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12/abr

Este é aquele post que estava pronto desde o ano passado e só deu para publicar neste instante.

 

Não sei bem porque demorei tanto para ver a última temporada de My Mad Fat Diary. Por ter apenas 3 episódios, aguardei bater aquela vontade avassaladora. Lá no fundo, sei que o recuo se deveu a minha irmã, fanzoca de Rae e Cia., que passou dias tentando se recuperar do series finale.

 

E entendi o motivo. Quando terminei de assistir, em uma tacada só, dormi chorando.

 

Ainda tenho vívido na minha mente vários episódios da minha adolescência e as temporadas de My Mad Fat Diary me fizeram reviver incontáveis deles. Detalhe que me deixava em um estado contemplativo. Lembro-me de momentos bons, como o prazer de ter pertencido a uma gangue – na verdade, duas, mas uma foi nociva a outra não – e de momentos ruins. Ao longo dessa jornada, Chloe e Rae representaram esses dois lados da minha vida que tiveram dificuldades que me forçaram a superar muitos desdobramentos que me faziam infeliz.

 

Chloe seria eu na panelinha do mal e Rae seria eu na panelinha do bem. Uma mistura conflitante dentro de mim e que me fez entender melhor – e de vez – essas duas personagens.

 

A última temporada de My Mad Fat Diary veio regada de despedida. É hora de abandonar o ensino médio para iniciar os estudos universitários. Meu coração ficava pequeno conforme terminava cada episódio e é uma tristeza saber que não haverá mais. Em poucas horas, entendi o medo de Rae em não querer dar um passo rumo ao futuro enquanto seus amigos já não mais espiavam a porta que desejavam. Todos ao redor dela estavam absolutamente dispostos a abraçar o início da vida adulta enquanto a personagem recuava com vigor.

 

Vi-me demais nessa situação porque sempre foi confortável estar na turma e ter a mesma rotina, sem tanta expectativa sobre o próximo capítulo. Comecei meu ensino médio em 2001, que ainda tinha cara de anos 90, e só sabia de uma coisa: ninguém me faria sair do mesmo lugar.

 

Ironicamente, a vida chutou a minha traseira ao contrário do que acontece com Rae no series finale. Ela provoca uma situação que a faz duelar com seus demônios enquanto amigos e família se agitam com as expectativas altíssimas quanto à formatura e ao ingresso em alguma universidade. A personagem poderia ter nadado nisso e aproveitado cada onda, mas seu egoísmo adolescente, que mais rima com medo de não pertencer a uma realidade tão igualmente bacana a que possui, chega perto de botar tudo a perder. Inclusive a gangue.

 

E compreendi o quadro, embora queimasse por dentro de raiva, porque meu egoísmo adolescente teve muito a ver com as coisas que aconteciam em casa. Meus pais se divorciaram, um divisor de águas na minha vida, não tão forte quanto o acidente que chega perto de custar Chloe.

 

Um acidente que Rae indiretamente provocou por causa da necessidade de manter a gangue unida (ela era a cola, ué!). Esse é o estopim do conflito da S3 que faz a protagonista retroceder aos comportamentos nocivos da 1ª temporada e o impacto desse súbito revés muda toda a sua rotina. A personagem passa os dois episódios seguintes correndo atrás do prejuízo ao mesmo tempo que sente a pressão externa de ter que planejar o futuro.

 

My Mad Fat Diary - Rae

 

Ao longo dos 3 episódios, Rae vê a palavra “futuro” em todos os lugares enquanto tenta recompensar o dano que abala sua relação com a gangue e que quase a faz perder a melhor amiga. A personagem precisa ir pra frente, mas dá mil passos pra trás dentro de um novo divisor de águas que sempre considerarei muito precoce para qualquer adolescente enfrentar sozinho. Isso, tendo em vista a questão de identidade.

 

Muitos não sabem quem realmente são ao projetar o ciclo faculdade. Alguns têm certeza do que almejam e, geralmente, dão de cara com decepções. Há quem dá sorte, mas já vi muito caso de crise de pessoas próximas que engataram o ensino médio já em uma mesa universitária.

 

Para vocês terem ideia, no 1º ano do ensino médio nem fazia ideia do que era escolher uma profissão porque estava ótima aonde estava. Só fui me envolver nisso no final do 3º ano e ingressei em solo de jovens adultos já com 22 anos.

