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24/mar

Como já contei por aqui, aproveitei o tempo que o site estava fora do ar para botar umas séries em dia e até conhecer as que estavam na lista há eras (e que por algum motivo não dei tanta bola). Uma delas é Empire, que até vi o piloto, mas deixei para posteridade que deixou de ser posteridade em janeiro deste ano. É bem capaz que um post sobre a série role no RG (não é promessa), mas, hoje, quero é falar da trilha sonora da 1ª temporada, com licença.

 

Mais precisamente, darei destaque para as músicas que gostei e que berram Jamal Lyon.

 

Para quem não conhece Empire, lhes dou uma breve sinopse: é uma série musical da FOX que centraliza a família Lyon. O causador das mais variadas dores de cabeça se chama Lucious Lyon, um rapper que saiu das ruas e conseguiu ser bem-sucedido neste ramo ao ponto de comandar a própria gravadora que nada mais, nada menos, se chama Empire.

 

O cara tem um império musical que se vê prestes a ruir ao ser diagnosticado com uma doença grave. Notícia que o faz atiçar os ânimos dos filhos Jamal, Andre e Hakeem que precisam mostrar (leia-se: provar) quem merece a honraria de sentar na cadeirinha mais cobiçada – a chefia da gravadora.

 

Claro que Lucious não brilha sozinho, pois quem realmente apimenta a série é dona Cookie, a ex-esposa que quer recuperar tudo que perdeu. Inclusive, ela é a lembrança vívida do passado dos Lyon antes da fama, tema que movimenta a 1ª temporada e que nos dá nuances dos personagens antes de serem praticamente uma máfia musical que meio mundo ama odiar.

 

Resumidamente: vá assistir esse negócio logo de uma vez, ok?

 

Empire tem um rico repertório musical e é meio difícil não gostar de boa parte do que se ouve. Principalmente quando se descobre que o produtor dessa área é Timbaland, aquele que lançou vários artistas e relançou, praticamente, Justin Timberlake. Sempre gostei dele, tenho até um CD que amo de paixão, e sua responsabilidade de dar ritmo à série enquanto os personagens cantarolam seus problemas é regada da sempre admirada maestria.

 

Para vocês visualizarem bem a pegada de Empire, pensem em Glee. Há os diálogos e os momentos musicais, só que, neste caso, a série é adulta e dá destaque à comunidade negra. O estilo se inclina entre o hip-hop até o R&B.

 

Jamal 2

Prazer, Jamal, o dono da Empire toda

 

Na primeira temporada, quem brilha é Jamal, o filho do meio de Lucious e Cookie. Um garoto meigo, adorável, sem paciência para quem tá começando. Soa perfeito, mas eis o ponto fraco: o personagem sente na pele o desprezo do pai que é extremamente homofóbico.

 

Na mente de Lucious, você tem que ser homem para ser negro porque ser gay é coisa de branco – ele não diz isso necessariamente com essas palavras, mas a mensagem emitida é praticamente essa. Uma falta de aceitação que rebate muito forte em Jamal que tenta se provar ao longo da S1 não só como artista, como também uma pessoa digna do respeito do pai. Ele concentra a chateação e a frustração de ser o “renegado” dos Lyon para escrever e produzir músicas mais elaboradas e bem íntimas.

 

Jamal pega todas as sensações de ser marginalizado na própria família e desabafa na música. Sensações essas que o assombram desde a infância.

 

As coisas ficam quentes para Jamal quando, indiretamente, começa a competir com Hakeem, o irmão mais novo que é um projeto de 50 Cent. Além disso, o investimento principal da Empire. Quem dá um impulso ao “renegado” da família é Cookie que alimenta a criatividade e relembra o talento que o filho tem. E ela sempre deu um jeito de protegê-lo de Lucious, então, meio que se forma uma rixa entre pai e seu protegido e mãe e seu protegido.

 

As músicas dadas a ele são as melhores da S1 por serem um espelho da sua storyline conflituosa com o pai. O que também reflete na futilidade inicial de Hakeem que só quer mulheres, festas e videoclipes ostentação (WTF Drip Drop, mas é minha música de chuveiro). De certa forma, as letras dadas ao Jamal são muito, mas muito empoderadoras. Não interessa quem você é na noite. O negócio é botar a mão pra cima e bater na palminha… Tá parei!

