Menu:
03/out

Se há uma coisa que adoraria fazer neste parágrafo é: meter um monte de palavrão. Literalmente, soltaram as engrenagens da montanha-russa, estrelando Annalise, e o descarrilar promete danos colaterais ainda mais surpreendentes em comparação aos da temporada passada.

 

O 2º episódio de How To Get Away With Murder fez questão de frisar o quanto Annalise é tóxica. Em todos os âmbitos da vida, essa mulher não perdoa e contamina tudo. Mesmo que estejamos acostumados com essa parte da caracterização da protagonista, ainda é de se chocar as coisas que ela faz para sair pela tangente. Só consigo imaginar o que a advogada provocou ao ponto de estar prestes a ser eliminada da terra dois meses depois dos acontecimentos atuais.

 

Outro fator que o episódio pontuou sabiamente é a batalha de egos entre Sinclair e Annalise. Conforme o desenrolar do julgamento de Nate, deu para saber o que reunirá essas duas personagens. Não será Caleb e Catherine, mas o desejo de uma desmoralizar a outra, e vice-versa.

 

Até chegarmos a esse momento, que tem tudo para ser glorioso, houve várias pautas quentes neste episódio, a começar pelo julgamento de Nate. Fiquei um bom tempo tentando entender o que diabos acontecia, pois, claramente, Sinclair só queria derrubar Annalise. Quem era Nate na noite quando se tem a advogava bem-sucedida da Filadélfia para espetar? Um detalhe que Bonnie esclareceu como retaliação e que, com certeza, será carregado para o caso dos irmãos supostamente assassinos.

 

Sinclair (ela me lembra a Umbridge, gente, no modo de ser do confronto) mostrou que é imatura e pensa que seu sarcasmo é sinal de que está mandando bem. Um tipo de personagem muito fácil de derrubar. Claramente precisa, né? Não sabe manipular, partindo para a agressividade. Joguinho juvenil e morri quando Annalise começou a corrigi-la, como se cada indagação ofendesse sua inteligência.

 

Só sei que o julgamento de Nate foi mais o julgamento de Annalise e ela nem chegou perto do inferno ainda. Nem como testemunha essa mulher tem autocontrole e os berros na corte me tiraram do eixo. Uma nova prova do seu temperamento duvidoso que, uma vez elevado, fala mais que qualquer outro gesto da sua parte. Assistir a versatilidade de Viola sempre aquece meu coração e não foi diferente neste episódio. Sua personagem saiu da fúria de ser acusada – por algo que cometeu, mas teve que fazer a egípcia – até cair novamente nos braços de uma apaixonada Eve.

 

Essa mulher me tira do sério. Não tem como odiar Annalise com uma atuação estelar dessa.

 

Pensei que Eve fosse durar mais na série, porém, sua saída foi em um ótimo timing. Afinal, o caso Nate não é a história que interessa nesta temporada. Como disse na resenha passada, não sou a mais fã da Famke, mas sua personagem é até que interessante e fez o favor de mostrar a outra faceta de Annalise. A faceta que dá risada como se não houvesse amanhã. Penso que ela retornará como mais um bode expiatório. Não seria surpresa, certo?

 

O incrível foi o quanto Annalise se mostrou mais contraditória diante de Eve. Com a crush da faculdade, ela é uma mulher  intensa e dedicada. Surtei com a cena de amor das duas, ficou de muito bom gosto. Porém, sabemos que a personagem não é assim, o que nos deixa na corda bamba sobre amá-la e detestá-la por causa da sua imoralidade. Uma imoralidade que entra em cena na presença de Bonnie, a lembrança mais marcante de tudo de ruim que aconteceu na S1.

 

Penso que há uma história a ser contada entre Annalise, Eve e Nate – já que ele viu que o babado é certo. O ex-policial mostrou falta de simpatia do próprio julgamento e se revelou como uma ameaça ao se recusar a dizer o que foi combinado, o que o torna uma dor de cabeça muito vívida. Não duvidaria se o personagem focasse em vingança, pois essa temporada deixou bem claro que a meta é trazer consequências para a advogada – e levar todos os envolvidos para mais um nado livre.