 

Uma das coisas mais impactantes dessa temporada final de MMFD é o como as pressões externas fazem Rae entrar em um ciclo retrógrado. Algo que fiz aos 15 anos. Sempre retrocedi, me autossabotei, mas o que aconteceu com meus pais me empurrou para além de uma linha tênue regada de querosene. Queria me queimar, como muitas vezes essa personagem quis (e fez como também fiz).

 

Não foi só isso que me atormentou na adolescência, pois também convivi com sérios problemas de autoimagem e Rae se vê no auge dessa situação no series finale. Não me achava bonita e sempre dava um jeito de me inferiorizar perante as meninas e até mesmo dos meninos porque tentei várias vezes me moldar para chamar a atenção deles. Um balde de inseguranças que me deixou agressiva e não perdoava ninguém que se metia comigo. Era agitadora de treta – que tinha dom de terminar em conversa – e os instantes tensos eram resolvidos a cavaladas na aula do honorável handebol.

 

Essa irritação que me fazia atacar as pessoas, especialmente meninas, me deu a falsa impressão de que era forte e de que para ser respeitada eu precisava ser temida. Porém, só estava sendo agressiva por ser, estúpida por causa das minhas inseguranças, e queria que todo mundo sofresse. Fui bem egoísta, um pesadelo se querem saber. A diferença é que tive a oportunidade de correr atrás de incontáveis prejuízos que, graças ao universo, me trouxeram melhorias.

 

E o mesmo quero pensar de Rae porque pelo outro lado da lupa tudo que ela fez foi em grande parte para não se sentir sozinha. Se perdesse todos os amigos seria o mesmo que cair nos péssimos hábitos, de acionar gatilhos antigos e de duvidar do próprio valor. Informações que perseguem a protagonista ao longo do series finale e não tem como segurar as lágrimas.

 

Parte Rae. Parte Chloe.

 

My Mad Fat Diary - Chloe

 

Ao longo da 3ª temporada, Chloe me surpreendeu muito, independente do seu tempo acamada. Digo com convicção o quanto ela foi bem construída e desenvolvida, pois vi muito de mim e de outras colegas de classe nela. Essa personagem é tão palpável quanto Rae, principalmente porque há muitas meninas nessa idade que usam a própria aparência para ter uma posição na escola.

 

No meu caso, usei a irritabilidade, carinhosamente chamada pelos estudiosos de revolta de aborrecente, como segurança. A semelhança entre nós vem ao notar que tanto eu quanto elas negávamos a nossa fragilidade, o que dava força para fazermos pouco de nós mesmas. Uma situação popularmente conhecida como baixa autoestima que pode tornar qualquer pessoa dependente da aprovação do outro e na adolescência isso é deveras frequente.

 

Foi nessa espiral de negação que meu dark side floresceu, tendo em vista o que aconteceu com meus pais e o que veio a seguir – uma casa desmantelada. É aí que me relaciono com Rae, pois meus problemas de autoimagem foram gatilhos para muitas coisas, especialmente para um transtorno alimentar. Isso começou aos 16 anos, em que o reflexo do divórcio realmente começou a me afetar. Fingi que não era comigo e criei, sem ao menos perceber, uma bolha protetora que me forçou a se preocupar no como me via.

 

A busca pela perfeição tanto no espelho quanto na vida, o que me dá muito da Chloe. Porém, Rae também faz parte e forma, junto com a melhor amiga, o dito conflito dentro de mim ao longo da minha caminhada com a série. A bolha protetora chegou perto de me arruinar e o mesmo quase aconteceu com ambas que tiveram uma a outra para não afundarem de vez.

 

Chloe era desacreditada. Rae também. Eu fui aos 15 anos e carreguei isso até os 20 e poucos anos. Mente quem diz que o que se sofreu na adolescência não influencia no futuro, porque influencia sim e não são todos que conseguem se libertar. Fiquei anos tentando me provar para uma pessoa em específico e isso engatilhou a necessidade de ser perfeita. De ter tudo no lugar.

 

Quando Rae começa a ter recaídas, retornei aos momentos em que não sabia o que estava acontecendo comigo. My Mad Fat Diary tem meus aplausos por gerar conversa sobre saúde mental, ainda mais nessa idade em que a vida é um turbilhão de ataque e de defesa por vezes imparável. Muitas coisas se passaram na minha mente, da mesma forma que acontece com a protagonista, e aderi um ciclo de punição que nem sei como foi criado: toda vez que comia por impulso, eu tinha que malhar o dobro para queimar as calorias. Isso se chama exercise bulimia, ou seja, um tipo de transtorno alimentar em que a culpa de ter comido me fazia malhar como castigo.

