Menu:
23/out

Posso dizer que este foi um dos melhores episódios – se não o melhor – de todas as temporadas de Chicago P.D.? Haters gonna hate, mas não há nada com grande potencial que Hank Voight no centro da trama. O talento do Jason é indiscutível e quando seu personagem toma a história para si, o resultado é sinônimo de sucesso. E de desestruturação, óbvio, porque eita homem destruidor.

 

Foi em uma vibe nada segura, como pisar em um campo minado, que os acontecimentos desta semana se desdobraram até culminarem no alívio emocional que fez qualquer um suspirar e berrar amém. As reticências do episódio anterior logo foram preenchidas no decorrer da perseguição do inimigo da vez, James Beckett, um fragmento do passado que tirou Voight do eixo.

 

Pergunto-lhes: quem era o Sargento neste episódio?

 

Havia um misto de raiva e de vontade de chorar no rosto desse homem, sinais que não pedem condolências por serem belos alertas de perigo. O personagem voltou a agir no auge da frustração que nada teve a ver consigo mesmo ou com algum membro da sua equipe ou com qualquer vítima das circunstâncias. Ele se moveu pela família, uma saia justa da qual o Sargento dificilmente traja – só no sequestro da S2, mas esse homem duvidou de Olive. Mas, quando veste, sai de perto porque o babado é certo.

 

Dessa vez, os sentimentos que o moveram não contaram com uma dose de ceticismo. Eram sentimentos palpáveis, honestos, que tornaram o episódio estarrecedor por ter feito Voight se mover pela sua família e não pela sua reputação.

 

Ao longo da sua trajetória em Chicago P.D., Voight tomou à frente de alguns casos que cutucaram diretamente o distintivo, o seu bem mais precioso junto com Lindsay. Nessa jornada, puxando também os episódios de Chicago Fire, esse personagem mudou muito. Ele largou a corrupção, mas teve uma dificuldade tremenda em ser justo e em fazer o que era certo porque era o certo a se fazer.

 

Incontáveis vezes, o Sargento só fez o que fez para sua reputação não minguar, sendo vigiado de canto de olho por Jay. Um detalhe que foi muito bem resgatado neste episódio, pois lá estava Halstead, de esguelha para cima daquele que vê como mentor. Uma olhadela que serviu para pontuar com energia que o tema corrupção não era uma página virada daquele Distrito.

 

Ao longo da S2, Hank pareceu mais calmo, só que, de novo, lá estava ele passando por um novo teste com relação a pessoa que se tornara. Uma temporada que trabalhou corrupção de diferentes pontos de vista e que abriu brecha para o Sargento se defender e proteger o distintivo. Como também refletir.

 

Todos os momentos em que essa temática foi centralizada, ele se moveu unicamente para se proteger até aprender a se deixar levar de um jeito, digamos, natural. Como tirar as rodinhas da bicicleta e deixá-lo assumir o guidão. Ninguém foi lá e disse que o Sargento precisava mudar de X forma para continuar em seu posto. Ele aprendeu a fazer isso acontecer e as circunstâncias contribuíram para que deixasse os velhos hábitos, mas nunca a obstinação de manter o distintivo no seu cinto.

 

Rei.

 

O que aconteceu neste episódio fugiu do comportamento típico de Hank. O Sargento estava de novo na linha tênue da sua reputação, mas não se deixou levar. Ao ser nocauteado por Bunny, que trouxe um dos seus inimigos de volta às ruas, era de se esperar que Voight agisse como nas temporadas anteriores, bruto para defender o profissional e não o pessoal. Não foi isso o que rolou e foi surpreendente, pois acreditei que o susto do ataque o faria agilizar a captura para se proteger de novo.

 

Ele não disse nada sobre Beckett na hora do briefing, um sinal costumeiro para contornar qual é a real daquela investigação que todo mundo precisa seguir sem contestar. Esperei que Jay erguesse a mão na sua insolência, mas o drama pessoal do Sargento entrou em cena e não havia o que indagar.

 

Voight mirou Beckett como uma vingança pessoal por ter quase perdido o neto e não por ter seu distintivo na berlinda – embora o risco o sondasse devido à acusação de Bunny e do inquérito. Não houve um momento em que o Sargento focou em proteger o seu eu. Não foi o objetivo. Ele quebrou limites e sondou lugares/pessoas que poderiam aumentar seu risco de vida. A cada passo, o personagem se tornava um alvo muito fácil por estar com os sentimentos à flor da pele que conflitaram e se intensificaram conforme os desdobramentos da investigação.

 

O desequilíbrio de Hank esta semana foi muito diferente do costumeiro. Foi justo, abrangente, porque incluiu até a possibilidade de se decepcionar com a pessoa que confia desde que se entende por gente: Al. Fazer com que Olinsky soasse como um traidor foi o ponto-chave da trama, um cutucão de leve que foi mais do que suficiente para Voight dar dois passos para trás e deixar o clima dentro da Unidade de Inteligência bem tenso. A ideia de ter mais alguém corrupto na roda, além daquele que já sabemos o que fez e o que deixou de fazer, mudou todos os ânimos do episódio.

