Menu:
06/out

Este texto que escrevi foi em um momento que não sentia nada. E, quando não sinto nada, os capítulos do We Project que escrevo tendem a ser uma grande porcaria.

 

Tudo porque:

 

1. Não entrei na vibe da Amy – e há dias que é realmente muito difícil. Simplesmente porque estou contente. Nessas horas, me lembro do filme Not Another Happy Ending em que a escritora só consegue produzir quando se sente miserável. Basicamente eu quando preciso encarnar minha protagonista e mandar bala. Por isso que de vez em quando rola umas lágrimas.

 

2. Não entrei na vibe do aliado da Amy – e há dias que é realmente difícil. Simplesmente porque não estou indecisa com meus sentimentos. Ele é bem mais fácil de escrever, fatos reais, por causa da alta taxa de azedume. Porém, por causa dos eventos de 7 anos atrás, preciso retroceder e encontrar como ele se sentia em tal época/momento/caso/circunstância.

 

E é quando escrevo o que chamo de pensamentos soltos. Isso me prepara para encarar os capítulos e a treta propriamente dita com mais força de espírito. Ou, mais ciente do que preciso botar no Word.

 

Hoje, trago um que escrevi da Amy. Uma nova memória. Meus pensamentos soltos nunca são elaborados, cheio de flores, com 5 páginas. Às vezes, escrevo no celular, o que explica tanta quebra de linha. São apenas insights que me colocam no humor certo e/ou para visualizar o que desejo.

 

Isso é muito bom para quem depende do passado para escrever o presente. Ou está amuado.

 

Então, vamos nessa.

 

 

Havia 3 palavras empacadas na sua mente.

 

O seu nome.

 

A sua idade.

 

O nome de um homem.

 

E uma sequência de reticências.

 

Ela tentava, duramente, lembrar da 4ª palavra. Era similar ao seu nome. Não exatamente a mesma.

 

Parecia que começava com A de Amy. Tinha certeza que era a chave para o que sentia que lhe faltava. Parecia como uma parte dela.

 

Observou, cautelosamente, e sentiu algo se abrir dentro de si. Um rachar dividido em dois.

 

Ela escrevia aqueles nomes todos os dias. Era uma forma de abafar os gritos e o ranger das grades vizinhas. Era o único momento que conseguia se distanciar do que acontecia naquele lugar medonho. Parecia um mantra ditado por alguém, que sempre a forçava repeti-lo quando se sentia desesperada ou desnorteada.

 

Engraçado como se sentia assim todos os dias.

 

O único problema, que aumentava os ruídos não concisos da sua mente, era se ver empacada no que parecia ser o restante de uma incógnita que poderia fazê-la retornar para si mesma. A cada dia estava ficando difícil saber quem era e não havia nada que pudesse abrir a sua mente uma vez que fosse cutucada por pessoas sem rosto.

 

Tinha certeza que aquelas reticências sinalizavam uma pista final. Uma pista que a deixava nervosa quando a contemplava por horas – que nem sabia – sem ter uma resposta. Toda vez que empacava ali, sentia mais necessidade de saber como aquele pensamento continuava. Um pensamento que era reconfortante, dócil como um suspiro. Palpável. Acima de tudo, seguro.

 

Eram palavras significativas para sua mente e que poderiam ser roubadas dela. Relances de algo que já não conseguia recordar. Aquela letra seguida de três nomes era a única coisa que lhe dava segurança. Que aquietava sua mente, mas, ao mesmo tempo, machucava. De dentro para fora.

 

A única coisa vívida naquele momento era a dor na ponta dos dedos. Era com as unhas que escrevia, raspando a tinta preta enquanto sua respiração saía brutalmente pela boca, disfarçando a dor do esforço. Únicos sinais constantes de que ainda estava viva, já que suas memórias estavam quase mortas.

 

Não saber daquele último nome era a prova de que não haveria caminho de retorno.

 

Tinha que descobrir e continuou a raspar a parede até a unha sangrar.

 

Não teve nem tempo de terminar uma nova sequência de reticências.

 

O breu a consumira. Com uma nova picada no início da coluna.

 

N/A: juro que não tem nada a ver com Pretty Little Liars hahahah

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3