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16/out

Demorei muito para colocar meus pensamentos no lugar para escrever esta resenha. Achei seriamente que havia alguma coisa errada com este episódio, que o caso da semana não tinha rendido e que os personagens não trouxeram nada de grandioso ao longo da investigação. Impressões que não condizem com a realidade, óbvio, pois o combo desta semana foi um deleite.

 

Depois de um tempo, percebi que só tinha uma personagem na cabeça: Sarah Frazier. A real heroína desta semana que não estava tão presente, mas fez muita diferença. Seu nome foi o peso da trama, sendo entoado várias vezes, como um lembrete que moveu os detetives. Uma repetição que assentou o clima de drama familiar, uma pitada discreta que se entremeou ao longo da investigação.

 

O barulho diante da mesa de Platt logo foi silenciado por um pai desesperado que não teve sua causa ouvida e nem levada a sério pela polícia. Era um desaparecimento de uma menina de 18 anos, ou seja, uma adulta aos olhos das leis americanas. Por alguns segundos, pensei que Chicago P.D. era uma série brasileira, pois a chacota sobre determinados assuntos por aqui (se não praticamente todos) beiram ao absurdo. E o que Jeff narrou foi um absurdo. Oficiais rindo da cara dele? Trágico e não passa de mais uma realidade que não é unicamente do território nacional.

 

Os pensamentos que se seguiram foram justamente os pontuados por Jeff: sua filha fugiu de casa ou com o namorado ou foi festejar… Calma que ela volta! O pai estava desesperado com toda a razão do universo e só com um gesto instalou o caos. É por essas e outras que os episódios de PD que possuem verossimilhança são os que mais me deixam na saia justa porque levo pro pessoal.

 

Isso quer dizer que travo na hora de escrever.

 

O caso da semana não foi uma problemática de 48/72 horas, mas de meses. Isso me deixou injuriada, porque me lembro de que, realmente, há polícias que não levam casos como esse a sério. Mouse foi arrastado como garantia, mas não se esqueceu de dizer que Jeff fez seu show no lugar certo. Afinal, Voight leva determinados assuntos para o pessoal e não foi diferente dessa vez. Emoção e decisão que rebateram nos demais personagens que tiveram que manter o foco.

 

O interessante deste episódio é que o caso não centralizou um ou dois personagens. Cada um teve uma fatia de participação e de indignação, tal como Platt que finalmente deixou de ser uma personagem vista da cintura para cima, e Atwater que largou por segundos o rótulo de avulso da série. Quanto aos outros, todos tiveram a chance de sentir, de fazer suas juras de vingança, acometidos por um clima que começou barulhento e esmoreceu em uma nuvem densa.

 

Nada se comparou aos momentos finais em que Sarah finalmente deixa de ser apenas um nome. A real intriga deste episódio, cuja conclusão foi muito merecida e de aplaudir de pé.

 

Quando uma das sequestradas afirma que Sarah não cedia aos seus controladores, torci intimamente para que a vida dela fosse poupada. Queria conhecê-la. Uma menina valente que não abaixou a cabeça e que acabou sendo a mais abusada por não obedecer. Tenho certeza que Benson adoraria encontrá-la também. Uma sobrevivente que teve o direito de contar esse capítulo da sua história.

 

Sem dúvidas, essa adolescente foi quem segurou o interesse, pois como uma mulher poderia confrontar um sistema tão intrínseco de prostituição de garotas? A trama não foi necessariamente sobre a ação ou sobre o desespero do pai, mas sobre Sarah, a mensagem. A moral de tudo.

 

Dar a Sarah o heroísmo da trama me deixou um tanto quanto orgulhosa. Lindsay contou com um diálogo pontual e assertivo, que poupou a vida da adolescente. Em nenhum momento a personagem foi vitimizada aos olhos dos policiais ou levou a culpa do que poderia ter sido sua ruína. Isso para mim valeu o episódio inteiro.

 

O que realmente me tocou foi o fato dela ter sido ouvida e sabemos que isso raramente acontece nos dias atuais, especialmente sob essas circunstâncias. A menina venceu e o roteiro foi esperto em dar glória a uma sobrevivente. Não tiro nada do que Erin disse, com uma compostura invejável e destruidora. Foi impossível segurar as lágrimas, de verdade.

 

A ferida ardeu quando a detetive diz que ela é uma lutadora. Tive meus pensamentos transcritos. Foi visceral a maneira como Sarah reagiu àquelas palavras, se desesperando com a ideia de voltar ao cativeiro ou de ser presa por algo que fez para se manter vida. Por mais que seja contra essa tese, é incontestável que há certos momentos em que os fins justificam os meios.

 

Sarah estava com a mente em parafuso e não sabia mais discernir o certo e o errado por causa da experiência traumática da qual foi submetida. Uma experiência que penso ter sido mais psicológica, pois a ferramenta que Voight usa contra Trevor disse muito sobre o “tratamento” das meninas. Isso deu ainda mais poder para a mensagem que suprimiu a ação. Essa menina representa aquela outra que é criticada e julgada por ter “procurado sarna para se coçar”. Consigo ouvir que “ela foi a responsável por tudo que lhe aconteceu, ninguém mandou dar bola a um completo desconhecido”.

