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10/dez

Miller se suicidou por se sentir culpado ou por humilhação? Embora Sharon e Charles tenham pautado uma questão que não foge da nossa realidade, arrisco deixar meu voto na segunda opção. Não só pela abordagem do episódio ter destacado a influência da internet, mas pela afirmação verídica de que quanto mais uma pessoa faz do universo online sua vida, mais frágil ela se torna. Até ser revelado o objetivo real da trama, pensei por breves segundos sobre o quanto o viés de tiroteio seria pertinente. Fico meio na corda bamba com relação a esse tipo de abordagem, especialmente quando relaciona um grande problema que afeta o convívio em sociedade ou que custa vidas. Não que eu ache que esse foco influenciaria quem assiste (há quem ache), mas penso que depende muito da proposta. Neste caso, o incidente foi um plano de fundo para explicar os efeitos positivos e negativos da internet, o verdadeiro personagem desta semana.

 

A falta de foco nos pacientes atingidos também me deixou tranquila. Depois dos tiros, o caminho percorrido foi dos efeitos colaterais. O que veio depois de tamanho susto. Quero agradecer Maggie por ter notado que havia algo de errado no tiroteio e, lá no fundo, acreditei que Miller fosse o atirador intencionado na maldade. O cosplay Harry Potter era suspeito, me fez lembrar do Adrian, e a pinta de herói levantou suspeita – jamais esperaria que o revés seria um caos acidental.

 

A abordagem de Miller e de Peter foi sutil, mas não deixou de incitar comportamentos típicos em situações como essa. Quem se destacou? Will, óbvio. Ele me mete um maníaco para o não-atirador em alto e bom som, sem saber o que acontece, afirmação de opinião pública que cai no colo dos jornalistas que amam sensacionalizar esse tipo de ocorrência. Já para o herói, o médico só faltou cantar o hino nacional e roubar alguma medalha do Jay para dar ao real atirador. Halstead mordeu a língua e o efeito moral disso só coloca em cheque quem é esse personagem.Will é cheio das opiniões, de crenças e manja bem da intolerância em perder pacientes. Depois de 4 episódios, o médico se revelou um ser não imparcial, o que rende um tipo de envolvimento que pode ser perigoso no futuro por vir de julgamento pessoal. Se dependesse dele, Peter estaria morto, e achei legal terem criado um comparativo de tempo entre Connor e ele sobre salvar um paciente.

 

Connor voltou a ser o ponto de comparação, que fez o que fez sem contestar, enquanto Will fazia beicinho, naquele clima de decidir quem deve viver. Por causa do comportamento de Rhodes ao longo deste episódio, fica meio difícil defender Halstead. Você é médico, tem que prestar auxílio e acabou, o que me faz pensar que o ruivão escolheu essa profissão por todos os motivos errados.

 

Sei que diante de um conflito desses o pior das pessoas é revelado, mas o ruivão de Med só tem dado bola fora. O engraçado é que isso não cria um tipo de rivalidade com Connor ou antipatia geral. Por isso, quero acreditar que essas experiências iniciais, de um tão recém-chegado quanto Rhodes, sirva de aprendizado. Nem todas as olhadinhas fofas para Natalie poupam tanta porcaria dita.

 

E, sério, chateada que não houve cena Will e Jay. Halstead Júnior poderia dar um puxão de orelha no irmão que anda cheio das graças. É Chicago, ursinho pimpão.

 

Voltando a nossa querida e odiada internet, essa pauta foi tratada no cru. No quesito de influencers. Daí, voltamos a pergunta que abriu esta resenha, pois a trama trouxe uma discussão sutil com relação a influência online e o que ela pode acarretar. Uma brincadeira virou tragédia por meio de um YouTuber irresponsável (e que tem aos baldes no Brasil, como o ser que faz apologia a assédio no seu livrinho, né, migo?). Na contramão, houve Miller, o herói, que até fez a coisa “certa”, mas entrou na ala de ter feito sem questionar. Independente dos dois lados, houve atrito de reputação.Como a estrelinha do YouTube provocou um tiroteio? Como um herói é herói sendo que há uma séria desconexão com o que transcorreu no cinema? Lá no fundo, estava a mídia, que não foi atrás da informação e pintou Miller como o salvador. Charles foi muito sábio em suas palavras sobre esse assunto, pois é a mais pura realidade. O jornalismo dá com facilidade, como também tira.

 

E por ter tirado o brilho de Miller, que contava o número de seguidores conquistado pelo seu heroísmo, ele se jogou na frente do carro. Pela humilhação causada pela mudança do discurso. Quando ele foi ovacionado, só havia risos de súbito reconhecimento. Do louvor veio a queda que se tornou vergonha. As pessoas que o seguiram, o pediram para se matar. Soa familiar?

 

Há sim muitas pessoas que só vivem de reputação online e isso foi frisado no episódio. Quando algo errado acontece, outras tantas não aguentam o tranco da visibilidade negativa, que rende chacota e coisas muito piores. Há vários casos de bullying que comprovam isso. Fato é que há quem não suporta a superexposição quando o intuito é denegrir e Miller foi um exemplo.

 

O incidente ainda deixou o agridoce do quanto a vida é injusta. E, claro, irônica. Lucy foi a verdadeira heroína da história e teve parte de si doada para quem começou o pesadelo. Compreendi a reação do marido ao visitar Peter e foi bem pesado ouvi-lo dizer que pagar com a morte nem sempre é a solução – algo que Will deveria ter escutado, diga-se de passagem. A ordem de que aquilo assombraria o adolescente é o que chamaria de vingança das vinganças, pois é fácil visualizar que a vida dessa web celebrity deixará de ser a mesma.

 

Fora disso, houve a paciente de Natalie e Gertrude, a senhorinha que me fez rir demais. Porém, achei muito fora do tom, algo que me fez lembrar dos tapas buracos de Fire. Com um tiroteio, dava para se discutir várias coisas e unir mais os personagens. Por mais que tenha gostado dos outros casos, foi meio destoante com o acontecimento principal que transmitiu a ideia de um episódio temático.

 

Foi um bom episódio, que se perdeu em alguns momentos, mas alcançou um efetivo resultado dentro da proposta lançada na roda. Arrepiei quando Choi anuncia a morte de Miller, porque sempre é épico quando você escuta isso em uma série médica pela primeira vez (eu sendo macabra). Ninguém saiu feliz e Med mostrou que sabe ser tão maldosa quanto as irmãs no quesito dar aos heróis um dia com saldo zero de sucesso. Contava os minutos para a hora dos fracassos.

 

PS: Will mostrando para Gertrude que ela tinha descendência africana também me fez gargalhar. Aonde é que tem esse programa para distribuir por aí? Tem gente que precisa se botar no lugar, né?

 

Chicago Med mal começou e só volta no dia 5 de janeiro.

Stefs
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