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04/mar

 

We all need some pain in our life.

 

Por mais que ganhe 1% de storyline a cada temporada, Jay Halstead prende o interesse sem a menor dificuldade e, de quebra, deixa aquele gosto amargo na garganta por deixar no ar o quanto ainda há mais do seu passado a ser explorado. Principalmente no que condiz a suas experiências no exército. Do instante apaixonante até a versão obscura de si mesmo, esse é aquele tipo de personagem que mais gosto e mais quero proteger por ter várias nuances e camadas, o que o torna (e qualquer outro) envolvente e verossímil. E dessa vez não foi diferente quando falamos desse jovem que só deu vontade de abraçar a todo instante.

 

A abertura do episódio mostrou um “segurança” disciplinado, traço possivelmente adquirido e melhorado no exército. Quando o assalto entrou em cena, a reação do personagem foi estratégica. Um baita jogo de cintura para quem se viu sob uma tremenda pressão de maneira surpresa e que claramente requereu mais da experiência militar que a de detetive. Jay agiu como soldado Jay e esse acontecimento lançou várias indiretas que influenciaram no seu comportamento e não me refiro apenas ao grande efeito colateral.

 

CPD-3x17---Terry-e-Jay

Tratava-se de um estopim, não da trama, mas de algo muito pessoal na vida desse detetive. O carro em chamas despencando, a súbita emboscada, o beco sem saída, a necessidade de reação precisa diante de um ataque em uma zona de tráfego segura. Quando Halstead toma a situação em status de emergência, só consegui vê-lo com seus trajes oficiais, berrando para os seus companheiros retrocederem. A grana não era nada perto da urgência de tirar geral do ponto de risco, o que não deu certo. Uma ação assim sempre é tardia para o emboscado, o que calhou na única cena eletrizante deste episódio: o tiroteio que custou Terry.

 

Halstead brilhou nesse pequeno frame por ter agido com inteligência e precisão, sem perder a compostura que é a parte essencial para manter um ataque sem grandes danos colaterais. São nesses instantes que é possível ver a diferença dele para Ruzek, por exemplo, o dito impulsivo da UI. Jay pode pisar nas jacas, mas há um traço no inconsciente dele que o faz parar e ser cauteloso, detalhes que também se apresentaram nessa trama desde o momento gaiola com Colin até correr atrás do atirador que pipocou seu amigo. O detetive poderia ter sujado mais as mãos, como Voight costuma incitá-lo, mas não o fez. Talvez, por reflexo do exército.

 

Mesmo em agonia pessoal, ele manteve o rigor com o seu trabalho. Um cuidado que o deixa insuportável quando nada acontece dentro da lei e que explica seus cutucões constantes para cima de Voight (quando tem chance). Por mais que deseje passar dos limites e devolver na mesma moeda, o detetive costuma parar. Ao contrário de Will que vai até o fim e dane-se.

 

CPD-3x17---Jay-e-Mouse

O foco no passado militar do detetive resultou em uma investigação deveras superficial e sem grandes reviravoltas. Tudo para não tirar o brilho desse personagem que se segurou até o final do episódio. Considero esse um caso mais emocional que por justiça – embora o gosto de justiça esteja sempre embutido. Digo isso porque Halstead se remoía diante dos desdobramentos mais por uma mistura de lembranças, que Mouse fizera questão de sutilmente mencionar, que pela sede de pegar o criminoso – que havia também, mas perdia o foco conforme Jay lidava com seus fantasmas. A perda de Terry e a maneira como isso rolou serviram de gatilho, o que explica o quanto o personagem ficou abatido.

 

A trama não quis focar na sede de justiça, mas no rememorar silencioso que trouxe um envolvimento/apelo mais emocional. Não foi apenas sobre a vítima, mas também sobre algo que rolou na vida dele e que continua no looping mental. E, claro, que ainda não foi digerido. Já faz alguns episódios que Mouse tenta conversar sobre as experiências no exército com Jay e sempre há uma fuga pela tangente. Há sempre uma resposta evasiva.

 

Halstead não se recuperou de algo, o que aumenta mais a curiosidade de saber o que o estragou. Aquele tranco que mudou tudo, muito além de temer voltar para casa e anunciar quais companheiros faleceram. A esposa de Terry ajudou a respaldar isso ao contar que o marido enfrentou grandes dificuldades para voltar à superfície – o que imagino que rolou com Jay – e que ele se inspirou no detetive ao ponto de tentar passar na Academia. Essa cena foi dolorida!

 

Por essas e outras que espero o momento de Halstead quebrar porque, nesse quesito, ele não trabalha com transparência emocional – embora seja uma descarga de sentimentos constante. Ele sempre quebra. Demora, mas quebra. E lá estava ele no banheiro desmoronando. O caso o violou e cutucou uma ferida possivelmente não cicatrizada, porque está aí um ser que é tão orgulhoso quanto o irmão. Um ponto de dita fraqueza que penso que nem Erin sabe.