 

Como ela mesma disse a Erin, ninguém sabe o que ela passou e o que a levou para aquele momento. Muitas meninas e mulheres passam pelo mesmo, todos os dias, e são tachadas de provocadoras das próprias consequências. Sarah tinha problemas e X coisas que não foram exploradas na trama, mas foi muito fácil enumerá-las na ponta da caneta. Agora, quantas conseguem lutar por si mesmas, se tornando heroínas que conquistam a libertação do abusador? Quantas realmente são respeitadas por terem tomado a iniciativa de se salvar por conta própria?

 

Lembrete: há quem não leve esse tipo de denúncia a sério. Século 21?

 

Sarah veio como um exemplo de que, em qualquer situação, não há problema uma garota lutar pela sua libertação. Tudo bem que o que a personagem passou não se assemelha em nada com o que outras passam diariamente, mas é real. Acontece. E não devemos colocá-las para baixo.

 

O ápice foi Erin lhe pedir que se segurasse por um instante. Quantas têm essa chance?

 

Este episódio de PD contou com uma narrativa tão incrível, que apostou no diferente ao dar a chave da investigação para aquela que foi ignorada e que deixou o pai desesperado. Vale elogiar o quão intimista foi a edição das cenas no metrô, engrandecendo o poder sentimental deste episódio.

 

Cadê o plot do Mouse e do Halstead?

 

Em meio ao caos da investigação, estavam ali, vários teasers do passado desses dois cidadãos que precisam urgentemente entrar em cena. Ambos são tão próximos que se entendem com apenas um olhar. O que aconteceu no exército? Senti que houve muita tortura, hein? O que Will quis dizer com um tal probleminha do Jay? Quero detalhes, não burburinhos e um monte de reticências.

 

Conto com Erin para dar uma cavada nessa história, porque, se depender desses dois, seremos eternamente meros espectadores desses segredos.

 

Vale até destacar o quanto Mouse aparenta ser um pouco mais empático que o Jay na hora da ação. Halstead quando entra em cena não há emoção, só raiva, foco e frieza. Já o amigo parecia mais condescendente com Jeff, sendo que poderia sair dali rapidinho por ser um ex-soldado.

 

De novo, quero mais detalhes e não brindes regados de cerveja. Obrigada!

 

Concluindo

 

Quando digo que o drama familiar foi o tema deixado nas entrelinhas neste episódio é simplesmente por ter movimentado a storyline de alguns personagens nesse âmbito em questão.

 

A começar por Al que provavelmente sairá de casa e não posso com isso. O olhar desolado dele me deixou no chão. É traição, difícil de perdoar, mas tenho um apego tão forte que, nesse caso, me sinto a Lexi: vejo o pai e não o homem sacana que merecia ser expulso. Vai ser difícil amenizar essa situação e não sei se a garagem será o bastante para dar tempo a mais um pedido de desculpas.

 

O episódio também não se esqueceu de Michelle e dei amém por vê-la na academia de Antonio Balboa. Finalmente resgataram esse local e gostei do que fizeram. Colocaram a filha do Al no lugar certo, uma adolescente perdida que precisa se afastar da criminalidade. Uniram o interesse ao propósito. Adoraria ver mais coadjuvantes ali, porque não quero ter a sensação de flop.

 

Quem também viveu um momento família foi Voight e quis apertar as bochechas dele por ser tão babão com o neto. Gostei muito de rever o Justin, pois acentuou a que clima pai e filho estão, especialmente depois do sequestro da temporada passada. O encaixe ficou de bom tom.

 

Erin sentiu o azedume de Bunny e não sei mais o que esperar dessa mulher. Essa senhora estava ironicamente irredutível e gargalhei quando Lindsay a xingou. Claramente essa personagem acha que sairá por cima, mas essa é a Chicago do Voight.

 

Inclusive, achei meio estranho a detetive não enquadrar a mãe sobre algo do passado. Duvido muito que essa coelha do mal não tenha manchinhas que magicamente desapareceram. Pelo silêncio do caso James? Para deixar Lindsay em paz? Alguém?

 

Falando nesse James, o cidadão nem chegou e já me fez rir com essa de que encontrou paz na religião e, no mínimo, programou a explosão do carro do Voight assim que se viu livre. Tenho cara de otária, migo? Estou empolgadíssima para ver como essa circunstância se desenrolará, pois se há algo delicioso em Chicago P.D., além de todo o elenco, é quando Hank Voight age furioso.

 

PS¹: Benson sendo mencionada = eu berrando.

 

PS²: alguém avisa para a Burgess que não é bacana trabalhar com a aliança de noivado? Será que ela não notou que podem levar seu dedo brilhante?

 

PS³: passei mal com os pequenos teasers sobre Med. Só dia 17 de novembro é, Dr. Charles? Já que ele está tão interessado em ajudar Erin, quero conhecer o pai para saber se é tão tosco quanto a mãe.

Stefs
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