 

MMFD-S3----Rae-na-escola

 

Achei muito pertinente os demônios de Rae virem à tona no final da temporada, porque funcionou como um lembrete do passado tendo em vista que ela não queria transitar para o próximo capítulo da sua vida. De quebra, ainda tinha a culpa pelo que rolou com Chloe. A personagem tentou ao máximo prender todo mundo (e se prender) e voltou a se sabotar. Reconheci essa luta, pois tentei me manter perto da minha gangue, mas fui arrancada do convívio dela. Nem me formei com ela. Mas, de certa forma, a mudança inesperada salvou minha vida, embora tenha me dado um transtorno alimentar. A partir daquele ponto, comecei a projetar o além da Stefs, algo que recusava porque achava que estava bem empacada e que poderia viver assim.

 

Sempre acontece algo que força a mudança, mesmo quando não queremos. Elas costumam ser inesperadas porque nos recusamos a acarretar reviravoltas para nós mesmos. Às vezes, essas reviravoltas se sentem na obrigação de acontecerem sozinhas, sem querermos. Rae assistiu isso do jeito difícil, movida pelo passado que a enfurnou em uma clínica psiquiátrica. Outro estopim que nos faz regressar ao 1×01, pois a protagonista retrocede para se indagar novamente que tipo de pessoa tinha se tornado e que tipo de pessoa pretendia ser.

 

O que gosto muito em determinadas séries adolescentes, quando são bem feitas e desenvolvidas, é a evolução dos personagens. Chloe me emocionou demais ao não culpar Rae pelo ocorrido e ao deixar claro que estaria ao lado dela para o que der e vier. Retornar ao passado e relembrar a maneira como ambas se olhavam com desconfiança, o quanto uma dava mancada com a outra, para no fim se escolherem em meio a suas crises e suas inseguranças foi um grande desfecho.

 

Chloe sempre foi a mais solitária da gangue, embora fosse a mais presente/rodeada. A personagem também buscou meios autodestrutivos para ser aceita e várias vezes ignorou Rae que emanava a ideia falsa de controle. Ambas tentam sobreviver no caos que é a adolescência em duas vias diferentes.

 

Meus problemas de autoestima sempre me deixaram no limbo e Chloe me chamou atenção nesse quesito por ter me reconhecido muito nela. O perfeccionismo, a corrida em garantir o lugar no sol, perceber subitamente que a vida adulta batia à porta e me atropelar com cursinho e apostilas dentro da neura de que precisava ser bem-sucedida. A questão é que a personagem não fazia ideia do quanto era inteligente, engraçada, autêntica e querida. Por uma ilusão em torno da perfeição, a adolescente quicou entre as temporadas buscando aceitação mais pela sua aparência e “objetificou a si mesma” para ter aprovação masculina.

 

No decorrer da série, Rae se destaca como a super-heroína da melhor amiga. O mesmo não se repete no series finale, pois Chloe assume esse papel. Os altos e baixos as fortaleceram e o acidente da S3 serviu para firmar que essa amizade é e sempre será o coração da série. MMFD deu uma lição de sororidade e de empoderamento na adolescência por meio dessas duas meninas completamente diferentes, mas ao mesmo tempo semelhantes em suas inseguranças. Foi uma pincelada sutil levando em conta que, no fim de tudo, ambas se enalteceram em vez de abraçarem a dita rivalidade feminina.

 

Ambas são dois retratos da adolescência. De qualquer adolescência, independente da década. É preciso um olhar delicado para compreendê-las, sempre foi ao longo da série, e fiquei muito contente com a maneira da qual elas encerraram parte dessa jornada.

 

A saúde mental em cheque novamente

 

MMFD-S3---diário

 

As mulheres não importavam tanto para Chloe, a não ser que sentisse seu trono ameaçado. A dita concorrência feminina abalou mais Rae que se comparava a melhor amiga e a tantas outras. Porém, esse não é um fator único que abalava o crescimento interno da personagem. Só assistindo MMFD para compreender o quão complexa é a sua storyline.

 

Saúde mental é um tópico do qual também me identifico por causa da minha vivência com a bulimia. Não sabemos quando há o estopim e, geralmente, é preciso terapia para descobrir o que provocou esse ciclo. Rae diz a Chloe que não sabe o que a deixou doente, mas esse conflito interno sempre esteve associado a sua melhor amiga, sempre a mais bonita, magra e a escolhida por qualquer garoto. A protagonista teve razão em dizer que não sabia como tudo começou. Simplesmente acontece.

