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22/dez

Chegay! E se você chegou aqui e não sabe o que acontece, ou que “texto” é esse, basta clicar na tag Turn the Light in Your Eyes, alright?

 

Era para eu ter postado este capítulo na sexta-feira, mas vários afazares surgiram do nada. O importante é que estou aqui… Ou não!Aproveito e digo algo importante (talvez?): esta fanfic é narrada tanto do ponto de vista da Erin quanto do Jay. Hoje tem Jay. Na próxima tem Erin. Isso até os dois deixarem de frescura, ok?

 

Espero que gostem! :)

 

 

Capítulo 1

 

Halstead a viu partir. Para longe dele.Não foi capaz de impedir. Só tivera tempo de deixar nas entrelinhas que estaria ali para protegê-la, em qualquer razão ou circunstância. Um aviso sonoro que fizera sentido no momento em que as palavras simplesmente deslizaram pela sua língua, mas não tão efetivo na prática. Agora, se debatia com mensagens não respondidas e ligações declinadas. Se não bastasse, amargurava o súbito desaparecimento da sua parceira de trabalho.

 

Era como se Erin Lindsay tivesse sido engolida por Chicago.

 

Halstead era um detetive e vivia para coletar evidências, entrevistar testemunhas, e unir tudo isso para montar um quebra-cabeça criminal para entrar efetivamente em ação. No caso Erin Lindsay, sua ineficiência se tornara um fardo. Cavucou tudo que podia para encontrá-la, nem que fosse aleatoriamente, mas completamente sem sucesso. Só tivera sorte no dia seguinte a súbita demissão dela, em que conseguira um vislumbre pelos vidros do bar de Bunny. Não se atrevera a entrar, era fato que discutiriam, e ainda tinha tato sobre o quesito respeitar o espaço das pessoas.

 

Mas não importava as recusas, Halstead insistia. Não importava as chamadas de atenção de Mouse e do seu irmão, praticamente implorando para que esfriasse a cabeça e deixasse o tempo correr. Ou, na pior das hipóteses, controlar os nervos. Era tarde demais para ponderar tudo isso, pois seu plugin stalker estava ativado. Tentaria e persistiria até obter uma palavra de Erin – podia ser até um palavrão.

 

Ao todo, o celular dela deveria somar mais de 30 mensagens de voz e umas 50 ligações. Uma mulher que não o conhecesse com certeza mandaria prendê-lo.

 

A falta de notícias de Erin soava como um aceno vindo de outra detetive que sabia tanto investigar quanto esconder. Halstead e ela estavam nessa brincadeira de gato e rato, e parecia que não teria vencedor. Era uma coisa: quando ele chegava perto, ela mudava o percurso, e o rodopio parecia nunca ter fim. Ela escondia seus vestígios e estava dando muito certo. Só restava a ele abraçar, dia após dia, a inquietude de um silêncio que o corroía.

 

Mais precisamente há uma semana.

 

Não havia mais marcas de Erin na Unidade de Inteligência. O que era bizarro, pois, assim que ingressara no time, ela já estava lá, sem pinta de recém-chegada. Isso queria dizer que ela era uma das artérias vitais daquele lugar. Com a escolha de Voight para direcionar aquele departamento, ela ingressara possivelmente a tiracolo, basicamente como ele que só faltou jogar Antonio no bueiro para ter uma chance.

 

Desde o abandono do distintivo, ninguém ousava mencioná-la, principalmente com medo de alguma reação de Voight. Outro que parecia não se importar, aparentemente nem um pouco preocupado em trazê-la de volta. Halstead parecia o único que sentia falta dela, como parceira (e como mulher), e se revoltava em silêncio com a falta de atitude – sendo que nem sabia se seria realmente bom para ela continuar a trabalhar depois dos últimos desdobramentos. Não só por questões profissionais, como também emocionais, já que o motor que a empurrou para longe do trabalho se chamava Nadia.

 

Um nome que também não esquecera. Ninguém, na verdade, mas não mencionar também era seguro. Não citar Nadia foi outra forma de instalar um tom falso de normalidade. Porém, a rotina mudara com os desfalques. Não havia secretária e Halstead trabalhava ombro a ombro com Burgess. Pequenos lembretes que tornavam impossível ignorar a memória de quem se foi.

