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10/dez

Quero dançar com este episódio. Enchê-lo de beijos e dormir agarrada com ele. Sim, estou apaixonadinha. Fazia certo tempo que não sofria e me divertia com Chicago Fire, reações que caminharam juntas, dentro da mesma atmosfera densa e imprecisa, que quase custou Boden de vez. O que aconteceu esta semana tem que servir de exemplo para o futuro da S4, fatos reais.

 

O episódio entrou também para o grupo de melhores desta temporada e confesso que estou de queixo caído. Não aconteceu nada de absurdo, mas o caminhar da carruagem fluiu lindamente por ter focado no que interessava. Ok que esperava mais correria e baixaria quanto ao dilema Maddox, mas superficialidade de casos é tão real quanto avulsos sem plot. O importante é que todas as histórias casaram, até as aparentemente insignificantes. As chances dos escritores abrirem mais a trama, a fim de criar brechas para o retorno de Fire no ano que vem, eram previstas, mas até o cliffhanger foi bem sacado. Roda de oração para que continuem.

 

Minhas emoções me estapearam em várias direções, mas a que mais se destacou foi meu choque de ver uma trama que começou no 4×01 se encontrar e ser concluída com a mesma sutileza com que foi inserida. Houve um notável controle de trama para que a história-conflito rendesse, envolvesse e enganasse. Um desenvolvimento redondo, investida que foi deixada lá na S2 de Fire.

 

A última jogada de Maddox empesteou o derradeiro fim dos seus planos com a sensação de que aconteceria uma tragédia – e até aconteceu, mas não por causa dele. De novo, o personagem nem precisou dar as caras para bagunçar as emoções, mas o importante é que o 51º venceu.

 

Mas até chegarmos a essa vitória, o episódio começou de um jeito melancólico. Um Boden liberado sob fiança e uma Donna desesperada em fazer o melhor pelo marido. Se há uma coisa que me fez muito feliz ao longo dessa dramática é que não houve a tentativa de separá-los. Por mais que o conceito de família seja enraizado no 51º, foi de suma importância a relevância dela no meio dessa bagunça, especialmente no âmbito confiança. Fraquejar como fraquejou na semana passada, preocupada se resistiria àquela onda de acusação que também começava a custar sua reputação, foi um comportamento humano que só fortaleceu esse casamento. Ambos precisavam ficar juntos, e fiquei satisfeita por, em hipótese alguma, ela ter duvidado dele.

 

Os efeitos confirmados de Maddox também propiciaram algo que demorou a acontecer, mas até que aconteceu no timing certo: Patterson assumir a cadeira principal do Batalhão. Era de se esperar uma bela dose de azedume contra ele, mas o que ficou evidente com sua promoção foi a questão de antigos hábitos. Quem aguentaria uma nova transição, o Chief temporário ou a turma do 51º?

 

Não acho que qualquer patrão toleraria certos oba, oba, em ambiente de trabalho, como o comportamento intragável entre Jimmy e Chili. Não mentirei, houve alguns momentos que não tirei a razão de Patterson. Ele queria atitude madura, mas tinha gente no playground. Porém, conforme o transcorrer da treta interna sobre se libertar do passado para viver um futuro sem Boden, as dificuldades rasas impostas pelo Capitão se instalaram e colocaram em cheque qual seria a grande problemática dessa mudança. No caso, ele e o profissionalismo ou a turma e os hábitos antigos.

 

Um conflito que precisa sim voltar ao 51º. Boden é um amor, de verdade, mas vamos combinar que há personagens ali que pararam no tempo (Otis?). Só acho que esse subplot deveria ter durado mais, pois seria muito bom ver todo mundo subindo pelas paredes. Eles só conhecem um modo de operação e Dallas parecia um personagem ideal para mostrar “o outro jeito de fazer o trabalho”.

 

Mesmo com esse ponto de vista, é sempre formidável ver a turma leal ao Boden. Os antigos hábitos sinalizaram o que o real Chief deixava rolar no Batalhão, todo mundo sendo honesto com quem são e fazendo tarefa de casa. É bem errada essa folga, mas, se tratando de família, só é preciso tomar conta das roupas de baixo – algo que Chili e Jimmy só faltam deixar no caminhão do Casey, aff.

 

Tenho que admitir: Patterson até que me surpreendeu. Surpreendeu tanto que teve direito a um chamado de verdade neste episódio. Mal acreditei que o personagem estava em zona de risco, pois está aí um cidadão que pagou de bonito e intocável ao longo da sua presença no Batalhão. Como comentei na semana passada, a cartada do Chief temporário seria escolher um lado e ver a maneira como ele se impôs, sem ao menos dar uma consultadinha prévia em Riddle sobre ganhos e perdas, me fez feliz também (eu terminei muito contente com este episódio, não podicê).

