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30/out

Todo o potencial das últimas semanas morreu e fiquei com a mera sensação de que essa dobradinha de Chicago P.D. não passou de uma bela encheção de linguiça. Nada prendeu e pouca coisa fez uma cosquinha no peito de emoção. Quando achei que as situações desencadeariam o caos, imediatamente rolava um freio que esfriava os acontecimentos. Foram duas tramas de momentos, em que você escolhe o que vale absorver e o que vale ignorar. Ou alfinetar, claro.

 

Senti que faltou motivação nesses dois episódios. Havia, mas fracas. Os casos da semana tinham tudo para seguir entre trancos e barrancos, mas foi uma corrida suave que até fez bem para os personagens em conjunto. Porém, foi tranquilo ao ponto de ninguém perder a cabeça, só Ruzek por causa de uma burrice feat. perda breve do distintivo. Depois disso, nada envolveu, não houve tantos picos na trama, salvo o drama de Sean que foi de destroçar o coração.

 

Ruzek teve um destaque merecido, mas nem teve o direito de segurar a bússola das próprias consequências. Contudo, ele tomou a ação dos minutos iniciais, o que deu uma baita animada, mas tudo morreu em seguida quando o personagem ficou na penumbra. Algo que não esperava, pois queria vê-lo tomar partido, com ou sem distintivo, como Halstead fez uma vez.

 

Como já disse várias vezes, Ruzek não é meu personagem favorito, mas estou na arquibancada dos forever alone no aguardo do seu amadurecimento. A princípio, o caso que o engoliu no 3×05 calharia melhor na S1, a fase das primeiras vezes: primeira burrada, primeira bronca, primeiro susto, etc.. Um período ideal para um recém-detetive fazer bobagens por estar empolgadíssimo para mostrar serviço. Mas esse novo trajeto da sua storyline funcionou de pronto, porque ele não sabia que Frank mudaria os planos. O resultado? Sangue em suas mãos.

 

Embora não tenha deixado de ser uma atitude irresponsável, por ele não ter comunicado o que faria ao mestre Voight, foi bom vê-lo morder a própria língua e encarar a derrota nua e crua. Ruzek é aquele tipo de pessoa que precisa de um choque de realidade. Desde a S1, ele acha que a UI é playground e não tem contado com histórias que o beneficiem. Nada lhe foi dado para que seus talentos viessem à tona, como aconteceu com os veteranos da casa. Até ter este episódio, esse jovem foi tratado como um aborrecente. Hora de ser homem adulto.

 

O que esse personagem precisava era sentir as consequências dos seus atos e fico feliz que o tapa na cara aconteceu. Espero que isso mude um pouco a perspectiva dele na hora da ação, que seja menos impulsivo e não tente abocanhar tudo de uma vez. Agir com irresponsabilidade é muito dele, o que o tornava mais imprudente que o Halstead na 1ª temporada. Esse sustão pode ser um meio para melhorar sua caracterização. Inclusive, seu papel de mozão da Burgess.

 

Patrick é um cara legal e, embora não goste do Ruzek, dá para ver que há muita entrega do ator para o seu personagem. Mas é aquela velha história: fica difícil se apaixonar pelo restante do elenco quando cada um compete por espaço até mesmo com um sofá. Assim é extremamente complicado e nem me dá o direito – ou de qualquer pessoa – julgar muito, porque os escritores não dão brecha.

 

Apesar dos pesares, considero este o melhor episódio da trajetória do Ruzek, mas claramente ele pode contar com mais. Dá para pressioná-lo sem piedade. Quebrar uma pessoa é um teste para ver o quanto ela quer retornar à superfície e, mesmo conflitando entre ajudar o informante e salvar a própria pele, o detetive fez o que pôde para ter o distintivo de volta – mas Burgess lhe salvou ao fofocar com a Platt.

 

Ok que o personagem nem teve direito de nortear o caso da semana, o que achei inadmissível. Mas só o fato de ter ficado no tapetinho da disciplina para refletir sobre não fazer o que não lhe é autorizado merece pontos.

 

Sobre os casos

 

Raramente dou foco aos casos separadamente, mas hoje abrirei uma exceção.

 

Os casos dos dois episódios contaram com uma revelação que os tornariam muito relevantes. Não apenas um motivo para fazer a UI perseguir o vilão da vez, mas por lançar na roda duas pautas que são tabu. Ninguém conversa sobre saúde mental e apenas citar, sem detalhes, me aborreceu. CPD sempre fez questão de explorar investigações de tráfico e de estupro, agora, transtornos não?

 

A cada semana, os criminosos tendem a trazer aquela faísca, influente o bastante, para tirar um ou todos os membros da UI do eixo. Nunca foi preciso um escarcéu para firmar que certa investigação é importante. Não que todas não sejam, mas há o gracejo de sentirmos o que aqueles detetives sentem a cada passo. Dessa vez, não houve nada que mudasse a cara dos jogos da vez.

 

A dobradinha contou com duas motivações que poderiam manter o pique dos episódios anteriores, mas rolou uma esquiva. Vamos citar, mas não entraremos em detalhes. Não houve a erupção que faz os personagens brigarem com o próprio caráter ou nos deixarmos desconfortáveis ou de olhos arregalados sobre o que tal criminoso faz da vida. Nem as vítimas abalaram, salvo o corpo de Victor, outro momento que pensei que o barraco cairia, mas foi fogo de palha.

 

Como já disse por aqui, não precisa de missa para dar certas explicações, porque CPD não tem tempo para isso e sempre soube administrar qualquer história nos diálogos. Porém, faltou a faísca. Não houve um respaldo e quando não há os detetives não são afetados. Os episódios mais mornos da série são aqueles que não dão importância aos tabus ou aos problemas pessoais. Esse foi o caso, e olhem que isso é extremamente difícil de acontecer, até mesmo quando só rola furto.