 

Lembrava-se do quanto foi difícil Antonio perder Jules. Sua inspiração que o ajudava a segurar muito a onda para não falar besteira. Tinha que pensar que a vida continuava e que sempre havia outras a serem salvas.

 

Pensar, sabia que todos pensavam, talvez, não com sua ênfase. Os últimos acontecimentos ainda eram presentes, viscerais, possíveis de reviver a menor queda do silêncio. Vira e mexe, Halstead voltava a ver Nadia no chão enquanto tentava cobrir inutilmente o rosto de Erin. Esse ciclo mental era como adubar, diariamente, uma seleção de ervas daninhas.

 

Para ele, o luto era uma coisa bizarra de lidar. Se falasse em voz alta, seria o homem mais insensível do planeta, mas aprendera a externar muitas coisas no tempo militar. Incontáveis vezes nem tivera tempo de fazer um minuto de silêncio em nome de algum companheiro bombardeado. Com o tempo, cada poça de sangue se tornara anestésico. Como se deixar rodopiar por alguns segundos e depois sair da espiral antes que ela a consumisse por completo.

 

Algo que Erin não quis quando oferecera ajuda. Ela optara por continuar a girar na espiral e ele prosseguira imerso em um misto de sentimentos intraduzíveis. Preocupação, desprezo, asco, raiva… Nenhum se destacava. Só lhe restava imaginar o parasita que agora vivia dentro de Lindsay. Consumindo-a de dentro para fora.

 

Halstead tinha a sensação de que algo mais sério estava acontecendo com Erin. Não sabia o quanto ela poderia ser irresponsável, mas a súbita saideira da parceira dizia muito. Ela amava aquela profissão tanto quanto ele, e, do nada, saltara do barco. Sentiu-se até no direito de ficar chateado pela decisão sem aviso, mas engolira em seco e prosseguira.

 

Fato é que a perda de Nadia parecia ter acontecido há meses. O frio de Chicago já era desolador e a neve se concentrava no asfalto, contribuindo para um perigoso trânsito ou corrida atrás de um bandido – Halstead quase perdera os dentes em um belo escorregão no dia anterior. Pareciam séculos da perda, especialmente por se preocupar demais com uma das pessoas que lhe dera um pouco mais de razão para fazer o que fazia. Seu coração tinha se tornado um relógio, tiquetaqueando sentimentos amargos e o outro que alimentava por Lindsay na penumbra.

 

Um conflito constante e desgastante. Odiava ficar parado sem poder prestar ajuda. Era uma das coisas que mais o tirava do sério. Seja por motivo policial ou não.

 

Um assovio na sua mente lhe dizia que o que sentia por Lindsay era perigoso. A mais pura verdade, pois parecia que tudo o que sentia e segurava estava prestes a transbordar. Nem parecia que tivera semanas maravilhosas na companhia dela, um paraíso que mais parecia aqueles sonhos bons que todo mundo fica enraivecido quando desperta. E ele odiou despertar. E odiava ainda mais a sensação de que nada daquilo tinha acontecido. De que nunca a tocara. De que nunca a beijara. De que nunca a acalentara em seus braços.

 

Memórias naufragadas no mesmo boteco depois do expediente. Uma vez que o álcool subia, era complicadíssimo voltar ao planeta Terra. Perdera as contas das vezes que pedira arrego para Mouse, só assim para conseguir chegar ao próprio apartamento. Quando a bad o deixava muito mal-humorado, ajudava Antonio a equipar a academia. Era uma experiência boa… Dava a sensação de missão cumprida.

 

Naquele instante, não sabia exatamente como se sentia. Só sabia que seus instintos lhe diziam que Erin não estava bem – essa de acreditar nos instintos era um tato aprimorado no exército. Não um “não estava bem” de querer só dormir, mas um “não estava bem” modo sarjeta. Lembrava-se das feições apáticas dela dias após o caso que custara Nadia. Parecia doente, como se tivesse pegado um resfriado barra pesada. Ela estava distante também, em um estado de entorpecência que a desativara do mundo. Que a desligara dela mesma ao ponto de não temer um revólver no meio da testa.

