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02/out

Depois de tanto tempo de espera, eis que a 3ª temporada de Chicago P.D. retornou. Ao contrário dos ansiosos de plantão, tenho que admitir que minha saudade foi amenizando conforme a proximidade da data de estreia desta season e foi triste ver minha expectativa sobre o sequestro do Jay esvair pelo ralo graças ao marketing fracassado da NBC. Como uma pessoa me solta uma foto promocional que entrega a conclusão da premiere? Não me conformo até agora, gente, me ajudem!

 

Quando a trama atingiu o ápice, meu interesse já tinha ido embora, pois sabia que Halstead e Lindsay terminariam bem. Não esperava que ambos fossem morrer, calmaê, mas me foi tomado o direito de me debater pelos dois. De ficar angustiada quando Voight e Cia. hesitam em abrir a porta e se entreolham por causa da sequência de tiros que, em seguida, revela uma Erin banhada em sangue. Não houve surpresa e esse é um de alguns pontos negativos da premiere.

 

A não ser que você não viu nada, porque é bem fato que tenha passado por todo o drama com direito a respirar aliviado por causa da reviravolta nos últimos minutos. Sorte a sua!

 

Tirando a morte da minha expectativa, o retorno de CPD foi muito equilibrado. Porém, se alimentou de ideias do início da temporada passada. De novo, uma informante de Antonio deu trabalho, estava envolvida com o que não prestava e, mesmo que não tenha sido mostrado, é óbvio que a mulher se deu bem no final das contas por causa da morte de Derek. De novo, Jay se viu em zona de risco, uma situação encurtada do que foi visto nos 3 primeiros episódios da S2.Só deram uma repaginada no caos que revelou nas entrelinhas a perigosa inclinação para o comodismo dos escritores.

 

Chicago Fire ensinou muito na sua 3ª temporada, certo?

 

O bom é que a reciclagem deu muito certo. Os primeiros minutos da premiere foram efetivos com a corrida de Antonio, que aqueceu o que estava por vir, e com a tentativa de suicídio que entregou que tipo de inimigo a Unidade de Inteligência lidaria. Além de ter uma autoconfiança sem limites, Derek se revelou um criminoso perspicaz e sangue frio. Acima de tudo, invisível, botando em teste a equipe que se viu em momentos discordantes que extenuaram o clima de tensão.

 

Antonio e Ruzek discutindo o que era mais importante, os arquivos ou Jay? Voight perdendo a paciência quando suas ordens estavam prestes a ser desacatadas? Foi lindo! Continuem.

 

A trama sinalizou uma batalha entre razão e emoção. Algo que não é novo em CPD, mas, de certa forma, fez os personagens discutirem entre si e não com os bandidos como costuma acontecer. Dentro da redoma da UI, muitos saíram do eixo, o que abriu brecha para o lado profissional de todos ser testado também. Afinal, quando um está na reta, não há uso da palavra limites.

 

A compostura de Voight em barrá-los foi o bastante para elevar os ânimos que contribuíram para o ritmo eletrizante da premiere. Proteger os arquivos dos informantes era tão importante quanto salvar Jay, mas, nas duas curvas, vidas estavam em risco e não havia meio-termo. Ou jogavam agressivamente ou entregavam o detetive à mercê da sorte. Essa sede de resolver o caso em curto espaço de tempo pediu o melhor da equipe que engoliu em seco várias vezes para não se perder.

 

E quem engoliu em seco várias vezes foi Lindsay. Embora tenha achado uma conveniência sem tamanho ela ser responsável em salvar Jay, só tenho elogios para a atuação da Sophia. Elogios que dou desde o momento em que a sua personagem abraçou o lado negro da força. A transição emocional da detetive, de vulnerável para durona, foi instantânea e impecável, como se nunca tivesse deixado sua posição para trás. A maneira como Erin fingiu que não ligava, mas ligando com os seus arredores, elevou a atuação da atriz, principalmente nas cenas finais. Só sei sentir.

