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19/out

Que episódio maravilhoso! Já ocupa meu pódio de favoritos da temporada, fatos reais. Se há uma coisa que amo muito em Doctor Who são os episódios históricos com uma pitadinha leve de tecnologia. Eles focam mais na jornada dos envolvidos e não no fator salvar a humanidade de uma catástrofe. Doctor e Clara aterrissaram em uma vila de Vikings impregnada de fé, de orgulho e de esperança. Só faltava a coragem que foi tomada assim que os Mire entraram em cena, tornando o 12º o porta-voz heroico dessa missão de transformar a autodúvida em autoconfiança.

 

Uma tarefa um tanto quanto complicada quando se é preciso contar com um alienígena que está em uma fase que evita qualquer contato físico e que prefere a complexidade da ciência a dos humanos. Um tipo de humor que tem mudado, bastante, e não sei se devo agradecer aos cartões de bons modos da menina Clara. Independente disso, o 12º não facilitou e posso chamá-lo de um belo desmotivador em algumas circunstâncias. Porém, entendo muito bem esse comportamento.Chama-se sinceridade e este episódio só me deu mais motivos para achar que esse Doctor sou eu.

 

O 12º só trabalha com verdades, algo que não acho incômodo. Dá-lhe mais personalidade. Em vez de passar a mão na cabeça e contar mentiras, ele simplesmente lixa a unha e afirma que tudo dará errado. Simples assim. Por conta do trabalho de treinador na vila Viking, foi mais fácil desanimar os guerreiros não guerreiros, que tinham poucas horas para aprender a lutar, a banhá-los com uma dose inexistente de esperança.A turma quase contou com a pior pessoa do universo, um herói de pijama, que jogou o quanto pôde na poker face, que se revelou a melhor de todas.

 

Sabemos que o 12º gosta de desafios, mas relutou no primeiro momento ao ver que a situação da qual a TARDIS o encaminhou não sinalizava nenhum perigo ao planeta Terra – ou a outros planetas e galáxias. A todo instante, o Doctor elevou defeitos e inseguranças, algo que essa versão costuma fazer quando não tem um plano. Só que aquelas pessoas eram muito ingênuas para entender a mensagem. Já bastava a existência do falso Odin e dos Mire para desmotivá-los. Ninguém queria desacreditar de um desconhecido que parecia ser a promessa da vitória.

 

Um dos pontos grandiosos deste episódio foi ver o Doctor tendo que se virar em uma situação completamente humana. Não havia quem salvar. Clara não estava em perigo. Nem a vida dele estava na berlinda. Aos seus olhos, foi uma aterrissagem banal que precisava ser revertida. Não tinha necessidade de mudar algum ponto da história ou de lidar com a complexidade da tecnologia e da ciência, e nem se surpreender com alguma nova espécie. Era só uma vila em guerra.

 

Um clima propício para o personagem duelar consigo mesmo. Afinal, essa versão veio com a proposta de ser mais alienígena, e foi ao longo da 8ª temporada. Lá, o 12º mostrou que não se importava tanto com os humanos e deixou Clara horrorizada incontáveis vezes. Agora, essa situação o mordeu pelos calcanhares, pois o Time Lord simplesmente poderia zarpar e não o fez.

 

Não é isso o que ele faz. Para o bem ou para o mal, para o alien ou para o humano, esse senhor arregaçou as mangas e lidou com os humanos da vila que trouxeram à tona o seu lado emotivo. O lado que sempre deu um jeito de esconder, virando a face, em meio ao caos. Ou a perda.

 

O 12º se viu em um pequeno pedaço de mundo perdido em algum ponto da história. Um capítulo que acenou para Robot of Sherwood e dignamente para The Fires of Pompeii. Episódios que não talharam um plot sobre aliens, mas sobre ser humano. Sobre agir com humanidade.

 

Neste, a trama não era sobre desmistificar e deduzir como os Mire eram feitos, mas como o 12º lidaria com toda aquela situação que contava com um desastre, digamos, natural. Uma história da ficção que tem começo, meio e fim. Inalterável por ser um desdobramento comum da vida. Nem tudo se ganha, certo? Por isso, foi perdoável vê-lo tão resoluto. Era perder ou ganhar, seguindo um padrão dos contos de heroísmo. A diferença é que um alienígena se saiu como o salvador do jeito mais insano e adorável possível, considerando as loucuras já feitas por essa versão até aqui.

 

Como aconteceu em Sherwood, este episódio me passou a impressão de ler um livro. A cada virada de página, havia o que torcer, o que temer, o que rir e o que achar absurdo. Ri da figuraça em forma de herói que entendia a linguagem dos bebês, mas não como treinar um exército. Um homem difícil, mas, no fundo, compassivo com a situação. Um senhor atípico que contou com uma incrível companheira que se saiu como uma excelente conselheira. O que precisava era de um bom plano para engatilhar as emoções que essa versão do Time Lord segurava há muito tempo.

 

E aconteceu, com sucesso. O episódio mostrou que, nem sempre, o simples é só simples. Sempre há o atrito. A necessidade de evolução e de resolução. Uma chance de revés. Quando o Doctor bradou o seu plano, o que se seguiu foi diversão e deleite que me fez torcer enlouquecidamente. Como se estivesse nas páginas finais de um livro, me desesperei para saber como tudo terminaria.

