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16/set

Penso que quem escreve um livro, ou até mesmo uma fanfic, tem algo em comum: teimosia.

 

E a teimosia me tirou o sono, há alguns meses, em forma de Prólogo. Vou-lhes explicar.

 

O meu erro já começa pelo meu amor por Prólogos. Amo introduções melosas, que funcionam como uma impressão do resultado do enredo, ou instigador, que traz um incidente que moverá os personagens. Por ter esse mimo, não hesitei em escrever um para a primeira parte do We Project.

 

O primeiro foi escrito em 2012 e a edição começou nos meses seguintes, porque estava grande e denunciava demais a história. Considerando que também não tinha outline nessa época, deixei a coisa fluir quando achava que o texto estava adequado. Sem olhar para trás.

 

Por minha história tratar também uma investigação policial, o Prólogo serviu não só como a introdução de um fato que influencia a minha protagonista, como também um espelho do que não poderia ser esquecido no desenrolar dos próximos acontecimentos. Foi o meu empurrão para várias ideias, mas contava demais para quem tem como meta segurar o suspense até a ferida sangrar.

 

Percebi que esse era um problema. O contar demais, porque um Prólogo conta quase nada.

 

No final de 2012, já com algumas edições feitas ao longo do processo, voltei ao Prólogo porque percebi que não tinha o que contar na 3ª parte. Nesse tempo, já tinha duas partes prontas e escrevi alguns capítulos da terceira – que me deixou com a sensação de vários nada. Pensei que empacar foi por falta de organização, bloqueio, falta de inspiração, etc.. No fim, percebi que o problema vinha de algo que me comeria viva até 2015: o Prólogo. Não só ele, mas tudo o que escrevi no WP1.

 

A verdade: se a primeira parte não estiver bem amarrada, trabalhando os plots necessários e deixando migalhas para a continuação, não haverá conteúdo para próximos livros. Ok que isso é um perrengue muito claro, mas, no meu caso, o Prólogo representava a espinha que amarrava as 3 partes.

 

Não funcionando, nada mais funcionava.

 

E em 2015, lá estava eu empenhada em novas alterações. Insistindo fervorosamente em algo que claramente não me dava mais frutos. Toda vez que parava de escrever, lá estava eu relendo o Prólogo e na minha mente viciada não havia nada de errado com ele.

 

Aqui entramos em um novo capítulo dessa saga: a dificuldade de abrir mão de certos textos por acreditar, piamente, que eles são necessários.

 

Às vezes, não são. Confiem em mim!

 

Como contei aqui no blog, estou dedicada na reescrita + edição da primeira parte do WP. Tudo ia muito bem até me ver no mesmo dilema dos anos anteriores. Dessa vez, fiquei 1 mês sem tocar nessa parte da história por causa da nova versão do Prólogo – claro que essa parte do conteúdo sofreu uma repaginada 2015.Até junho, acreditei que ele era essencial e cheguei a lê-lo em um encontro do IATG. Lembro-me que avisei para as meninas que aquele texto não seria mais o mesmo daqui uns meses por causa do meu faniquito em refazê-lo. É…

 

Reconhecimento: Stefs trabalhou com teimosia. Insisti em algo que não precisava.

 

Senti-me naquele tipo de relacionamento em que você tenta melhorar o parceiro e, como sabem, isso deixa qualquer pessoa bem frustrada. Mas você insiste (otariane) porque acredita, mesmo estando claro que nada mudou, só a roupagem. Achei que tinha alterado muita coisa, mas só foi um tapinha ali, um corte de parágrafo aqui, uma mudança total de passagem.

 

Vi-me no mesmo problema de 2012: meu Prólogo contava demais. Porém, na minha mente (safada!), estava tudo uma maravilha. Estava convicta de que o faria funcionar, especialmente porque tinha condensado mais o texto. Uma nova edição e não teria nada.

 

Meu Prólogo começava com a Amy em zona de risco, fugindo, completamente desnorteada.

 

Estava lindo, mas comecei a fatiar esse ponto de partida, incansavelmente, em 2012, 2013, 2014 e começo de 2015. Essa introdução tem sido carregada por todos esses anos, amiguinhos, e foi bem difícil abrir mão porque, teimosamente falando, precisava dela.

 

Até que me vi – de novo – no momento em que a história parou de fluir. De novo, me vi sem coisas para contar. Estava no capítulo 10 da reescrita + edição quando tudo simplesmente morreu.

 

Sério, parei em frente ao computador, encarando o cursor, e não conseguia achar o erro.

 

Fechei todos os programas. Me abstive de internet e de abrir o manuscrito por dias. Peguei meus bons amigos chamados papel e caneta, coloquei o nome da Amy no centro da página – faço isso desde 2013 quando não tenho a menor ideia de como prosseguir –, e me dediquei ao momento Ouija – em que puxo setas ao redor do nome da personagem, elencando os plots e os plots futuros.

