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20/fev

Concordo plenamente com o que a Erin disse sobre a motivação de Ames: o amor. Esse sentimento tira ou traz o melhor das pessoas, seja ele recíproco ou não. Inclusive, se vier de um ponto de ingenuidade, que muitas vezes rima com não se sentir amado ou se sentir solitário, o efeito rebote pode ser insustentável e a ferida dada pela decepção pode ser permanente. Sem cicatrização.

 

Tema que açoitou um professor universitário, dono de um baita currículo e parte de uma família nem um pouco problemática. A esposa praticamente o sustentava – o que não é um escândalo – e a filha era uma boa moça – que provou que o amava mesmo com todas as falhas. A curva estreita aconteceu quando esse homem foi iludido por aquele que iluminou sua vida em preto e branco. Aquele que o fez acreditar que faria o bem e que o impulsionou a uma emboscada fatal.

 

Ser uma mula de drogas nunca fez parte da rotina de Ames e o que transcorreu a partir daí foi o que chamamos de sacrifícios por amor. Nem sempre isso é bonito porque, como disse Lindsay, esse sentimento leva qualquer um à loucura. Uma loucura de diversos níveis e que pode criar assassinos.

 

Honestamente, é difícil julgar Ames, mesmo sendo claro que ele foi errado em aceitar a proposta de Peter. Em acreditar sem ao menos checar – outro ponto que intensifica o quanto o personagem estava apaixonado. Afinal, ele é do campo das ideias e averiguar é praticamente um modo de operação pessoal. Ao menos, deveria, principalmente quando se atua na área social.

 

Esse homem ficou cego porque Peter o preencheu, tapou um buraco, e abrir mão disso seria o mesmo que retomar a busca representada por cartas enviadas a outros presidiários. Uma vez correspondido, não há com o que se preocupar, a não ser que você esteja prestes a perder a pessoa que ama.

 

Foi nesse clima que Ames disse todos os sim. Ele não queria perder a pessoa amada, fez o que considerou correto e terminou na cadeia.

 

CPD-3x15---Ames

A trama deste episódio de Chicago P.D. foi mais sobre quem quebra quem depois de uma decepção amorosa. No mais detalhado, encontrar forças para meio que dar o troco para não afundar de vez. O personagem em questão não era suspeito de nada, só tinha um segredo sórdido que tinha receio de assumir. Quando rolou o sequestro da filha, achei que o professor não se esforçaria por causa da reputação e fiquei aliviada por uma nuance de juízo ter se apresentado. O coração de Ames foi partido em mil pedacinhos e só lhe restou devolver o que sentia ao cutucar o ponto fraco de Peter. Algo que imagino que não rolaria se Pearl não tivesse sido raptada.

 

Claro que para o meliante a dor não seria a mesma, pois aquele que se apaixonou amargurará por 10 anos no xadrez, pensando no que fez de errado e/ou porque foi tão tolo. Atrelado a esses sentimentos, ainda houve espaço para a humilhação. O amor também acarreta isso, em que um se minimiza pelo outro e só uma parte é afetada no final do dia – ou da relação. Peter jogou maldosamente com um coração ingênuo, com uma pessoa que queria se sentir viva de novo.

 

Uma teia que abocanhou um professor que nunca foi traficante e que não tinha ficha criminal. Além disso, que claramente apreciava a profissão e a família, mesmo estando infeliz. Ele só errou em se apaixonar. Se é que podemos chamar de erro, pois não escolhemos a pessoa e o momento para isso acontecer. É natural. Por isso, fiquei bastante comovida com a situação por justamente tê-la relacionado ao que Ames sentia por Peter. Várias aparências enganam e este foi o caso, onde um encontrou o meio para suprimir sua solidão numa curva bastante perigosa e o outro estava 100% nem aí.

 

O amor tem um jeito estranho de libertar ou de criar reféns, e o professor se entregou a um sentimento que provavelmente não encontrava mais nos braços da esposa. Decisão que também não vem de uma escolha de deixar de amar hoje, amanhã ou depois. É imprevisível tão quanto se apaixonar. A única coisa real é que a escolha errada norteia a outras e só restou ao Ames pagar pelas consequências. A reunião com a filha foi comovente, mas não tanto quanto a realidade de se esforçar por outra pessoa e não receber uma nota de reciprocidade.

 

#LingessLikeAGirl

 

CPD-3x15---Lingess

Cês não fazem ideia do quanto estava ansiosa para ver Lingess em cena. Primeiro: amo as Chicagos, de verdade, mas sinto muito a falta de parceria feminina. Assim, do nível Shay e Gabby que compartilhavam praticamente tudo, tanto dentro quanto fora do trabalho (#sdds). Segundo: porque há poucas personagens em cena e fazem questão de mantê-las distantes – ou de matá-las. Terceiro: por mais que ame os homens e queira casar com todos, não são eles que me representam.

