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11/nov

Um monte de imagens quebradas, onde bate o sol,

E a árvore morta não oferece abrigo, nem o grilo, alívio,

Nem a pedra seca, barulho de água. Só

há sombra sob esta rocha vermelha

(Vem para a sombra desta rocha vermelha),

E eu te mostrarei uma coisa diferente de

Tua sombra que pela manhã anda atrás de ti

Ou de tua sombra que à tarde se ergue para receber-te;

Eu te mostrarei o medo num punhado de pó.

– T. S. Eliot

“A Terra Devastada”

 

Assim começa o terceiro volume da jornada pela Torre (The Waste Lands), que foi publicado quatro anos após o anterior, em 1991, e chegou ao Brasil em 2005. São 500 e tantas páginas de robôs, loucura, doença, adivinhações, e do Blaine. O poema do T. S. Eliot que abre o livro foi uma das grandes inspirações pro King escrever a saga e é impressionante o quanto ele é verdadeiro, principalmente a parte destacada.

 

A partir de agora, o jogo começa de verdade para Roland e seus novos amigos. O que os espera no caminho até a Torre é pó, destruição e morte. “Medo num punhado de pó” é uma frase que ficou comigo desde que li a série pela primeira vez. Pra mim é uma frase que define perfeitamente não só os livros da Torre Negra, mas toda a obra do King. Não foi à toa que se tornou o nome desse especial.

 

Então ele percebeu que o que via não era sangue, mas rosas.

 

O volume é dividido em dois livros: Jake – Medo Num Punhado de Pó e Lud – Um Monte de Imagens Quebradas. O primeiro nome já dá o primeiro spoiler, o Jake volta. Por isso eu não vou entrar em detalhes sobre como isso acontece, mas é uma sequência que consegue desbancar sozinha os dois livros anteriores. É de chorar de tão bem escrita e tão bonita.

 

Talvez seja por esse retorno, mas reler As Terras Devastadas foi como encontrar um amigo que eu não via há muito tempo e me surpreendi por ver o quanto eu gosto deste livro. Até agora, olhando para todas as marcações e pra confusão de post-its, não sei nem por onde começar.

 

Por favor, meu Deus, me ajude a não fazer merda.

 

Além da volta de Jake, a primeira parte mostra Eddie e Susannah mais astutos e mais parecidos com pistoleiros do que antes. Roland aproveita toda e qualquer oportunidade que aparece no caminho para dar suas lições, o que vira e mexe irrita Eddie e o faz ter as suas crises de nervoso, durante as quais ele faz piadas que os outros não entendem e xinga Roland e todos os seus antepassados. Ainda assim, os três formam um laço muito forte e o casal de Nova York não se vê mais como prisioneiro do homem com olhos de gelo.

 

Eles agora também querem alcançar a Torre. Em dois momentos diferentes, Roland faz cada um repetir sua lição antes de usarem as armas. É o nosso primeiro contato com o juramento:

 

Eu não miro com a mão; aquele que mira com a mão esqueceu o rosto de seu pai.

Eu miro com o olho.

Eu não atiro com a mão; aquele que atira com a mão esqueceu o rosto de seu pai.

Eu atiro com a mente.

Eu não mato com a arma; aquele que mata com a arma esqueceu o rosto de seu pai.

Eu mato com o coração.

 

Roland também explica um pouco mais sobre os problemas do seu mundo, sobre como funciona a Torre e qual é a sua razão de ser. Descobrimos que existem seis feixes de luz que cruzam e protegem toda a existência, sendo a Torre Negra o seu ponto de convergência, que sustenta todos os mundos. Em todas as doze pontas destes feixes existem guardiões, animais com o propósito de proteger os caminhos entre eles e toda a rede em si.

 

Logo no começo do livro, Roland, Eddie e Susannah encontram Shardik, um dos guardiões e um urso enorme, metade robô, metade carne e osso. Ao derrotarem o monstro e darem uma olhada mais de perto, têm um primeiro vislumbre da doença que se espalha pelo mundo onde estão.

 

 

Os pistoleiros conseguem encontrar o feixe que Shardik protegia e começam a segui-lo em direção à tartaruga. É claro que não esperam chegar ao outro lado, seu destino está na metade do caminho, a Torre. E tudo obedece ao feixe! Nuvens, pássaros, o próprio vento, todos seguem, ou pelo menos se desviam um pouco de seu caminho original, a favor do caminho do feixe. E é no meio da jornada para uma cidade que se ergue no horizonte que Jake ressurge e completa o novo ka-tet de Roland.

 

O nome da cidade é Lud e esta é a segunda parte desse volume. Mas antes de chegarem lá, os quatro param em um lugarzinho chamado River Crossing. E antes até de River Crossing, aparece Oi. Oi é um trapalhão, uma mistura de guaxinim com alguma outra coisa, de rabo enrolado como uma mola, olhos dourados… E ele fala.

 

Na verdade, Oi não consegue falar direito, como os seus antepassados provavelmente conseguiam, mas é capaz de repetir alguns sons reproduzidos pelos humanos. Ao se aproximar de Jake em um dos acampamentos do grupo, o menino o chama de “boy”, ao que ele responde “oy”, dando origem ao seu nome. Agora sim, o ka-tet está completo.

 

 

Antes de se reunir aos seus, Jake andava tendo sonhos e entendendo coisas que em Nova York não faziam muito sentido. No mundo médio, as coisas começavam a ficar mais claras e uma delas era Blaine. Jake sabia que eles precisavam seguir o caminho do feixe e isso significava atravessar Lud e seguir pelas terras devastadas, quilômetros de desolação, veneno e morte – pó. Só havia um meio de seguir: Blaine, um mono trem inteligente, diabólico e completamente doente.

 

Por isso, começaram a atravessar a ponte que ligava Lud até eles com o objetivo de entrar na cidade morta e achar a plataforma de Blaine, seu berço. Mas, na metade do caminho, são surpreendidos pela figura deplorável de um homem tão próximo da morte que o simples fato dele estar em pé impressionava. Gasher sequestra Jake, e a partir daí o grupo se divide para encontrar o garoto, Blaine, e dar o fora dali o quanto antes.

 

Enfim, Roland e Oi conseguem salvar Jake. Os três se unem a Eddie e Susannah para fazer um trato com Blaine: ele os leva até o final da linha e mais perto da Torre em troca de adivinhações. Enquanto isso, libera um gás tóxico que termina de destruir os tristes sobreviventes de Lud. Acabamos assim, com o recém-formado ka-tet viajando sobre as terras devastadas e enfrentando um computador instável e louco, que segue a caminho de sua própria morte.

 

Olhem a TARTARUGA de enorme cintura!

Em seu casco ela toda a terra contém.

Pensa devagar e é sempre ternura;

Todos nós dentro da mente tem.

Sobre suas costas todos vão jurar;

Ela vê a verdade e não nos pode valer.

Ela ama a terra e também ama o mar,

E ama até uma criança como eu e você.

 

 

Na Prateleira

Título: A Torre Negra Vol 3: As Terras Devastadas

Autor: Stephen King

Páginas: 526

Editora: Objetiva

Mônica
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