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05/nov

Imaginei que este episódio não seria fácil, mas não esperava que fosse emocionalmente complicado. Complexo, por assim dizer, porque o drama Dawsey impediu qualquer conselho que fizesse jus à situação da qual se encontrava. Um incômodo que rebateu perfeitamente nos membros do 51º Batalhão, só que com um pouco mais de intensidade naqueles que já são pais de família. No caso, Boden e Herrmann, que foram essenciais esta semana.

 

A trama abriu com o gosto desconcertante do luto. Não havia tanto o que temer pela Gabby, embora tenha acreditado que eu seria vítima da mesma pegadinha que despachou Mills quando a personagem teve uma recaída. Juro que tremi com a ideia de outra saída e respirei aliviada ao vê-la sã e salva, e sendo amada pelo mozão. Um golpe desses me faria entrar em hiatus, fatos reais.

 

Por conta da dor desses dois, os escritores acertaram a mão. Tudo bem que senti uma pontinha de frustração por causa da resolução prática da gravidez de Gabby, pois, como sempre, jogam a faísca e a apagam com um sopro. Foi dolorido e revoltante ouvir de Will que não havia um bebê. Não havia um bebê a ser perdido.

 

A ficha demorou alguns segundos para cair e, quando aconteceu, me imaginei invadindo a NBC e rasgando todos os roteiros de Chicago Fire. Chamaria as miga para escrever esse negócio direito.

 

Se há uma coisa que não tem necessidade na história entre Dawson e Casey é forçada de barra. É meio impossível não pensar agora que a jogada do bebê foi:

 

a) para atrair quem tinha abandonado a série na S3;
b) para botá-los juntos, sendo que há amor entre ambos (o que anula qualquer forçada);
c) para criar caos entre aqueles que amam o shipper;
d) todas as alternativas.

 

Analisando dessa forma, a investida foi desumana. Só não falo mais porque Dawsey ficou bem.

 

Enfim, não havia bebê e fomos otários o tempo todo em acreditar que veríamos uma versão miniatura dos pais puxando o bigode do Otis. No fundo, queria crer que tudo daria certo, mesmo sendo óbvio que ambos não seriam agraciados com algo maravilhoso. Só não esperava uma sacanagem, embora isso também não seja de se surpreender.

 

Há muitos parágrafos que deixo para trás em cada resenha, pois tenho a tendência de extrapolar os limites da sinceridade e corro o risco de ser ofensiva sem querer. Contudo, não posso deixar de dizer que incomoda, demais, ver storylines sendo iniciadas e facilmente abafadas. Se não é para investir, não faça. Se não sabe controlar os personagens, abra mão deles. Se quer gerar caos só porque se trata de um casal popular, pare. Drama em excesso desgasta a história dos envolvidos.

 

Acreditei que essa história do OTP ficaria por isso mesmo ou seria eliminada em poucos minutos de cena, mas, pelo menos, tiveram o tato de finalizá-la com certo bom gosto.

 

Dawsey foi o peso emocional da trama, embrenhado do começo ao fim e frisando o que comento desde o 4×02: o entrelaçar das storylines. O casal influenciou o nortear do episódio e respingou seu drama em outros plots.

 

A atmosfera tensa rebateu em Patterson que, pelo visto, reconheceu o valor do ambiente do qual trabalha. Não espero que o personagem mude da água para o vinho, pois o irmão de Jimmy deixou nas entrelinhas péssimos comportamentos. Contudo, só o fato dele se tocar que ali não rola trairagem, competição e individualismo, valeu por fazê-lo engolir a metidez a seco.

 

A forma como as cenas isolaram Patterson, deixando no ar o gosto de reflexão, contribuiu um pouco mais com a intensidade do episódio. O discurso dele foi muito incrível, uma quebra do ceticismo com relação à palavra família e às defesas que criou a favor de si mesmo devido às experiências em outros batalhões. Arrematou com louros a moral desta semana.

 

O mesmo vale para Herrmann que poderia ter ficado empacado no subplot medíocre do Molly’s, mas o drama Dawsey lhe deu espaço para mostrar serviço na área que batalhou para ter espaço. Até que ele é um bom chefinho quando não sai do eixo.

 

Herrmann enriqueceu mais a trama ao se sair como porta-voz de uma situação que entendia na ponta dos dedos. Não apenas por isso, mas por representar o que faz de melhor: o apaziguador. O personagem sempre tem o conselho ou a bronca perfeita, e vê-lo cutucar várias feridas me deixou sem chão. É isso o que ele faz, bem como discursar. O FaceTime com Gabby foi destruidor e pedi ajuda para me recuperar.

 

Até os chamados da semana foram perfeitos backgrounds da trama e fiquei mexida com todos. Poste pegando fogo é um dos meus medos tão quanto ser enterrada viva, sem brincadeira. Todos tiveram o tom certo de tensão e de emoção, e foram significativos para o contexto da história.

