Menu:
08/dez

Minhas emoções estão bem divididas com relação ao season finale de Doctor Who. Uma hora penso que gostei. Na outra, me vejo infeliz. Só sei que as expectativas para uma aventura em Gallifrey estavam altíssimas e a falta disso é aonde mora minha chateação. Não consegui digerir que essa oportunidade, há muito tempo esperada, perdeu a prioridade por causa de Clara. Sinceramente…

 

Ao longo do episódio, minhas emoções viraram uma bola de frustração. Não acreditei que uma temporada impecável resolveu gastar energia, logo em sua finalização, com quem já tinha morrido. O 12º me irritou em vários momentos, algo muito inédito, pois é dificílimo esse personagem (em qualquer versão) me tirar do eixo. Sempre relevo muita coisa, mas, dessa vez, foi impossível. Quem diabos era esse alienígena?

 

O que incomodou bastante foi o episódio não ter engatado o que aparentava. O 9×11 alimentou várias teorias, como a questão do hibridismo, mas todo o espetáculo virou motivo de barganha do 12º que parecia uma criança mimada por querer Clara viva. Acreditei que o Doctor só sairia de Gallifrey depois de plantar uma nova guerra, talvez, um viés com muito potencial considerando o comportamento ameaçador e contemplativo do personagem em questão.

 

O impacto da sua presença foi estarrecedor, testando lealdades, mostrando quem é que manda, impondo limites e ordenando a retirada dos haters. Mas nada disso rendeu em algo que me deixasse embasbacada para a próxima temporada. Clara não foi a novidade deste episódio, um detalhe que aconteceu no final da temporada passada quando demos de cara com o Mestre e em versão feminina.

 

Toda a tramoia da semana passada pertenceu a turma de Gallifrey, tendo Ashildr como porta-voz, para obter uma revelação que pode se dizer ainda mentirosa. O 12º podia muito bem ter saído da cilada mais cedo, mas foi caprichoso a fim de bolar seu plano e ter acesso aos milagres do seu planeta para mudar o que aconteceu com a companion. Nesse quesito, a trama perdeu muito, pois é fato que desenvolver o plot do híbrido agradaria mais. Principalmente se relembrarmos a maneira como o Doctor entoou que era o tal guerreiro.

 

O uso do senso de dever soou como uma justificativa injustificável, uma desculpinha esfarrapada, para o 12º extrapolar limites. Quero entender por quais motivos Moffat fez isso, sendo que tinha a faca e o queijo na mão para desenvolver algo novo tendo Gallifrey como plano de fundo. O episódio anterior deixou no cliffhanger a relevância do retorno do Time Lord que não passou de uma espera angustiante em nome de Clara. Quando esse plot é desvendado, só restou uma dose incômoda de decepção. Não era isso o que esperava.

 

O 12º foi intragável em vários momentos e não encontrei argumentos para defendê-lo. Durante esta temporada, ele bateu no peito de que podia fazer o impossível, e foi com essa ideia que o personagem resolveu, com muita determinação, alterar o que não devia. Por mais que tenha desaprovado o foco em Clara, ela rendeu um ótimo momento ao bater de frente com o Doctor. Ele pode ser o herói de muitas histórias, mas não tem autoridade para ditar a vida de ninguém humano. Isso me deixou possessa (e não lembro se senti o mesmo com relação à Donna).

 

As coisas pioraram um pouco quando o Doctor lança a ideia de que parte da memória de Clara deveria ser apagada para que ela sobrevivesse. O estopim do azedume.

 

Vejam bem, cada companion não é apenas marcante por ser escolhida aleatoriamente, e certeiramente, para compartilhar a TARDIS com um alienígena de dois corações. Elas também possuem fins específicos e únicos conforme a jornada de cada uma. Muito aborrecedor ver a repetição do que aconteceu com Donna entrar em cena, pois esquecer o Time Lord pertence a ela e só a ela. O alívio veio quando o 12º foi vitimizado pelo seu próprio esquema, o que o fez retornar e empacar nas memórias dos Pond – os últimos companheiros.