 

Beckett nem esteve presente por tempo suficiente para gerar mais estragos ou para piorar o clima, pois as emoções de Voight e de Al arremataram todo o conflito do episódio. A curta aparição do inimigo foi o suficiente para quebrar um grupo que simplesmente poderia não vencer por ter tido a confiança mexida. E Hank não aceita esse tipo de coisa e achei muito incrível ele ir atrás de conversar com Olinsky, meio consciente de que aguentaria a verdade, seja qual fosse, sem julgamento ou desdém por saber que já tinha girado no círculo da corrupção incontáveis vezes.

 

Quem desconfiou de Al? Sejam sinceros, porque cheguei bem perto. Porém, voltei atrás porque ele é meu favorito e não o autorizei a me decepcionar. Sem dúvidas, plantar a dúvida sobre esse homem, sempre misterioso, foi um dos momentos-chave deste episódio e que deixou minha mente em curto-circuito. Nunca mais brinquem dessa maneira com meus sentimentos. Sou uma senhora!

 

Esse atrito criado por Beckett também serviu para mostrar mais de Al e, claro, da história dele com Voight. Uma investida sempre muito bem-vinda, pois se há uma certeza é que essas duas vidas cruzadas renderam vários capítulos tenebrosos. Sem sombra de dúvidas, ambos merecem o investimento e dou meu like sempre que o passado os tira do eixo. Vê-los no limite é bom demais.

 

De novo, Hank e Al mostraram o quanto são diferentes, mas se completam. Voight norteou a trama de início, completamente fora de si e com o olhar petrificado, pronto para matar alguém. Quando a investigação não foi pelo caminho esperado, o Sargento simplesmente abaixou a bola e transferiu toda a animosidade para Olinsky. Nos minutos finais, ambos estavam em contagem regressiva. Esperei que um deles realmente matasse Beckett, mas aguardei ansiosamente de otária.

 

Admiro demais a compostura do Al, porque, ao contrário de Hank, parece que ele faz o buda até explodir. Quando isso acontece, melhor sumir, porque os efeitos colaterais serão estrondosos. Sempre o achei mais perigoso que o Voight, pois há contemplação. Ele emudece, o tempo que for necessário, e depois ataca.

 

Na sala de interrogatório, fiquei de boca aberta, como sempre, quando o personagem se revelou mais temeroso que o parceiro. O Sargento não me apavorou ao querer matar Beckett, mas esse senhor com apenas um soco na cara do verdadeiro rato da história me fez ter um ataque. A expressão dele muda completamente e é assustador.

 

Hank é muito da ação, é impiedoso quando deve ser, mas Al é aquele da palavra final. Aos meus olhos, Voight tem mais facilidade de retroceder que o Olinsky, e toda a trajetória deles denuncia isso. Vale lembrar do momento em que Pulpo quase foi morto. Ambos têm essa de se equilibrarem, de chamarem o juízo, e uma vez quebrada essa aliança é motivo de fugir para as colinas.

 

Os outros plots

 

A palavra final da resenha vai para dona Burgess. Amiga, vá buscar outro mozão que esse é furada.
Não é segredo para ninguém que tenho sérios problemas com um rapaz chamado Ruzek. Gostei dele no começo da S1, mas depois esse jovem detetive despencou no meu conceito. Muito crianção e não tenho paciência para as piadas dele. Desejei que o personagem retornasse mais maduro, mas isso só tem acontecido na hora da ação – já que ele conseguia ser pior que o Jay no quesito impulsividade. Sua infantilidade para cima da dona da série me fez querer furar os olhos.

 

É fato que Burzek não rolaria como uma trama da CW e as dificuldades começaram. Queria que Burgess não se afetasse com isso, mas ela é muito sensível. Ainda bem que Sean existe, um cara que me representa na honestidade. Anotarei o quote de que algumas pessoas querem só o trailer do filme para a vida. Sensacional!

 

Voltando ao Al, o duelo família tem tudo para render pano para a manga. Até poderia dizer que Michelle não é filha dele e ele a assumirá porque é gente fina. Mas é uma obviedade. A adolescente merece ser inserida no convívio do detetive e ser reconhecida. Ela precisa trazer um atrito diferente, já que o personagem ainda pena para conviver em paz com as pessoas que ama. E tem menina Lexi. Ela não deve ser tão maligna ao ponto de esnobar a meia-irmã. Agora a esposa…

 

Concluindo

 

E cadê a Bunny? Louca para ver a cara dela depois do babado do Beckett. Haverá próximos passos para sabotar seu querido Voight?

 

Com exceção da premiere, esses últimos episódios têm investido forte no lado pessoal de cada tramoia e é por isso que eles têm sido tão ricos e emocionantes.

 

Essa trama me fez lembrar demais da situação de Justin na S1, em que Voight foi lá e deu um jeito de enterrar o caso. Pensei que ele enterraria Beckett novamente de forma ilegal, mas, no fim das contas, a sensatez falou um pouco mais alto, embora carregada de frieza e de retaliação.

 

Beckett trouxe à tona os mais variados sentimentos. Todos complexos. Intraduzíveis. Foi uma situação norteada pelo momento, em que os fatos transcorreram rápido demais, literalmente como se a vida de todos dependesse daquela resolução. Foi um belo divisor de águas para Voight e Al, que renovaram a amizade prontos para brigarem contra qualquer novo fragmento do passado.

 

Por mais que os outros personagens não tenham brilhado em diálogo, todos brilharam na ação, muito bem acompanhados de um belo trabalho de edição. Que esses acertos continuem.

 

PS: a expressão do Voight com a empolgação do Mouse foi priceless. Ri alto!

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3