 

O caso Caleb e Catherine

 

Isso tem cheiro de “incesto”.

 

A importância desse caso se destacou um pouco mais, não só por ser a evidente causa da queda de Annalise e de Sinclair, mas por ser um jogo de falcatrua. Alguém quer incriminar Caleb e Catherine, ok, mas quem disse que esses dois são realmente inocentes?

 

Um caso que iniciará a batalha de egos entre as duas advogadas. Uma cavará a cova da outra, mas acabarão no mesmo buraco. Irônico, não? O passado dos acusados não ficará a sete chaves, ambas são daquelas que vão fundo para vencer. Quanto mais suja a história, melhor para esquentar o embate. Annalise já provou várias vezes que não brinca, especialmente quando está perdendo.

 

Só sei que esse caso está muito intrigante. Quem plantaria DNA para acusá-los? Quem mataria os pais e a tia para tirá-los de cena? Seria um plot de assassinato cometido por eles mesmos com a provocação de um julgamento para, no fim, saírem inocentes do que fizeram? Ou são apenas bodes expiatórios de uma trama maior? Não há nada conciso para nos apoiarmos, a não ser o resultado dessa bagunça que calhará no tombo sanguinário das concorrentes.

 

O futuro do mal

 

Vocês precisam se salvar de mim

 

O drama da série sempre morou na dualidade de Annalise, pois, ao mesmo tempo que ela quer ganhar e carrega todo mundo no trajeto, a culpa que sempre brota em seus olhos nos faz sentir um pouco de empatia – e é algo de se desconfiar. Depois de tudo o que provocou na temporada passada, como confiar nessa mulher? Como confiar em seus súbitos momentos de afabilidade sendo que ela é uma jogadora? Que só cria elo com as pessoas fracas, pois sabe que pode manipulá-las?

 

Wes é o maior exemplo disso e continuou a ser o cachorrinho da situação. Ele também não é confiável, mas se faz de santo para não ser engolido pelo furacão Annalise. O personagem parece ser o único que aprendeu com a temporada passada, rendido ao low profile, apenas observando e se voluntariando naquilo que se acha capaz de fazer.

 

Vale até um adendo ao fato dele ainda morar no mesmo lugar depois de saber de tudo que aconteceu ali. Wes não me soa uma pessoa muito equilibrada, ele está distante e seus trejeitos denunciam certo calculismo. Queria pensar que a situação de Rebecca tenha trazido à tona o lado que sai correndo no meio da noite da casa dos clientes, sem sequer se preocupar com sua mentora.

 

Isso abre brecha para pensarmos nos acréscimos do retrocesso. Connor deu as caras e parece o único preocupado, não perdendo a chance de ressaltar que tudo é culpa de Annalise. Alguém precisava jogar isso na cara dela, pois o que aconteceu com Sam está empacado na garganta de cada um (e fingem esquecimento). Pelo menos um deve pensar em retaliar a advogada. Até poderia dizer que é o Asher, mas ele ainda não mostrou cacife para tanto.

 

Sem contar que todos estão amarrados a ela e o ataque contra Annalise me soa como um bom momento de libertação que, no futuro, pode persegui-los. Fora menino Connor, ninguém pensou duas vezes em vazar dali, um grupo de irresponsáveis que deixou duas pessoas para trás.

 

Claro que a ideia de libertação é tentadora. Sem Annalise, quem falará sobre Sam?

 

E o que foi o estado de Sinclair, gente? Ela foi claramente atacada antes de morrer. Cogito que Annalise entrou na defesa dela ou ambas brigaram e tudo deu errado (uma possibilidade interessante, pois a protagonista não pode morrer). Por outro lado, se há alguém bolando contra os irmãos, de certo se irritou com a perspicácia da advogada do diabo devido a sua facilidade em derrubar até reporte falso que eliminou mais um acusador.

