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12/out

Este foi aquele episódio rasteira. Tudo fluiu muito bem, o clima soturno do episódio anterior se manteve, bem como o pique de raciocínio do Doctor que nos norteou ao golpe final. No caso, não deixar nada para amanhã. A trama pode ter focado na resolução dos fantasmas, mas, como sempre, o que importou foi a mensagem. A importância de reescrever a história, nem que seja um trecho, pois é melhor ter um futuro que futuro nenhum. Acho que nem preciso dizer que chorei horrores.

 

Tenho que reafirmar que a divisão dos episódios tem sido muito interessante para este começo de temporada. Está certo que quem é fã sempre retorna para Doctor Who (assim espero), não importa o quanto a trama da semana tenha sido ruim. Além disso, ter um cliffhanger jogado no meio do caminho é um soco certeiro, um artifício que raramente dá errado. Só que, neste caso, a isca da semana passada acarretou um anticlímax. Afinal, o Doctor fantasma ficou por isso mesmo.

 

A isca da semana passada não interessou na continuidade do episódio. Não passou de mais um plano do 12º, que saiu na frente ao planejar sua narrativa inversa. Se achei ruim? Mais ou menos, porque esperava mais complexidade para resolver esta trama. O Time Lord deixou tudo soar muito simples e tudo fluiu perfeitamente. Não que seja ruim, mas não temi por ele e nem pela equipe.

 

Bom mesmo foi o debate sobre a vida e a morte que o episódio pregou. Sombras que têm perseguido o Doctor há muito tempo e estão – de novo – muito presentes nesta temporada. Uma conversa que colocou em cheque quais barreiras são permitidas dissolver nessa linha tênue. O retorno para 1980 não trabalhou nesse ponto, mas fez questão de deixar a mensagem no ar. Uma ideia que voltou a mexer com um Time Lord que anda contemplando demais essa ideia soturna.

 

Outro tópico resgatado foi uma das maiores dores de cabeça do Doctor: reescrever a história. Foi demais ver o Fisher King lançar na face do personagem que ele só quer saber de morrer e é covarde em mudar algo para não ter que enfrentar as consequências. Uma chamada de atenção que tirou o Time Lord do eixo, pois alimentou a sede dele em fazer o que precisava ser feito para salvar Clara.

 

Novamente, o personagem passou pelo duelo de caráter, algo já típico dessa versão do Time Lord. Desde que assumiu a TARDIS, o 12º demonstrou uma baixa preocupação com as pessoas ao redor. Se tiver que usá-las como bodes expiatórios, ele usará sim e acabou. Uma nuance negra da sua caracterização que horrorizou Clara. Esse Doctor pode até ter aprendido um pouco de bons modos para lidar com os humanos, mas não perdeu o mojo de testar o que tem disponível para vencer.

 

A treta por causa de O’Donnell foi tão importante quanto a chamada de atenção do Fisher King. Ambas enalteceram esse conflito. Acreditar que ele a usou para um bem maior – se é que posso chamar assim porque não deixou de ser injusto – foi fácil demais. Se há uma coisa que já aceitei no 12º é a facilidade de abrir mão das coisas. Ele não liga e é isso o que o torna interessante.

 

É fato que essa versão não se esforça tanto para salvar quem vê como isca. Se der, deu. Se não deu, paciência e a vida segue. Escolhas que mostram que esse Time Lord é egoísta e muito vaidoso. Não que isso seja uma novidade, mas essa versão está mais escancarada com relação aos seus péssimos modos, o que quebra a imagem de homem super-herói. As falhas dele estão mais evidentes e acho ótimo.

 

O que foi ele se impondo para salvar Clara e que se dane o resto? Estava ali, a arrogância, e achei um máximo a TARDIS cortar seu barato.

 

Se eu fosse dar uma resposta, diria que sim, o 12º fez o fez para testar a sequência da lista. Independente dele ter explicado como bolou tudo entre si e sua versão fantasma, não caí nessa de que foi um mero infortúnio. Essa versão usou várias pessoas na temporada passada para o horror de geral e vê-lo seguir com a vida depois da queda de O’Donnell nem foi uma surpresa. O que arremata são as expressões de pesar que não são honestas, mas sim forçadas. Porque ele não sente muito.

 

Fato é: o 12º sempre será interessante enquanto esconder suas verdadeiras intenções sobre tudo que faz e carregar a trama sempre em cogitações. Ser transparente não é a dessa versão e eu amo.

 

O lado positivo dessa quebra de regra para reescrever a história serviu para engatar os momentos-chave do episódio. Os picos que geraram a tensão necessária para o Doctor se decidir. O peso pesado foi o debate com o Fisher King, claro. Que conversa maravilhosa! Melhor foi o revés do Time Lord que mais uma vez nos brindou com palavras lindas. Uma vez que alguém lhe diz que não é possível ou que não pode, é aí que as mudanças acontecem.

 

Só acho que o Doctor anda meio suicida, não? A morte está muito presente na soleira dele. Acho que mais que na S6 (considerando a timeline New Who). Essa pauta anda rodeando o personagem de um jeito sufocante desde o começo desta temporada e a inclinação dele para beijá-la está cada vez mais alta. Não podemos nos esquecer do testamento. De alguma coisa aquilo servirá. Só sei que parece que há um temporizador não só na vida dele, como na de Clara também.

 

Falando em Clara, precisamos conversar sobre quantas vezes o Doctor a salvará. Quanto mais a personagem estiver em perigo, mais o Time Lord sentirá a necessidade de mudar algo na história ou sacrificar os azarados que cruzar seu caminho. Essa preocupação está cada vez mais excessiva.

 

Ainda mais se pensarmos que Jenna sairá nesta temporada. Não sei no que acreditar mais, mas penso que sua personagem chegará a um ponto de risco, talvez, mais preocupante que as outras companheiras. Primeiro foi a experiência desagradável no Dalek e agora ser a próxima da lista para virar um fantasma. Clara é importantíssima na vida do Time Lord e o tem nas mãos. Ela não é qualquer companion, tem um peso na história do Doctor, independente da sua storyline escassa.

 

Levando em conta a promo, o Time Lord menciona a palavra lista de novo e só consegui pensar no filme Premonição. Se a companion não morreu agora, houve um adiar da fatalidade. Amo viajar com essas coisas, verdade seja dita. O 12º driblou a morte da sua companheira e imagino que ele sabe das consequências ao deixar bem claro que mudar alguma coisa na história o faz ver os fantasmas do resultado. Não sei não, amiguinhos, mas acho que esse senhor quebrará mais regras.

 

No fim, ficamos com uma mensagem de amor que só o Doctor não entendeu. Lá fui eu chorar que nem uma criança, não só por Clara ter resgatado por um instante a memória do Danny, mas por ter pontuado que é preciso seguir em frente e viver. Ela não disse mentiras…

 

Agora, vem Maisie Williams! <333

 

PS¹: o samba da menina Cass foi maravilhoso. Tem como tê-la em todos os episódios? Foi demais vê-la usar o tato para sentir a presença do fantasma. Não só isso, como a posição irredutível sobre as ideias de Clara e a relutância de negar a não salvação do companheiro de espaçonave. Foi lindo!

 

PS²: alguém dá ao 12º um vlog? Gente, a cena inicial deste episódio ficou sensacional! Capaldi me impede de amá-lo menos a cada semana. Continuem.

Stefs
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