteladas é um ponto comum entre sonserinos meio-sangue. Ok que a loucura de Umbridge é de berço, mas ela também via perdas como oportunidades. Algo como Voldemort que centralizou todo o abandono para se vingar de quem não tinha nada a ver com seu perrengue, bancou de sangue-puro quando não era e cada derrota alheia foi um degrau para seu sucesso.

 

Com o passar dos anos, Umbridge revelou que é do signo Voldemort com ascendente em Hitler. A chave do seu controle veio de muito discurso, sem uso da força – algo que só foi acontecer em Hogwarts e, mais tarde, quando o Ministério da Magia foi dominado por Comensais. Essa dualidade impediu até mesmo que a personagem se casasse. Não porque não quis. Ela queria, muito, mas só com sangue-puro para manter o status que não tinha.

 

Mas casar era algo já fora de cogitação para Umbridge. Os homens ficavam perturbados com suas crenças e isso incluiu a maneira como enxergava a comunidade não-mágica. As sugestões dela de como tratar sangues-ruins deixavam qualquer um de cabelos em pé. A queda total da máscara, que não tinha nada a ver com ordem e progresso entre os dois mundos, só foi acontecer quando pisou em Hogwarts e me pergunto quem é que aceitou o currículo dessa cidadã.

 

Umbridge é descrita – sem nenhuma novidade – como uma pessoa controladora e que não curtia ser consternada – algo que os gêmeos Weasley fizeram com louvor. Outro grande problema dela era acreditar que qualquer um que barrasse seus planos merecia ser punido. Simplesmente por se achar dona da razão. Daquele tipo insano e lunático que não aceita negativas e que acha que todo mundo tem que abraçar o seu discurso. Na mente dela, o que projetava era sensato. Basicamente o que Hitler pregava sobre os judeus e todo mundo acreditou.

 

Ela usou a fraqueza do mundo bruxo, uma possível insatisfação, e tocou o terror.

 

Rowling até que tentou equipará-la à Bellatrix nesse texto, mas só concordo com a semelhança pelo gosto de subjugar e de humilhar os outros, e de não parar o serviço até ficar satisfeita. Por mais que pareçam donas de uma mesma caracterização, penso que ambas se diferem muito no quesito lealdade e independência. Lestrange dependia da aprovação de Voldemort e abaixava a cabeça ao menor movimento dele. Umbridge era livre, fez geral de capacho e tenho certeza que ela tomaria o trono do Lord das Trevas com direito a um tapinha e uma dose daquela risadinha petulante.

 

O comportamento tacanho de Umbridge se explica não só pela família que tinha tudo o que não gostava – pensa naquela criança que se revolta por não ser rica e começa a fazer de tudo para ter dinheiro –, mas também pelas experiências nos anos escolares em Hogwarts. Rowling não detalhou o que aconteceu, então, só presumo que a entrada dela em qualquer círculo da elite bruxa tenha sido barrada.Embora fosse naturalmente cruel, penso que a personagem tenha capengado por aprovação e acabou frustrada.

 

As experiências em Hogwarts devem ter lhe ensinado aquele belo ditado de antes sozinha que mal acompanhada. Umbridge pode ter contado com Fudge para subir, mas tomou o resto do trajeto sozinha, sem tolerância para qualquer um que se metesse na sua agenda.

 

Hogwarts foi um prato cheio para que praticasse o que falava/pensava. Umbridge entrou na escola para, no mínimo, se vingar e para mostrar que ninguém a rebaixa, que ninguém a humilha e que contra seu poder não há Harry Potter que resista. E o pentelho resistiu.

 

Esse domínio de Umbridge em Hogwarts foi outro ponto que aumentou meu repúdio pelo Dumbledore. Amo muito a Rowling, vocês sabem disso, mas a constante “mea culpa” do diretor era tão frustrante quanto Voldemort sentado vendo o mundo pegar fogo. Dois homens passivos, sem ação, transferindo o trabalho para um bando de adolescentes e de adultos. Ser bruxão assim é maravilhoso, não é? Manter-se na zona de segurança é bom demais!

