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06/nov

Complicado demais ter uma opinião sobre o que embalou este episódio de Chicago P.D., pois foram dois casos em um. Ambos destruidores. Assim que vi a promo, era fato que seria difícil pautar essas circunstâncias sem cair na tachação popular. Claro que não é a primeira vez que a série aborda a temática pedofilia, mas quando se tem a promessa de inspiração no caso Columbine, cair no mais do mesmo seria meio passo para eu fazer vodu desses escritores.

 

Quando digo tachação popular, seria uma questão de percepção e de julgamento. A grande maioria dos comentários sobre esses assuntos é carregado de crueldade e de desdém, fomentado pelo que a mídia perpetua. Nem todos vão atrás de saber o que aconteceu com o causador/vítima e é por isso que temos tantas pessoas intolerantes neste mundo.

 

Esse clima até que estava presente neste episódio. Não tanto, pois o foco foi total na investigação. Contudo, foi possível coletar aqueles “apelidinhos” costumeiros que ouvimos diante de circunstâncias como essas. Aberração. Fracassado. Mas nenhum me tirou do eixo como o Monstro entoado por Crowley – e já nem a amo mais.

 

O ataque na escola não passou de um fachada para algo muito pior. Um atentado que não chegou a ser concluído. O suicídio de Colin foi o estopim que abriu brecha para os mais variados pensamentos. Muitos deles mais íntimos que falados, pois deu para capturar isso no comportamento dos personagens. Ninguém saiu do eixo, o que precisava considerando o fracasso dos dois últimos episódios, mas tudo foi questão de opinião. Ninguém ultrapassaria a linha demarcada por Voight sem ter certeza. Até mesmo Jay, o detetive que se destacou.

 

Tendo em mente o diário de Colin, pergunto-lhes: o quanto a escola pode ser cruel com uma criança e com um adolescente? A abordagem deste episódio me fez relembrar o de One Tree Hill, em que fiquei dias sem conseguir pronunciar uma palavra. Simplesmente porque não é só sobre o ato, mas sobre a razão e como o causante é visto antes e depois disso.

 

Por mais que o caso da semana tenha abordado o tema pedofilia, o que mais me abateu foi a retratação de Colin e de Ethan. Nessas horas, agradeço por terem sido dois meninos, porque se fossem meninas não haveria resenha, só um banner. Até chegarmos na artéria do caso, foi necessário descobrir o perfil dos envolvidos e tudo se resumiu em uma palavra: dor.

 

Como adultos, é de se esperar um posicionamento que mensure todos os ângulos de uma situação como essa para se chegar a uma conclusão justa. Foi isso que a equipe de Voight fez o tempo inteiro. Erin ficou em poder do diário, mas em nenhum momento julgou quem se revelou uma vítima. Ela tinha que ser dura pelo distintivo, mas não desumana.

 

O mesmo vale para o momento em que a detetive interrogou a mãe e a afirmação de que não cabia a ela julgar fez meu coração dar rodopios. É assim que chegamos a uma opinião respaldada que vai muito além de chamar o causante de monstro e os pais de irresponsáveis.

 

Pensar (ou fazer) em explodir uma escola ou atirar nos alunos é imperdoável sim. Mas volto no que falei lá em cima: é uma questão de dor. Uma dor que pode transformar uma pessoa para o bem ou para o mal. Não consigo ver essa situação como proposital, a não ser que o decorrer da investigação pontue que foi intencional e não mentorado. Ok que nada apagaria o ato, mas há sempre muito background envolvido, especialmente quando falamos de crianças/adolescentes.

 

Por isso que em casos como esse quem paga são os pais que, como o episódio felizmente pontuou, está aéreo ao que acontece com os filhos e nem sempre é uma questão de descaso.

