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05/out

Este episódio de Doctor Who não teve a mesma energia dos anteriores e demorou um pouco mais para engatar a ação. Essa nova viagem entre o tempo e o espaço nos levou para o fundo do mar, em um tempo distante, um século 22 que dá para imaginar uma superfície completamente diferente da nossa realidade. A trama veio com um linguajar tecnológico pesado que se amarrou ao thriller soturno que, neste primeiro momento, investiu nos questionamentos de um plot que não tem solução.

 

Simplesmente porque fantasmas são fantasmas. Fantasmas não têm nada a ver com foco alienígena. Por ser um problema er, digamos, humano (?).

 

O início do episódio foi um pouco maçante, mas muito inteligente. A trama forçou o cérebro a trabalhar na mesma rapidez com que indagações/respostas eram lançadas sobre o que acontecia. Há fantasmas em cena, mas ainda não se sabe ao certo a causa da materialização e o que desejam. Assim, a história ficou muito no explorar, segurou o que interessava até os últimos minutos e nos deixou com uma única ponta que fará o Time Lord rebobinar essa tramoia – que espero uma conclusão de arrepiar. Honestamente, defino o que aconteceu esta semana como um aquecimento.

 

Um aquecimento tão das trevas que até a TARDIS ficou bolada. Claramente me identifico. Ainda mais quando penso que fantasmas sempre desejam alguma coisa ou penam entre nós por causa de missões não cumpridas. Sério, quero a continuação agora mesmo.

 

Li no Blogtor Who que este episódio teria um pouco de The God Complex, já que o roteirista da vez foi o Toby Whithouse, que também assina esse thriller da Era Pond.

 

Portas. Esse foi um dos acenos para TGC. Uma situação em que todos se uniram para encurralar os fantasmas, o pico do episódio. Só me veio lembranças boas na mente, pois TGC é um dos meus episódios favoritos da Era 11º, e vê-lo meio que encarnado em uma trama da Era 12º me fez muito feliz. Cada compartimento se fechando trouxe a tensão que estava faltando nessa situação que começou morna, mas depois mostrou a que veio.

 

A grande questão: o que espanta esses fantasmas enigmáticos? Medo?

 

Medo foi o sentimento que o 11º julgou ser o motor que alimentava a criatura em TGC, um sentimento que se encaixou neste episódio. Porém, nos minutos finais, lá estava o Doctor testando a fé da sua companion. A fé que atraiu o Minotauro para Amy Pond, que quase foi morta por acreditar piamente no homem que sempre salva o dia. Estou intrigada para saber o que afasta os fantasmas.

 

Vale até mencionar que TGC antecedeu uma morte do Doctor. Aqui, o mesmo se repete – mas no final descobrimos que o Time Lord meio que faleceu. Socorro!

 

Até destaco também a brutalidade das mortes deste episódio, algo também marcante em TGC. Não houve um poupar de cada personagem que se tornou um fantasma, reforçando a assinatura de Toby.

 

A súbita empatia do Time Lord

 

Tenho que dizer que estranhei horrores o comportamento desse senhor, mas de um jeito positivo. Gostei, gostei muito, e queria que não parasse. O 12º parecia possuído pelo 11º e rachei o bico como se não houvesse amanhã. Desacreditei das piadinhas, dos saltinhos, das risadinhas e das expressões sapecas para cima de Clara. O melhor momento do personagem foi ao descobrir que fantasmas são fantasmas, aquelas sobrancelhas maravilhosas se expressando mais que a fala propriamente dita.

 

Como ainda existem pessoas que não gostam do Capaldi?

 

Está aí uma pequena mudança na caracterização do 12º que aprovei e achei que combinou. Simplesmente porque toda essa empatia gera desconfiança e dá aquela sensação de não acreditar no que se vê. Todas as vezes que o personagem agiu todo pimposo, me indaguei se era um sentimento verdadeiro ou se era sacanagem. Essa versão do Doctor é geminiana, certeza. Me identifico demais.E, considerando que ele pode ser o tal guerreiro híbrido da profecia, confiar desconfiando faz parte do processo. Pena que, até então, essa alegria foi “manipulada” pela menina Clara.

 

O 12º estava uma belezinha, de verdade. Todo curioso, empolgado, sedutor, ludibriador, galanteador e, não menos importante, se derretendo com sua paixão, agora enrustida, por tudo que é novo. Depois que parei para pensar, me permiti a ficar besta com o Capaldi de novo, pois sua versão do Time Lord é maravilhosa tanto na empatia quanto no azedume. Cara, gostei dessa outra face.