 

Percebi que, além do Prólogo, há outro alguém empacando minha vida (e não é de hoje): o outro protagonista – que chamo de protagonista porque gosto de vê-lo como protagonista, embora seja aliado da Amy (ele é muito importante para a ação). Vi-me encrencada, quase tendo um surto com a possibilidade de ter que mudar o ponto de vista para ele.Isso me dói só de pensar, de verdade.

 

Vejam bem: minha história tem um salto de 7 anos. Esses 7 anos só foram vistos por ele. Amy é o soco na trama por ter retornado quando não era para retornar e vrá!

 

Ano passado, tive um momento meio tenso com esse cidadão. Ele me fez pensar que não teria uma protagonista, mas um protagonista. A voz dele começou a ficar mais alta que a dela. Não foi uma questão de destaque, mas há momentos que ele faz mais que ela, e o WP1 é um exemplo.

 

O flashback: era claro que minha história poderia ser dividida em 2 pontos de vista, sempre escrevi assim na época de fanfics. Sim, foi o momento Yatta!, e até agora não entendi porque bloqueei isso. Simplesmente larguei tudo nas costas da Amy por muito amor a ela, sendo que há outros personagens que também proporcionam ritmo à história. Não poderia ignorá-los.E não ignoro, porque muitos têm participação significativa quando o barraco começa.

 

A tensão: por mais que ame essa de 3ª pessoa, muitos pontos de vista, estava receosa em abrir mais o enredo. Irônico, não? Medo de tirar o brilho dela – porque o que acontece com Amy é a cereja do WP.

 

A crise: tenho um problema que se assemelha a de muitos escritores, e nem sempre é proposital – às vezes, meus secundários são mais legais que os principais.

 

Tendo minha vida de ficwriter como exemplo, escrevi uma fic James e Lily, mas Lily e Sirius acabaram tendo um affair dos fortes (não tenho medo de quebrar o Canon, verdade seja dita, acho mais divertido. Só não invisto em coisas escabrosas, tipo Hermione e Snape). Foi um experimento (que deu certo), especialmente porque não gosto do Sirius e escrevê-lo sempre me foi interessante.

 

Conforme postava os capítulos dessa fic, as pessoas gostavam mais da Lily com o Sirius e não com o James – o outro personagem principal. Claro que, no final, obedeci a proposta da história, que era Jily, mas senti que alguns terminaram insatisfeitos (não tem fanservice comigo não hahahaha). Resumindo: gostaram da protagonista com um secundário. Porque o secundário era mais cool.

 

A propósito, essa fic é dividida entre o ponto de vista da Lily e do James.

 

Por que diabos me fiz de difícil no WP? Este post está sendo uma revelação, corta para mim!

 

Não quero que os secundários ofusquem a Amy se um dia We for publicado. Mas sinto que acontecerá porque existe uma moça chamada Nicole, que é minha favorita também, e é secundária.

 

O que aconteceu é que eu tinha duas vozes que falavam no mesmo tom. Amo os dois, mas Amy é a protagonista e o outro é o aliado. Fim da história! Drama resolvido.

 

Agora, o Prólogo. O maldito Prólogo!

 

Ele começava com Amy em fuga, lembram?

 

Não tem mais fuga!

 

Não tem mais Prólogo.

 

Gif meramente ilustrativo

 

Agora, o aliado chega no final do barraco – que nada mais é o começo da trama. Ele não sabe o que diabos aconteceu e tudo piora porque, como também contei aqui, Amy está com amnésia.

 

Resultado: dando voz a ele seguro o suspense do que aconteceu com ela – e que só pode ser contado por ela.

 

Sério, foi como tirar um estorvo da história. Sei que sou teimosa, mas não sabia que era tanto.

 

Perdi dois anos de escrita (perdi não, mas vocês entendem), mas tudo foi aprendizado. Encaro tudo como aprendizado e dou esse conselho da teimosia porque, às vezes, é difícil abrir mão das coisas que escrevemos. Justamente porque nos apaixonamos e achamos tudo pertinente.

 

Obviamente que com o corte do Prólogo muitos capítulos mudaram. A primeira parte já não é mais a mesma que terminei no final de 2013 (2014 reescrevi a 2ª e escrevi a 3ª). Agora, posso dizer que as coisas estão fluindo level 100%. A minha relutância se deu por proteger demais a protagonista. Queria ela no centro de tudo, mas o amigo de crime tem contrabalanceado, especialmente, o humor dela. Ambos se completam, e não digo isso no sentido de romance. Eles são companheiros.

 

E, sério, morro de vontade de falar dele aqui. Mas vamos com calma. Foquem na Amy #centralizadora.

 

O que quero mandar de mensagem com este post é: não se apegue tanto a determinadas ideias, especialmente quando você insiste tanto ao ponto de querer bater a cabeça no teclado. Tem alguma coisa errada. Ela pode ser melhorada ou desistida, mas, na melhor das hipóteses, largue de mão por um tempo para ver o que acontece. Às vezes, você se liberta e sua história também.

 

Tchau Prólogo e bem-vindo surto psicótico de uma pessoa sem memória.

Stefs
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