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19/nov

Primeiramente, deixo avisado para quem chegar nesta resenha que eu, Stefs, escreve pela primeira vez sobre uma série médica. Isso quer dizer que pode ser bem ruim.

 

É meio difícil apagar do cérebro a ideia de que todas as séries médicas são iguais, mudando apenas cenário e personagens. Desligar o botão da comparação é um bem necessário por questões de ser justo. Não há nada pior que resmungar sobre contexto sendo que há muito mais além do plano de fundo. Sendo assim, digo com propriedade que Chicago Med não visitou Grey’s Anatomy e nem chegou perto de Code Black. E duvido que isso aconteça, pois há muito ego envolvido.E nem cito ER porque seria uma baixaria sem tamanho.

 

Considerando que esse é o verdadeiro piloto, Med pode ficar na zona de isolamento. Isso quer dizer que é impossível criticar para o mal algo que nem começou. Até mesmo para o bem, pois novidades precisam de certo tempo para enraizarem.

 

Eu, Stefs, não gosto de fazer isso. Por essas e outras que sempre pego série para resenhar quando passou 1 ano ou mais. Med é o que chamaria de empreitada inédita, porque os riscos de cair do cavalo existem. Como também desistir, como fiz com a S1 de The Originals (depois voltei, ok?).

 

Chicago Med sobreviveu a uma espiral de negatividade. Já estava descrente que o projeto ganharia vida com tanto entra e sai de gente e alteração na data de lançamento. Claramente, essa série terá que se provar e muito por ter nascido carregada de zica. Independente de ser mais uma produção do mundo Lobo (e não adianta, não rasgo seda para showrunner a não ser que mereça), eu, Stefs, não botava fé nesse spin-off, embora minha animação esteja aqui neste presente momento.

 

E, cara, Med deixou de ser mensagem subliminar e sinto muito por você não estar aqui Alec. <3

 

Não mentirei: a premiere foi arrastaaaada. Digo isso porque peguei o celular e comecei a olhar o feed do Facebook. Nem era metade do episódio. Quando faço isso, sei que algo não está legal, gente. É meu sinal de que o negócio tá boring. Porém, se pensarmos com um pouco mais de carinho, esse clima foi mais do que necessário.

 

Chicago Med (1x01) Derailed

 

Raramente, o primeiro episódio de uma série estreante foca na trama. Sabe, dar cara a storyline e ir direto para a ação? Depende muito do gênero. O que é mais relevante a princípio é a introdução/apresentação dos personagens, quesitos que a premiere de Med acertou em cheio. A mágica aconteceu já nos primeiros minutos, em que foi possível captar um perfeito jogo de cena.

 

Rhodes é o primeiro que ganha a cena porque, para bom entendedor, ele seria o gancho que nos nortearia ao hospital; Sharon surge em seu posto de liderança; Will, o irmão do Jay, que era aquele que precisava de um job; April, a enfermeira que beijou Severide; Natalie que não é só médica, mas está grávida (o ângulo fechado na barriga dela foi excepcional); Sarah, a novata estudante; e Choi, que me lembrou que curto oriental também. Assim se seguiu até conhecermos o palco que foi reestruturado depois da explosão que aconteceu no piloto backdoor.

 

Stefs, piloto back… What? Seguinte, Med é a Phoebe da Prue e da Piper. Traduzindo: é irmã mais nova de Fire (soberana) e de P.D. (middle one). Isso significa que há 4 temporadas de Fire e 3 de P.D.. para você botar em dia no final de ano, tá bem? Se reclamar, ainda peço pra ver SVU a partir de 1999.

 

Voltando para Med, é bem capaz que quem viu este episódio, e não acompanha as outras Chicagos, se sentiu perdidaço. A premiere não veio com gosto de novidade, mas de familiaridade. Todos os rostos, com exceção da Torrey e de alguns outros, já dançaram entre Fire e P.D., e há muito da história deles deixada por lá. Um fator que acho que será motivo de crítica negativa, pois todo mundo deve ter esperado o presentinho embrulhadinho, pronto para ser desvendado, sendo que não era mistério que a trama partiria da explosão que rolou no 3×19 de Fire.

 

Resumindo a missa: o timing da premiere foi respeitado, ponto final.

 

Em segundos, Med entregou quem era importante e os dividiu por pacientes. Não dava para meter 5 pessoas na mesma sala de operação, porque não se trata de residentes como em Grey’s Anatomy. São pessoas já formadas, salvo alguns iniciantes e várias enfermeiras. Era preciso não só mostrá-los em presença, mas na prática e no pouco que poderia ser dado no âmbito pessoal.Esse jogo foi o que tornou a premiere interessante, porque além de mostrar quem é quem, foi firmado quem lidaria melhor com quem, quem já tinha amizades fomentadas e quem se detestaria.