 

Antes de dar adeus, Dallas fez cosplay Temer e fez uma dedicatória ao Boden. Só faltou dizer que ele não passou de item decorativo do Riddle. Só sei que o processo da sua libertação foi fora do esperado, jamais imaginaria que ele mandaria o padrinho mágico para o inferno. O Capitão reconquistou minha simpatia depois disso, pois para um amante dos holofotes não deve ter sido fácil abrir mão do sucesso.

 

O cara mostrou certa humildade, ao ponto de nem contestar seu próximo job claramente em um péssimo Distrito. Por mais que tenha vivido nesse chove e não molha, esse cidadão merece alguns méritos, pois em nenhum momento ele atacou as pessoas do Batalhão para subir na vida.

 

Queria fazer um poema para você, Patterson, mas Gabby jamais me autorizaria.

 

Não posso deixar de falar do destaque de Connie, que tem sido muito especial. Por mais que não seja uma personagem de impacto para a série, ela é a série. A chama de ouro. Vê-la como parte da treta contra Patterson só fortaleceu o conceito de família e a dificuldade do Chief-freela inserir mais o modo de operação de Riddle. Isso me fez feliz e ri quando é revelado que essa mulher fez geral de trouxa. Bem que ela podia dar uns trocados das vendas e colocar na caixinha de Natal do Batalhão.

 

Voltando para Gabby, quando aquele mané a assedia, esperei que Casey lançasse um pó de diamante para cima do cretino (#CavaleirosdoZodíaco). Uma situação que salientou outra coisa que gostei, e que foi pouco usado, ao longo dessa 1ª parte da temporada: a mídia. Isso pode ter até a ver com o fato de eu ser da profissão, sou a pessoa que realmente se choca com certas coberturas, o que me faz ter vontade de rasgar o bendito diploma. Gostei desse artifício que serviu para difamação e para marcar a despedida de Patterson.

 

Inclusive, para dar realismo ao perigo que Maddox representava. Um cara silencioso que fez tudo o que pôde para exterminar a bancada contra ele e se deu mal.

 

Mais sensacional que a cara de tacho de Riddle, só a de Maddox. O que dizer de mozão Antonio? Outro que me fez rir que nem uma condenada com aquele papo de canto do passarinho. Ver a arrogância do vilão desmanchar, percebendo que não tinha saída, foi delicioso demais. Melhor que isso só Ruzek e Atwater encontrando Serena, algo que me fez gritar. Faltou king Voight.

 

Só tenho elogios sobre a maneira como o plot de Maddox foi desenvolvido. Não contou com profundidade, algo que será o pecado das Chicagos para sempre, mas a empreitada foi bastante efetiva. Reviveu o charme de Fire, centralizou Severide, Casey e Gabby como nos velhos tempos e entregou parte da conclusão à irmã mais nova. Esse mid-season foi impecável e, sinceramente, não esperava por isso. Não depois da tartaruga que, meldels, alguém me ajuda.

 

A trama contou com simplicidade, mas impactou de diferentes maneiras. Maddox não foi o único apoio, como também o apelo emocional da chefia de Patterson, da preocupação de Jamie com relação ao seu caráter, com Casey segurando as pontas até soltar uma linha de insatisfação que valeu por vários socos. Até Gabby fez o seu papel, com linhas de diálogo básicas e influentes que assentaram a meta de derrubar o rato. A presença súbita de Suzie merece seus méritos também, pois fez o favor de engatar a conspiração e elevar a qualidade do episódio.

 

O único pecado é essa história despretensiosa de Chili e de Jimmy. Pior que consegui simpatizar com o garoto, pois é fato que ele quer subir na vida. Agora, a paramédica é diabólica. Claramente não se importa com nada, mas se importa até demais. Não dá para aguentá-la, não depois deste episódio. Não tenho paciência para personagem vazio. Inaceitável ela partir para cima do bombeiro depois de um claro não. Se os escritores acharam isso uma graça, hora de rever conceitos…

 

Concluindo

 

O mid-season finale de Chicago Fire veio aos moldes antigos. Maddox foi abocanhado, encerrando este arco com honrarias. Espero que os escritores continuem focados, pois, salvo alguns momentos desnecessários, esses 9 episódios reencontraram um pouco da essência anterior da série e, até aqui, é como se a S3 não tivesse existido. Foi tudo muito bem controlado, seguraram o mistério, criaram confusão, destacaram quem devia e envolveram os demais. Fazia tempo que storylines conjuntas davam tão certo, ao ponto de engatar um bom cliffhanger.

 

Agora o foco é no menino Freddie, o responsável pela tragédia que esperava que aconteceria. Quando ele partiu para o fundo do Molly’s, achei que ele tomaria vários tiros. Como disse nesta resenha, velhos hábitos são difíceis de morrer, e o protegido de Cruz provou isso. Herrmann sangrará até janeiro e achei macabro o sombreado do sangue na soleira da porta.

 

Chicago Fire retorna no dia 5 de janeiro.
Stefs
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