 

Citando a companion, quis morrer quando Clara revela os cartões de bons modos. Gente, me joguei de tanto rir. Havia a promessa de que ela o ajudaria a ser mais humano com as pessoas que encontra, mas jamais imaginei que seria necessário um jogo de empatia determinado pelas circunstâncias. Tem como acontecer tudo de novo?

 

Clara em: vácuo no high five

 

Acho que estou voltando a me apaixonar pela Clara. Só porque ela está bem focada no que está acontecendo e volto a crer que o grande problema na storyline da personagem foi o menino Danny. Repito que amei a vida normal dela, achei um norte muito bacana, mas é inegável o quanto a fez gastar energia à toa. Uma energia que estava com força total neste episódio e até culpo a falsa felicidade do Doctor. A companion estava no mesmo ritmo do Time Lord, toda engraçadinha.

 

De novo, estava ali a preocupação do 12º com sua companheira de viagem. O senso de dever. De novo, devo me preocupar? Não sei não… Mas não acho que Clara esteja emocionalmente bem.

 

Se não estiver errada, ela é aquele tipo de pessoa que busca na ação a adrenalina para não lidar com um rombo no peito. Algo que me identifico, porque quando estou magoada ou machucada, preciso de movimento para não pensar. Detalhe que a companion pode muito bem ter engatado para si mesma. O desejo de viajar ao encontro de tretas regadas de conflito diz muito, bem como a falta de convencimento de que está tudo bacaninha. Aqueles olhos lindos não me enganam.

 

E o Doctor morreu? WTF?

 

Estou amando mesmo a divisão dos episódios, pois segura o interesse e dá para aprofundar mais as histórias. Quero só ver como será explicada a nova morte desse senhor que parece realmente inclinado a abraçar o além. Esta temporada não está de brincadeira!

 

Franzi a sobrancelha sobre mais uma chance de voltar no tempo, sendo que foi algo sempre tão tabu na série. Já é a segunda vez que o Doctor dá um retrocesso nesta season para consertar as coisas, como se ele não fosse inteligente o bastante para destrinchar qualquer problemática. Contudo, o dilema aqui é o que disse no começo desta resenha: fantasmas são fantasmas. Não tem o que mudar.

 

O que será feito? Voltar no tempo para entender esse fragmento da história antes do naufrágio. Como os fantasmas se criam? O que querem? Como se reproduzem? Aonde vivem? Por que são tão furiosos? Male, male, estou curiosa. Quero saber como o 12º voltará à vida.

 

Concluindo

 

Depois do conflito com Davros, deu para sentir um pouco o clima dessa nova temporada de Doctor Who. Posso dizer que até captei um pouco de estranheza em certas investidas que não me atreverei a dizer agora porque a trama foi dividida em duas partes.

 

Isso quer dizer que minhas impressões podem mudar, mas há um incômodo convicto dentro de mim: a sonic screwdriver virando sonic shades. Não queria criar um mimimi sobre isso, pois é uma readaptação da série, algo que dá para sentir desde que Capaldi assumiu a TARDIS. Até os diálogos sofreram um tapa, estão mais joviais para conversar com o público mais novo.

 

Mas não fiquei à vontade em ver uma ferramenta tão icônica virar um ray-ban. Não teve magia e achei o modo de uso meio idiota. Moffat disse que uma hora o formato chave de fenda retornará, o que alimenta minha ideia insana de que há uma lacuna na vida do Doctor depois de ter deixado Clara na S8. Só não digo mais porque Capaldi ficou uma belezinha de óculos escuros.

 

O episódio não foi tão impactante quanto os antecessores, mas deu uma bela lição de casa que fez o Doctor mostrar o quanto irá longe para resolver essa problemática. Adorei as charadas que revelaram as coordenadas e a maneira meio que didática com que o personagem esclareceu os próximos passos. Quero só ver o que está reservado para esse sacana. Penso até que será uma chance para Clara trabalhar mais, já que a companion anda meio apagada apesar de tudo.

 

PS: E o que dizer sobre Cass? Amei muito forte e a atriz é realmente surda, gente. Agradeço aos envolvidos por ter dado a ela liberdade, independência e liderança. E, claro, não focar nesse assunto, empoderando a personagem. Sambou e muito, miga!

Stefs
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