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28/mar

Então que Chicago P.D. retornou e sinto uma queda tremenda de energia. Não apenas da minha parte, mas dos roteiristas também. Uma temporada que começou até que bem, amornou lá no episódio duplo, depois engatou alguns que lembraram a S1. O que vejo agora é a ladeira, pois, mais uma vez nesta temporada, damos de cara com uma trama que centraliza Erin como aprendiz de Olivia Benson e estou cansada disso.

 

Não acho isso o fim do mundo, não mesmo. Essa intenção nunca ficou embaixo dos panos, porém, o que pega é a repetição de storyline em torno dessa personagem que sempre contou com mais e agora está no looping.

 

Vejam bem¹: Erin só teve dois episódios excelentes – o 3×03 e o 3×14. Ambos pediram o melhor dela, tanto físico quanto emocional. Não posso dizer o mesmo dos outros.

 

E semana que vem teremos outro episódio de tema semelhante. De-novo!

 

Por mais que goste de ver problemáticas com mulheres engatando um caso (acho pertinente e um milagre considerando que a representatividade das Chicagos é muito a desejar, com licença) e ver as mulheres da série sendo centralizadas como merecem, convenhamos que não há só um tipo de história que possa ser dada a elas – só que parece que sim. As detetives, policiais, paramédicas e bombeiras podem (e devem) contar com mais – e tem sido muito pouco, diga-se de passagem. Erin sempre se deu bem na ação com grandes traficantes, mas a reduziram a temáticas que sem sombra de dúvidas são melhores desenvolvidas em SVU.

 

Não, não desmereço essa parte do trabalho, mas, de novo, Lindsay fica presa ao mais do mesmo, sinal de que ela e as outras personagens estão paradas no tempo sendo que podem fazer mais que ser a mulher que dá auxílio a outra mulher (o que é ótimo, amo sempre). Enquanto isso, os homens cuidam de casos mais complexos – que claramente as outras não contribuem com afinco e isso é um tanto quanto frustrante.

 

Indiretamente, está rolando em CPD a divisão: Erin cuida das mulheres e os homens cuidam dos bandidos. Mudem esse disco porque na S1 não era assim – e quem me mandar cantar Let it Go ganhará um ban.

 

Este episódio deixou claríssimo que CPD passa por um grande conflito de identidade. Depois de reassistir alguns da S1, só me restou a indignação de saber que a criminalidade que move os personagens está esquecida. Quando é lembrada, não promove a mesma tensão do passado, pois os envolvidos não são temerosos como Pulpo e Rolo e não há um plot twist final de arrancar os cabelos por causa de alguma ponta solta. Com a chegada de Chicago Justice, o acréscimo de Med e o claro descontrole dos roteiristas, a S3 não soube o que priorizar.

 

Isso porque a irmã que introduz tudo se chama Chicago Fire. Estão sobrecarregando CPD que é mais popular, óbvio, mas sabemos que essa popularidade aconteceu por causa de um shipper. E série que depende demais de shipper, ao ponto de fazer/intencionar “episódios temáticos”, só encontra a ladeira e leva todo mundo junto.

 

E o que aconteceu esta semana sambou as fraquezas da S3 de CPD, doa a quem doer.

 

Vejam bem²: a trama começou sem pé e nem cabeça. Completamente desajustada ao ponto de eu acreditar que era encenação (Burgess de óculos de sol linda e maravilhosa, mas WTF? não ornou). Os questionamentos levantados em torno da situação do abrigo até animaram um pouco, principalmente a ideia de um homem ter protegido o quanto pôde mulheres que se escondiam de seus abusadores. Acreditei que seria o barraco do pop, contando com um personagem que seria destacado como motherfucker e sua ex-companheira apavorada em busca da liberdade.

 

Não foi nada disso o que rolou e a parte que me deixou mais triste foi o episódio terminar apenas mencionando o heroísmo de Edwin e de Jess, e fim. Eis aquela velha dificuldade de usar a temática para conscientizar as pessoas. Detalhe que tem sido cada vez mais raro nas Chicagos (tiro Med porque ainda não sabe a que veio, tadinha).

 

CPD-3x18---Erin

Fato é que o roteiro poderia ter engatado a problemática de relacionamentos abusivos, feito um rebuliço, mas há falta de autoridade porque esse é o papel de SVU. O que fizeram? Reverteram a história para um clube feat. drogas que ornaram tão menos quanto os óculos de sol da Burgess. Um percurso que tirou a força do abrigo e desmereceu Jess, Edwin e até mesmo Valerie que poderiam contar/representar muito mais. Principalmente por terem sido uma ponte para Lindsay revelar um pouco mais da sua vida com Bunny e cogitar auxílio a uma vítima (algo que a personagem hesitou por motivos de Nadia).

 

Não houve apelo emocional por mais que Erin tenha se esforçado em nos tragar para a história. O norte da investigação esfriou o clima e “apagou” o que claramente era mais importante. O momento que esquentou a promo não passou de gatilho para dar espaço aos bandidos – e me senti enganada como acontece em Fire quando engata as coisas que destoam o conflito central. Isso não está errado, claro, porque CPD é sobre bandidagem. Contudo, pensando no 3×03, qual foi a dificuldade dessa vez em aprofundar uma temática que tinha tudo para dar certo? Principalmente quando gera verossimilhança com outra personagem?

 

O episódio foi bem chato e entra na pilha dos mais fracos da temporada, com direito a um remontar de caso tão simples quanto a forma que foi concluído. Até Voight estava completamente destoante. Pela primeira vez, me perguntei o que diabos ele estava fazendo e aonde esse cidadão queria ir com aquelas ameaças que soaram evasivas – porque o caso não foi emocionante.

 

Só que teve intuito: o Sargento voltará na semana que vem ao cantinho de Chicago em que bota bandido para passear e o que relativamente me incomoda nisso é que a S3 não deu a mínima para a cidade. Daí, metem um teaser que fez o boss passar vergonha.

 

E, gente, e esse advogado do Estado brincando de ser Barba? De onde ele veio, migos? CPD virando SVU e Justice revivendo Law & Order? Eita cheirinho de superar o flop, eu hein.

 

O único momento de impacto deste episódio foi a hora em que se descobre as digitais de Val no martelo. Essa cena sim mexeu com meus feelings por ter mostrado uma mulher sendo acusada de matar seu abusador. Informação que bateu de frente com o fato de muitas pensarem em aniquilar aqueles que as agridem e não são capazes de botar isso em prática. Sem contar que fiquei aliviada por ela não ser uma mentirosa – porque é uma praxe, né?.

 

E não teve mais nada a se agarrar. Foi um episódio vazio tanto em emoção quanto em ação. Aquele que você assiste com a mão no rosto, a fim de segurar a cabeça para não dormir.

 

Concluindo

 

CPD-3x18---Burgess-e-Roman

Sobre Burgess e Roman: ok em tentar um romance entre ambos, mas o episódio nem disfarçou o empurrão. Não sou capaz de opinar, especialmente porque gosto dessa amizade e já disse que Sean não merece passar por isso se não for permanente (o que pode fazê-lo mudar de Distrito por mais um amor não correspondido aka sair da série).

 

E também não aceito Kim Burgess voltar a ser reduzida por um novo mozão. Já me bastou o começo da S2 e não preciso acompanhar mais uma onda de sacanagem como essa.

 

Mas a cena na porta do teatro fez cócegas no meu coração e não-quero-sentir-isso-me-ajuda!

 

Semana que vem teremos mais um repeat que, aparentemente, promete ser melhor que este episódio. E precisa, né, porque season finale está quase aí.

Stefs
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