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10/out

Este episódio foi bem tranquilo em comparação aos anteriores e cheio das ousadias. Uma atmosfera mais do que propícia para o quinteto fantástico estreitar a amizade. Nada como colocar sexo na roda de conversa para deixar qualquer um soltinho, certo? O tema aflorou alguns ânimos dessa galera que se deixou levar, tagarelando suas experiências, usando a “pausa” para abrir espaço para um pouco de empatia. Algo bem-vindo quando se tem uma pessoa como Annalise no controle.

 

Quem foi Annalise neste episódio? Passado o julgamento de Nate, agora é hora de lidar com o agridoce da culpa. De sentir na pele a comichão de um amor destruído por uma pessoa que não mede esforços para sair bela na foto, imune e vitoriosa. A personagem me representou completamente com o look pijama, garrafa de vodca e resmungo de não ter mais doce na geladeira. Os momentos amuados dessa advogada sempre são os melhores, pois elevam suas fraquezas. São nessas circunstâncias que descobrimos exatamente aonde o empurrão a fará cair do precipício.

 

No caso, mozão Nate.

 

Por mais que quisesse encontrar um motivo para Caleb e Catherine matar (ou não matar), a personagem queria muito mais um pote de sorvete para suprimir o que sentia sobre o que fez/aconteceu com Nate. Annalise simplesmente foi tombada pelo efeito do julgamento, um misto de culpa e de inquietação por não saber como sua relação com ele se seguirá dali por diante.

 

A narrativa no gravador foi ideal para assentar a que nível estava o seu humor. De novo, só restou desacreditar que uma mulher como essa, sempre tão durona, estava vulnerável, indefesa e alheia aos arredores. Inclusive, alheia ao caso principal desta temporada. Sei bem que, lá no fundo, Annalise queria virar a mesa por não ter um motivo para fomentar a defesa e dar um shade na Sinclair.

 

Annalise estava pra baixo. Teve vários momentos de pura fragilidade. Os minutos iniciais arrancaram risos, porque só ela consegue ser maravilhosa até com cara de poucos amigos. O mesmo vale para o momento diante do espelho, se arrumando da melhor maneira possível para rever Nate – e nós achando que ela iria para a rave do sexo. Certeza que a advogada quebrará muito mais regras para compensar o que fez e isso é maravilhoso para os inimigos. Quanto mais fraca, melhor.

 

É com esses ânimos que o lado negro de Annalise se revela. Ela é uma mulher que não aceita o frágil e, por se segurar muito, quebra com muita facilidade. Para abafar o que sente, nada como competir e sabotar. Os primeiros indícios do quanto o afastamento de Nate não lhe fará bem começaram ao alterar uma evidência para dar a ele um emprego. A personagem está desesperada para consertar as coisas e sabemos que isso é o mesmo que quebrar limites. Afinal, perder não é sua palavra favorita.

 

O que pega é que Nate deu uma gota de esperança e sinto que Annalise ficará confortável com isso.

 

Embora estivesse grande parte do tempo montada para vencer em tribunal, Annalise provou de novo o quanto sua caracterização é relacionável. Ela não vale nada, mas é uma mulher da ficção muito próxima da realidade. O ápice foi vê-la tombada pela bebida e depois acordar confusa por causa do ruído no porão. Desnorteada e indefesa, a personagem pegou a primeira coisa que viu, mostrando que, apesar de ter vencido o caso Sam, não é tão poderosa quanto aparenta. Só que ninguém sabe disso (Wes?), pois a advogada precisa ser temida. É assim que ganha a vida.

 

Essa tristeza fez Annalise atuar no auge da secura. O que foi o revés criado para salvar sua cliente? Como sempre, essa mulher só funciona a base da vitória, não interessa quantas pessoas se afundarão no processo. Por isso mesmo acredito com mais confiança de que a personagem engatará um rastro de ódio. Ela poderá até investir em medidas ilegais para vencer, o que não é mais novidade. Contudo, penso que a cutucada da vez será o aprofundamento do conflito de moral. Tendo Sinclair como rival, a advogada jogará mais sujo que de costume.

 

Bastou vê-la virar o ponteiro da culpa para a esposa inocente, a maneira agressiva como partiu para cima e nem se importou com a choradeira que se seguiu. Quando Tanya saiu, vomitou e indagou como ela dormia a noite, foi o bastante para notar de novo que nothing hurts com Annalise.

 

E a brincadeira com Sinclair está só no começo. A personagem apareceu pouco, mas mostrou aonde está seu maior alicerce: Asher. Até quando? O que encuca é saber de onde veio esse desejo insano de retaliar Annalise ao ponto de conseguir o gravador. Essa mulher tem sangue nos olhos, sabe como e quando quer jogar. Ela pode lançar cartas sujas, mas provavelmente estará dentro da lei, ao contrário da rival.

 

Bastou a evidência contra os irmãos se revelar como dada e não manipulada. Penso que isso colocará em cheque as medidas da defesa referentes ao caso, o que afetará a relação com o quinteto.

 

E o que dizer de Caleb e de Catherine? Cogitei na semana passada que deveria ser “incesto” e dei um grito quando meu pensamento se confirmou. Isso até abre um pouco de brecha para uma discussão interessante que ganhou a voz da governanta que os dedou: o tal do pecado.

 

Um pecado que foi salientado na pauta sexo. A trama explorou o assunto em vários contextos e senti até uma crítica nas entrelinhas. Amei forte por terem dado um teor feminino ao tema, respaldando a preocupação da mulher em sempre se reprimir por medo de ser chamada de vadia. Amei ainda mais a colocação de Laurel sobre Tanya ser dona do próprio corpo e fazer o que bem quiser com ele, um pensamento corretíssimo. Século 21, gente. Chamar a outra de vadia já é coisa arcaica.