 

Engraçado que pensar naquilo fez Halstead sentir que aquela noite terminaria com saldo negativo. Ainda estava agitado com o caso do dia, que fora leve, mas cheio de adrenalina. Porém, o bastante para começar a pensar em tragédia. Cada golada de cerveja era um meio de tentar afugentar o péssimo pressentimento que queria se sobressair em meio a sua confusão emocional. Não queria crer nos seus instintos, mas estava difícil ignorá-los.

 

Halstead girou a garrafa que sinalizava sua terceira. Engoliu, em seco, sentindo a concentração alcoólica inchar suas veias e enfraquecer seu sistema nervoso. Esfregou o rosto com uma mão impaciente enquanto a outra chamava o atendente para lhe servir uma nova dose. Se Erin estava na sua espiral emocional, ele se sentia incluso no pacote sem ser convidado.

 

Um súbito baque no banco ao lado denunciou que deixara de ficar sozinho. Apoiou os cotovelos no balcão e cruzou os dedos embaixo do queixo a fim de apoiar a cabeça. Posição ideal para espiar por cima do ombro para ver quem seria a pessoa corajosa a se sentar ao seu lado. Apurou um sorriso feminino, daqueles que realmente denunciavam um prazer imenso em vê-lo, sinalizando claramente a intenção de duas almas perdidas na noite, vamos conversar e ver no que dá.

 

A mulher parecia simpática, mas surgira em um dia em que Halstead estava com cara de poucos amigos. Amuado demais para reconhecer que a sua companhia – que agora pedia drinques para os dois – era bem atraente. Na verdade, ela parecia uma boneca de porcelana, branquíssima de cabelos bem escuros. O chamativo eram os olhos de ônix que o contemplavam enquanto um sorriso sapeca, destacado com um forte batom vermelho, se revelava sem um pingo de timidez.

 

– Você é policial, não é?

 

Uma pergunta óbvia já que o distintivo dele estava aparecendo no cinto. O que não deveria, pois  estava em um bar. Fora de serviço, o que berrava a  irresponsabilidade do seu ato.

 

– Você poderia ser mais criativa – afirmou, guardando o distintivo no bolso interno da jaqueta. Percebeu que tinha sido grosseiro, pois a mulher se retraiu com a pancada das suas palavras. – Desculpe. – As mãos dele se esticaram sobre o balcão. – Péssimo dia.

 

As pernas dela se cruzaram, impulsionando o giro do banco que os deixaram frente a frente. Ela manteve a postura ereta, ficando mais elegante. Halstead não podia negar, a jovem era assustadoramente bonita. Daquelas mulheres que deixavam qualquer homem em pânico. Sem palavras e sem reação.

 

– Thelma. – Ela se apresentou, erguendo uma mão enluvada. – Entendo perfeitamente de péssimos dias. O meu não foi tão legal assim e este é o único bar que vende cerveja a preço de banana.

 

– O que aconteceu? – perguntou Jay, tentando se fazer de interessado enquanto a cumprimentava. Ter alguém com quem conversar o distrairia e apressaria os ponteiros do relógio.

 

– Fui chutada do meu grupo de teatro, acusada de não ter o menor talento para a coisa. – Thelma suspirou enquanto dava tapinhas nos joelhos. – Isso significa que não terei grana no final do mês para pagar meu aluguel. Estou há dias tentando descolar um trabalho de garçonete, ou qualquer outro trabalho que não afete minha integridade, mas a competitividade de final de ano está demais.

 

Foi automático Halstead pensar no posto agora vago de Nadia. A Unidade precisava de uma secretária nova. Platt já estava de saco cheio de atender as ligações, pois a distraía dos afazeres que nem sabia quais eram.

 

Respirou fundo, afastando a culpa que sentira em tentar trazer algum resultado rápido para mudar o clima da Unidade. Praguejou mentalmente por ter cruzado aquela linha, pois não cabia a ele decidir absolutamente nada naquele quesito.

 

– Há outros restaurantes mais calmos que bares. Talvez, você consiga algum temporário. Natal está aí e Chicago consegue dar emprego até para quem não precisa dele.

 

– Falando assim até parece fácil.

 

– Acredite em mim: poderia ser pior se estivesse em Nova Iorque. Ali sim você choraria por um emprego, a não ser que você tenha formação em cirurgia plástica. Profissão do sucesso.

