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08/jan

Não é novidade para ninguém que pertenço ao grupo de pessoas que amam Voight desde Fire, o que me faz a diferentona, exclusiva, real criadora das Chicagos, dona do Distrito, e obviamente que chego aqui com o coração na ponta dos pés e com a língua grudada no céu da boca. Não há muito o que dizer, pois quando esse personagem é centralizado, o sucesso no quesito storyline é garantido. Só não posso afirmar o mesmo no quesito ação, porque faltou. Demais da conta.

 

A continuação do crossover encontrou um pouco da força que se perdeu em Med graças ao apelo emocional que deixou alguns ânimos à flor da pele. Só. O papo de médico matando pacientes por meio de overdoses de quimioterapia não foi tão atraente na prática e só engatou conflito pessoal. Detalhe meio que avisado pelos spoilers, claro, mas, sinceramente, volto a repetir que faltou ação.Não só isso, como mais trabalho de campo. Quando você une 3 séries, é esperado um mind-blowing, o que não aconteceu. A não ser uma choradeira sem fim, porque Voight verdadeiramente emocionou. O foco em Camille foi lindo de doer o coração, mas isolou P.D. de todo o resto.

 

A trama engatou o dilema de Jessica, o gancho de Fire que permitiu Natalie dar as caras, mas quem acabou representando Med foi Charles de novo. A continuação terminou de desmembrar o padrão esboçado no hospital, dando nome a um médico em uma discussão prática, cujo X da questão desse fim de crossover foi acusar Reybold por fraude ou por homicídio ou pelos dois. Um esclarecimento que só coube ao Voight nortear. Um bom trabalho, apesar dos pesares.

 

Mesmo que o roteiro não tenha ido por esse caminho, aqui tivemos um caso de feminicídio puro, acarretado por um homem que se achava o Deus da medicina. Algo que me fez lembrar da última conversa sensata entre Rhodes e Halstead, sobre querer salvar o que não é mais possível salvar – e tenho em mente que esses dois deveriam ter marcado presença justamente por causa dessa treta.No caso de Reybold, não havia o senso de dever em querer manter uma pessoa viva, mas o desejo de acumular goodies. Ele não queria ser lembrado apenas como “alguém que curou um câncer”, mas o diferentão da medicina. Mais uma vez, foi tudo uma questão de ego. Penso que a diferença aqui é que o cara estava tão crente da própria mudança ao ponto de ser impossível capturar perigo.

 

O que me deixou arrasada foi o relato das mulheres vitimizadas e a conclusão de Charles sobre essas vítimas serem das minorias, sem acesso ao sistema de saúde, perdidas e desesperadas, suscetíveis a serem conduzidas a qualquer caminho de suposta salvação. O diferente do “vilão” da vez é que tudo foi entregue no colo do time de Inteligência, com um Q de SVU, faltando apenas as testemunhas falarem. Uma tocada para escanteio que serviu para destacar Voight.

 

Não só isso, como reaproximar Erin e ele. Dá uma coceirinha no coração quando esses dois estão juntos e revivem momentos do passado que só ficam na nossa imaginação. Foi muito bom ouvir uma nova parte da experiência da detetive sob o teto dos Voight, embora essa ausência de Bunny para fazer um escarcéu na vida desses dois ainda muito me incomode. Lindsay me representou, toda protetora e preocupada. Eu mesma se fosse a pessoa a segurar o Sargento.

 

O “tal outro lado” de Voight era uma incógnita, o moto deste episódio, e, honestamente, não vi nada de diferente. Ele sempre foi muito esclarecido sobre amar/devotar Camille. Inclusive, desde que P.D. começou, sempre foi muito fácil captar que o luto o assombrava. Talvez, destacaria o autocontrole do personagem, pois esperei ansiosamente um show no julgamento. Ou um show de gaiola.Momentos que foram propícios para o Sargento sair do distintivo, algo que não aconteceu e só tenho a elogiar a compostura decidida apoiada em uma jogada engenhosa para atrair as testemunhas propositalmente descartadas. Esse seria um “outro lado”, pois de controlado Voight não tem nada.

 

Outra coisa que posso destacar foi a nostalgia de Camille que gerou compaixão por Voight (investida do sucesso). Gostei muito da maneira como exploraram a memória dela, a caixinha de fotos foi minha morte. Uma empreitada que pode ser muito bem usada no futuro para nos dar mais sobre o passado dos outros membros da equipe. Afinal, qual foi a última vez que cada um teve o background esparramado na trama de um jeito absurdamente interessante? Amarrar o antes com um caso sempre foi uma jogada efetiva em P.D. e não sei porque pararam de investir nisso.

 

O golpe baixo do episódio veio da filmagem que concluiu o crossover. Lindo demais, uma deixa que tornou Voight o novo Snape, abrindo a choradeira dos haters por se revelar “não-tão-monstruoso-assim” e já tô vendo as faixas dizendo “você confiava no Voight?”… “Always”.

