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17/out

Annalise acordou em mais um dia péssimo da sua existência. Dessa vez, não havia sorvete, mas a sua consciência. Nada mais complicado do que lidar com os próprios pensamentos, especialmente quando estão carregados de algumas gotas de culpa. No caso da advogada, é difícil acreditar que qualquer bad vibe realmente a destrua, mas a esposa de Nate chegou perto de provar o contrário.

 

Acreditei piamente que Annalise daria as pílulas para Nia. Isso é o termômetro do quanto não confio nesta personagem, um sentimento que beira ao amor e ao ódio. Um misto que precisa prevalecer dentro de mim por ser o gatilho para a surpresa. A advogada não fez o que seria óbvio, ou talvez, no que seria em benefício de si mesma, pois havia outra coisa no meio do caminho: o peso da vergonha. Uma emoção que pode não ter sido dita, mas estava estampada no rosto dessa mulher.

 

Nia estava ali para cutucar no ponto que ninguém (ainda) se atreveu. Deixar Annalise com vergonha e usar isso para ter o que quer. Uma sagacidade inexplicável. Gostei da veemência da esposa de Nate em saber que a advogada matou Sam e da confiança de que receberia o que queria levando em conta o caráter da “rival” – que deu cabo nos dois ditos amores para se safar.

 

As expressões de lamento de Annalise foram um desconfiar desconfiando e a resolução deixou o gosto amargo de que a personagem reconheceu parte dos seus erros. Duvido muito. O que aconteceu com Nia só foi mais um capítulo que precisa ser deletado para não comprometê-la. O problema é que o caso Sam continua muito vivo, o que automaticamente cutuca o julgamento injusto do Nate, e acho excelente como ele sempre vem à tona.

 

Nia foi a pessoa certa para desmoronar uma pessoa que jurou estar ali depois de ter vencido o medo. Meramente, o medo de não lidar com a vergonha de dormir com um cara enquanto a esposa era tratada com um câncer. Só tenho que aplaudir pela nova forma de dar o lembrete de que Sam sempre será o fantasma de Annalise, somado a todas as outras coisas que assumiu e fez na S1.

 

Quando olhei para essa personagem, vi um caminho para a redenção de Annalise. Ok que isso não acontecerá tão cedo em Murder, mas oscilar nesse quesito também torna a advogada interessante. Nia, male male, foi um “passe para o bem”. A “rival” poderia pegar ou largar. Não deixava de ser uma péssima ideia, mas, aos olhos da esposa de Nate, soava justo só porque houve o pedido. Assim feito, a responsável pelas pílulas não seria culpada. A não ser que descobrissem, pois é aí que veríamos o quanto não há credibilidade nessa mulher que manipula para sair bem na foto.

 

Reconhecer os erros é algo que Annalise não faz em voz alta. Ela deixa sempre nas reticências como uma situação a afeta, porque, como a advogada disse, ser covarde ou fraca não é o seu badalo. Ela gosta do poder, de estar aparentemente bem, pois o que veem da sua pessoa é o que lhe dá força para dar o bote. Sendo confiante, quem estiver ao redor também é, e isso é estímulo para vencer.

 

A situação entre as duas mulheres tornou o episódio reflexivo e intenso. Foi meio surreal ver Annalise tão envolvida com o pedido de Nia ao ponto de se distrair de um caso intrincado. Um peso que se entremeou na trama sinalizando aonde estava sua mente. Completamente desfocada, porém, não o bastante para barrá-la.

 

Annalise revelou sua hipocrisia neste episódio, não só diante de Nia, mas no decorrer do caso que assumiu. E ela se sente bem com isso, pois a hipocrisia lhe dá a fachada que precisa. Enquanto atender a fachada e a ideia de que sempre vence, não há quem a norteie para o caminho da luz. Na boa, ninguém quer isso. Particularmente, quero vê-la se dar mal (desde que não tenha morte, ok?).

 

Zoe foi a preciosidade da semana e rendeu um caso e tanto. A mãe dela chamou a atenção também, com uma proteção nada maternal, mas que só visava as aparências. Senti muita vontade de estapear essa senhora ao pedir para enterrar a evidência. Pior é que existem mães assim, que sabem que os filhos fazem coisa errada, mas passam a mão na cabeça. Isso alimenta a erva daninha.

 

Mais uma vez, um episódio de Murder cutuca a ferida e penso que esse será o moto para resgatar ainda mais os acontecimentos da temporada passada. Seria muito cômodo se, simplesmente, geral virasse a página e esperasse alguém, como Levi, mordê-los na traseira. Essas nuances de culpa, de remorso, de preocupação, de estresse com relação ao caso Sam, transitando entre os personagens, têm sido muito bem inseridas na trama. Reforça a tensão de algo que não pode ser mencionado. Ou lembrado, porque coloca em cheque quem cada um é.

