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21/nov

Tento recuperar meu fôlego depois deste mid-season finale de Murder. Minha estipulação final sobre o flash-forward foi de que tudo não passaria de um plano maior de Annalise. Só não imaginava tamanha ousadia para proteger Asher (ou Nate, se preferirem). O impacto dessa breve conclusão foi de uma proporção estarrecedora. Ok ficar em choque, mas estou catatônica.

 

O clima foi pesado, visceral, sem pudor, colocando acima da linha tênue tudo o que aconteceu no passado. Um cutucar responsável em estabelecer como o Keating 5 abraçaria toda aquela trama que simplesmente foi jogada no soalho, sem tempo de dar a escolha de que Sinclair deveria ser varrida para debaixo do tapete.

 

Annalise liderou um plano macabro. Muito mais em comparação ao da S1, em que simplesmente virou a cadeira, estilo The Voice, e assumiu a bagunça. A personagem sentiu o peso do caso Hapstall que acabou por rebater em todas as suas decisões. Não só isso, como no fato de que tinha muito sangue em mãos. O mais recente: o suicídio do papa Millstone. Gotinhas ácidas que a deixaram à flor da pele, o que a fez tomar uma medida 100% desumana. Keating provou que não tem escrúpulos e que claramente é obcecada por esse tipo de jogo, vide minutos finais do episódio.

 

O foco central do mid-season finale pode até ter sido o autor do tiro, mas Sinclair roubou a trama para si. O episódio começou tentando plantar muitas coisas para bagunçar a nossa mente, sendo que só uma foi destacada o tempo todo: o revólver. Connor recuou da falcatrua quanto a essa descoberta que “culpava” Catherine enquanto Michaela mostrou que Annalise ensinou bem sobre alterar evidências. Caleb ficou no centro por tempo suficiente para ser dispensado, o mesmo Philip que, pelo visto, não é tão assustador quanto aparenta.

 

O grande problema estava longe de ser o caso Hapstall ou o quadro ou a arma de fogo, mas uma advogada que pagou pela língua. Ao descobrirmos quem era o foco, só sobrou tapa na cara. Não houve um só momento que nos poupou da angústia e da bendita curiosidade de saber o que diabos aconteceria no final.

 

Jamais pensei que Sinclair se tornaria um problema de Asher. Ok que isso foi plantado ao longo da temporada, mas nunca cogitei que o papo dos Millstone ganharia um tom extremamente macabro. Quando foi anunciado o suicídio, choquei, choquei muito, pois foi uma fuga de um homem egoísta, covarde, que nunca tratou o filho bem, e que preferiu morrer a assumir que calou um estupro.

 

Tenso foi como essa situação refletiu em Asher. A mãe foi crucial para deixá-lo fora de si, mas não o agradeço por ter matado Sinclair. Foi tão covarde e baixo quanto o comportamento do pai. Se o caso Tiffany lhe ensinou alguma coisa, está aí uma boa hora para denunciar – algo que ficou a entender no flash-forward e que não foi apresentado neste episódio. Sério, achei esdrúxulo, medonho, mas serviu para equiparar os homens Millstone. Nenhum vale nada. Não que isso seja uma novidade, pois ninguém nessa série compensa 1 Dilma, mas esses dois são iguais. Podres.

 

Assim, o que aconteceu com Sinclair me deixou bem desconfortável. Sim, a mulher era insana e baixa, mas a causa da sua morte não foi justa para o contexto da trama. Senti-me pior quando Annalise meteu um “ela procurou por isso”, o que nos faz voltar à temática da trama: cada um tem o que merece. Será? Não sei, vivemos de injustiças, mas, neste caso, o assassinato ocorreu meramente porque um marmanjo não aceitou a verdade. Ele silenciou uma mulher igual ao pai.

 

Sinclair, mesmo irritante, era preciosa para a trama. Era um sinal de que Annalise não podia ganhar o tempo todo. Lamento ainda mais sua saideira porque ficou aquele agridoce da razão mor que a fazia perseguir Keating. Nunca acreditei que era só uma questão de botá-la na cadeia. Para stalkear Nate, o negócio deveria ser mais embaixo, especialmente quando chegou ao ponto de chantagear Asher. Essa advogada era a única que poderia machucar a rival, cutucando a memória de Sam ou até de Rebecca. A personagem sabia muito bem tirar uma pessoa do eixo.

 

O que essa mulher escondia? Valia mesmo a pena silenciá-la só porque sabiamente disse a verdade, praticamente usando as mesmas frases da Bonnie? Sinclair não tinha nada em mãos que desse motivo para assassinato, mas Annalise fez da sua existência uma razão mais do que suficiente. Um paralelo que as diferencia demais. Uma foi baixa, ah! foi, mas a outra sempre faz pior para proteger sua reputação.