 

O diretor ficou sentadinho, assistindo aos abusos, esperando o momento para sumir de cena para tomar umas biritinhas lá no além. Pela posição, Dumbledore tinha que chutar Umbridge de Hogwarts e, sinceramente, nunca me desceu essa de “Harry tinha que aprender a se virar” ou “havia um plano maior”. Rowling sabia o que fazia com sua narrativa, mas não aceito os vários nada que esse senhor fez em 7 livros.Coitado do Frodo se Gandalf o abandonasse 100% na jornada com aquele bendito anel, né?

 

Se tivesse chance, Dumbledore mandaria o trio se afogar em Enigma. Ok que há a jornada do herói intrínseca na saga, mas Jo ressaltou o que muitos não veem: a incompetência do diretor. Quem tomou todo o tranco foi a profª Minerva e ninguém dá o devido valor a essa mulher – que tomou uma pancada de feitiços estuporantes ao se meter com a doida da Umbridge. Aff, não sou obrigada!

 

Voltando ao assunto deste post (nunca perderei a chance de falar mal do Dumbledore), o texto de Rowling frisa a falta de punição de Umbridge ao retornar para o Ministério depois do badalo em Hogwarts. A personagem continuou a agir dentro do que achava certo. A diferença é que houve a – maravilhosa – morte do Dumbledore. Mais uma vez, lá foi ela aproveitar o incêndio.

 

Havia corrupção no Ministério (duh!) que se intensificou com o domínio dos Comensais da Morte. Com os seguidores lhe fazendo companhia, Umbridge conquistou um novo aval para fazer o que bem entendesse e é quando seu desgosto por nascidos trouxas finalmente se revela. Com esse texto de Rowling foi fácil entender porque tanto repúdio, sendo que sempre relacionei o ódio dela ao que Harry representava e, mais tarde, ao que ele fez para enxotá-la de Hogwarts.

 

O novo período de trevas fez com que seus pensamentos maliciosos fossem valorizados por aqueles que também queriam exterminar os trouxas. Umbridge deixou de ser vista como a louca, como aquela que só dizia coisas absurdas. Ela viu suas ideias ganharem vida porque estava em um meio que valorizava suas crenças – todas deturpadas. Os Comensais fizeram o favor de ouvi-la e tiraram o freio, criando Dolores, a imparável, que não hesitou em caçar sangues-ruins. Talvez, para aliviar sua vergonha particular (mas isso é um pensamento meio otimista).

 

Há o fato dela não ter se tornado uma Comensal da Morte, um conflito interessante com o papel de Narcissa ao longo da saga. Mesmo que não estivesse engajada por dentro, Umbridge admirava o que o grupo de Voldemort fazia. Ela simpatizava e não tem a Marca Negra – como a mama Malfoy. Marcada, ela seria julgada como uma igual sendo que sempre atuou sozinha, sem rédeas e sem controle. Ela fez o prático: se afiliou. Com a afiliação, essa senhora cresceu, como vemos em Relíquias da Morte.

 

Mas isso não a fez menos monstra. Ela pode não ter se incluído no clube do Voldemort, mas deu aval para a crueldade se desenrolar lá em Relíquias. Uma crueldade intrínseca de sua pessoa. O que foi o panfleto anti-trouxa? As práticas agressivas em Hogwarts foram só o treino para mostrar o quanto era perigosa e o quanto iria longe para impor suas regras.

 

A personagem foi corrupta como qualquer político brasileiro. Aplicou condenações e torturas psicológicas por furtos de varinha que não eram verdadeiros – por que ninguém pegou o livrão com os registros de futuros bruxos e esfregou na cara porca dela? Ok que, considerando o cenário, sangues-ruins não se safariam, mas uma carta de Hogwarts pregada na agenda, de recordação, salvaria algumas vidas e geraria muito barraco. Hermione Granger, você está demitida!

 

Por mais que tenha sobrevivido ao final da guerra, Umbridge foi julgada e acusada por cooperação com os Comensais e por ter torturado e aprisionado várias pessoas – e isso inclui sangues-ruins que nada tinham feito e foram destinados à Azkaban (e alguns morreram por não terem resistido).

 

O sadismo de Umbridge é algo que nunca teve limites e acho muito difícil de explicar. Como diria Lady Gaga, ela nasceu assim. Não é para menos que seu nome significa dor, algo que provocou durante sua carreira no mundo bruxo. Uma rigidez acarretada por uma visão de mundo extremamente limitada. E isso é interessante porque, nesse quesito, ela tem muito de Lucius Malfoy.