 

Se me perguntarem como me encontrei do jeito que estava em 2002/2003, jamais saberia dizer. Quando me dei conta, já estava, e cheguei perto da berlinda. Uma coisa começou a acarretar outra que puxava outra que lançava outra e assim por diante.

 

É uma situação que não se desprende de você. Como diz Rae na S3, é preciso saber como lidar. Saber encontrar um meio-termo. Há recaída, especialmente em momentos de muita pressão ou quando todos os gatilhos que nos faz retroceder são acionados. No caso da protagonista, era duvidar do seu valor que desencadeava neuroses que a faziam até mesmo “ver” que Finn a namorava por caridade e que Chloe a usava para se manter um patamar acima.

 

As respostas para o que Rae sentia estavam em seu diário e é quando o series finale se torna mais emocionante, pois voltamos à trajetória inicial da protagonista e vemos o quanto ela superou. Assim, desejamos que a personagem não retome os antigos hábitos, pois seria o mesmo que finalizar MMFD dando um aceno ao 1×01. Com Chloe internada, a vemos lidar consigo mesma meio que a força para buscar solitariamente novas saídas. Só que meio mundo já estava pronto para partir e, automaticamente, a adolescente absorveu que ninguém se importava.

 

Ao reler o diário, Rae percebe o quanto amadureceu assim que saiu da clínica psiquiátrica. O quanto a sua recaída ao longo da S3 foi uma chamada de atenção sobre o quanto ela deveria se dar a chance de viver e de conquistar sua liberdade por si mesma. Sem depender tanto dos outros. Sem sentir que precisava ser resgatada quando o mundo escurecesse. Sem sentir que é um estorvo.

 

A sequência de mancadas de Rae nesses 3 episódios partiu meu coração, porque fiz o mesmo quando tinha 15 anos. Não igual, mas parecido. Minhas mancadas eram movidas por egoísmo, como aconteceu tantas vezes com essa personagem ao longo da série. Era mancada seguida de outra. Incontrolável. E todas elas se voltavam para mim porque ao me dar conta do estrago tentava remediar.

 

Rae tentou remediar e quase se perdeu nesse processo.

 

Como a personagem, tive o hábito de escrever em diários (voltei recentemente), mas, ao contrário dela, nunca tive coragem de relê-los com medo de realmente me enxergar. Fui muito covarde em olhar para mim mesma e me enfrentar, principalmente por ter tido vergonha de certas coisas que fiz. Rasguei todos quando terminei o ensino médio e admito que me arrependo porque, boas ou ruins, queria reler aquelas memórias a fim de entender como aquela versão de mim sofria.

 

MMFD-S3---Kester-e-Rae

 

Kester teria me ajudado muito ao longo da minha jornada e sempre achei fantástico como ele se saiu como um provocador a um psiquiatra. O personagem era praticamente o grilo falante, cutucando mais que dando conselho. Amo, e sempre amarei, a forma como rolavam as indiretas interrogativas para cima de Rae, sempre tirando a casquinha das feridas para impulsioná-la positivamente.

 

Eternizados serão os instantes no estacionamento, quando o diálogo entre ambos frisa que Rae merece uma chance, que é boa o suficiente e que realmente está pronta para terminar a terapia e desbravar o mundo por conta própria. Meu desmanche emocional começou aí.

 

E o que dizer da mãe de Rae? Que afirmou que só seguiria seu sonho quando a filha estivesse pronta para seguir o dela? Foi incrível ver como essa mulher também mudou, passando a olhar mais para a filha, mesmo não perdendo o jeito mandão que a tornava inconveniente, mas querida. Nem lembrava a senhora que só faltava trancar Rae no guarda-roupa e tirá-la de lá depois de 5 horas.

 

Rae cresceu tanto. Amadureceu tanto. A personagem é a rainha da autodúvida e concentrou tudo de errado na própria aparência, achando que a vida seria só sobre isso. Sua decisão final me deixou ainda mais orgulhosa do seu desenvolvimento na série: abrir mão de Finn. Muito linda a maneira como os dois terminaram, pois esperava que ambos se tornassem o típico casal feliz do ensino médio e não aceitaria. Queria vê-la desbravar o mundo sozinha e foi exatamente isso que aconteceu.