 

Os pacientes podem ter surgido do acidente de metrô e de outros casos antigos, mas todos estavam meramente ali para colocar um tópico em cheque. Um tópico que estava muito mais interessada em saber como funcionaria em vez da apresentação de cada personagem: o hábito de elevar as emoções. Fire e P.D.. contam com essa poção mágica que dá peso por relacionar vítimas com os profissionais que servem Chicago. E o mesmo estava presente em cada escala de Med, dando a premiere um toque comovente. Chorei largada várias vezes.

 

Chicago Med (1x01) Derailed

 

Além disso, esses pacientes mostraram quem é mais racional e quem é mais emocional. Na vida, sou a Sarah, que chora antes de mostrar o talento. Will e Rhodes é Grey’s Anatomy vs. Code Black, em que, ironicamente, o ruivo é o menino criado a leite com pera enquanto o novato, supostamente arrogante e riquinho, foi para as zonas de risco aprender medicina fora de um hospital. Connor se costurando foi um tabefe, porque mostrou que ele manja muito e que conseguirá se virar caso falte luz, por exemplo. Já pode pedir cena de mimimi do ruivão? É bem a cara dele fazer isso.

 

Isso vale até um adendo: o quanto Med apresentou seus personagens nos detalhes. A trama ressaltou pontos fortes e pontos fracos, que serão defesa e confronto daqui por diante.

 

Claro que quem tocou a ferida foi Charles, um amorzinho que tem sido cultivado desde as suas aparições em P.D.. Queria entrar na tela e lhe dar um abraço. As reações dele com Jamie foram preciosas demais. Ele tem aquela expressão de vovô arteiro, que só se faz, mas sabe que quando o calo aperta só restam lágrimas. Sem contar o senso de humor que é sensacional. O que o médico disse sobre Connor, e a reação das enfermeiras, me fez cair na risada.

 

Chicago Med trouxe algo para a sala de cirurgia que me deu um pouco mais de fé nessa nova empreitada: tornar tudo especial. Não que em outras séries médicas isso não aconteça, pois o vínculo com pacientes é inevitável, e é isso que as tornam, no geral, emocionalmente impactantes. Emocionalmente desconcertantes. Med foi pelo caminho certo em vez de apostar na frieza ou deixar Connor se revelar como um troll que só faz e acontece. Houve humanização acima da competição, justamente pelo que disse ali em cima: não se trata de novidade, mas de familiaridade.

 

Fire é família. P.D. é família. Achavam mesmo que Med não seria família? Duh!

 

Chicago Med (1x01) Derailed

Repito tudo o que escrevi na resenha do 3×19. O elenco é muito bom, mas o grande personagem é o hospital. Assim como em Fire, não há tanto cenário para os médicos irem, só uma locação e alguma saideira pós-expediente. É um desafio criar histórias quando se tem apenas um espaço que justifica a profissão, algo que P.D. e SVU não veem problema por trabalharem em campo, sob disfarce, etc..

 

Contudo, considerando que Chicago é uma cidade que tem uma fatia perigosa, há muito o que se esperar do futuro desenvolvimento de trama. Embora seja uma medicina limpinha, com uma tecnologia que a distancia de Grey’s, o importante agora é ver como esse bolo cresce.

 

Em ambientação, Med não trouxe nenhuma novidade se pensarmos em Code Black que tem uma pegada suja, descoordenada, com filtros amarelos que contribuem para aumentar a claustrofobia daquele espaço. Não cito com intenção de comparação maligna, mas de referência para sacar o que essas séries me trouxeram de diferente no mundo médico. É fato que Connor e Cia. precisarão encontrar o seu diferencial, algo que ainda não se percebe neste piloto.

 

De novo, gostei do que assisti apesar da lerdeza. Não sei vocês, mas senti até uma pitada de intenção em esfregar na cara dos haters que a série conseguiu sair da zona de zica, bastando ver como os diálogos dos personagens foram conduzidos. Não foi tão natural, mas fez parte do pacote (a cena em que Will anuncia o tipo de operação que faria foi meio “olhem, sei falar mediquês”. Ri que nem tonta). Acho que Med alça voo por causa do apoio das irmãs. Vamos ver se o interesse permanece.Agora, falem bem ou falem mal, mas falem de Chicago Med. #MostraSuaCultura (e espero que cês tenham gostado do texto).

 

PS¹: Halstead e Rhodes = quando é que homem fica bonito usando roupa daquela cor? Nunca gostei tanto de um uniforme médico em toda minha vida, sinceramente.

 

PS²: April falando que a família é do Brasil me fez beijar a tela da televisão.

 

PS³: Maggie é a personagem que já virei fã.

Stefs
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