 

Nunca pensei que Connor fosse levantar a bandeira da sabotagem, mas, considerando que ele não tem papas na língua, não era para ser surpresa. Mas fui surpreendida, porque esperei uma reviravolta por parte de Annalise. Ela sempre vence, não é? Não foi dessa vez e a brincadeira rendeu uma conclusão de um caso fracassado, algo que ainda não se viu em Murder.

 

Annalise perdeu, minha gente!

 

A revelação do Connor foi a cereja deste episódio. Capotar brevemente uma mulher maluca, que queria mesmo deixar na rua uma adolescente ainda mais maluca que poderia matar qualquer pessoa caso estivesse descontente ou se sentisse ameaçada, foi demais. Um soco inesperado. Annalise chegou perto de vencer um caso imperdoável. Por isso que não entendo como há advogado que aceita defender esses impasses. Pelo prazer de competir? Pela grana? Só pode!

 

No caso de Annalise, é tudo isso e mais um pouco, e a atitude de Connor foi claramente o começo dos atritos contra a advogada. Como tudo é influência, se um consegue dar uma rasteira na mulher mais prestigiada da cidade, qualquer um pode fazer o mesmo. Isso dá margem para os acontecimentos futuros, porque já começo a crer que a personagem perdeu o controle das pessoas ao redor.

 

Fiquei muito satisfeita com a iniciativa dele. Não aguento mais Wes ser sempre o responsável por algo contra a advogada. Foi uma ótima escolha, porque, apesar dos pesares, Connor ainda vive o que aconteceu na S1 enquanto os colegas cortam o papo pela raiz. Isso me fez pensar no que aconteceu na noite em que Sam morreu, algo muito bem pontuado pelo caso da semana: um foi na onda do outro, e Zoe era um retrato mirim de Annalise.

 

O mesmo se aplica ao ocorrido com Sam, pois ninguém fez nada e Annalise norteou o quinteto para limpar a sujeira. A discussão dela com Connor foi muito necessária e pertinente para o andar da carruagem. Alguém precisava se manifestar. Alguém precisava mexer com uma mulher que simplesmente não se importa se várias Zoes são inocentadas. É sempre sobre a reputação e Connor foi lá e a rebaixou. Delícia!

 

Connor narrou tudo o que penso: Annalise agregou o grupo, tornou os membros cúmplices, deu teto, comida, trabalho, falsa sensação de prestígio e de segurança. Quase uma panelinha Mean Girls.

 

O diálogo dessa cena também foi incrível. Annalise deixou bem claro o que venho comentando desde o início desta temporada: a advogada segura as cordas das suas marionetes. Ninguém pode sair dali. Surtei dolorosamente quando a personagem revive e conta o que aconteceu com o carro de Connor, revelando suas defesas. Essa mulher tem todos nas mãos, bastam provocá-la pra saberem o que há nelas.

 

No fim das contas, este episódio frisou o modo de operação da série: nem tudo é o que parece. Zoe não era nada da menina inocente. Annalise não tem moral embaixo de cada look estupendo e cada vitória em corte. O quinteto não é santo e todos possuem sangue nas mãos. O caso desta semana reacendeu uma chama e a única que se queimará é a advogada que deixou deslizar a arrogância e a autoconfiança de que nada do que aconteceu na sua sala sairá pela janela.

 

Até quando?

 

Flash-Forward

 

As coisas começaram a ficar ainda mais interessantes. Deu para notar melhor o comportamento de cada personagem nessa cena. Nate parecia convicto de algo que, no mínimo, provocou contra Annalise – e achei que dar as pílulas para Nia seria o estopim de tudo. Wes continuou com a expressão de bobo, mas muito desperto com o que acontece. Laurel me pareceu mais distante enquanto Connor voltou a ser o poço emocional como na S1.

 

Quem se destacou foi Michaela, não por revelar que provavelmente se envolveu com Caleb, mas por ter sua caracterização evoluída. Da garota histérica pelo anel de noivado, ela deu um dos últimos botes (?) para plantar um álibi. Como lidar?

 

O fato de Annalise ter dado confiança para Michaela neste episódio diz muito sobre quem a moça se transformará daqui por diante. Uma vez que conseguiu fazer Catherine falar, sem pensar em um troféu, se abriu a brecha para a autoconfiança. Ainda mais quando rende um elogio da mulher que nunca escondeu ser sua aspiração. Pergunto-me se esse pensamento permanece.

 

O que ainda encuca é quem fez aquilo. Já, já, começo a pensar que foi o Asher, porque o personagem mostrou certo temperamento ao lidar com a Sinclair no episódio passado. Agora como membro do grupo dos haters de Annalise, uma transição que, no mínimo, foi feita pela gravação da advogada que foi parar nas mãos da rival, há muito o que pensar. Especialmente porque essa, até então, será a segunda vez que esse jovem estará fora de um crime.