 

O episódio frisou o contexto de jornada. Essencialmente, a do Doctor. A experiência de preparar aqueles homens o fez evoluir um pouco mais. Fez o personagem dar mais um passo para o seu desenvolvimento como uma boa história exige. Em segundos, o 12º reconheceu o valor daquelas pessoas e resolveu aprender com elas. Motivá-las. Assegurá-las. É isso que heróis fazem. De quebra, ele sentiu o peso da consequência, no caso, a perda da mais brava guerreira.

 

A atitude dele ao ver Ashildr morta foi muito inesperada. Minha maldade com essa versão é tão alta, que juro que acreditei que ele tinha usado a menina. Aquele tom de “sinto muito” e aquela saideira rápida, como se não quisesse encarar Clara – que sacaria na hora o que ele teria bolado –, me deixou sem chão. Foi um alívio ver que foi apenas um efeito automático da guerra, uma fatalidade que aconteceu devido às circunstâncias da batalha. Não porque o 12º queria fazer um teste.

 

O resgate de Pompeii mais a explicação do rosto do Doctor foi o ápice do episódio e a inserção caiu como uma luva. Enriqueceu a jornada. Trouxe propósito a toda a história e ao que o 12º tem contornado desde que regenerou.

 

Sabia que esse resgate aconteceria em algum momento desta temporada, mas estava despreparada para receber o golpe sem aviso prévio. Foi demais! Rever Doctor-Donna sempre mexerá com meus feelings, mas o efeito do flashback perdeu o brilho quando esse senhor finalmente enxergou que não importa o azedume, o quanto ele odeie abraços, o quanto evite os humanos e os critique, seu papel é salvar pessoas. Assim, a visão do personagem sobre sua missão deixou de ser turva e embaçada.

 

O 12º estava muito fora do caminho. O que aconteceu com O’Donnell no episódio passado bateu em cheio na minha face quando se revelou que Ashildr faleceu. Ele precisava se reencontrar e foi muito incrível essa explicação vir dele mesmo. Do seu rosto. O lembrete de que sim, ele pode ser arrogante, irredutível, quebrar regras… O papel dele é salvar vidas custe o que custar. Nem que seja uma, como bem disse Donna. Melhor ter futuro que futuro nenhum certo?

 

O herói dessa história passou um bom tempo conflitando consigo mesmo. A metidez da certeza de que pode fazer o que quiser afasta a humildade e é quando ele enxerga melhor a situação. E é quando acontece a resolução inesperada.

 

Ele tem medo de perder as pessoas, um sentimento que acho mais esclarecido nos outros Doctors da versão moderna em vez do 12º que estava em constante negação. Talvez, o mais próximo dele é o 11º por ter sido, aos meus olhos, o mais emocional e o mais envolvido na dinâmica humana. Um sentimento suprimido com a nova regeneração e que voltou com força total neste episódio. Penso que isso o mudará, pois foi aberto um caminho para prepará-lo emocionalmente para a perda de Clara.

 

Foi corretíssimo assentar com mais firmeza esse altruísmo com os humanos quase no meio da temporada. Se o 12º tivesse a animosidade do ano anterior, capaz que nem sentisse nada pela perda de Clara. Agora, a empatia escancarou e estou louca para saber como ele seguirá. Principalmente por ter criado um elo com Ashildr que não é apenas uma menina Viking. Agora, ela é híbrida. Como ele.

 

Ao contrário de Donna, Clara não precisou impulsioná-lo para ver a verdade. Esse foi o maior ponto positivo do episódio. A companion não precisou pressioná-lo e explicou que Ashildr se saiu como vítima das circunstâncias. O que acontece com os humanos. A autodescoberta do 12º foi muito valorosa, importante, e quero pensar que mudará sua trajetória a partir de agora.

 

Sou suspeita para falar da Maisie, porque todos os trabalhos que já acompanhei dela (Game of Thrones, Cyberbully, The Falling) me deixaram de queixo caído. A menina atua muito e quero pensar que na continuação ela sambe mais um pouco. Quero saber qual é essa de seu destino estar interligado ao do Doctor. Já ouvi que a personagem é filha da Missy, que loucura!

 

Ashildr entrou na minha lista de personagens que me representa. Simplesmente porque ela se sobressaiu como uma contadora de histórias. Ela tem na mente um poder capaz de mudar os seus arredores, como recriar a própria guerra e atuar dentro dela. A gota mágica deste episódio, com toda certeza, que deu mais importância para o contexto da vila que não era só uma vila.

 

Era um lar de pessoas que convivem em família, que acreditam umas nas outras, e que se orgulham do que possuem. Há a fé inestimável nos Deuses, o orgulho e a esperança de que nada mude. Para confortar qualquer medo, há história e essa menina me conquistou quando confessou isso para o Doctor.

 

Duas linhas sobre Clara

 

O 12º está na vibe do 11º quando começou a enxotar Amy/Rory. Encontre um hobby, ele disse para Clara. Sabemos que essa é uma baita entonação de despedida.

 

Concluindo

 

O poder do storytelling. Foi sobre isso o episódio. Como aquilo que criamos tem certo poder. Dentro de nós mesmos e ao nosso redor. Para vencermos, precisamos nos voltar para dentro para descobrirmos o caminho da resolução. Essa foi uma de muitas histórias das quais o Doctor surge para salvar, mudando sempre o cenário. Um mero passageiro. Um mero agente de mudança.

 

Pelo próximo episódio, essa pegada continuará e estou muito curiosa. Amei a vibe do que aconteceu esta semana, a trama estava redondinha, obedeceu a um conto de Vikings com altos e baixos como toda boa história. Foi divertido e emocionante do começo ao fim. É sempre muito bom quando Doctor Who nos brinda com episódios em que podemos nos encontrar neles.

Stefs
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