 

Começarei essa pequena lista com uma das minhas músicas favoritas (uma mentira porque amo este álbum, tirando a Courtney Love porque não dá). Cuidado com os vídeos a seguir porque: a) spoilers; b) você pode pegar os spoilers a fim de entender porque Empire é mágica e c) entenderão também porque Jussie Smollett não é só o melhor personagem da S1 como tem uma voz tão igualmente maravilhosa que você se pergunta WTF Lucious?.

 

Good Enough: See it doesn’t matter what you think, I’m still a man. Look at me, open up your eyes, can’t you see that I’m good enough?

 

Esse é um dos momentos em que Jamal esboça sua insatisfação com o fato do pai não aceitá-lo. Sempre que tem oportunidade, Lucious o trata com descaso e com piada homofóbica, destacando o quanto o filho é a vergonha da família e da comunidade negra.

 

Na música, Jamal pede para ser visto – de verdade – ao mesmo tempo em que reconhece o quanto não é o bastante para deixar o pai feliz. O quanto os esforços dele ainda são inúteis.

 

Nesse videoclipe, sentimos o dilema desse Lyon que, no começo da temporada, canta nos barzinhos da vida por acreditar que a música é muito mais que um produto para entreter. Para Jamal, música também é um presente eficaz para confortar quem a ouve.

 

 

Good Enough é um dos vários pontos de similaridade que qualquer pessoa pode ter com Jamal, não necessariamente e exclusivamente por causa da sua opção sexual. Eu tive sérios problemas com meu pai e me lembro como se fosse ontem do quanto me contorci para tentar deixá-lo feliz. Não deu certo na época e, depois da formatura universitária, tive que decidir se continuaria com essa zona, o que teria claramente me arruinado, ou se seguiria meu rumo.

 

O negócio é seguir o rumo, gente (só que Jamal vira-casaca na S2, vão vendo).

 

No Apologies: I do what I want and say what I want with no apologies

 

Aqui temos Jamal e seu concorrente/irmão Hakeem “obrigados” a firmar uma de algumas parcerias que transcorrem na S1. Ambos precisam transmitir a imagem de que a Empire é cool e que os Lyon são melhores que as Kardashian. Só na falsidade essa S1.

 

 

De um lado, Jamal volta a ser indesculpável e diz que não lamenta nem um pouco pelo que diz enquanto Hakeem afirma o mesmo com direito a incluir a ex-namorada. A situação que une os dois não interessa neste post, pois esse instante é uma questão de opinião e essa música é bem aquela que dá vontade de sair na rua berrando a plenos pulmões.

 

Keep Your Money: Work hard and play even harder. Gotta save up all my nickels and quarters. Can’t ask you for a handout. It’s time to be a man now

 

 

A vitória de Jamal vem com Keep Your Money. A morte lenta e dolorosa de Lucious. De novo, o personagem conta mais um capítulo nada feliz com o pai inspirado na discussão mais feia da S1 tendo ambos como protagonistas. Depois de muito rolê, eis que o “renegado” lança o primeiro single, contando com o apoio incondicional de Cookie, que faz a Empire tremer/temer.

 

You’re So Beautiful: You’re so beautiful, give the world a show

 

Essa música é outra parceria com Hakeem em mais um evento da família Empire. Ela é muito maravilhosa por dois motivos: no contexto da série, Jamal a usa para sair do armário (a cara do Lucious, assim, precious!) e por ser, no passado, uma ode à Cookie cantarolada pelo ex-marido (mas, sério, a cara dele hahaha).

 

 

E há o motivo número 3 que é o instante em que Hakeem deixa de lado as músicas que objetificam a mulher para valorizar a beleza dela, não importa a cor da pele, a altura, o corte de cabelo, se a unha está feita ou não (ok que tem uns trechos que ainda incomodam, mas está no contexto quando pensamos nesse personagem ostentação).

