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25/nov

A única coisa que sei é que fugi de qualquer informação que me entregasse o episódio em que Clara sairia de cena. Lá no fundo do meu coração, acreditei que seria no 9×12. Uma convicção que, na minha mente, daria o caminho perfeito para o reencontro do Time Lord com a River. Jamais passou pela minha cabeça que seria agora e, sinceramente, não sei o que dizer. Pensei, pensei, pensei. Me forcei a desligar qualquer momento em que não simpatizei com a companion, mas cheguei a mesma conclusão: esperava muito mais dessa despedida. Especialmente por se tratar de uma personagem que pisou, literalmente, nas linhas da trajetória do Doctor.

 

A trama foi incrível visualmente, mas penso que o propósito que norteou a morte de Clara não fez jus ao que a personagem trouxe em seu tempo na série. No fim das contas, era um plot que focava no 12º e que custou a companion separadamente. A história dos dois não estava entrelaçada, sendo que deveria, e senti mais o drama do Doctor que da menina Oswald. Como assim ele será despachado por Ashildr? Foi a única coisa que me agarrei, antes e depois do fatídico momento.

 

A morte de Clara aconteceu pela sua autoconfiança extrema, um pequeno detalhe que diminuiu minha simpatia por ela ao longo da série (e que prefiro chamar de metidez). Nunca fui a mais fã de vê-la pagar de Doctor, sendo que o desenvolvimento da sua storyline a deixou na mão a partir da season 8. O que rolou foi um insight que a fez se sentir o Time Lord e falhou miseravelmente no propósito. Pior, caiu no pecado de não perceber a charada da “transferência” da morte. Como assim?

 

Esse processo deveria ter acontecido com a personagem viva, para ter um aprendizado, e, mais tarde, lançar uma ideia genial que renderia seu último suspiro. Ela simplesmente se entregou a um plot nada marcante, com um personagem menos marcante ainda, com uma situação nada a ver, sem ter um vínculo maduro com Ashildr – que não me fez sentir raiva por não cumprir a promessa de salvar Clara.

 

Senti um vácuo na maneira como menina Oswald foi tirada de cena. O mesmo que senti no adeus do 11º. Faltou alguma coisa e nunca serei capaz de descrever o que é. Até me sinto meio maligna por ter achado merecido o que ela provocou para si mesma. Porém, houve uma moral: ver que nem tudo o Doctor resolve. Esse foi o real aprendizado. Mesmo assim, a personagem já foi mais inteligente, muito mais racional para simplesmente pedir o cronômetro da morte, com a desculpinha de ganhar tempo só porque seria isso que, supostamente, o 12º faria.

 

Uma coisa é se inspirar em várias atitudes do Time Lord, como aconteceu com dezenas de companions, outra é ser metida e ser demolida por isso. Concluí que o nariz empinado foi a real causa da morte de Clara, desacreditei, e recuei emocionalmente. Achei simples a atitude dessa personagem que relativamente tem mais peso que as anteriores da versão moderna. Ela foi lá e indicou a bendita TARDIS, no mínimo, precisava de um fim que superasse o dos Pond.

 

Por mais que não tenha sido muito fã da Clara, acho que a situação em si não ornou com sua história. Parece que acordaram e decidiram “hoje ela morrerá”. Faltou encaixe e passei mal por vê-la morrer por uma estupidez. Sinto-me mal de ser tão dura, mas quando se tem Rose para comparar, a companion que não suporto e que mesmo assim me fez amargurar, só posso dizer que a despedida de Oswald falhou no tom. Ao contrário do que aconteceu com os Pond, por exemplo, que tiveram sua trajetória concluída com os weeping angels, o maior medo da Amy.

 

Minhas emoções se concentraram no que Ashildr fez ao longo do episódio. A personagem continuou cínica, irritante e egocêntrica dentro do novo título que conferiu a si mesma. Ela tem um mistério sobre um tal de eles e um acordo que custou no teletransporte do 12º. Isso me prendeu mais que a contagem regressiva na nuca da companion, pois Lady Me e seus Me ofusca até mesmo o Time Lord.