 

Pensem: se eu perguntasse aos dois porque agiram da forma X, as respostas seriam iguais: tudo culpa da Dilma, digo, dos trouxas. Há muita arrogância para manter a aparência e para ter controle acima de todos. Porém, Umbridge foi fiel ao que pensava e o pai de Draco fugiu a menor chance.

 

Ela me faz pensar no que reflito a todo o momento: o uso da inteligência para coisas idiotas e que ferem os Direitos Humanos. Vejam bem: ela inventou a pena de punição. Por que não gastar energia para mudar o Ministério da Magia que ia mal das pernas antes mesmo da 2ª Guerra eclodir?

 

O bizarrismo de Umbridge atinge o auge quando lembramos do seu ponto fraco: o pavor de criaturas mágicas. Não qualquer uma, mas as que são parcial ou totalmente humanas. Por isso a raiva por Hagrid e o pânico por Grope, frisando que ela não aceita o diferente. Falar sobre direitos iguais com essa senhora seria o mesmo que pedir para ser furado com a pena de repetição nos olhos.

 

Umbridge é o avesso do Lorde das Trevas e dos outros sonserinos explorados na saga. Lucius se uniu aos Comensais por medo e para manter a pose, e não aguentou o tranco. Dolores manteve suas convicções até ser ouvida e mostrou que não trabalha para perder (e perdeu, bonito!). Essa personagem é aquela que não tinha motivo para incitar tanta barbárie. Tudo estava na mente dela. Sua família era bacana, mas voltamos na questão das aparências. Para piorar, Umbridge foi certamente rejeitada, o que justifica o ódio de Hogwarts e o fato de não ter se casado.

 

Imaginem se Luna levasse a sério todo o bullying mais a piada que geral fazia do seu pai? Às vezes, o meio justifica atitudes e comportamentos, mas no caso de Umbridge não há explicação.

 

Por mais que a odeie, Umbridge é um personagem interessante como qualquer sonserino. Ela precisava de cutucões para mostrar a que veio e ela fez isso acontecer, um percurso similar ao de Voldemort que mordeu um a um até ser o Lord das Trevas. Ela aproveitou cada brecha até ter os holofotes. Enquanto as famílias sangue-puro viam poder em número, ela mostrou que é possível mandar e ser temida sem um exército. Bastava apenas uma sala pink e quadros de gatos.

 

Ao contrário de Snape, que encontrou redenção por causa do seu amor por Lily, Umbridge não fez carta de retratação. Ela gostava de deixar marcas, o que lhe confere mais importância por ser a 2ª pessoa a deixar uma cicatriz em Harry. Enquanto o amor de Narcissa salvou os Malfoy, capaz que essa maluca tenha celebrado sua prisão.

 

Sinceramente, acho que Umbridge tem muito do Bartô Crouch Jr.. Esse orgulho de ser leal e ainda rir da cara do perigo. De ter convicção sobre algo, por mais escabroso que seja, ao ponto de matar até os parentes. Ambos são assustadores por detrás da fachada, vendendo essa imagem de pequenos e frágeis, e foram os que mais causaram estragos por causa dessa visão limitada dos arredores.

 

Aos meus olhos, Voldemort não era tão forte quanto Umbridge. Não é à toa que é possível encontrar um meio-termo para Tom Riddle se tornar Lord das Trevas. Com Dolores não há. Ao contrário do vilão mor da saga, que se revoltou por causa do pai e da situação no orfanato, essa personagem vem com uma bagagem de repúdio nato “porque nasceu de tal jeito”. Ela foi daquelas que se moldou em função do outro e não foi a mais feliz das pessoas – e tenho certeza que essa senhora acha que foi.

 

É difícil engolir a sobrevivência dessa mulher. Nem tanto pela crueldade, mas quando mensuro as perdas de ótimas vidas que nem foram vividas – leiam Remus Lupin.

 

Termino essa falta de amor por aqui. Espero nunca mais ter que filosofar sobre essa cidadã.

 

Para ler a história dela na íntegra: Potterish.

Stefs
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