 

O único ponto positivo que tiro disso é que Asher finalmente sujou as mãos e vendeu completamente sua alma para Annalise. Só faltava ele e agora o coven está completo. O estagiário sentiu na pele o que é erguer um corpo e norteá-lo para os mais variados lugares até obter uma cena de crime aparentemente perfeita. O que interessa agora é que o personagem soma mais uma mentira abafada. Como disse lá em cima, chance para denúncia, mas Bonnie está em alerta.

 

Sinclair, o peão que fez Annalise montar um novo tabuleiro de jogo. Completamente diferente da S1, já que fez o que fez com Sam por ele incomodá-la no âmbito pessoal. E neste caso? Ela criou uma ilustração só porque a rival “deu sorte” de morrer? É aqui que vemos o quanto essa mulher não presta. A personagem simplesmente topou abafar o erro do Asher, um erro que não a afligia em nada. Compensar o que fez com Bonnie? Isso não foi mencionado e duvido que a advogada se moveria por esse motivo. Até porque a seguidora provou seu valor sem exigir muito.

 

Por remorso ao entregar informações sobre Millstone pai? Menos ainda. Sem ele, ela dormiria melhor e Sinclair estando viva seria apenas uma diversão. Annalise só se faz.

 

Daí, temos Nate que entrou como clara desculpa para Annalise fazer o que fez. Isso fortalece a sensação de que essa personagem é viciada nesse jogo doentio. Quanto mais corpos caírem na sua soleira, mais ela brincará de recriar cenas como se quisesse testar sua inteligência. A cena dela sozinha no escritório, com a câmera girando, fortalecendo a pressão do momento, revelou a sagacidade de uma pessoa que não hesitou, nem quando plantou a ideia de tomar um tiro.

 

Para bom entendedor, Annalise usou de novo uma pessoa que supostamente necessitava de proteção/ajuda para agir. Nate realmente corria o risco sobre as ameaças de Sinclair? Penso que não. De novo, um quadro conveniente e achei formidável as reações do Keating 5. Simplesmente porque eles não aceitaram repetir o processo, mas não tiveram opção. Uma vez que se vê o lado negro, só topa o mesmo esquema quem gostou, como Frank, sempre clínico nessas situações.

 

No caso dos estagiários, não havia saída porque Annalise tem prova contra todos e foi isso que os fez ficar e encobrir a sujeira de Asher. Como se todos devessem um favor a ela e não a ele. Errado, não?

 

E quem atirou foi…er..Wes?

 

A agitação nos 10 minutos finais me fez prender a respiração. A bendita escolha de quem atiraria – e senti que Annalise faria isso contra si mesma diante do quarteto, só de trollagem. Desacreditei da maneira como ela jogou mentalmente com os estagiários, lançando os podres de forma a tirá-los do eixo. Dando motivos para um deles puxar o gatilho. Esperto foram aqueles que vazaram, porque é óbvio que essa “gratidão” se voltará contra o atirador no futuro. Só não esperava que fosse Wes a sujar as mãos de novo, só que dessa vez com mais gosto.

 

Uma degustação que me fez pensar mais uma vez que ele realmente matou a mãe. Sim, gente, bitolei nessa, socorro.

 

O tiro em Annalise não foi motivado por nada vindo dos Hapstall e isso me frustrou um pouco.  A escolha de tornar Sinclair a razão de tudo deixou a impressão de que o caso Caleb/Catherine não valia de nada. Só estava ali para preencher cota de roteiro até ambos se revelaram como novos bodes expiatórios. Sinceramente, preferiria um confronto entre a advogada e um estagiário. Seria mais pertinente considerando o que todo mundo carrega sobre uma mulher que os tem nas mãos.

 

A correria na mansão Hapstall rendeu um banho de revelações das quais imagino que afetarão o Keating 5. Não consigo imaginá-los de volta ao estágio, mas, por terem rabo preso, isso não é uma opção. Vide Connor que tentou fugir, mas ouviu de Annalise a tramoia que matutaram na S1. Uma verdade que pertence a todos e que fechou completamente o cerco de fuga.

 

Se for verdade que ela fez o que fez por Nate, de novo vimos Annalise se importar com apenas o seu. Todas as pessoas ao redor dela voltaram a ser ferramentas. A diferença é que havia a opção de repetir ou de dar no pé, e esse conflito de todos – com exceção de Bonnie – valeu muito o episódio. Seria muito surreal se o Keating 5 dissesse amém depois dos acontecimentos da temporada passada.

 

Foi gostoso ouvir a advogada cobrar e mesmo assim chegar perto de não ser ouvida – o que a fez jogar sujo. De fato, essa mulher não tem o grupo em mãos. Se tivesse, não haveria contestação e nem fuga na calada da noite. Demorou, mas Annalise viu sua perda e apelou fervorosamente.