 

Daí, é fato perceber que o maior medo da Clara sempre foi ver o Doctor falhar. Ela fez o que fez confiante de que tudo se resolveria. Ao longo desta temporada, a personagem o impulsionou várias vezes a procurar soluções e esse pensamento confrontou com a tolice desse plot. Contudo, menina Oswald morreu pela crença quebrada. Desse ângulo, há sentido e honra no adeus, mas o atrito, o trajeto que culminou no fim, que a fez notar que o 12º não a salvaria, foi muito fraco e simplório.

 

O que me tocou neste episódio, mas não ao ponto de chorar, foi a fé inabalável no amigo que a decepcionou no derradeiro fim.  Foi ainda mais lindo ouvi-la dizer que não o culparia, que aceitaria a morte, que seria corajosa e que não queria vê-lo focado em vingá-la. Admirei-a. Porém, se voltarmos um pouco esta temporada, a companion estava irresponsável, querendo aventuras que suprimissem o luto por Pink. Encontre um hobby, foi uma das coisas que o 12º mais repetiu, mas ela pedia caos. E não ganhou, o que é ainda mais injusto. Este término precisava ser mais eletrizante.

 

A fé no 12º, algo que Clara pontuou várias vezes ao longo desta temporada, lhe deu autoconfiança e isso a arruinou. Nesse caso, não a culpo tanto. Uma vez que você tem em mente que o Doctor pode salvar tudo e todos, pode fazer o que bem entender, você acredita. Ele é o herói. Não erra. Mas errou e ela viu que estar diante de uma situação sem solução é possível e só restou abraçar a morte bravamente. Nisso, não tenho do que reclamar e só nessa parte fizeram justiça a companion, sempre muito nobre em querer o melhor do seu amigo. Sempre muito nobre em não querer guerras.

 

O que me incomodou foi esse fim não ter conexão alguma com a storyline da Clara. Com nenhum eco. Nem com todas as vezes em que se viu dentro de um Dalek ou de uma máquina que faz a pessoa tirar um cochilo que vale por noites de sono. Nem com a preocupação excessiva do 12º em querer salvá-la a todo o momento. Pensei que isso era um combo de pistas que culminaria em algo grandioso, como aconteceu com os Pond, e fui trouxa. Lá no fundo sei que houve momentos em que a companion foi valorizada, dentro do seu caráter, mas, talvez, essa falta de conexão tenha sido por se tratar de uma versão do Doctor da qual a conheceu no meio do caminho. Sei lá…

 

Sinceramente, a perda dela poderia ter rolado no episódio duplo dos Zygons. Calharia perfeitamente com a história da personagem e o contexto tinha um baita significado.

 

Enfim, essa morte pode trazer tudo de ruim do 12º e quero muito. Esse Doctor não agiria como o 11º, que se jogou na lápide dos Pond, que correu para ler a carta da Amy. Esse é frio, distante de qualquer emoção, e penso que ficará em negação até se safar do plano de Ashildr. Não achei nem um pouco errado o fato dele simplesmente não ir atrás da companion. Fechar a porta foi uma decisão muito concisa para quem estava sem instrução emocional – os santos cartões da Clara.

 

Lidar o 12º lidará, mas essa versão é muito próxima da 9ª. A que tem o agridoce da guerra instalado em cada poro. Essa sempre teve o pé afundado na sua faceta mais sombria e pirei ao ouvi-lo afirmar que o universo ficou pequeno para Ashildr. Fiquei arrepiada! Quero muito uma perseguição, uma raiva remoída, e uma memória para ser, digamos, vingada. Clara precisa de um pouco mais de honra, sinceramente, e espero que o Time Lord conquiste isso e me emocione de verdade.

 

Não sei se estou sozinha na fila da decepção (acho que sim) com relação a este episódio, mas ressalto de novo a bravura de Clara em lidar com o que provocou. E, claro, a narrativa simples e visualmente impecável. Nesses quesitos, a trama foi boa, principalmente ao exigir que o 12º busque o melhor de si para lidar com a perda da companion. Porém, para um fim que contará com divisões, poderiam ter desenvolvido mais.Estarei no aguardo do preenchimento do algo mais que senti que faltou neste episódio. Só restam 2 episódios para esta temporada terminar e resta torcer para que essa perda assombre o 12º. Quero sim dark side vindo à tona. Quero sim perseguição de Ashildr.

Stefs
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