Menu:
16/fev

Obrigada @Deus por este retorno de How To Get Away With Murder. Ninguém sabe a falta que senti dessa tarefa de prestigiar rainha Viola Davis todas as quintas na pele da dual Annalise Keating. Neste presente momento, pareço uma criança saltitante que ganhou um presente fora de época, verdade seja dita. Pena que serão poucos episódios daqui por diante, mas a turma está de novo entre nós e com uma nova leva de pontas soltas, aka perguntas torturantes, e uma alucinada protagonista.

 

O objetivo da trama foi acalmar os ânimos, enterrar Catherine, dar um parecer dos personagens, retomar a rotina e mostrar como a protagonista estava depois dos eventos na mansão Hapstall. Um clima de resolução aos acontecimentos do mid-season finale que encontrou respaldo no futuro já presente graças aos detalhes que não foram inseridos no 2×09 e/ou não mostrados. Além disso, o episódio ainda foi eficiente em sinalizar o impacto de mais uma decisão final de Keating e em destacar o quanto Wes agora tem influência praticamente completa na vida dela.

 

Tive que fazer uma pausa para pensar sobre o que aconteceu neste episódio. Ele foi completamente diferente da proposta típica da série que costuma investir forte no mistério e nos casos a serem resolvidos. Principalmente em época de estreia/retorno para fisgar e não deixar ninguém escapar por ser o combo do sucesso e que, de quebra, nos relembra o quanto a protagonista é corrupta e o quanto suas decisões impactam a panelinha – e quem tiver o azar de cruzar o seu caminho. Estou baqueada porque Annalise chegou a um ponto de sensibilidade nada prevista.

 

HTGAWM-2x10---Annalise

Como de praxe, Viola nos agraciou com uma faceta ainda não explorada da sua personagem e claro que foi sensacional. Os momentos particulares de loucura da advogada me deixaram no chão, absurdamente convincentes por causa do forte apelo emocional – e histérico – com relação a um bebê que não existia no presente. É muito comum ver Annalise na derrota, sem maquiagem, de pijama e mandando ver nas guloseimas, mas agora é diferente. Não é sobre a traição do marido, um caso que deu errado, remorso pelo Nate ou porque perdeu o controle de algo ou alguém.

 

Wes colocou Annalise Keating contra Annalise Keating.

 

Quando Bonnie revela que não havia bebê, senti meu coração sangrar, pois jamais imaginaria que a brincadeira na mansão Hapstall atingiria a sanidade de Annalise. Afinal, ela sempre provoca e depois aparece tão fingida, tão destemida e tão ciente do momento em que se pode curtir o sofrimento para depois voltar a destruir vidas. Vê-la desprotegida, desorientada e alucinando com algo que diz muito do seu passado foi a coisa mais estranha do universo por estar acostumada com a versão irredutível e vencedora. Keating não lembrava em nada da mulher que bolou uma cena de crime nos mínimos detalhes para que Asher não tivesse que responder pela morte de Sinclair.

 

O retorno de Murder veio com essa de proteger Annalise, sendo que, amém, há um pouco de luz em sua mente. Mesmo na dor, a personagem sabe priorizar sem sucumbir, outro detalhe que a faz dona do mundo. Esperei pelo bote no julgamento e tremi quando ela começou a ficar confusa. Aguardei nhaca, com certeza, e a confissão nas entrelinhas, por míseros segundos, foi para matar qualquer um do coração. A reviravolta foi sutil, como todas deste episódio que respeitaram o humor da protagonista. Pelo visto, a advogada passará pela batalha mais dura que é conflitar consigo mesma, buscar recuperação e tentar ser como era antes – algo impossível levando em conta que Wes a apavora e foi a razão de tê-la quase feito falar bobagem diante do júri.

 

Considerando os desdobramentos deste episódio, a intenção é fazê-la combater a si mesma para recobrar a sanidade. Sem isso, ela não pode exercer a profissão, algo que Bonnie deixou muito claro ao protegê-la e tentar mantê-la longe do julgamento de Catherine. Porém, mesmo debilitada, ela mostrou que ainda tem força e que tem noção das cartas do jogo. Virar a roleta para Philip foi uma maneira pertinente de centralizá-lo na trama, pois alguém se faz necessário para dizer as verdades que ninguém sabe sobre os Hapstall e para se tornar uma ameaça para o grupo.

 

Duvido muito que ele não tenha dado uma espiadinha naquela noite antes de vazar. Sei não…

 

Agora, Annalise está presa a um inimigo que acredito ser o pior na vida de qualquer pessoa: a mente. Diante de um evento absurdamente traumático, não há como contornar o que começa a se desenrolar na cabeça, fatos reais. Por mais que tenha colhido o que plantou, ela não esperava que Wes realmente quisesse matá-la. Nem muito menos reconhecer dentro de si que queria morrer tendo em vista os desdobramentos antes do tiro. Duas verdades que a personagem não estava pronta para engolir, uma regra quebrada já que sempre a vimos preparada para dar a volta por cima com honrarias. Dessa vez, Keating perdeu e muito feio.