 

Acontece e tenho minha mãe de exemplo. Sempre fiquei sozinha em casa porque ela trabalhava em tempo integral. Quem eu me tornaria tendo contato com a internet e com as pessoas da escola era de minha conta e risco. Tudo bem que quando se é adolescente não há controle de quem somos, pois perseguimos exemplos e seguimos aspirações. E quando não as temos, nos tornamos solitários e geralmente aceitamos qualquer um que nos dê a mão.

 

Este episódio me fez notar pela milésima vez na minha vida o quanto ainda há uma dificuldade de compreender acontecimentos que envolvem crianças e adolescentes antes de julgar. Cometer um crime é errado? É sim e muito. O diferencial vem do que este episódio também pontuou e deu relevância: a conversa. Você não pode e não deve sair chamando uma criança/adolescente de monstro, de perdedora e de aberração, porque ninguém sabe o que a/o levou até ali. Pode ser desde bullying até uma saúde mental comprometida, mas não se deve dar nomes.

 

Jay me representou completamente. Sem saber do pedófilo, ele se propôs a ouvir. De quebra, Ethan reacendeu minha raiva do quanto o universo escolar deixou de ser seguro. Isso não é só um problema americano, pois as instituições brasileiras carregam também a violência e a insegurança para todas as idades.

 

O que me machuca mais é sempre ouvir que todo mundo nasce inclinado a cometer esse tipo de barbaridade. Não sei vocês, mas, no meu ponto de vista, tudo é condicionado e o caso deste episódio também fez o favor de dizer isso. Para mim, ninguém nasce com desejo de vingança enraizado dentro de si. A sociedade nos corrompe, conhecemos pessoas, somos alimentados mentalmente com várias ideias. Se não há alguém que nos segure, dificilmente há retorno.

 

Vale até dizer que há crianças e adolescentes que aprendem a se proteger por instinto. E tenho certeza que uma vez que atacam seu agressor, são eles que tomam a culpa. Minto?

 

Outro dilema é a ausência de estrutura em casa. Sem essa base, não há apoio. Sem o sentimento de pertencimento na escola, se acumula o desconforto de não se sentir igual ou querido por aqueles que compartilham a mesma sala de aula. Se as influências são negativas, a mente se nutrirá de coisas negativas.

 

Exatamente a situação de Colin e de Ethan que bolaram seu plano maligno sem sucesso por causa do abuso. Sorte a deles que o plano falhou, pois a explosão não seria aliviada devido ao que sofreram. Ação e reação. O background do caso foi importantíssimo. Gatilho para conscientização.

 

Nisso, entramos em outro ponto-chave deste episódio e que casa com o parágrafo acima: o quanto os pais são alheios aos comportamentos dos filhos. Quando um descuido rola, quem recebe tudo nas costas é a mãe. Porque a mãe responde pela criança e/ou adolescente. De acordo com a família tradicional, ela precisa ficar em casa e monitorá-los – e até o marido se reclamar muito.

 

Cortou meu coração ver a mãe de Colin afirmando uma realidade. Ela deixava o filho sem monitoramento porque trabalhava dois turnos e ele nunca lhe mostrou que tinha problemas pessoais ou de comportamento. Crianças e adolescentes são campeões em esconder o que sentem e, às vezes, não notar é possível sim.

 

Esse pequeno pedaço de cena elencou alguns descuidados, como um revólver em casa e o vício por videogames. E voltamos a desculpa sobre os responsáveis que deixam os filhos com o nariz em aparelhos eletrônicos como meio de assegurá-los. Adoraria que esse pensamento mudasse.

 

É fato que este episódio frisou o quanto somos frágeis na infância e/ou na adolescência. Temos a ânsia de fomentar uma identidade. De ter um adulto como o norteador, o ídolo. Seja menina ou menino. Impactou demais quando Ethan disse que seu pai afirmara que deveria agir como homem, uma cobrança que uma pessoa de 15 anos levou a dedo. Isso não é um tipo de “conselho” que você lança sem colher algumas consequências, verdade seja dita.