 

Hora do colete à prova balas

 

Tudo lindo e emocionante, mas a conclusão não parecia parte de um crossover. Med já tinha meio que deixado essa impressão, não queria cair nessa, mas caí de cabeça. O roteiro das 3 partes foi muito bem conduzido, não tenho do que reclamar, mas enquanto Fire me deixou com o coração quente com relação ao início do desenvolvimento dessa trama, P.D. me endureceu. Os demais membros da Unidade de Inteligência ficaram de lado, bem como os de Med e de Fire. Soltaram tudo na mão de Voight, um caso que já no começo denunciou que não seria complexo, só pessoal.

 

E quando se tem crossover, tem que ser caso de todo mundo, certo?

 

Por mais que ame Voight, o esquecimento de Herrmann me fez chorar sangue. Assim, o bombeiro foi esfaqueado só para segurar a dramatização em Fire/Med, sem direito a ganhar uma visita das Chicagos em peso nos minutos finais? Um descaso que me fez lembrar dolorosamente da gravidez de Gabby, que só serviu para dar angústia e terminar com a mesma facilidade com que começou.

 

Severide quase mandou prender todo mundo à toa? Rhodes, Manning, Halstead zanzaram, mas ajudaram, e não tiveram o direito de dar as caras como se deve em P.D.? Sim, há limitações, o elenco é enorme e formado por bombeiros, médicos e policiais, mas faltou interseção de personagens nesse crossover. Todos que ganharam destaque pareciam em atos de teatro, em que um aparecia, dava oi, e sumia. Só avisar que Herrmann estava bem não bastou não.Por mais que tenha amado o vídeo caseiro do Voight, amaria mais ver todos (todos mesmo, até Patterson se reclamarem muito) os personagens prestando uma visita ao Herrmann para transmitir a ideia de família. Para dar um pouco mais de embasamento sobre o comentário da April de times fortemente unidos, já que Med ainda é uma série recente. Faltou lição de casa sobre união.

 

E, gente, sei que Casey falou em Fire, mas tenho a sensação de que ele não falou nada. E aí? E, outra, Ruzek parecia outro personagem e simplesmente foi apagado. Oi? E o que foi a Burgess zanzando com a Platt? Cadê o comentário do pedido de noivado do Mouch e o reacender da competição que a Sargento jogou para cima da policial sobre quem casa primeiro?

 

A presença de Charles fortaleceu ainda mais essa impressão de que P.D. não fazia parte do crossover. Ele apareceu como freela, igual aos encontros com Erin. E-cadê-Fire? Certeza que um sofá teria mais storyline (mas não perco a chance da cutucada).No fim, este episódio pertence ao bloco do eu sozinho. Foi ótimo pelo Voight e todo o peso emocional da situação. A intenção da trama foi maravilhosa, tocou bastante e acarretou um pouco de aflição devido à espera do momento de Hank explodir. Contudo, complexidade baixa e preferência escancarada.

 

O tiro final

 

Só acho que aquelas duas horas dadas a P.D., equivalentes a dois episódios com vários nada, deveriam ser usadas aqui. Se a NBC me cede duas horas para uma série, bater o pezinho para o mesmo acontecer com um crossover não parece tão difícil (que custa jogar uma série X pra outra semana? Não mudam estratégias de marketing por menos?). Tendo todos no mesmo horário, um especialzão chamado propriamente de #OneChicago, é quase certo que essa impressão de distanciamento feat. preferência morrerá. Inclusive, deixaria a trama mais fechada, sem necessidade de subplot tapa-buraco que, dependendo dos casos, afeta o ritmo da história.

 

Essa versão #OneChicago tem uma ótima avaliação se vermos os episódios individualmente, mas pecou justamente na artéria: a família de Chicago. Sentimento que começou e ficou em Fire. Faltou a sensação de mexeu com você, mexeu comigo, um ponto de partida muito mais ideal, especialmente para ajustar Med no meio disso. Antes de saber o que realmente aconteceria, pensei que seria algo em torno da gangue que Freddie pertencia. Não foi, e mesmo assim faltou trabalho em grupo.Penso que esse esquema já virou superestimado e os escritores acham que basta ter desfile de personagem que já é crossover. Ou deixar aquela sensação de “continua”. Sério, poderia ser absurdo, mas gostei demais de ver a Inteligência montada em Med, mas de que adiantou se nenhum dos médicos deram as caras? Só a Natalie, mas o que ela fez além de anunciar morte?

 

De novo, sei que há limitações, pois realmente não dá para dar diálogo e ação para todos os personagens. São muitos! Mas ainda acredito que a essa altura do campeonato, compensaria mais fazer um episódio de 1h30 com as 3 séries juntas, anulando essa fragmentação que não está mais funcionando.

 

Encerro aqui com a minha frase predileta: sou fã, mas não sou trouxa.

Stefs
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