 

Só de pensar que esse nó será desatado no finale…

 

Os outros plots

 

Estou espantada com dona Michaela que está muito tranquila na vida. Nem lembra aquela mulher desesperada, que só faltou enfiar o troféu na cara de todos por causa da aliança de noivado. Achei bem legal ela ser o foco de Levi e penso que a fragilidade dessa personagem a fará contar o que não deve. Presumo também que ela engatará a busca pela Rebecca e acho até possível chegar na Bonnie.

 

Agora, seria Levi o tal do Eggs? Seria muito fácil encontrar Michaela, já que até Frank bisbilhota o computador da panelinha. Rastreá-la pelo celular é muito baba.

 

E o que dizer sobre o novo ciclo de mancadas do Connor? Nem fiquei tão mal por ele sair falando da saúde do Oliver, como se fosse algo muito simples, mas a maneira como o personagem se sentirá daqui para frente. Ele abraçou a culpa pelo estado do namorado. Que clichê doloroso, não?

 

Connor será mais cuidadoso, eu acho, porque se sentirá responsável. Ele ainda é claramente um galinha, mas o que me preocupa é o emocional dele. O personagem se transforma quando está desesperado e/ou infeliz, como deu para ver na temporada passada e ao estar diante de uma ensanguentada Annalise. Esse jovem tem um coração de ouro por detrás de toda piada, tem as melhores sacadas e já sinto muito por mais uma dose de culpa que carregará nos ombros.

 

E, pelo visto, Connor terá Michaela para contar. Bastam ver como ela foi cuidadosa com ele, convencendo-o a deixar a cena do crime com o grupo.

 

Uma salva de aplausos para o confronto Bonnie e Annalise. Mal posso esperar para o passado das duas ser explorado. Bonnie colocou Annalise no pedestal e não há quem tire. Ela tem a necessidade de agradá-la e de honrá-la, e chega a ser doentio demais. Não sei vocês, mas essa personagem é a única que não consigo captar personalidade. Não consigo descrevê-la. Ela é sagaz quando deve ser, mas friso o que foi dito: a chefa não lhe dá espaço para atuar e é a mais pura verdade. Inclusive, essa mulher só imita a mentora, o que dificulta ainda mais o desvendar de quem realmente é.

 

Tudo que Bonnie faz é em benefício de Annalise que sempre é mal-agradecida. Isso dá trabalho para a empatia, pois, como disse na semana passada, não consigo entender esse modo capacho de operação.

 

Falando em personalidade, o que foi o Frank? Quero abraçar o Peter agora mesmo por sempre ir totalmente contra a maré em Murder. Um personagem que contrai HIV, depois a protagonista que se revela bissexual, agora um homem gostosão, que trata as mulheres como bem entende, que fica ofendido porque é objetificado. Ri para não chorar, afinal, ele trata as “parceiras” como objeto por bel-prazer. Foi bizarro e inusitado a declaração de querer ser ouvido e não apenas ser visto.

 

Como se não tivesse sido ele mesmo a vender o rótulo de gigolô. Acho graça!

 

Concluindo

 

Este episódio foi deveras estressante. Incomodou demais em vários pontos, mas de um jeito positivo. Esta temporada será a época das consequências, dentro do ditado: aqui se faz aqui se paga. O tema da advogada que já começou a mordê-la na traseira.

 

O episódio foi um julgamento dentro do outro e foi bem complicado se desligar de um para entender a psicologia da tramoia da vez – que promete muito. A trama segurou toda a pancada de informação, criou ruído e encolheu o espaço dos demais personagens, entregando mais um pedaço da história suficiente para tomar o fôlego. Nesse quesito, a escrita de Murder é incrível, porque não há a queda de ritmo. Tudo se encaixa.

 

Além disso, o que aconteceu esta semana deixou claro que Sam não será esquecido, ainda sendo falado entre aqueles que acham que poderão respirar tranquilamente com a liberdade de Nate. Uma situação ainda perigosa, pois o ex-policial ama investigar por conta própria. Vai que ele quer saber quem foi o real assassino do marido nada querido de Annalise, né?

 

PS: por um amigo Connor que se preocupa com o onde as amigas sentarão #risos

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3