 

Frank foi diagnosticado com transtorno de personalidade antissocial e achei que o perfil dele seria talhado o suficiente para gerar uma mega comoção, algo que dificilmente CPD peca. O mesmo vale para Victor, que nem teve tempo de contar a sua história, ficando no raso com seu transtorno delirante. Daí, veio o discurso lindo do Sargento no final do 3×06, só que não ornou porque não houve a preocupação anterior de esclarecer o que “movia” Frank e Vincent. “Você nunca sabe quem é quem”, um fato, mas é meio difícil estipular quando não incitam a imaginação.

 

Achei isso um baita furo que virou uma cratera quando Dr. Charles entrou em cena. Assim, ele apareceu para entender a personalidade de um cara que morreu, mas não para esclarecer o que houve com Frank? Frank poderia limpar parte da zona do Ruzek (ou nada), mas só foi lançado na gaiola. Daí, tento aliviar porque esse cidadão executou geral a sangue frio enquanto Victor brincou de cosplay CIA – prioridades –, mas não consigo. Faltou bater o martelinho sobre o que fazia esses casos tão semelhantes e tão diferentes.

 

Faltou também traçar o perfil dos “inimigos” da vez, algo que afetou os episódios. Só lançar o tema na roda nunca foi a dinâmica de CPD, ainda mais quando se tem uma gaiola envolvida. O mimo do Voight virou point de resolução para os dois episódios, sendo que lá só vão os malditos de alto escalão. Sério, você não foca saúde mental sem ter certeza que dará respaldo, por menor que seja. Trouxeram algo novo, mas pecaram feio em não dar importância.

 

O que transcorreu nas tramas não foi tão importante quanto o estopim e o estopim foi a saúde mental dos envolvidos. O ponto atraente e psicológico que não engatou. O engraçado é que, pelo visto, o próximo episódio seguirá a mesma linha de raciocínio e tenho certeza que a trama será melhor. Como lidar?

 

Alguns poucos plots

 

Sean teve seu coração partido – e partiu o meu também. Graças a ele, os episódios contaram com uma dose de emoção que não estava presente nos casos da semana e nem no desempenho dos personagens em conjunto. São nesses momentos que fico com raiva de plots pipoca, porque não desenvolvem. Estou cansadinha da mesma desculpa “nossa narrativa não é assim”, sendo que para mim é “preguiça de desenvolver plot pra secundário”. Pelo menos, acertaram na dramática. Foi lindo de triste a situação do pequeno Andrew e queria invadir o hospital para apertá-lo.

 

Platt mãezoca para cima do Andrew foi mais dolorido que a expressão de fracasso do Roman. Ou, pior, Burgess chorando na surdina. Não mereço passar por isso. Meu coração não é tão forte.

 

Não queria acreditar, mas Al rasgou o envelope e falei na semana passada que seria uma obviedade. Era bem a cara dele fazer isso mesmo, mas que desrespeito com a Lexi, né? A esposa é bem provável que não perdoe a traição, mas como ele quer manter as filhas sendo que já chuta com desonestidade? Às vezes, queria estapear o Olinsky. Ele é bom demais e isso só é real por causa das nhacas que fez no passado, o que o faz viver no modo compensatório. Tipo Hank e o bolsa Voight.

 

Nos minutos finais do 3×06, senti Atwater sendo marcado. Queria acreditar que foi algo real, não uma motivação para “embasar” a saúde mental afetada de Victor. Até que ele falou mais neste episódio, que milagre!

 

Concluindo

 

Mesmo que não sejam episódios complementares, eles são paralelos, e paralelos precisam do mesmo tipo de atenção – ou mais dependendo do que se aborda. Os dois foram meio arrastados, o ritmo não ficou legal e, talvez, o que tenha afetado um pouco mais foi uma trama não ter tido nada a ver com a outra para se acompanhar em seguida. Senti-me zonza, como no 4×01 de Chicago Fire.

 

Vale até dizer que as resoluções foram simplórias e sem impacto. Não é todo dia que um discurso do Voight salva o dia, especialmente quando cada caso não foi destrinchado como merecia. Tempo teve, mas não souberam administrar.

 

Outra coisa que preciso dizer é que houve violência gratuita nos dois episódios. Só tiro o Antonio da reta porque era circunstância de perigo, mas o que foi o Atwater? Nem o Voight perdeu a cabeça e isso sempre diz muito. Alguns personagens pareciam alheios ao que acontecia e isso destoou toda a proposta dos casos. Uma vez que os detetives não engajam, a história não cresce.

 

Os episódios não foram totalmente ruins, a essência e o dinamismo de CPD estavam presentes, mas foi um sopro que amornou o pique das semanas anteriores. Como sempre digo, sou fã, mas não sou trouxa, e penso que está na hora de afinar uma palavra chamada prioridade.

 

PS¹: Então, né, gente, Bunny causou e morreu, né? Amo praticidades.

 

PS²: Will tirando onda da cara do Jay foi a melhor coisa do episódio. Mais.

 

PS³: mozão Alec apareceu e tive que fazer uma pausa para chorar. Muito meu número, gente (barba, barba, barbaaaa)!

 

PS4: essa Emma já tem uma fã. Fisher era legal, mas muito mole. Espero que a novata passeie pelo tempo que for preciso na UI e aborreça muito o Voight.

 

PS5: obrigada você, amigos do figurino, por ter feito Halstead usar camisa.

Stefs
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