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16/nov

Sou meio suspeita pra falar de qualquer coisa que envolva uma pitada de A Bruxa de Blair. Obviamente que não é o caso deste episódio de Doctor Who, mas a experiência foi a mesma e até um pouco mais assustadora. Quando envolve um tema de privação de sono, é algo que se pede muita atenção e confesso que a minha foi conquistada imediatamente. Quando li a sinopse, minha curiosidade foi nas alturas, pois é fato que o sono é a maior das ameaças para os competidores.

 

Minha expectativa estava ainda mais em alta por ser um episódio do Gatiss que, por mais fracos que possam ser, tendem a me fazer feliz. Por motivos de terror (Night Terrors #grita) ou só pela fantasia, como Robot of Sherwood que amei demais.

 

Como anular o sono? Ao longo do episódio, recordei dos momentos em que resmungo o quanto essa sensação de querer dormir atrapalha qualquer atividade. Bater uma soneca é uma maravilha, mas seria melhor não sentir essa necessidade vez ou outra. Queria mesmo que tivesse um botão para ficar horas desperto, ou ao menos para dispersar a moleza do sono, mas, pensando bem, acho melhor todo mundo capotar na cama a ficar 1 mês sem pregar os olhos.

 

Estudos comprovam que ficar sem dormir ou dormir pouco afeta a saúde. Por mais que este episódio tenha desviado dessa questão, os Sandmen mostraram que ficar sem uma sonequinha não só lhe abate, como muda completamente quem você é. Motivo mais do que suficiente para um Time Lord sair do sério e jogar brilhantemente com diálogos carregados de ironia. Simplesmente porque essas criaturas se originaram da ganância humana.

 

Uma ganância que rima com Gagan. Embora tenha sido o norteador da tramoia, um belo de um narrador suspeito, o grande personagem deste episódio foi Morpheus, e não passou despercebida mais uma citação de um Deus feat. a palavra pod feat. Clara sendo sugada para dentro de mais uma máquina e sofrendo mais alguma alteração cerebral. A aventura em uma estação espacial abandonada fez um aceno para o 9×03/4, mas o buraco foi um tanto quanto mais embaixo.

 

Essa nova aventura do 12º e da Clara pode não se comparar as tramoias duplas – que até deixaram saudade por terem sido em maioria muito bons –, mas fincou uma história sombria e perturbadora que exigiu mais uma dose de raciocínio a qualquer apelo emocional. Mais uma vez acompanhamos uma história que frisou como o caráter humano pode levar qualquer um longe, especialmente quando tem uma ideia não tão genial quanto parece a favor da humanidade.

 

Fomos norteados para o século 38 e comecei a pensar em quantas coisas mudariam na humanidade. Sei que não estarei aqui para ver, mas o pouco visto me pareceu possível. Foi muito bacana as reações de Clara e de Chopra sobre o quanto Morpheus é todo errado, bem como a maneira com que o 474 foi criado. Não penso tão diferente sobre o uso humano direcionado a forças armadas, por exemplo, pois se há uma verdade é que a maldade/crueldade será aprimorada no futuro.

 

Além de ter pontuado um tema pra lá de interessante, as estrelas do episódio foram o trabalho de edição mais uma vez. Foi possível interagir com aquela experiência como ver um vídeo no YouTube – o que anulou a abertura pelo motivo que penso ser transmitir essa sensação. Um vídeo viral de Gagan que saiu como plano backup para alterar a humanidade por completo.

 

Lembrou-me bastante da presença dos Silence, que acabaram silenciados pela força do mundo. Agora, a maldade foi passada adiante e só de pensar que nada disso é real me traz conforto (espera aí que meu olho está coçando).

 

O episódio foi um pesadelo. Como ter aquele sonho ruim que você não consegue sair. Foi tudo bagunçado, descoordenado, como ser lançado em uma nova experiência sem nenhum conhecimento anterior. Sentimento captado pelo formato em vídeo deste episódio (pois a série sempre investe em algo novo). Houve ingenuidade simbolizada pela equipe que não sabia nada do que acontecia e se embrenhou no reality show de Gagan que, male, male, saiu vitorioso.

 

Este episódio deixou um rastro de perguntas, algo que não vinha acontecendo nos episódios duplos. A humanidade será a mesma? Clara terá algum efeito colateral? Será que esse plot retorna?

 

Não houve tantos picos de tensão, dando até a impressão que o episódio era mais longo que aparentava, mas a conclusão me deixou tombada na BR e fez tudo valer a pena. Agora, perto de mais um final, como fica o coração sabendo que a despedida de Clara está bem aí? Tenho lá meus problemas com essa companion, mas não houve uma saideira que não chorei a lot.

Stefs
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