 

Era bom fazer alguém sorrir mesmo quando não se sentia inclinado a fazer o mesmo. O gesto pairou no ar rendendo uma timidez mútua. O curto momento de leveza o fez voltar a pensar em Lindsay, forçando-o a reassumir sua posição defensiva. Era uma tolice, pensou, se esforçando a ingerir o último gole da cerveja que a mulher lhe pagara.

 

Podia não ser aquele que se envolvia por se envolver, algo que seu irmão fazia sem pensar duas vezes. Queria ter esse talento, mas era daquele que se apaixonava primeiro. Por isso, às vezes, se esquecia de que conversar não arrancava pedaço – e podia levar para caminhos ainda mais interessantes que uma dormida de conchinha.

 

Quando ele estava prestes a se levantar, sentiu um papel relar em seus dedos. O que o encucou não foi o ato de Thelma, mas o olhar dela subitamente sem brilho.

 

– Caso encontre alguma coisa, poderia se lembrar de mim, sim?

 

Não havia malícia na voz dela. Realmente, Thelma parecia querer ajuda e Halstead acatou. Ele pegou o papel com gentileza, sem ao menos lê-lo, e o colocou no mesmo bolso em que estava seu distintivo. Em seguida, ofereceu seu melhor sorriso para uma mulher que parecia muito desolada.

 

Não teve tempo de prolongar a conversa porque seu celular começou a vibrar com o nome de Voight na tela.

 

O detetive só teve tempo de acenar um adeus para Thelma enquanto partia aos tropeços para fora do bar. Uma ligação do seu Sargento, a uma hora dessas, ciente de que ninguém estava de serviço, só podia ser uma catástrofe.

 

Halstead pigarreou várias vezes antes de atender. Tudo para afastar qualquer engrolar que denunciasse sua bebedeira. Não estava bêbado, bêbado, mas não estava 100% alerta. E nem deveria se sentir culpado, pensou, pressionando o botão verde. Não estava em serviço e Voight sabia disso.

 

Mas nada disso impedira o Sargento de solicitar seus serviços. Teria que partir meio alcoolizado ao encontro da equipe de Inteligência. Nem tivera tempo de relatar que não estava em boa forma, pois Voight simplesmente narrara o endereço e afirmara que ele deveria ir nem que fosse de pijama.

 

Entrou no carro e percebeu que tinha sentado no banco carona. Seu posto automático. Esfregou com força o dorso do nariz, se esforçando para não perder a paciência. Em segundos, revivera a última conversa honesta que tivera com Erin ali mesmo. Pensaram em ir à hamburgueria favorita de Nadia para celebrar a memória dela. Horas depois, chamara a parceira para ir ao Molly’s. Nada feito. Todas essas memórias se misturaram em sua mente já entorpecida confirmando o que não precisava de uma confirmação: Erin Lindsay tinha se tornado um vírus em sua vida.

 

Frustrado, se arrastou até o banco motorista e resmungou para si mesmo enquanto botava o cinto de segurança. Às vezes, Halstead ficava enraivecido com casos que surgiam na calada da noite. Não por preguiça ou por estar de saco cheio. Amava sua profissão mais que a si mesmo. Só não gostava de ser pego de surpresa. De baixa guarda, como naquele instante em que se vira forçado a dirigir como uma tartaruga. A neve até contribuiu para a velocidade baixa, bastava torcer para não ser abordado.

 

A freada brusca aconteceu diante da típica faixa amarela que sinalizava uma cena de crime. Reconheceu o local, mesmo com a visão um pouco turva, e pensou seriamente se aquilo não se tratava de uma pegadinha. Só teve certeza de que não era ao localizar uma ambulância e um carro da patrulha perto da escadaria que dava entrada ao Instituto de Arte mais famoso de Chicago.

 

Subiu as escadas, palpando os bolsos para ter certeza de que tinha tudo que precisava, inclusive o revólver  – que tivera o bom senso de deixar no carro antes de entrar no bar. Apurou os arredores em busca de qualquer sinal de Voight, mas acabou vendo Ruzek, que se apressou a se juntar a ele.

 

– Mulher, por volta de 25 anos. Foi exposta no corredor principal do museu, como uma boneca, e com o que já entendemos ser uma espécie de assinatura.

 

Halstead olhou para o céu sem estrelas ao ouvir o breve reporte de Ruzek. Mulher. De novo. Sua mente voltou automaticamente ao que tinha acontecido com Nadia.

