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09/out

“No universo, há coisas conhecidas e desconhecidas, e, entre elas, há portas”

 

Um dia, fui uma pessoa que não abria nenhuma porta.

 

Outro dia, fui a pessoa que abria as portas depressa. Como se elas fossem sumir.

 

Hoje, sou a pessoa que abre as portas com gentileza, pois aprendi a aguardar as chances e a ter certeza de que aquela que tentei abrir, impondo toda força possível, uma hora cederia, naturalmente.

 

Isso quer dizer que aprendi a esperar.

 

Quando não abria portas, nenhuma mudança marcante acontecia na minha vida. Estava acostumada a viver na bolha, cuidava dela para que ninguém a penetrasse e a mantinha o mais longe possível da fechadura. Simplesmente por temer mudanças. Por temê-las, passei um bom tempo tentando impedi-las. Só que elas aconteciam do mesmo jeito e eu ficava os minutos que se seguiam do ranger da porta enraivecida. Afinal, não pedi para que reviravoltas acontecessem.

 

Até que um dia notei que as portas surgiam, mesmo sem eu querer. O que aconteceu? Comecei a abri-las com muita pressa, como se quisesse me proteger de algum ataque alienígena. Girei várias maçanetas, de uma só vez, e notei que a atitude não era tão satisfatória quanto impedir que qualquer uma se abrisse.

 

Simplesmente porque há portas que não se abrem.

 

Simplesmente porque forçar uma porta não quer dizer que ela é a certa pra você.

 

Aprendi do jeito difícil: não adianta insistir no mesmo ciclo vicioso que uma porta, e qualquer outra, continuará lacrada ou não levará ao caminho que devo seguir.

 

E veio a calmaria. Aprendi que de nada adianta manter a porta fechada porque as mudanças continuarão a acontecer. Aprendi que de nada adianta abrir todas de uma vez em busca de respostas, pois elas fugirão com a mesma rapidez que as procuro. Ao optar pela calma, pela espera, pela paciência, aprendi que boas portas surgem e se abrem automaticamente.

 

Sem precisar contorcer os pulsos.

 

Mas para haver portas é preciso criar percursos. Percursos que nos guiarão a entradas inesperadas.

 

Isso quer dizer que você precisa viver. Experimentar. Arriscar um pouco mais.

 

É esse o momento que vivo há anos, mas com mais vigor agora. Porque o que é meu está guardado e quando uma porta se abre só cabe a mim fechá-la ou explorar o que acontecerá na nova curva da minha vida.

 

A verdade é: somos responsáveis pela nossa mudança. De nada adianta manter uma porta fechada. De nada adianta abrir todas que surgem no trajeto. Negar ou apressar impede o autoconhecimento. O prazer da descoberta. O suspense. O estupor de ver uma porta se abrir sozinha na hora certa porque você batalhou e muito para a existência dela.

 

Ser paciente lhe dá o direto de escolher quais portas quer abrir para sua vida. Afinal, uma porta aberta por nossa conta traz uma mudança que, geralmente, aguardamos.

 

Uma mudança que queremos.

 

Por isso, aprendi a ter muito cuidado com as maçanetas que giro ou com as portas mágicas que surgem do nada – as mais perigosas que amam aparecer em momentos de desespero. Portas surgem enquanto você trabalha, não precisa entrar em pânico. Especialmente quando se abre portas para outras pessoas, o que dá aval a um caminho em conjunto que gera descobrimento mútuo.

 

Uma nova visão de mundo e, quem sabe, mudança de perspectiva.

 

No mundo há altos e baixos. E há portas.

 

Pare de espiar, crie percursos e abra portas. Para você e para os outros.

 

Não hesite diante da maçaneta que acredita ser destinada para você. Não se leve pelo medo e nem pelo desespero. Apenas, fique atento. Em meio à rotina, aquela porta que deseja pode simplesmente se materializar.

 

Sem você precisar forçar a entrada.

Stefs
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