 

Essa separação de timeline de companheiros funcionou apesar da medida repetitiva em pleno season finale. Quando o episódio abriu, nem foi preciso anunciar a localização para saber que foi em um momento como aquele que a S6 começou. Sem Clara na memória do 12º, é como se a sétima e a oitava temporadas não existissem e só nos resta esperar para sabermos o quanto isso será pertinente no futuro.

 

E espero que seja mesmo, pois, considerando o plot deste finale, é preciso de uma missa para compensar o esquecimento de Gallifrey – sei que estou repetindo, mas meu inconformismo está no auge.

 

Com esse reboot das memórias do 12º, deu para entender melhor a importância da presença de River no especial de Natal. Foi ao lado dela que ele viu os Pond padecerem.

 

Quem me deixou contente foi menina Ashildr, a cereja do finale. Personagem essencial por lançar umas boas verdades na orelha do 12º, além de cumprir a promessa de que estaria a espreita para recolher os estragos dele. Tudo o que ela disse foi lindo e só aplaudi.

 

Ashildr reviveu algo que o 11º tanto disse na S6: o horror de finais. Tentei me apoiar a isso para aceitar o comportamento desesperado do 12º, mas não consegui. Ele passou por cima de tudo e de todos para ter o que queria. Ok, isso é até normal. Porém, o personagem pisou em Clara a todo o instante, esquecendo de algo que o torna um dos melhores amigos imaginários: ouvir. O Time Lord simplesmente decidiu o que era conveniente sem indagar se era isso o que a companion queria. Foi intrusivo e insolente, e ainda bem que ele voltou ao juízo normal.

 

Graças a Ashildr, houve um debate muito legal sobre a questão do hibridismo, único ponto de interesse do episódio, além da chamativa Gallifrey. Missy e o Doctor seriam a mistura perfeita que daria um híbrido? Eu compro essa ideia, especialmente pelo fato da Mestre ter insistido, no final da temporada passada, em mostrar que ambos são iguais. Vale o lembrete que a charlatona ficou perdida entre vários Daleks e aproveitou antes do adeus para insinuar sobre a mesma profecia para cima do 12º. Seria algo interessante.

 

O desfecho foi a parte que mais mexeu comigo. O reconhecimento do diner. O pesar de Clara em não ser lembrada – e até pensei que se tratava de um eco, o que seria mais condizente. A companion é a pessoa que impulsionou as rédeas do destino do Time Lord e até entendo o fato da personagem ter saído intacta. Contudo, o fim sem volta ditado por Moffat ainda tem possibilidades (o que não inclui necessariamente a presença de Jenna). Medo do 12º retornar obcecado em saber dela.

 

Como grande brinde, a sonic screwdriver à moda antiga retornou em um momento em que o 12º pareceu retomar a própria identidade. Foi isso o que senti, uma libertação, como se Clara o tivesse empacado de alguma forma, não sei, pois o finale mostrou a dependência dele com relação a companion. O que é bom e ao mesmo tempo ruim por se tratar de uma versão que não tem controle das suas emoções.

 

O finale não foi de todo ruim. A trama fluiu primorosamente, o objetivo foi muito bem talhado e desenvolvido. Houve certos momentos que compensaram mais a experiência em comparação ao retorno de Clara. Sério, ela não precisava de uma nova dose de atenção. Não quando se há o peso de Gallifrey que há muito tempo não entrava em cena para tocar o samba.

 

Apesar dos pesares, o encerramento valeu pelo breve tour em Gallifrey. Um gosto peso pesado da Era Clássica de Doctor Who muito bem quisto. As tomadas do planeta, o filtro sufocante alaranjado, a secura daquele lugar foram perfeitas. O mesmo para a trilha sonora. O inferninho dos Time Lords trouxe um saudosismo com relação aos Weeping Angels. E a referência aos Pond me fez feliz.

 

Fica nas reticências sobre o retorno de Clara à Gallifrey para consertar a própria morte. Algo que acredito que perderá a significância na nova temporada. Apesar que, se a personagem conseguiu ser superior ao planeta dos Time Lords, não duvido que ela volte a pipocar.

 

Nos vemos no especial de Natal.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3