 

CPD-3x17---Jay-Halstead

O sensacional deste episódio foi criar alguns paralelos com outros instantes de Jay ao longo de Chicago P.D.. O choro livre no banheiro me lembrou o 2×03. O descontrole que o força a recobrar o juízo foi próximo das reações no caso Rodiger. Pontos essenciais que mostram que o personagem não mudou tanto assim no âmbito emocional, mas aprendeu a se frear. Se fosse o Halstead da S1, certeza que o atirador teria morrido e Voight teria varrido o babado.

 

Tenho medo do que essa perda pode ter resgatado dentro de Halstead. Tudo bem que os escritores não trabalham com resultados no dia seguinte e costumam trazer o drama mil episódios depois (com um salto temporal monstro). No fundinho, desejo o lado negro vindo à tona porque essa experiência vem de claro trabalho de campo, o ver para crer, um aprendizado que não requer livros, mas prática que acaba por mudar uma pessoa. E ele mudou. E continuará a mudar enquanto manter seu posto na UI.

 

O episódio foi efetivo na mensagem porque só seria possível engatar o cunho militar + emocional com um personagem no mesmo patamar que Jay. Deu para sentir um belo salto no tempo, grande o bastante para Terry se tornar BFF de longa data. Além disso, houve a inclusão de ex-soldados e afins nesse redemoinho para que o detetive em destaque sentisse mais o drama e retornasse ao passado. Foi tudo muito digno de partir corações.

 

E só acho que a cena na igreja deveria ter finalizado o episódio.

 


Um pensamento

 

Voight joga o verde da Brianna para colher se Jay está com Erin? Ou ele não sabe do relacionamento? Assim, desde o 3×01/02 não se falou mais nada sobre Linstead e alguns episódios depois ambos oficializaram o rolê para os amigos. Uma falha tremenda na storyline do Sargento que deixou muito claro que a regra da casa é não ter envolvimento amoroso.

 

Fato é que pilharam tanto nessa regra que não conseguiram dissolver na escrita. Daí, silenciaram para fazer o Sargento se encantar com Halstead por conta própria. Apaga!

 


No meio do caso

 

CPD-3x17---Al

Toda vez que Al manda o textão, queria que ele existisse para batermos um papinho. Amo demais como ele dá conselhos como se estivesse passando o café. Ficou de muito bom tom a maneira como o detetive tentou puxar Halstead de volta para a investigação, mas o melhor mesmo foi a chamada de atenção para cima do Ruzek. Só me restou aplaudir.

 

Ruzek estava esquisito demais neste episódio e não curti a olhadela para cima de Burgess. Não era um olhar enciumado, ao menos não para mim. Foi como não gostar de ser atravessado feat. não gosto de ver uma ex sorrindo sendo que ela deveria estar sofrendo por mim (como ele bem mostrou ser sua indignação antes de tomar a chamada de atenção do Al).

 

E como respeitar um cara barbado que ainda lê Playboy? Não tem como, né, migos?

 

Senti a tentativa de plantar Burgess e Roman e não sei como lidar. Pior que esses dias fiz a bobagem de ir lá na página da Universal e vi muita gente que apoia. Aonde estava que não vi isso acontecer, gente? Não quero que a friendzone se quebre. Até porque Sean merece um relacionamento permanente e não mais um gol na trave que o fará mudar de Distrito – algo que não suportaria porque ele é o único que dá vários vra! na Platt e acho graça.

 

Concluindo

 

CPD-3x17---Jay

Por mais que ame todo o cast, e tenha um xodó pelo Voight que sempre ocupará meu pódio, Halstead me deixa sem chão e com a mente trabalhando a mil, mais pelo fato de reconhecer o quão estragado ele é e de imaginar a causa para ele ser assim. Há muito o que cogitar na storyline do detetive e o caso envolvendo Brianna só alimentou essa minha curiosidade por ter trazido à tona um novo plano da vida desse personagem. No caso, o cunho militar, que ainda não é o bastante porque há muitos percursos a se explorar e muitas lembranças para instigar.

 

Jay oscilou na sua própria linha tênue moral para não passar dos limites e foi uma tortura interna acompanhá-lo. O golpe certeiro pode ter rolado nos minutos finais, mas a trama trouxe muito da personalidade do personagem que, aos meus olhos, continua a ser um novato. Tudo por causa de Voight que o trata dessa maneira – que não é muito diferente de Al para Ruzek – e, às vezes, o pressiona sem a menor necessidade. Só que Halstead vai e prova o contrário.

 

Este foi um episódio contemplativo por ter focado na desenvoltura de um personagem diante de uma situação que já foi vivenciada em algum momento do passado. Foi uma trama que moveu a UI daquele jeito que tanto gosto ao mesmo tempo que a conclusão final caía na mão do sorteado da semana. Só sei sentir. Foi um episódio bem marcante para Jay, outro que não contava com um plot para chamar de seu desde meados da S2.

 

Agora, curtiremos um período de hiatus. Chicago P.D. retorna no dia 23 de março.

 

PS: Jay com aquele uniforme, todo lindo e maravilhoso. Aonde é que compra esse combo?

Stefs
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