 

E está perto de se perder de si mesma, o ponto de tensão da trama e que moveu Bonnie para poupar sua mentora de pagar algum micão. Foi aí que o episódio mostrou seu amparo psicológico, descartando qualquer nova onda de adrenalina que tirasse Annalise do casulo. A treta agora é interna e só os fortes conseguirão compreender como uma mulher anteriormente muito bem estruturada começa a padecer presa a um passado que não está a fim de esclarecer.

 

Sem dúvidas, a transição da advogada para a vida real foi intensa e intrigante. Um presente para uma pessoa que sempre se recusou quebrar. E quebrou, nas mãos do seu favorito.

 

Agora é a vez do passado

 

HTGAWM-2x10---Annalise-e-Rose

Wes abriu uma janela mental que Annalise não está pronta para lidar, o impacto que assentou o novo percurso da trama que virá do passado e não do futuro, substituindo as reviravoltas carpadas. Pelo visto, o intuito dos próximos episódios é não arredar a atenção da advogada, pois os casos que geram cenas de crime atiram para todos os lados e exige foco compartilhado.

 

Annalise ainda tem muitas contas a prestar com Wes. Quando vi a promo, que denunciou a presença do bebê, pensei que não passava de um flashback ou de uma mentirinha proposital para mostrar uma personagem completamente diferente da que estamos acostumados. Sim, esperava vê-la toda maquiada, mesmo na derrota, entrando naquele tribunal like a boss. Feliz ou infelizmente, não havia lágrimas de crocodilo para debochar, nem menear negativo de cabeça diante de uma tamanha cartada e nem alguém saindo da penumbra para dizer que viu o que rolou com Sinclair.

 

Dessa vez, só havia alucinações que indicaram eventos reais de 10 anos atrás.

 

Conforme o desenrolar da alucinação, pensei se Annalise detestava crianças. Ela via uma coisa que precisava ser silenciada e sumir da sua frente. Momentos que a perturbaram e que indicaram um recorte da vida real. Afinal, ninguém delira sobre coisas que não aconteceram. Há sempre um gatilho que, geralmente, se esconde em algum canto profundo do cérebro e só o cutucão certo para o tiro acontecer.

 

No caso de Keating, foi um tiro propriamente dito da pessoa que tanto protegeu desde a S1 e que agora virou seu tormento particular. Uma obsessão inicial que se revelou como um medo embutido regado de uma paranoia incomum. Tá de parabéns esse laço entre Puppy/Boss.

 

Sinto que Wes não dará folga para Annalise (que novidade!), porque ele também absorveu o looping de nome Christophe. O seu nome. Na boca da pessoa que aprendeu a ter asco devido ao mistério que a advogada ainda persiste em alimentar para não quebrá-lo. Um nome que abriu um leque de perguntas: Annalise e Rose se tornaram amigas? Annalise deu seu bebê para Rose e Rose o devolveu? Foi realmente suicídio o que custou a mãe do puppy? Aonde Eve se encaixa?

 

Já quero season finale!

 

O quinteto

 

HTGAWM-2x10---Laurel

Foi impossível não conter o riso da cara de pau dessa turma, praticamente muito a fim de distribuir abraços quentinhos, como se nada tivesse acontecido. Ainda bem que as máscaras se dissolveram.

 

Gostei muito da Laurel neste episódio. Ela sempre me pareceu a mais sensível com um pouco de sensatez que a torna durona na medida certa. A personagem assumiu o tiro, algo arriscado levando em conta o que já aconteceu com essa turma, e mostrou o quão errado é isolar alguém de um grupo. Por nunca ter se importado com Asher, só essa jovem para abraçar o peso na consciência e tentar remediar isso ao apoiar Wes – uma parceria conflitante, especialmente quando falamos de Rebecca.

 

Asher está completamente destruído e, mesmo com minha simpatia zero por ele, estou curiosa para saber do desdobramento da morte do pai Millstone. Suicídio soava muito fácil para esse homem, realmente, apesar que acredito forte nessa teoria por se tratar de um senhor que fez de tudo para preservar a própria reputação. Só desisto disso porque há um gancho aqui com a história de Wes sobre o mesmo tema e que pode apontar para Annalise, a mestre em criar cenas de crime.

 

Connor mostrou que está tudo tranquilo e Michaela tudo falsamente favorável.

 

Concluindo

 

O episódio foi bem sutil e preciso no que queria contar, finalizando o arco Sinclair e deixando algumas migalhas que podem formar um bolo nojento até o final da temporada. A intenção é focar completamente em Annalise para que saibamos o que diabos aconteceu 10 anos atrás.

 

A trama trouxe o típico golpe das escolhas fugindo da adrenalina e investindo no drama. Mas, como sabiamente disse Caleb, todos pertencem ao inferno e está na hora de geral queimar.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3