 

Outro ponto forte da trama foi o transitar da busca por testemunhas para respaldar a defesa de Tanya. O viés na maneira como o homem pode sair vangloriado por fazer sexo a torto e a direito e a mulher ter que esconder o que faz para não ser malvista me deixou sem palavras. Além disso, tocou a real em torno de argumentos machistas vindas do advogado de acusação.

 

Quem escreveu este roteiro merece todos os prêmios por ter trabalhado um tabu, transferindo-o para a ficção como um tabu que acabou sendo discutido.

 

Uma crítica bem de leve que ganhou voz forte por causa das mulheres da série. Mulher faz sexo sim e não deveria ter vergonha disso. Uma vergonha colocada nos ombros de Michaela que se sentiu o ET por nunca ter tido um orgasmo. Um drama de uma Bonnie bêbada que finalmente se sentiu desejada e liberta ao dormir com Asher. Houve aqui um vislumbre do quanto a mulher se priva da sua sexualidade por achar errado e assino com Connor sobre o slut-shaming. É isso o que rola.

 

Wes em: o dono do jogo

 

Demorou, mas menino Wes se revelou e dominará o jogo contra Annalise. Como disse na semana passada, esta é a época das consequências e, atrelado a isso, reafirmo o trajeto de ódio que a advogada pode provocar nos próximos episódios. O personagem aprendeu a lição, sabe como a mulher funciona, captou o ponto fraco e fez parceria, e tem o benefício da confiança. Olha o samba!

 

O mais incrível foram as cenas que colocaram Annalise separada por um porta das duas pessoas que até então mais aprecia e confia. O golpe virá daqueles que admira, aqueles que sabem de suas fraquezas e que foram joguetes da trama Lila/Sam/Rebecca. Como lidar?

 

Levi não é Eggs, mas foi a faísca dessa situação. O novato parece uma pessoa bacana, ligeiramente preocupado com o sumiço da irmã. O tenso é outra pessoa do quinteto descobrir a existência dele e a relação com Wes. Os ânimos serão afetados, porém, acho que essa aliança unirá os demais (menos Asher). Afinal, ninguém sabe o que rolou com Rebecca e descobrir que Annalise silenciou mais uma morte será uma chance para quebrar a coleira.

 

Confio que Wes será um mestre daqui para frente, pois o personagem mudou muito desde o Piloto. O que foi a gentileza dele com o rato? Frieza ou masculinidade? Fato é que ele está muito distante, sempre de cabeça baixa, espiando por cima dos ombros. Depois de ver a bagunça toda de perto e de saber como o cérebro de Annalise funciona, espero uma vingança bem digna. A expressão dele em descobrir que foi traído de novo libertará o lado maligno que tanto quero ver. Eu acredito! Esse jovem de bonzinho não tem nada. Como disse Frank, os quietos são os mais suspeitos.

 

Os outros plots

 

Como disse, o clima deste episódio serviu para unir um pouco mais o quinteto. A união pode ser tanto benéfica quanto estratégica, pois todos são cúmplices de uma trama maior e ainda estão aonde estão mais precisamente por dependerem do silêncio de Annalise. Por mais que não seja dito em voz alta, é evidente que o grupo não arreda o pé da mansão por saber que a advogada não hesitará em derrubar cada um deles. Basta empurrar um dos dados que o efeito em cadeia afetará todos.

 

O único torto nisso é Asher que não estava na mansão dos irmãos safadinhos. De novo, ele estará fora da ação, o único na nave da Xuxa do vi e nem verei. Agora, quem é essa Tiffany? O que rolou em Trotter Lake? Para ele procurar o pai depois do rolo da S1 é porque o babado é certo. Algo muito bom, pois o personagem se tornou caricato e tem se sustentado nos booty calls com Bonnie. Uma boa hora para revelar que de inocente e de bode expiatório esse cidadão não tem nada – mas falta um pouco mais de coragem, né? Por isso combina com a ex, capacho do mesmo nível.

 

E o Frank? O que mais esse homem esconde além de ter matado Lila? Pela falta aparente de arrependimento por tudo que fez, penso que isso pesará e o atormentará a partir do momento que descobrir que Laurel está na dele. As pessoas meio que mudam por amor, certo? Vejam só como Annalise só faltou ir ao mercado de pijama para comprar sorvete.

 

Concluindo

 

O futuro de Annalise tombada está cada vez mais interessante e conto nos dedos desde já para saber o que diabos aconteceu. Com Nate em cena, a ideia de ódio fulminante pela advogada ganha mais força, restando saber aonde Sinclair se encaixa no cenário.

 

Quem com tanto ódio no coração daria cabo em duas pessoas? Seria alguém do grupo? Começo a pensar que Wes só assinará a tramoia de descobrir aonde está Rebecca e os resultados serão as consequências. Quem sabe Levi sai como o culpado, não é? Se ele permanecer por mais tempo, considerando o relacionamento com Michaela, não duvido que conheça o lado negro de Annalise. Até descobrirem que foi Bonnie, capaz que as advogadas tenham sido massacradas.

 

O que pega é a suposta preocupação de Nate ao telefone e, depois, bancando o policial – de certo, aceitou o cargo para investigar o que rolou com Rebecca. Álibi? Fez burrada? Por que salvou a molecada? Quem mais aparecerá nessa cena? Socorro, cadê finale? #amaisapressada.

 

Assim, voltamos ao ponto-chave deste episódio: o motivo. Por que alguém faria isso?

 

PS: quero ser filha do Oliver e do Connor para dormir entre eles. Pais mais lindos do mundo.

Stefs
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