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12/mar

E tudo voltou para a ambição de Annalise Keating. Um foco não necessariamente dado aos ganhos desse traço importante da sua personalidade, mas às perdas. Neste episódio, acompanhamos o resultado brusco e negativo de suas decisões passadas, remoídas com o passar dos anos e finalmente sentidas com eficácia no presente.

 

Esta semana aconteceu de tudo um pouco, mas o foco foi um novo incitar das emoções de Annalise, que já não aguenta/va mais a brincadeira de gato e rato tanto da parte de Philip quanto de Wes. O episódio foi pertinente em marcar o reencontro da advogada com o puppy e o que foi revelado a partir daí partiu meu coração. Estou sem palavras!

 

A continuação do flashback, que mais pareceu o encerramento oficial, me mostrou que não estava tão errada em pensar que o caso Mahoney foi o estopim para as mudanças internas dessa personagem. Um período da vida de Annalise que contou com várias reviravoltas emocionais – e presumo não ser só as do retrocesso/presente – que devem tê-la endurecido. Quando digo endurecer é evitar qualquer envolvimento com seus clientes, tal como rola entre ela/Bonnie/Frank. Essa mulher criou uma linha de distanciamento, como visto no decorrer da S1/ S2.

 

O peso do que rolou com Rose e a promessa de cuidar de Wes não passaram de lembretes de que o que importa é vencer sem se preocupar com quem se machuca no processo. Ainda mais quando chega a hora de jogar sujo. Está certo que, nesse ponto, Annalise é bem contraditória, pois ela continua a proteger os estagiários. Porém, duvido muito que a advogada faria isso se Wes não participasse. Afundando um, se afunda todos, e não foi isso que a personagem prometeu a mãe do puppy.

 

Murder-2x14---Annalise-flashback

O flashback mostrou que sempre haverá algo mais do ponto de vista de Annalise. Há 10 anos, ela não contou para Eve sobre o que aconteceu com Rose e reforçou a ideia de suicídio para manter a ex na nuvem e por perto para qualquer medida urgente – algo intencionado, mas sem sucesso. Depois, a advogada mostrou o melhor – e o pior – de si, que é quando assume toda a problemática e tenta dar um tapa a fim de sair por cima. Foi maravilhoso vê-la decidida em dar um jeito nos Mahoney sozinha, mais para libertar Wes de qualquer risco.

 

Uma decisão que não veio do dia para noite, pois, com um novo explorar, descobrimos o motivo crucial de Rose topar em ser testemunha de algo que nem chegara a ver: o abuso sexual.

 

Por essa eu não esperava e me vi simplesmente horrorizada. Particularmente, não consigo lidar com esse tipo de situação. Fiquei baqueada por uns belos segundos, principalmente diante do discurso de Annalise que acentuou todo o preconceito de Wallace. Um salto deveras inesperado na storyline de Wes que contará com mais drama para lhe tomar o sono. Afinal, a revelação não apenas assentou a ideia de “memórias falsas”, como também colocou em cheque a identidade do personagem. Pensando bem, a vida dele foi uma completa mentira.

 

Até seu nome é uma baita falcatrua que cheira a mais um investimento de Keating. A mulher que lhe deu uma segunda vida tendo em vista a promessa de protegê-lo. Socorro!

 

Mesmo com essa revelação estarrecedora, os desdobramentos do acidente de Annalise doeram muito mais. Foi uma cena clichezona ao quadrado, mas o que veio depois me fez perdoar o típico “drama-com-celular-na-mão-que-dá-em-batida-de-carro”. Nunca senti tanto a dor da personagem como neste episódio e sou muito suspeita para entrar em detalhes. Já deixei bem claro que Viola pode cair aos prantos aonde for, lá estarei eu aos prantos junto.

 

Obviamente que desaguei como se não houvesse amanhã.

 

Pior é que até o mala do Sam fez cócegas no meu coração. Vê-lo desmoronar na companhia de Annalise só me ajudou a chorar mais.

 

Murder-2x14---Annalise-e-Sam

O que foi a aparente enfermeira com essa de bater foto (isso realmente acontece, migos, mas quis chutá-la dali mesmo assim). Um instante curto, mas arrebatador. Especialmente por ter sinalizado que a perda do bebê, um bebê que fez essa mulher duvidar de seu papel de mãe, deve tê-la mudado, mais que os resultados provenientes do caso Mahoney e a promessa feita a Rose.

 

Exemplos: Annalise direcionar os sentimentos do bebê para Wes e viver em constante vigília para ter certeza de que essa criança estaria a salvo. Atrelado a isso, a obsessão pelo trabalho que contribuiu para fortalecer seu nome na área de Direito. Com tanto descaso da mulher, Sam engatou várias traições, e aí temos a S1 de presente para nós.

 

O caso Mahoney quebrou Annalise seguido da perda do bebê, como ela bem explicou, culpando a ambição e o desejo sempre insano de vencer. De outro ângulo, deu para capturar que, graças aos resultados negativos, a advogada se assegurou de que Charles fosse para a cadeia – e quero saber se Sam realmente conseguiu mantê-la longe do julgamento final.