 

– Que assinatura seria essa?

 

Ruzek estava muito pálido, percebeu. E alarmado.

 

– A boca foi cortada de orelha a orelha.

 

Os dois marcharam com energia para dentro do museu. Lá estava o resto da equipe de Inteligência, fazendo notas ao mesmo tempo que perambulavam pela cena oficial do crime. Burgess tinha a mão na boca e seus dedos tensos apertavam os lábios com força. Olinsky estava agachado, analisando o cadáver estirado como uma estrela. Nenhum sinal de Voight.

 

De onde estava, Halstead achou tudo muito Código Da Vinci, com a diferença de que aquela situação lembrava de um caso que um dia foi frisson na mídia americana.

 

– Dália negra. – Halstead deu voz aos seus pensamentos. Sua afirmação atraiu Burgess, que anuiu automaticamente, como se também tivesse somado um mais um. – A diferença é que o corpo não foi clinicamente desmembrado para exposição. E a mulher está vestida.

 

Vestida como uma boneca.

 

– Um trabalho macabramente artístico. – Dawson surgiu batendo a caneta no seu bloco de notas. Outro que estava horrorizado com o que via. – Seja lá quem fez isso, fez com a intenção de criar um espetáculo. Vejam, é nessa linha que fica os quadros mais preciosos do museu, como de Van Gogh. Crime ensaiado desde as luzes até a posição do corpo. O tempo mortis é de duas horas.

 

– Quem a encontrou?

 

– O zelador.

 

Suspeito número 1. Como manda as regras.

 

– Alguém o interrogou?

 

– Voight está com ele. E ninguém quer se meter.

 

As reticências na afirmação de Antonio indicavam mais uma vez aquela que ainda estava presente em seu pensamento. Respirou aliviado por Erin não ter que ver uma cena daquelas.

 

Todos emudeceram com a chegada dos paramédicos. Brett tomou a frente, afastando as pétalas que traçavam um círculo. Logo em seguida, um lençol branco dançou no ar como um fantasma até cobrir a mulher em uma dramatização assombrosamente perfeita. Uma mulher sem identificação e que, com certeza, não parecia ter sido escolhida aleatoriamente.

 

Halstead pensou até que aqueles casos pareciam predestinados para a Unidade que outrora lidava em tempo integral com tráfico, gangues e grandes furtos. Parecia que aquele era mais um caso que precisaria de reforços e só de imaginar Benson envolvida de novo, sentiu um calafrio na espinha.

 

Sentiu a ânsia dominá-lo e correu para fora do Instituto. Vomitou nos pés, a cabeça girando a mil por hora. Ergueu-se com dois tapinhas em seus ombros e viu Voight. Motivo que o faria se ajeitar prontamente, mas já estava tão na merda que simplesmente limpou a boca e o encarou.

 

Voight não sorria – como se isso fosse uma novidade; mas seus olhos estavam contraídos. O queixo trincado denunciava que aquele caso tinha saltado para o lado pessoal sem ao menos saber do que se tratava. Assim como Halstead, era claro que o Sargento via na vítima a sombra de Nadia.

 

– Vá se recompor, filho – pediu Voight, colocando as mãos nos bolsos. – Não lidarei com pontas fracas em mais uma investigação. Não de novo.

 

Halstead capturou a mensagem e pensou no quanto Voight conseguia ser injusto de vez em quando. Nunca soube se seu chefe falava certas coisas só para pirraçá-lo – o que era mais evidente – ou porque gostava de ser desagradável. Só não abriu uma discussão porque o Sargento tinha razão. Tinha que ir pra casa, mesmo que não pregasse os olhos.

 

Aquela mulher, estirada no saguão do museu, penetrara em sua mente como um novo fantasma.

 

Só que com o rosto de Nadia.

 


 

N/A: quem me deu a ideia desse caso foi minha irmã. Se vocês se interessarem, o nome é Dália Negra mesmo e não foi resolvido até hoje. No contexto da fic, darei uma bela de uma suavizada e mudarei algumas coisas (e já mudei, como trajar as mulheres de boneca). A intenção mesmo é encaixar rainha Benson – programação de 5 capítulos depois deste hahaahha. No próximo capítulo tem Erin da depressão.

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