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08/jan

Juro para vocês que não dava nada para a primeira parte deste crossover, considerando o claro descaso que Fire tem aguentado desde a S3 – algo que só melhorou recentemente. As chances de me decepcionar com este ponto de partida eram altíssimas e sentei para ver preparada para sangrar os dedos neste presente momento. Muito bem, não estou sangrando e não achei ruim.

 

Como os 9 episódios anteriores, parece que os escritores realmente querem recuperar a essência dessa série e o papel dela nos crossovers. Afinal, Fire costumava contribuir mais bravamente com doses de estresse, de dramatização e, acima de tudo, de interseção dos personagens independente do ramo que atuam. Esse combo foi retomado neste ponto de partida e só restou sofrer demais.

 

O crossover marcou o retorno de Boden e de Severide as suas respectivas funções. Claro que o dia não seria feliz, não quando é Dawson quem encontra o seu mentor tombado desde 2015 nos fundos do Molly’s. Fire pode sair do hospital, mas o hospital nunca sai de Fire, e lá estava essa turma duelando com impressões não tão distintas com relação ao que Freddie provocou.

 

Severide pode ter sido porta-voz de uma treta que não aconteceu, mas todo mundo queria Freddie pelo colarinho. Só coube ao Cruz tomar as rédeas da situação para fazer isso acontecer. O bombeiro conquistou o direito de finalizar a história que lhe foi dada sem auxílio de ninguém e estou feliz por ela ter feito jus ao seu background na série. Isso o fez conflitar mais verdadeiramente com um dos piores sentimentos do mundo: culpa. A pressão de amenizar o que Freddie fizera se embrenhou na trama e cada revés gerou um debate de fibra moral.

 

Uma discussão pessoal realçada a cada recaída de Herrmann e de cada chamado – que casaram certinho com a trama.

 

Freddie fez parte de um chamado para apimentar mais as coisas. Independente de ser merecido ou não, o salvamento foi lindo, Cruz arrasou no discurso, e foi agonizante acompanhá-lo sem esperar que alguém caísse. Penso que seria clichê demais se o meliante da vez morresse no final das contas. O bombeiro sofreria a vida toda.

 

Enquanto Cruz trouxe a tensão, Herrmann foi a dramatização. Além de ser o coração do Batalhão, ele honrou seu papel de homem das palavras. O elogio sobre o que Cruz fez em auxílio a um adolescente na criminalidade foi de uma preciosidade sem tamanho e concordei completamente. Há quem nos ajude, mas a responsabilidade do que acontece está em nossas mãos. Esse foi Freddie, um norte de história que precisa retornar com força total para Fire e para P.D., pois tira os personagens da bolha do mais do mesmo e dá mais vida a qualquer trama.

 

O importante dessa conversa vem do verbo compensar, um sentimento que surge entre o estresse e a apreensão ao estarmos em uma situação desastrosa, querendo um conserto imediato. Esse foi Cruz durante o episódio, não deixando a faísca que deu aval a essa primeira parte do crossover morrer. Uma faísca muito bem conduzida e que não foi em nenhum momento esquecida. Isso contribuiu para a qualidade do episódio já que, pensando no último #OneChicago, o gancho de Fire apareceu nos minutos finais (e esperava que Herrmann fosse descoberto nesse mesmo esquema, juro, ainda mais quando paro para pensar a trollagem da gravidez da Gabby).

 

Med em: quem é você em Chicago?

 

O interessante mesmo desse início de crossover é que, ao contrário do 1º ao lado de CPD, os bombeiros e os médicos não se conheciam. Salvo April que foi introduzida na vida de Severide e teve uma storyline. Porém, sofri com vários momentos de estranheza, juro, especialmente da parte de Med.

 

A expressão da inveja

 

Se olharmos bem, as finalizações no Molly’s oferecem aquela sensação de interação entre as 3 séries, mas é engana trouxa. Ok que o ritmo temporal das Chicagos sempre será algo inexplicável, de uma hora para a outra todo mundo já fez pacto de sangue, mas Med conseguiu ser a estranha em Fire – algo que não foi possível captar quando P.D. encontrou Fire. Até Voight por mais detestado que fosse na época enriqueceu os conflitos entre os Tenentes enquanto Rhodes pareceu um peixe fora d’água – e fiquei morta de dó das tiradas de Severide para cima dele.

 

Essa impressão ganhou respaldo com o comentário lindo da April, toda boba com a união dos bombeiros fielmente no plantão pelo Herrmann. E, claro, na sequência de patadas de Severide e de voadoras de Dawson. Basicamente, os personagens destacados em Fire falou para os destacados em Med que eles sentaram na janelinha e estão longe de compreender como essa família funciona. Algo muito galera do 3º ano do ensino médio querendo apavorar a galera do 1º ano. Só bullying!

 

E isso foi esquisito, porque Med foi apresentada em Fire. A diferença é que houve vários desfalques que, com certeza, mudaram toda a cara da série médica depois do piloto backdoor. Embora houvesse uma boa quantidade de jalecos em cena, todo mundo do 51º saiu dali sem dar a entender que conhece a nova família. Desprazeres iniciais sempre rolam, vide Severide e Rhodes, também não esperava beijinho e churrasco na laje. Contudo, foi muito fácil captar que pecaram na introdução desses personagens na vida de Fire. Com P.D. foi suave, porque, male male, a estruturação da equipe de Inteligência foi perfeitamente intencionada desde o início.

 

Posso culpar o cronograma, a troca de showrunners e de escritores, o desfalque no elenco, a NBC, pois esse contato inicial não se comparou em nada ao que foi visto na companhia da turma de Voight. Nem me atrevo a dizer que isso é 100% ruim, pois Med só tem 5 episódios. Não tiro os méritos dos médicos que, apesar do pouco contato, deram conta do recado. Há talentos no elenco, então, era praticamente impossível ter péssima atuação. Já faço minhas orações para o futuro!

 

E fora da bolha do caso…

 

Platt dando voadora no pedido do Mouch = eu mesma. Mas depois chorei que nem uma tonta e já vejo os dois se casando bem estilo anos 80 (Grease?).

 

E quem precisa da Chili? Não queria comentar nada sobre ela, mas vou escrever aqui o que li em um comentário sobre esse comportamento: tem que ser por algo muito monstruoso. Às vezes, acho que os escritores esquecem de determinados acontecimentos, porque, não sei vocês, essa moça me deixou absurdamente ofendida pela forma como recebeu o ocorrido com Herrmann. Muito “ah, que se dane, ninguém liga para os meus problemas porque ligarei para o dos outros?”. É a cara dela!

 

Seja lá o que está rolando, tem que ser muito especial de impactante para ela subitamente ter se esquecido de que quando chegou ao Batalhão, foi o cara esfaqueado quem lhe deu a mão. Sim, há egoístas e centralizadores no mundo, mas a chance de simpatizar com Chili morreu aqui. Principalmente porque esse mistério todo está mais irritante que interessante.

 

Concluindo

 

Neste novo crossover,Fire tem nota dez no quesito participação, engajamento, chamados pertinentes (milagre, gente!) e deixou um gancho bacana para ser trabalhado em Med/P.D.. Este ponto de partida foi muito perfeitinho e sinto até orgulho do cuidado que essa turma voltou a receber dos escritores (em partes, eu sei, porque tem certas zoeiras que olhem…).

 

Agora, sigam a resenha de Med para o desabafo continuar (e como diz Voight, se equipem).

Stefs
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