 

Especialmente para destacar o papel de herói de Severide, um personagem que poderia ter ficado de fora, mas a amarração da sua storyline com a de Gabby rendeu um pouco de ação. Investida que culminou em mais um balde frio de desespero e de lágrimas. Seu senso de dever é algo de se orgulhar sempre que vem à tona e isso também garantiu um score muito positivo para este episódio.

 

Esperei que Severide retornasse esta semana focado em entender o que Jamie fez ao ponto de gastar horas para engolir mais uma apunhalada de um crush. E lá foi ele provar o contrário. Aqui está um personagem que mostrou de novo o quanto amadureceu, embora fracasse no romance. Gostei de vê-lo assumir os arquivos e de correr atrás de saber o que tinha acontecido. Serviu para enriquecer e validar os esforços de Dawson, um encaixe perfeito.

 

Severide estava ousado e emotivo, e é nessa dosagem que ele mergulha em momentos de saia justa. Neste caso, foi Duff e quis nadar na pia. Esse cidadão não tem sorte, hein? No fundo, não queria acreditar que o parça tivesse passado a mão nos arquivos. Já me basta esse Tenente (é Tenente pra mim sinhê!) ter problemas com as mulheres, né? Agora, ele também precisa escolher melhor suas amizades.

 

A frieza dele em lidar com Duff me deixou passada, especialmente na cena da ponte. Não sei dizer se isso é bom ou ruim, porque está aí um cidadão que não sabe lidar com o que sente. Severide tem seu jeito de absorver e de externar, e nunca é igual.

 

Pela primeira vez, alguém pulou da ponte e isso não me fez feliz, independente da trairagem. Era algo que intimamente esperava quando Duff não atendeu a primeira ligação de Severide. Na verdade, imaginei, naquele curto instante, que o Tenente encontraria o parceiro já morto e terminei aos frangalhos diante de um episódio que esfregou a importância da família, da lealdade, do dever e do heroísmo.

 

Não só isso, no poder de gestos pequenos que podem mudar as impressões de um determinado dia. Aquele menino Kevin foi precioso demais e até agora estou na maior vontade de abraçá-lo.

 

O avulso chamado Jimmy

 

Ele foi o único que ficou de fora da situação Dawsey, mas nem o culpo. O personagem não conhece ninguém e a missão de salvar o Molly’s não afetou no ritmo da trama. Então, está tudo certo. Jimmy é bonzinho, mas perderá a ingenuidade com uma moça chamada Chili. É, amigos, a história do triângulo amoroso começa a ganhar vida.

 

O que dizer do quão irritante já é Chili em cima do Jimmy? Sou a favor da mina tomar a iniciativa, de mostrar que está a fim, mas forçaram a barra de novo com relação à caracterização da paramédica. Uma hora ela é ótima, como no momento em que despachou os vizinhos que quase custaram o Molly’s. Uma atitude que me fez rir. Na outra, ela se desespera em busca de aprovação, sendo que não-precisa.

 

Só sei que se magoarem a Brett, vai ter textão.

 

Concluindo

 

O episódio foi bem escrito. Fluiu com intensidade, carregou a atmosfera em cada ângulo e sufocou os personagens. Não houve histórias aleatórias que pudessem destruir ou atrapalhar toda a dramática. O choque Dawsey foi o bastante para carregar o peso de tristeza e de luto até os últimos minutos. Um ciclo perfeito em que voltamos para o casal que abriu a trama e que, no mínimo, merece um novo capítulo menos passageiro.

 

Do fundo do meu coração, espero que Dawsey não seja afligido com a perda do bebê. Já que eles voltaram, esse golpe somado ao caso Nesbitt seria uma forma dos dois se redescobrirem individualmente e juntos. Ambos vêm de perdas recentes e fechar essa porta seria o fim da picada.

 

É mais um passo no desenvolvimento deles, que me fez até perdoar Casey pelas bobagens para cima da Dawson na S3. Houve uma cumplicidade estabelecida entre ambos desde que esta season começou e seria uma tolice enfiar angústia que claramente não funcionou na temporada passada.

 

Agora, meu momento de preocupação: Severide tem os arquivos e penso que há provas mais do que suficientes para botar Maddox na cadeia. Não vejo uma dificuldade, a não ser que o inimigo da vez feat. Jamie passem a mão em tudo que Dawson coletou e em tudo o que Duff doou.

 

Bem disse que estava bom demais para ser verdade uma trama duradoura nascida de um chamado, que fez essa temporada crescer lentamente até ter um ponto de interesse a ser destrinchado pouco a pouco. Não quero ser enganada com mais uma história superficial. Já me basta a dança na S3 que rendeu vários nada.

 

No mais, o conjunto da obra foi lindo de trágico. Mas lindo mesmo foi o refrisar da mensagem que faz o 51º Batalhão o 51º Batalhão: a família. Algo que deveria ser uma meta universal para tudo, porque se cultiva empatia e respeito. Dois itens que Patterson, e tantos outros que se alojaram ali, não ousou botar em prática.

 

PS: enquanto Dawsey ficava de molho, bastou um olhar para o hospital para se dar conta de que Med vem aí. Ninguém melhor para mostrar o samba que Will (aff, lindão!).

Stefs
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