 

Nothing to Lose: Cause I ain’t got nothing to lose. So much to prove. I get to far to hear no cause I ain’t got nothing to lose

 

Depois do rolê na festinha que fez Jamal declarar que é gay, pensei seriamente que as coisas piorariam a partir daí. Mas não. A “revelação” começa a estreitar a relação pai e filho, mas não com tanta candura. Da parte de Lucious, ainda há muita piada idiota, só que o irônico é que o filho nem liga mais, afinal, já tinha provado seu valor.

 

O auge da ironia é o boss da Empire recorrer aquele que “renegou” quando passa por um “bloqueio criativo”. #LuciousCaradePau

 

(Antes de darem o play, esse vídeo é o spoiler dos spoilers.)

 

 

Nothing to Lose arrematou o último episódio da S1 e fez uns paralelos muito bacanas com quem era Jamal no início e quem ele começaria a se tornar uma vez que sua relação com o pai começa a se acertar. Basicamente, essa música se torna hino de ambos e um teaser de como seria a S2.

 

Conqueror: We all make mistakes, you might fall on your face, but you gotta get up!

 

O melhor ficou por último: Conqueror, música da Estelle (que está no vídeo com Jamal). Na série, esse recorte faz parte de um compilado em nome do ego de Lucious que acredita que está morrendo lenta e dolorosamente. É um trecho curto, o mesmo tempo que rola em Empire, mas foi o bastante para eu chorar que nem uma condenada.

 

 

Há músicas maravilhosas na trilha da S1 de Empire – que pertence ao Jamal, sem dúvidas. Ele é desenvolvido do zero até se tornar a grande estrela do show. Ao longo dos episódios, o vemos se superar e deixar Lucious louco de raiva. O renegado se levanta da lama e se destaca com um belíssimo arco e com um forte repertório musical. O empenho desse personagem é relacionável, não só pelo preconceito, mas porque há aquele gosto da busca pela aceitação enquanto se briga com a dúvida de ser capaz de vencer.

 

Ao longo das dificuldades e da homofobia do pai, torcemos para que Jamal vença e esfregue na cara do mundo o quanto sua forma de fazer música é perfeita. De nada adianta ter batidas boas se o conteúdo não agrega em nada, e ele é esse tipo de personagem.

 

Jamal mostra que há verdade quando dizem que os melhores trabalhos vêm de um ponto de fraqueza. Lucious o inspirou a combater essa falta de aceitação. O personagem é transparente, mas, assim que se vê bem-sucedido, há o endurecimento em forma de confiança – que nos norteia para um novo arco da storyline dele não tão bacana assim.

 

Jamal 1

 

Excluindo todo o contexto familiar, Jamal dá uma bela lição de que sonhos são possíveis, algo que pode até ser botado em cheque por ele ser um personagem privilegiado. Só que ele abdica desses privilégios para se erguer realmente do zero e é o que torna essa parte da história dele encantadora. Principalmente por contar muito com Cookie que retorna ao mundo dos filhos sem saber exatamente qual é seu papel na vida de cada um deles.

 

Jamal pensa que é fraco e que não terá seu espaço no mundo da música por causa de Lucious. A opinião que lhe importava nunca veio e só lhe restou provar o contrário. Por essas e outras que as canções desse personagem tocam lá na ferida porque queremos acreditar nos nossos sonhos, queremos ser respeitados por quem somos e não queremos ser enxotados por não sermos iguais a todo mundo. Se o personagem fosse mulher, nossa seria ainda mais awesome!

 

A S1 de Empire tem muito da busca de identidade. Jamal passa a mensagem que é possível prosseguir mesmo que seja por conta própria. Que você pode fazer o que faz com excelência sem ficar preso a aprovação alheia. O que importa é fazer, com paixão e com honestidade.

 

Hakeem

O babado é certo em Empire, vão vendo

 

Além dessas que citei, dou destaque para Drip Drop (desculpa, tive que citar porque é bem ruim essa música, mas ao mesmo tempo muito boa), What Is Love na voz da V. Bozeman (peloamordeDeusovocaldessamulher!), Remember the Music na voz de Jennifer Hudson e Power of the Empire (solo do Yazz aka Hakeem).

 

Os vídeos estão hospedados no YouTube e podem sair do ar a qualquer momento.

Os gifs não me pertencem.

Stefs
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