 

O interessante é que a ida dela para o dark side pode tornar a personagem mais fria. Não diria calculista, mas com a habilidade maior de suprimir seus sentimentos para fazer o que tem que ser feito sem pestanejar – como o Voight. Puxar o gatilho nunca foi o appeal dela e, agora, parece uma tarefa muito natural. Lindsay sempre foi de princípios, de conversa, de finalizar o trabalho com o mínimo de sangue possível, mas não dessa vez. A personagem não hesitou em se salvar tendo em consideração que na temporada passada implorou para tomar um tiro no meio da testa.

 

Evolução, esse é o nome.

 

Desde o final da S2, Erin tem dado de cara com a morte e tem tido sangue nas mãos, dois itens que agravaram o luto por Nadia. Um agravante que só deu velocidade à espiral emocional da detetive. Lindsay agiu contra si mesma como uma faca de ponta cega, girando em lugares certeiros para sentir dor em meio a sua entorpecência que se tornou não mais conveniente depois de 3 semanas de festa. O retornar à superfície foi carregado da secura necessária para salvar o dia.

 

O único porém é que a escrita do retorno de Erin foi muito cômoda, propriamente pensada para (re)unir dois personagens que se tornaram o carro-chefe de CPD devido ao altíssimo buzz. Por que não salvar Al, por exemplo? Ele é tão importante na vida dela quanto Voight e tenho certeza que o detetive a viu ser cuidada pelo melhor amigo. Estou com Hank ao ter considerado a Burgess, pois penso que Lindsay poderia sacar que precisava retornar ao trabalho de outra maneira.No caso, ter contato com tudo que defendeu com afinco no passado. Afinal, Jay não é o mundo da Erin, mas a profissão que exerce. Sim, salvar o parceiro é um tanto quanto ideal, mas não senti nenhum risco na escrita que me convencesse de que ela podia retornar. Acharia até mais bonito se Halstead e Lindsay trabalhassem juntos nessa situação, mas optaram pelo insight cômodo.

 

E digo mais: fazer Voight “culpá-la”, justificando a “ausência de olhos” no momento que Halstead vai ao encontro de Derek, foi sem pé e nem cabeça. Fiquei abobalhada com a ousadia dessa forçada. Erin não teve culpa de nada, abriu mão do distintivo e se entregou à maluquice da vida porque quis. Quem imaginaria que Jay seria sequestrado 3 semanas depois? Bitch, please! Sua escolha a norteou aos seus erros que nada tiveram a ver com o rapto do crush.Daí, se capta o que não foi dito: Jay deve ter topado a missão mais porque estava emocionalmente afetado com a ausência de Erin. Isso é uma suposição possível, pois o personagem se joga quando não está com o coração no lugar.

 

Esse viés da storyline de Erin não condiz com o que a detetive conquistou em seu posto até então. Ok que ela subiu com a ajuda do Voight, mas a detetive se provou como uma ótima profissional por si mesma. A força-tarefa diz muito, não? Tudo bem se sentir responsável pelo Halstead, eles foram/são parceiros, o sequestro mexeria com a personagem de qualquer maneira, o que, nesse quesito, é natural. Contudo, usar isso de razão para o retorno de Lindsay, desprezando o que ela fez ao longo de 2 temporadas, só reafirma que o interesse atual dos escritores é focar nos dois.

 

Sou fã, mas não sou trouxa. E dou mais um pitaco sobre a preguiça dessa turma em aprofundar histórias. Custava dificultar o retorno da Erin por 3 episódios? Não seguraram o drama do Jay na S2 nesse período de tempo? Por isso que estou com a Sophia em todas as críticas, porque ela queria que sua personagem agonizasse um pouco mais. Espero que a rapidez compense na dificuldade de readaptação.

