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04/abr

 

Seja quem você precisou quando era jovem

 

Este texto é patrocinado por muitas pessoas, mas destaco uma delas para conseguir dar apoio a este texto: Charlie Carver. Para quem não associou o nome na lata, ele compareceu na S3 de Teen Wolf e tem como irmão gêmeo Max Carver.

 

Há um tempinho, ele usou a imagem que abre este post e fez um textão dividido em 5 partes no Instagram a fim de explicar a razão de tê-la salvo no celular, principalmente porque o quote é anônimo. Isso o fez sentir que havia mais a ser dito, que havia algo perdido no contexto da mensagem. Quem escreveu? Para quem essa pessoa anônima teria escrito essas palavras? E por quê?

 

Charlie desenvolve o texto ao partir do seu sonho de ser ator desde que era muito jovem (e várias outras coisas). Ele afirmou que, nessa mesma tenra época, sabia que era diferente dos outros garotos da sua idade. Um “saber abstrato” que cresceu dentro dele de forma dolorosa, marcado por sensações de desespero e de alienação que culminaram no clímax de ser gay.

 

Antes de tomar uma atitude, ele repetiu que é gay para si mesmo a fim de ouvir como soava. Soou verdadeiro e ele se odiou por isso. Charlie tinha 12 anos e levou algum tempo para contar para a família – uma conversa descrita como saudável seguida da famosa sensação de alívio de ter dito. Uma conversa que o fez sentir que finalmente estava se impondo por si mesmo e pela sua vida. Foi como dar início a uma noção pessoal e adulta da própria autenticidade.

 

Nisso, Charlie também explicou que “se revelar” ou o nosso famoso “sair do armário” é uma experiência primária e particular de cada um, não importa se é gay, bi, lésbica, trans ou apenas você mesmo. Nas palavras dele, se você estiver pronto e se sentir seguro, então pense em dividir essa parte de si mesmo com os outros e que nunca aconselharia uma pessoa a fazer isso se adiante houver um espaço inseguro que a faria ser magoada e machucada.

 

O texto casa com a experiência dele como ator, no como a profissão o tirou do anonimato, como ele busca sempre um espaço neutro para expor suas opiniões, o quanto as coisas têm mudado para a comunidade LGBT e a força dos jovens em criar/buscar espaços seguros para si e para os outros a fim de compartilharem os mesmos dilemas. Com toda sua experiência na vida e na carreira, ele finaliza contando que precisou ouvir de outra pessoa de Hollywood que devia a si mesmo, mais que tudo, ser quem precisou quando era jovem.

 

Como Charlie, eu também tirei print dessa imagem e passei meses matutando sobre o que o quote estava querendo dizer. Ao longo de 2015, tive uma experiência por debaixo dos panos que chamei de A Bela e as Feras. Tratei como um projeto piloto que fiz da minha necessidade de também ser quem eu precisei quando era adolescente. Não, também não foi fácil.

 

Para ser quem precisei na adolescência, me voltei para dentro a fim de reconhecer e de aceitar muitas coisas com afinco. Só assim para sair do meu armário com mais confiança e, talvez, com mais autenticidade. De novo, volto ao texto de introdução ao Random Girl, cujo pensamento também partiu da necessidade de Kara em abraçar o seu superpoder e ser a heroína da sua própria história. A personagem devia isso a si mesma e batalhou para que isso acontecesse.

 

Assim como Charlie e Kara, e tantas outras pessoas, eu devia isso a mim mesma.

 

De fato, nós temos que sair do nosso esconderijo para nos mostrarmos como realmente somos por aí. Isso parte de um nó dentro de nós que recusamos a desatar por certo tempo e quando o fazemos vem realmente aquela sensação de alívio (e para muitos ainda há a indagação do porquê não ter feito isso antes). A verdade é que sair é a parte mais complicada porque você se mostra como é, o que também não é fácil porque a exposição (não precisa ser famoso porque se aceitar é o mesmo que colocar um alvo na testa) nos torna vulneráveis.