 

Rae decidiu sair por cima até mesmo do que sentia por Finn. Ela redescobriu o quanto é amada, mas ouviu Kester e decidiu se dar uma chance. Os fatores externos lhe deram a opção de ser ou a melhor versão de si mesma ou a rendida aos antigos hábitos que só trouxeram dor e solidão.

 

A personagem finalmente se colocou em primeiro lugar.

 

Conclusão

 

MMFD-S3---gangue

 

But I’m a creep, I’m a weirdo. What the hell am I doing here? I don’t belong here.

Entramos na mensagem principal da última temporada de My Mad Fat Diary: cabe a nós o processo de mudança. Cabe a nós dar os próximos passos. Cabe a nós lidar com os altos e baixos da melhor maneira possível. Os passos para trás de Rae serviram para que ela se resgatasse e lutasse por si mesma, simplesmente porque ninguém mais o faria. Quando ela ilusiona o suicídio – e quase tive um AVC –, esse momento de desespero sinalizou que ela, e qualquer pessoa, pode estar rodeada de muitos amigos ou conhecidos, mas cabe a nós cuidarmos de nós mesmos.

 

Cabe a nós protegermos a nossa vida, acarretarmos as mudanças que merecemos e lidar com o que não queremos. O series finale apenas esfregou que a diferença está em nossas mãos.

 

É difícil o permanecer das amizades do ensino médio porque as pessoas mudam. Ainda falo, muito pouco, com as amigas que tive na escola, mas sei que podemos nos reencontrar a qualquer momento. Porém, outros elos da adolescência se perdem no caminho, mas isso não quer dizer que você estará efetivamente sozinha/o. Novas pessoas surgem nas nossas histórias, boas e más, justamente para contribuir com nosso amadurecimento. Rae não queria sair da redoma, nem Chloe, porque, quando se tem 17 anos, o mistério do que há além é aterrorizador.

 

A lição maior é essa:

 

MMFD-S3---Rae-despedida

 

Você não precisa de ideias fixas sobre quem você é ou para onde você vai. Você não precisa de ofertas ou carimbos de aprovação. Você só precisa estar preparado para qualquer porcaria que vier. E quanto à loucura, os problemas mentais e à maluquice, é tudo meu, querido diário. Tenho que manter isso. Isso viaja comigo.

 

Todo adolescente deveria assistir My Mad Fat Diary. Não apenas por ter uma trilha sonora maravilhosa, que me derrubou sempre por causa da nostalgia, mas por mostrar como é de fato a adolescência. O medo de crescer. A insegurança de não saber quem realmente é. Os conflitos pessoais e familiares. O gosto da vitória e da perda. Da honestidade e da traição. Acima de tudo, da união. De estar em um grupo que não lhe julga e que lhe apoia. Que está ali por você, em qualquer momento da vida. Que quer o seu melhor.

 

O encerramento com Creep do Radiohead foi a cerejinha e, claro, o motivo para eu ter me debulhado em lágrimas. Sempre escutei essa música na escuridão do meu quarto, quando me sentia um zero à esquerda. Aprendi do jeito mais difícil que muitas coisas que fiz e que fizeram comigo não me definiriam. Porém, nada disso foi deixado para trás ou é ignorado, pois faz parte de quem sou. Da minha história. Quando somos adolescentes, temos o desejo de viver depressa e nos livrarmos de tudo, mas precisamos de calma para que o impulso não seja uma queda brutal.

 

Rae escolheu ir para frente, ciente de que nada do que aconteceu a define. O que a define são suas escolhas. Quando a pressão acontecer, quando estiver à beira de um surto, ela compreende que precisa lidar e não fugir, porque são dilemas e conflitos para toda a vida.

 

Problemas de saúde mental não se abre mão. Isso vive com você. Isso vive comigo. Não é apenas tratar e tomar remédios. É vigilância constante. Rae também optou ser menos durona consigo mesma. A se dar a chance de tentar mesmo ciente de que esse fator da sua vida não derreteria.

 

Sim, ela estava pronta para entrar naquele trem e, se nada der certo, ela terá que lidar. Assim é a vida, um jogo de dias bons e ruins que nos testam para nos tornamos pessoas melhores.

 

Foi assim que My Mad Fat Diary terminou. Primorosamente. Já estou é com saudade!

Stefs
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  • Marlysson Silva

    Essa série foi muito massa.. Em 2/3 dias terminei ela kk … Show..