 

O episódio foi perfeito em abordar tudo aquilo que queria ver e mais um pouco. Fiquei com o coração no lugar quando nenhum dos detetives tratou aqueles meninos como os monstros que Crowley ditou tão tranquilamente. É uma realidade que não merecia ser tratada com superficialidade e só cito a conclusão como ponto negativo, pois foi simplória demais. Semana passada duas pessoas com crimes “leves” pararam na gaiola e o Treinador simplesmente ficou chorando no cantinho. Não, né?

 

A cobertura deste caso foi essencial por talhar questões que poderiam provocar julgamentos duvidosos. Juro para vocês que essa foi a prova de fogo de CPD na minha vida, pois não lido com bullying, nem pedofilia e nem muito menos crianças afligidas no processo. Foi um episódio essencial, de muitas perspectivas e cheio de ruído. Um cutucar de responsabilidade social se querem saber.

 

Não menos importante, a trama deu voz a mais um personagem para reportar o que lhe acontecia. O discurso de heroísmo do Jay só fez o favor de terminar de acabar com meu senso crítico.

 

Os outros plots

 

 

Gente, e o Atwater? Ri demais das dúvidas dele com relação ao próprio job. Quem se sentiu representado levanta a mão! Afinal, era uma pergunta que todo mundo que ama a série em totalidade queria uma resposta, pois esse personagem não fez mais nada desde que saltou para a Inteligência – só um hall de burrices.

 

Ri ainda mais quando ele se vê na roda do tal Whitaker. Foi engraçadíssima a postura do Boden e choquei com a presença do Patterson. Melhor que isso, só o comportamento fanboy. Certeza que ele queria fazer a dança da vitória.

 

Agora, a verdade: quando engatam a ideia de que um personagem precisa mudar de vida, sabemos o que acontece. Ou é adeus como Mills ou é tombaço como Nadia.

 

Outro que me fez rir foi Ruzek. Aquela voltinha na cozinha me deixou no chão, mas Al invadindo seu espaço foi deveras impagável. Foi sensacional e a cara de tacho da Burgess não teve preço. Penso que será interessante essa inserção do mundo Olinsky no mundo Burzek. Uma união que pode dar a eles o que fazer ao longo da season. Será um tanto quanto engraçado, pois ninguém ficou feliz com essa mudança.

 

Será que Roman sai do eixo por causa do Andrew? Aquele discurso da Erin me deixou com um pé atrás e espero mesmo que isso não aconteça. Na verdade, uma parte de mim até quer, pois não há nada melhor quando um personagem masculino mostra sua fragilidade. Algo que sempre recai no ombro da mulher. Se há uma coisa que me deixa ainda mais apaixonada por uma série é quando derrubam emocionalmente os homens, como aconteceu com o Jay.

 

Concluindo

 

@Deus, mande um desse de Natal pra mim?

 

O episódio me deixou esparramada. Só respirei quando tudo acabou e me vi a todo momento no Halstead – meu novo spirit animal. Centralizá-lo nessa tramoia foi a minha ruína e achei incrível como o personagem se portou, considerando o que vivenciou ao longo da S1. Esse caso era dele, de ninguém mais, e foi por esse motivo que terminei ainda mais destroçada. O detetive tinha tudo para desmoronar e perder a cabeça, mas se controlou e me matou de orgulho.

 

O caso ainda fez Jay entregar que se reconheceu em Ethan, uma oportunidade que assinalou quem ele era no passado, e um pedaço dos seus sentimentos com relação ao que viveu no exército. Não tenho mais o que dizer, só pedir por mais que está insuficiente.

 

PS: Bunny, migs, cadê você? Tenho um pitaco na ponta da língua sobre esse súbito sumiço, mas esperarei para destilar o veneno se nada mudar no futuro.

 

PS²: todos os prêmios para o menino Elijah (Ethan). Essa criança atua muito e me fez lembrar do litle Josh Hutcherson. Quero ser empresária!

Stefs
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