 

Laurel disse a única coisa sensata nesta bagunça: vamos pra cadeia porque é melhor assim. Claro que Annalise não toparia isso nem aqui e nem em 2048, o que a fez rodopiar para Wes. O cara que não hesita. O cara que a confrontou nessa primeira parte da temporada toda.

 

Pior, o único que estava preocupado com o bem-estar dela depois de ter sido sacaneado tantas vezes enquanto os outros só pensavam neles mesmos diante daquela situação. Quando ele liga para Nate, até perdoei os momentos de estupidez. Só não gostei da sua autoria no tiro. Podia ser o Connor.

 

Concluindo

 

Annalise Cosima Keating <3

 

Agora, fomos alimentados com uma informação velada por Eve e Annalise no 2×07. Pelo menos, descartaram a teoria de que Wes seria filho de Keating, mas nem sei escolher o que seria mais tenso. Isso ou o fato dele ter parte da sua vida interligada a uma pessoa tóxica desde cedo. Que, provavelmente, deve tudo que se tornou a ela. Quero saber como Christophe virou Wes.

 

O que me deixa em pânico é ter visto a dupla em cumplicidade, o que reforça ainda mais minha ideia de que Annalise gosta de forjar cenas de crime. Ela atua tão bem que consome e entra na mente de qualquer pessoa, sendo mais efetiva que hipnose. Não descarto que a advogada tenha ensaiado little Wes para dizer sobre como encontrou a mãe. Viram como ele estava de boa? Ele não tremia e não mostrou terror sobre o que viu. Por isso que bitolei ainda mais na teoria de que o personagem matou sua responsável. Duvido que Keating o ajudou por caridade, sério.

 

Considerando que é Annalise que se meteu na vida dele naquele momento, é fácil supor que certos modos de operação nunca mudam, só se aprimoram. Forjar cenas é a assinatura de dona Keating. Inclusive, como ela não matou alguém ainda (até que se prove o contrário), quem sabe essa foi a vez em que sujou as mãos.

 

Este episódio me deixou tonta. Chocada. Chorei com o quarteto diante de uma Annalise desesperada, na saia justa pedindo para tomar um tiro. Faço um brinde para o elenco que atuou demais. A dinâmica durante a criação do crime foi de encher os olhos. Principalmente o momento do revólver, em que Viola nos brindou com mais um comportamento emocionalmente desequilibrado da sua personagem que sugou a réstia do que havia de melhor na consciência dos seus alunos.

 

Até que ponto essa mulher vai nesse jogo?

 

Era fato que seria uma correria danada este mid-season finale. Foi alucinante, chocante, e a pergunta que fica é se essa cena de crime realmente dará certo. E, não menos importante, o que Annalise fará ao cair em si que Wes não é mais seu alicerce.

 

PS¹: duvido que não tinha câmeras naquele estacionamento, na boa.

 

PS²: Laurel e Wes limparam o carro de Sinclair sem luvas. Na mansão tudo bem, mas e ali?

 

PS³: tem digital do Wes no revólver também, a não ser que ele o tenha levado.

 

Keating 5 retorna no dia 11 de fevereiro.
Stefs
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  • Novamente, perfeita sua resenha! Concordo em praticamente tudo que dito.

    Mas um detalhe que me prendeu muito foi que em um momento do episodio há um dialogo onde Annalise explica como a cena do crime deve ser montada e Connor diz que aquilo não faz sentido, em seguida a advogada conclui dizendo que não precisa fazer sentido, tem que tudo ser uma bagunça para que a policia crie um sentido para a cena, e isso pra mim foi genial, pq eu fiquei imaginando a reação da equipe da pericia ao analisar essa cena de crime. Eles teriam um corpo estraçalhado no chão pela queda, mas que na autopsia mostraria ser atropelamento, uma Catherine inconsciente na cena, Annalise baleada e quase morta na sala, um revolver que 3728 pessoas pegaram nos ultimos dias… seria uma bagunça tão grande! E eu realmente queria ver como essa cena de crime criada tão desesperadamente iria ser entendida.

    Bom, de qq forma, foi realmente um episodio intenso, não curti o Wes ter atirado de novo, mas também não queria que o Connor tivesse atirado. Quero saber como o resto dessa noite se desenrola… pq Connor volta pra tentar salvar Annalise? Phillipe vai ver eles saindo da casa? Que que o Asher foi fazer na delegacia?

    Ai ai ai, pq Fevereiro ta tão longe????

  • Muito boa a resenha.

    Estou até Agora de boca aberta com o episódio.
    Essa série é realmente espetacular.