 

No fim, a personagem voltou à estaca zero e terá que provar de novo que é boa. Não tiro a razão do Voight sobre as condições do retorno de Erin, achei maravilhoso como ele lançou na face dela a vontade de salvar Jay por ser “namorado” ou por ser parceiro, e vibrei forte quando o Sargento tem um surto quando Lindsay reaparece. Agora, essa jovem terá que correr atrás do prejuízo e aguentar o pulso firme do “papito” – que não está pra gracinha.

 

E Bunny? Erin só está na companhia dela porque podia se entregar a sua bad vibe sem ser questionada. Em contrapartida, muito me admira a confiança que Hank tem na detetive. Algo que sempre admirei, na verdade. Apesar dos pesares, ele sabe do que ela é capaz e, por mais arriscado, é muito dele dar espaço para cada detetive fazer o que bem entender. Por confiar na capacidade do time. Demora para ter esse tipo de relacionamento, mas, quando tem, ele é irredutível e deixa rolar.

 

Voight estava estelar neste episódio. Rei de toda a situação. Como sempre.

 

Os outros plots

 

Mesmo sem nada aprofundado, a premiere foi inteligente em pontuar as pontas abertas do finale da S2. A começar por Al e Michelle, um assunto nas reticências que muito me interessa. Inclusive, quero saber mais desse caso em que ele ficou disfarçado, mostrando o outro lado da moeda desse trabalho e o quanto se vai longe para mantê-lo.

 

Voight também contou com um novo percurso que se chama Eddie. O detento está prestes a sair da cadeia e, conforme spoilers, ele será uma ponte para o passado corrupto do Sargento. O que aconteceu? O que foi feito? O que Hank prometeu?

 

Burgess estava claramente insegura com relação ao seu casamento com Ruzek e Roman me representou total. Adoro como o policial consegue ser elegante na hora de meter as verdades. Por isso o amo forte e penso que Kim não poderia contar com um amigo melhor.

 

Um amigo que anda com seringa na mochila e já nem quero pensar em drogas porque os escritores dessa série só trabalham com tragédias. Não tenho condições se ele morrer.

 

Alguém dá uma história para a Platt? De verdade? Acho que começarei a me incomodar seriamente com a posição dela na série, pois nada é trabalhado, só seu lado sarcástico que não deixa de ser bem-vindo. Porém, penso que a personagem não deve ser só isso, certo? Quero o investimento da S1.

 

Concluindo

 

As próximas reações vêm com nome Bunny e quero ver o mundo cair. Juro: desacreditei dessa mulher no apartamento da Erin, usando a grana da filha e passando os medicamentos na maior tranquilidade. Essa senhora precisa sair urgente de Chicago para nunca mais voltar. Nossa, que ódio!

 

A premiere de CPD foi carregada de suspense, tensão e apreensão (independente de ter sido trollada por um spoiler). Uma trama que impregnou na pele, como a série sabe bem fazer com todas as honrarias. Mesmo ciente do que aconteceria no final, foi possível sentir o drama de Jay e lamentar pela tortura. Nada mais desesperador que colocar logo o mais sangue nos olhos na zona de tiro.

 

Acima de tudo, foi um episódio discordante. Os personagens poderiam estar no mesmo passo, mas dançavam em melodias diferentes, o que culminou em um ritmo excelente.

 

Foi um ótimo retorno e posso captar que essa temporada poderá ser bem intensa. A promo deu muito o que temer por esse time que, de fato, precisa de mais desafios e ser mais testado. Que esse clima de discordância seja mais explorado, pois foi um ponto de tensão novo que agregou demais na trama deste episódio.

 

PS: casal gay na premiere de CPD = gritei foi muito.

 

PS:² Will e Otis nos minutos finais? Só faltou eu fazer um striptease.

 

Ps³: barba do Jesse tinha que ser promovida a regular em CPD. Quem está comigo?

 

PS Final: na boa, achei muito creepy Jay ir atrás de Erin via celular. Ok que o rastrear ficou nas entrelinhas, mas não tinha necessidade, né? Deixem isso com Christian Grey, obrigada!

Stefs
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