 

E é esse meu ponto de recuo. Tenho problemas com vulnerabilidade, algo que tem melhorado bastante porque tenho aprendido a usá-la a meu favor.

 

Sobre-Bela-e-as-Feras

Fan art por Xenia (sim, é a Katniss e a ilustradora me deixou usá-la e gritos!!!)

 

De início, A Bela e as Feras foi um experimento às escuras que começou no querido Blogger. Desde que ingressei como Chapter Leader do I Am That Girl, a faísca dentro de mim que me avisava que podia fazer mais cresceu. Uma faísca que silenciei por muitos anos. No caso, as experiências que mudaram minha vida e que poderiam ajudar outras pessoas.

 

Fazia tempo que buscava um meio de falar mais das causas que me importam e das coisas que me incomodam. Ou das coisas que vivi no passado, as razões que me mantiveram por muito tempo dentro do meu armário. Usei muito o Random Girl para expor essa minha outra pessoa, só que a necessidade de ter um espaço somente para isso bateu mais forte. Daí, nasceu esse projeto que saiu do modo piloto para ser tão real quanto esta casinha do amor.

 

Uma coisa que percebi com o passar do tempo é que quando aceitamos algo em nós as coisas que queremos são mais fáceis de moldar e de conduzir. Tinha muita, mas muita vergonha de dizer que sofri com um distúrbio alimentar, poucas amigas sabiam disso e quando sabiam a informação vinha como uma sinopse da Netflix. Esse foi meu “saber abstrato” por muitos anos porque mesmo em tratamento eu me mantive na negação.

 

E estava cansada disso, principalmente porque eu sei que há outras meninas e mulheres que passam pelo mesmo. Às vezes, elas não contam com o auxílio de ninguém ou palavras de conforto que as façam se sentir mais seguras em conversar sobre isso e buscar ajuda.

 

Eu não tive essas pessoas e me senti no dever, mais do que nunca, de ser quem eu precisei quando era jovem não só por mim, mas por tantas que sentem a mesma vergonha que senti.

 

A Bela e as Feras nada tem com a Disney, mas uma fatia da inspiração veio de lá (a fanzoca da Branca de Neve que escolhe outra história para criar uma ponte com o projeto). A intenção é uma Bela contra as Feras. Uma não significa unidade, mas tanto você, eu ou qualquer outra Bela que lida com as mais diferentes Feras, todos os dias.

 

A minha Fera me fez acreditar que criar esse site era viável e necessário até para minha sanidade. Assim, o ergui junto com a nova versão do Random Girl – e, ironicamente, ele foi feito e finalizado primeiro.

 

Voltando ao texto de boas-vindas do RG, disse que estava disposta em vestir a minha capa, ser uma super-heroína e tentar defender o que acredito. A Bela e as Feras entra como um novo propulsor por representar um outro timbre da minha voz. Outro divisor de águas na minha vida que exigirá muito de mim, mas a melhor parte é que estou absolutamente disposta.

 

Gif6

 

Não falarei mais porque escrevi um texto de introdução completinho lá no BF. É um projeto em desenvolvimento, que amadurecerá com o tempo (o mesmo rolou com o RG e cá estamos). Só queria fazer festinha aqui com direito a botar gif – porque amo gif, com licença!

 

(Inclusive, lá também é aberto para colaboração, então, se alguém quiser compartilhar sua história, só chegar junto – e tem a opção de deixar post anônimo, não se preocupem).

 

Para ler os posts do Charlie: Charlie Carver.

 

Texto de introdução ao Bela e as Feras aqui.

 

PS: não tenha medo de vestir a sua capa. ♥

Stefs
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  • Isis Renata

    fui lá e já amei :’)
    é tanto proj lindo que o amor tá transbordando!
    orgulho depois de orgulho
    só sei sentir :*

    • Hey, Random Girl

      Ahh sua linda! ♥♥♥