 

Os retrocessos fortaleceram o background de Annalise e o quanto a vida não tem sorrido para ela. No presente, nada mudou, pois os erros continuaram, a culpa cresceu e até os estagiários começaram a pressioná-la (o que, aos meus olhos, não deixa de ser uma hipocrisia sem tamanho). A advogada abraçou seus sentimentos mais sombrios e, diante de Wes, quebrou de vez. Não havia a mulher sedenta por vitória, dona do hábito de criar uma máscara em cima da outra a fim de jurar que estava tudo bem, tudo nos conformes. Mas a mulher arrebentada.

 

Murder-2x14---Annalise-2

Quanto mais tento evitar qualquer nuance de admiração por Annalise, mais absorvo isso. Anulando um pouco seus comportamentos baixos e atitudes que pedem sim um tempinho na cadeia, essa mulher é muito forte para aturar/conviver com tanta nhaca seguida. Pior é carregar a culpa, lidar com esse peso diariamente ao mesmo tempo em que convive com a causa. Quero que minha rainha pare de sofrer dessa maneira, por favor!

 

O retorno para a casa da mãe, para suas origens, foi a cereja do episódio por ter arrematado uma das perguntas cruciais da semana: como a vida dela se tornou aquilo? Isso emendou a outro investimento importante da trama: intercalar os retrocessos com indagações do presente. No caso, o real início dessa teia que absorve cada vez mais gente (Oliver? Caleb?). Bonnie achou que foi com Lila, o mesmo Laurel, mas, para mim, tudo começou 10 anos atrás.

 

Anos se passaram e me pergunto qual dos Mahoney ganhará destaque. Charles deve estar vivo caso não tenha sido condenado por mil anos. Para dar mais pano pra manga, Laurel falou demais, terminando de derreter o único fio que Annalise se segurava para não chutar o balde.

 

Agora, resta saber quantos dos estagiários correrão atrás da mãe por causa de Philip.

 

Os outros plots

 

Gostei muito de ver Denver partindo para cima da turma de Annalise, jogando essa de dar imunidade para alguém fazer cosplay X-9. Chega dessa falsa tranquilidade, dessa sensação de que as sujeiras nunca sairão debaixo do tapete. Os últimos episódios têm brincado bastante com a insegurança dos estagiários com relação ao que fizeram com Sinclair, criando uma ponte benéfica com os desdobramentos Lila. Estou amando! Foi ótimo vê-los sendo entrevistados, um mais cara de pau que o outro, tremendo a torre Keating.

 

Quem também resolveu se bicar foi Frank e Bonnie, reforçando a hipocrisia dessa panelinha que não tem hora para terminar. Competição de quem tinha mais sangue nas mãos? Really?

 

Inclusive, o episódio foi esperto em usar o timing do flashback para assinalar o quanto Frank foi importante/influente na vida de Sam. Ele se tornou o protegido não de um Keating, mas de dois. O filho primogênito de Annalise. Porém, a lealdade dele morava com o pai, o que respaldou o desfecho de Lila que soou bastante como pagamento de dívida. O daddy garantiu seu futuro e, de quebra, deve tê-lo relembrado das suas origens para incitar o lado podre.

 

Concluindo

 

Murder-2x14---Annalise

Este episódio teve o mesmo intuito do 2×10: explorar as emoções de Annalise. A personagem estava no limite, sensível, aguardando a provocação final para perder as estribeiras. Uma mulher outrora impassível e imparável, discreta com tudo que lhe aflige internamente, estava em marcha lenta, pedindo arrego e esbanjando suas fraquezas.

 

Não houve bons drinques que a impedissem de desmoronar – comportamento que sinalizou um passado alcoólatra – e, para minha própria felicidade, a advogada voltou ao ritmo do retorno de Murder. Sem paciência para lidar com os estagiários (ri horrores da segunda expulsão) e com Bonnie e Frank. A pressão dos arredores a testou de novo e me perguntei se essa implosão pessoal se voltaria para o caso Philip ou se renderia a fuga para as colinas.

 

Fuga para as colinas, mas sem se esquecer de contar os motivos de proteger Wes.

 

Parece que não haverá grandes reviravoltas na próxima semana. A não ser que depositem todos os esforços em Philip que continua desimportante mesmo tendo atacado Annalise e sequestrado Caleb. Já não boto mais fé nessa história e espero ser surpreendida.

 

Em contrapartida, o sucesso está nas mãos de Wes/Annalise, dupla que me faz acreditar na possibilidade de novos socos para concluir o flashback – ainda falta Eve, penso eu. O puppy já foi atrás de saber quem é o pai e, lá no fundinho, não quero crer que seja mais um conto do POV da advogada que pode sofrer uma nova edição a qualquer instante.

 

Coloquei este episódio no meu potinho de favoritos. Ele aproveitou a sensibilidade de Annalise para explorar tanto o passado quanto o presente. Com isso, nem deu para relembrar o que a personagem fez de péssimo na S1/S2, o que coloca essa fraqueza em cheque. A trama foi superenvolvente e engajou muita energia mesmo diante de pouca ação.

 

De novo, engatou-se um pré-final com gosto de peso na consciência para todo mundo ser engolido por um novo ciclo. Talvez, isso corromperá ainda mais o caráter já oscilante de cada personagem. Quero só ver como Annalise encerrará esse arco de Murder.

 

(e mãezinha linda de Annalise, meldels, chorei).

Stefs
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