 

O motivo é um claro desejo de retaliação. O episódio bateu forte nesse quesito, onde Wes estava com sua bicicleta de um lado. Levi plantou a ideia de matar Annalise no calor da emoção do outro. Connor sabotou o caso. Agora, faltam os demais se manifestarem para instalar ainda mais o ódio. Não estou confiante de que todos a “mataram”, embora as expressões lívidas denunciem o contrário – com exceção de Connor. Aquela sensação de “amém, derrubamos a megera”. O autocontrole de Nate diz muito também. Quanto ódio pra cima de uma mulher, meu Deus!

 

Penso que Sinclair só estava na casa do Caleb para confrontar a rival com provas sobre o caso Nate.

 

Falta muito para o fim da temporada (não respondam)!?

 

Concluindo

 

O episódio foi pulsante. Incômodo do ponto de vista de Annalise. Estava muito bem explanada a intenção de quebrar a relação do quinteto com a mentora, que mal sabe que conta com forças externas.

 

Agora, o que me interessa é o próximo episódio por motivos de Bonnie. A brecha deixada sobre assumir a encrenca de Sam para desacreditar Asher foi ideal para o recontar de como nasceu a relação dissimulada entre Annalise e ela. Estou empolgadíssima!

 

PS: povo americano, vocês estão malucos em deixar a audiência deste episódio vir com o rótulo pior da trajetória da série? Parem!

Stefs
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  • Stefs, sabe quando não há plots twits, revelaçoes bombástica ou sangue de vampiro não curar câncer. Somente um roteiro bom pra cacete. Foi esse episódio de Murder. Sinceramente, esse episódio me deixou perturbado.

    Primeiramente, os flaxisfauardis, eu simplesmente surtei todo o episódio imaginando o tamanho do ódio que Annaliese causou em todos para que eles planejassem ou ao menos fossem parte do conluio para destrui-la. Mas eu paro e penso. Eles que escolheram isso. Eles poderiam ter dado para traz quando percebesse o primeiro passo amoral dessa mulher. Mas todos eles são cumplices. E não falo só da morte do Sam, mas de todos os outro meio sórdidos de ganhar as causas. As pessoas até não podem pensar assim, mas todos eles mereciam estarem sangrando ali, Annaliese não tem que padecer sozinha.

    Sinceramente, quando eu penso que ela é uma vadia completa, ela vem e se mostra mexida com o pedido da mulher da Nate, -nojo do Nate e de menino Wes- . Eu realmente pensei que ela faria. Mas no fundo, Nowalk quer nos mostrar, que Annaliese vive tanto tempo como a advogada baixa, amoral e articuladora, que ela esquece que ela é a Anna Mae, menina assustada que foi violentada pelo Tio em casa.
    Ela está perdida em si mesmo. E isso é mais claro a cada dia. Annaliese vai pagar por algo em que ela se tornou e não no que fundo ela ainda é.

    Todo o nojo do caso me fez enjoar. Que pessoas nojentas e que meninas idiotas. Ainda bem que Connor é o mais emocional do grupo. Ver que ele ainda se importava com a iminente morte de Annaliese, não parecia o mesmo que se viu ameaçado pela chantagem dela.

    Gosto tanto de menino Asher, e todo aquele sex appeal. Mas está sendo maravilhoso mostrar o drama no lado do rapaz. E jogar na nossa cara do nada que ele já sabia da morte do Sam. Mas não a verdade. E porque Bonnie assumiu a culpa? Essa coisa de gratidão a chefe não cola.

    Só não entendo mesmo, como uma relação tão rápida e tão indefinada de Wes e a menina morte, tenha se tornado um gatilho tão grande para a possivel morte de Annalise. Na verdade se analisarmos, os alunos são piores que a Keating. Ela pelo menos assume os meios que usam para ganhar e eles usam cinismo para posar de vitimas.

    GNT MICHAELA E SEUS FETICHES SEXUAIS KKKKKKKKKK

    A EMISSORA DEVE TER PROBLEMAS COM OS CRÉDITOS.
    O MORENO DELÍCIA ESTÁ SENDO CREDITADO COMO "SAMPSON" AO INVES DE SIMPSON, E O PRODUTOR TROCA DE NOME A CADA EPISÓDIO. PETE OU PETER.

  • Hey, adorei sua review! Muito bem comentada, texto coeso e muito interessante de ler! Acho a Annalise uma personagem incrivel, mas me irrita quando as pessoas não veem o quão toxica ela é, por isso, esse episódio me agradou muito e eu concordava cada vez que o Connor abria a boca pra mostrar toda a manipulação correndo solta ali.

    • Hey, Caroline, tudo bem? Obrigada pela visita, pelo comentário e pelos elogios! <3

      Connor arrasou, né? Me senti TÃO representada! Sim, há um ponto que irrita a poker face de geral sobre o quanto Annalise não é uma ótima pessoa e o quanto é absurdamente tóxica. Por isso mesmo estou bem curiosa para conferir o episódio desta semana que acredito que explicará a relação dela com Bonnie.

      Tem que ser algo muito AWESOME para entender essa relação hahahahaha

      Beijosss e obrigada mais uma vez! <3