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08/set

“Me dá isso. É o meu apanhador de poeira.”

 

Mike Noonan é um escritor famoso que enfrenta um tremendo bloqueio após a morte da sua esposa, Jo. Toda vez que ele tenta escrever, seu corpo se manifesta fisicamente contra a ideia, resultando em crises de pânico e ansiedade ante a tela em branco do Word.

 

Além disso, ele começa a ter pesadelos terríveis com Sara Laughs, a casa do lago onde eles passavam as temporadas. Assombrado também pela gravidez que Jo escondeu até a sua morte, Mike decide voltar até Sara e ver o que acontece por lá. Quem sabe ele até consiga voltar a escrever. Mas é no lago que ele acaba conhecendo a pequena Kyra e sua mãe viúva e jovem demais, Mattie Devore. Sem querer, o escritor se vê no meio de uma batalha pela custódia da garota, travada por Mattie e seu sogro milionário, Max.

 

Enquanto enfrenta a loucura do velho, Mike descobre alguns segredos sobre a pequena cidade, sua esposa e sobre ele mesmo. Pouco a pouco, as peças do quebra-cabeça se juntam e a batalha termina em uma sequência de cenas incríveis que faz o leitor praticamente engolir mais de 100 páginas sem perceber.

 

 

Com uma narrativa que ganhou meu coração quando eu tinha apenas 12 anos de idade, Stephen King dividiu muito as opiniões dos leitores com Saco de Ossos. É difícil conhecer alguém que não seja fã do King e tenha lido o livro até o final, justamente porque ele usou e abusou da prolixidade, contando a história do Noonan em 754 páginas (na minha versão – a quinta edição da Objetiva de 1999) que bem podiam ser reduzidas para pelo menos 500.

 

Além disso, não é uma história de horror típica do King. Apesar de algumas passagens bem aterrorizantes (uma delas logo no começo do livro, que me fez dormir de luz acesa durante alguns meses da primeira vez que eu li), é basicamente uma história sobre a força do amor, algo mais ou menos na mesma linha de Love.

 

“Percebi que a linha entre o que eu sabia que era real e o que eu sabia que era apenas minha imaginação havia desaparecido.”

 

Adaptação para a TV

 

Em 2011, uma adaptação em duas partes foi exibida pelo canal A&E. Dirigido pelo Mick Garris, que adaptou outras obras do King, e estrelado pelo Pierce Brosnan, o longa não foi nenhum sucesso, mas conseguiu transmitir muito bem para a tela a mensagem do livro.

 

Como fã chata de carteirinha, torci o nariz para várias coisas que ficaram de fora ou foram alteradas, mas, de um modo geral, foi uma adaptação muito bem feita. É indiscutível que Brosnan vestiu a pele do Mike com perfeição, tanto que eu não consigo mais ler o livro sem imaginá-lo. Outra escolha boa do elenco foi a Anika Noni Rose no papel de Sara Tidwell. Apesar de imaginar a personagem como a Angela Bassett, a Anika assumiu as caras e bocas descritas pelo King e se saiu muito bem.

 

 

Referências à Torre Negra

 

Como a grande maioria dos trabalhos do King, Saco de Ossos também faz algumas referências à Torre Negra. A principal delas é o todash, um estado em que a pessoa entra e consegue viajar entre universos. O todash é bem explorado e importante na história da Torre. Em Saco de Ossos, ele ocorre duas vezes, mesmo que de forma inconsciente.

 

Na primeira vez, o Mike tem um sonho absurdo no qual vive em três realidades distintas e interage em cada uma delas com uma mulher diferente – Sara, Jo e Mattie. Na segunda vez, ele viaja no tempo até a Feira de Fryeburg no ano de 1900 e lá encontra a pequena Kyra, que deveria estar dormindo em sua cama, há alguns quilômetros da casa do lago.

 

É interessante como essas partes de todash fizeram mais sentido para mim ao ler o livro pela segunda vez, após ter lido toda a série da Torre. Uma explicação para a quantidade de fenômenos sobrenaturais em Sara Laughs pode ser a de que o mundo naquela parte do lago é mais fino, se abrindo para os outros mundos e para a Torre com maior facilidade.Outras referências são o número 19 (e suas variações, como 1900), que aparece várias vezes em pistas que são deixadas para Mike pelo pessoal da “geleira”, e a própria Sara Laughs, que é gêmea de Cara Laughs, uma casa que aparece nos últimos livros da Torre.

 

Quem resolve se aventurar na obra do King e mergulha de cabeça nos livros d’A Torre Negra percebe que não tem mais volta: a pessoa começa a ver sinais em sua volta o tempo todo e, quando a loucura finalmente diminui um pouco, vai ler outro livro dele e começa a caçar “19”s depois que a primeira referência aparece. O mais legal é a noção de que a Torre, como a cola que une todos os universos, age como a obra que liga todas as outras. Neste sentido, todos os livros do King são importantes e válidos.

 

 

Eu indico Saco de Ossos para todas as pessoas que me perguntam qual livro do King elas devem ler primeiro. Não é nenhum terror absurdo que vai te fazer passar noites em claro, mas é uma história linda e um excelente teste de paciência. Se você sobreviver às inúmeras páginas de calmaria no livro, você vai conseguir ler a maioria dos outros numa boa. Dou quatro, de zero a cinco rosas.

 

Na Prateleira
Título: Saco de Ossos
Autor: Stephen King
Páginas: 756 (edição 1999)
Editora: Objetiva

Mônica
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