 

O tiro certo foi dado quando os olhinhos de Burgess brilharam diante do convite de participar da investigação que começou, tendo Lindsay como parceira. Confesso que esperava algo mais perigoso para ambas, que as fizessem correr desesperadamente, mas seria exigir muito para uma junção que aconteceu pela primeira vez. Gostei muito da dupla (como não gostar?), certeza que Marina e Sophia fizeram laboratório juntas para as personagens funcionarem em cena – o que também justifica todas as fotos no Instagram. Nem parecia que essas lindas nunca trabalharam juntas graças a tamanha sincronia. Foi uma experiência muito linda.

 

Lindsay estava turbinada com discursos empoderadores para cima de Burgess, que ainda sente o fim do noivado ao ponto de se preocupar com uma escova de dentes. A policial acredita que todos os erros do universo residem em suas mãos e lá vai ela tentar remediá-los.

 

A quebra dessa preocupação veio de uma sapeca Erin que arrasou nos diálogos, transmitindo a impressão de que estava com a alma muito mais leve. Espero que os choquinhos verbais ajude Kim nesse processo de remendar o coração ao mesmo tempo que a detetive encontre um porto seguro em forma de amiga.

 

Por causa dessa parceria, quero lhes dizer que este episódio me fez sentir em casa. Sabe, chegar no apartamento de uma amiga e ficar lá, só ouvindo o que ela tem a dizer? Ambas conversando sobre amor e relacionamentos enquanto investigavam vários perímetros foi uma preciosidade.

 

E o que dizer da escova de dentes que lacrou o final do episódio? Sério, gente, chorei como se fosse um pedido de casamento. Sororidade e empoderamento é isso mesmo e não tem como minha pessoa não ficar comovida com pequenos atos positivos entre mulheres. Con-ti-nu-em!

 

Até porque falta nas Chicagos essa de uma mulher ajudando a outra, uma falha tremenda considerando que o público das séries é quase 100% feminino (se não for!). Uma conquista que se dá pelo elenco masculino maravilhoso + a formação de casais. Mas de que adianta agradar com homens e romances, sendo que as mulheres ficam nas sombras ou dependentes dos crush?

 

Sim, estou feliz, mas precisam parar de ver parceria feminina apenas como “parte de uma boa semana em Chicago (#indiretas)”. Porém, o primeiro passo foi dado e estou satisfeita. Foi uma ótima experiência, mas tem que cobrar essa turma porque é “difícil” destacar mulher em gêneros “destinados” para o protagonismo masculino – ser bombeiro e policial = 10 homens para 1 mulher. Dawson não se tornou bombeira para aguentar esse tipo de fragmentação, please (e ela é outra que simplesmente abandonaram)!

 

E acho que nem preciso comentar a cena final com as migas de Fire e de Med. Quando vi a foto, tive uma pequena falha no meu sistema nervoso e ouvi-las foi pedir para ser tombada. Só faltou Dawson, verdade seja dita, nem que fosse uma pontinha para ajudar na rehab emocional de Burgess.

 

Esse girl power foi muito maravilhoso. Embora Ames tenha segurado as pontas, as interações Lingess foram as melhores coisas deste episódio e um belo lembrete do quanto falta girl talk em Chicago P.D..

 

A crise também chegou no Distrito

 

CPD-3x15---Halstead

A começar por Halstead, cuja animação de Mouse o levou para uma empresa que vende maconha medicinal. E que nos levou até Brianna – que me fez recordar a adolescência com Buffy. Até que enfim esse detetive terá uma história fora da UI para contar e, de quebra, parece que mais alguns teasers serão dados sobre a carreira dele no exército. Precisam, pois não aguento mais a introdução de onde ele foi, para que veio e como tudo ficou. Quero mais detalhes!

 

Roman também quer grana extra. Nunca cansarei de dizer o quanto esse personagem é sensacional. As tiradas dele silenciaram Platt várias vezes e gargalhei que nem uma condenada. Péssimo dia para ser Trudy Platt, porém, claro que ela teria a última palavra. Ri à beça do treinamento, maior tapa buraco do universo, mas de uma forma boa por não ter atrapalhado os desdobramentos do caso Ames.

 

Finalizando

 

Repetindo o mantra: P.D. voltou a ser P.D., e só tenho amado os episódios a partir do 3×12. Muito mais a minha cara, pois não é segredo que amo a galera pisando na jaca em conjunto. Lá no fundinho do meu peito, botaria este em um potinho com o rótulo especial. Porque foi. Mexeu com vários sentimentos, embora a resolução de Peter não tenha feito jus às perdas – a criança, gente, como lidar com esse tipo de coisa?. Até Voight pareceu ser o bom Voight, o imperdoável, o dono da gaiola, aquele que não gosta nem um pouco quando um crime envolve pequenos inocentes.

 

Vamos lembrar que Voight é vovô. Mexer com crianças, not cool!

 

Os conflitos da semana foram até que bem sossegados, por assim dizer, deixando nas entrelinhas o gosto de Dia dos Namorados americano que aconteceu no final de semana passado. Foi uma trama trabalhosa, que exigiu uma reconstrução inversa, algo que nunca é fácil. Houve a complexidade do caso, mas, no fim, o intuito foi mostrar o que o amor faz com as pessoas. Quebrar ou não quebrar alguém que se ama muito ou simplesmente deixá-la ir.

Stefs
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