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11/abr

 

Maybe you’re living in my world. I’m not living in yours. You’re just material for my songs

 

Antes de propriamente começar, gostaria de dizer algumas palavrinhas a Random Boss. Sim, você mesma, Srta. Stefs Lima aka My Person.

 

Lembro claramente o dia que esta casa nasceu, depois de muito boicote, noites afinco e muitos questionamentos se esse seria somente “mais um blog a ser cancelado”. Mais um blog “my a£$£””$£”. Random Girl ainda está de pé e se depender do meu puxão de orelha, incentivo e colaboração, nunca deixará essa louca dimensão na qual vivemos.

 

Seu convite para evoluir – sempre penso em Pokémon – de “ocasional colaboradora” para colaborada fixa veio no momento certo, o que prova que você também não é nada besta e sabe o que faz quando apresenta algo.

 

E é isso que quero dizer a ti, obrigada pela chance e confiança, aonde possa fazer jus ao privilégio de me tornar uma Garota Aleatória.

 

Sua transformação é visível não só aqui, mas tocando com maestria o capítulo paulistano do I Am That Girl, então esses são apenas alguns tópicos da longa lista de razões que a tornam a Best Person Ever.

 

Agora chega de rasgação de seda e vamos pro que interessa rs.

 

Resenha---Sing-Street-3

 

Escolhi esse filme como meu primeiro post oficial no RG por três razões: filmes com música (não, não é um musical propriamente dito), Irlanda e John Carney (diretor/roteirista).

 

Antes mesmo de falar aonde vivo no momento, o que já deve ser óbvio, o real motivo que me levou ao cinema no final de semana passado foi que o novo filme do diretor irlandês John Carney estava em cartaz. Se o nome não lhe traz nenhum estalo na cachola, acho que os títulos Once – Apenas Uma Vez (2007) e Begin Again – Mesmo Se Nada Der Certo (2013) provavelmente lhe farão sorrir. Aliás, se pudesse definir uma emoção sentida ao assistir qualquer um destes filmes, a palavra seria sorrisos. E Sing Street não foge dessa premissa, sendo ele um dos filmes mais pessoais e nostálgicos que já tive o prazer de assistir.

 

Cheguei em Dublin em setembro de 2014. O primeiro grande passo do meu projeto pessoal “Be Brave”, que nada mais é do que viver a inspiração transmitida por minha cantora favorita, Sara Bareilles, através de suas músicas.

 

Sair de casa foi um longo processo pessoal e emocional. Porém, hoje, consigo olhar pra trás com um grande sorriso no rosto, pois bem sei quanto tive que calar minha voz interior para chegar aonde estou. Aprendo comigo mesma a cada instante e o mais assustador de viver longe de tudo e de todos que ama, é que você se força a sair de sua zona de conforto, desde conhecer lugares e pessoas novas até o autoconhecimento adquirido com a jornada.

 

Once

 

Como boa amante do cinema e da música, me deparei a alguns anos atrás com esse filme independente irlandês chamado Once Apenas Uma Vez. Na época, alguns  amigos do meu primeiro trabalho em São Paulo já haviam feito intercâmbio em Dublin ou estavam considerando vir para uma temporada. Foi nesse instante que descobri mais sobre o buskers artists aka artistas de rua, uma manifestação artística tão natural aqui na República da Irlanda e em diversos outros países, como Inglaterra e Estados Unidos.

 

E é exatamente isso que Once retrata: um músico tentando ganhar a vida tocando na Grafton Street – uma das mais conhecidas no centro de Dublin – e seu encontro aleatório com uma jovem imigrante. Ambos então embarcam numa jornada, dividindo momentos de suas vidas, sejam eles pessoais ou musicais.

 

Arrancando diversos elogios no circuito alternativo, principalmente por seu baixo custo, a produção independente traz dois cantores/compositores de verdade, o irlandês Glen Hansard e a tcheca Markéta Irglová.

 

Falling Slowly, composta pelo duo, deu mais destaque ao filme, principalmente após levar a estatueta de Melhor Canção Original no Oscar de 2008.

 

Por falar em Oscar, os filmes de John Carney parecem surtir um efeito positivo com suas canções originais. O mesmo acontecera em 2015 com Lost Stars, presente em Begin Again – Mesmo Se Nada Der Certo, performada no filme por Gretta, personagem de Keira Knightley, e Dave, personagem de Adam Levine.

 

Begin-Again

 

Suspiros à parte com a presença do Adam delícia, confesso que meus olhos recaem mesmo sobre Keira Knightley (woman crush desde sempre ) e Mark Ruffalo, que encarna Dan, um produtor musical. O fracasso em sua vida pessoal o faz tentar recuperar sua carreira, esta em risco caso não encontre o que tanto intitulam como the next big thing.

 

Contrário ao que a indústria espera, Dan busca algo autêntico e original, algum artista que expresse aquilo que ele mesmo de certa forma sente ao escutar uma canção. E é justamente isso que acontece quando vislumbra Gretta e seu violão num pub em Manhattan, cuja performance o personagem acredita ainda estar crua, mas que apresenta imenso potencial.

 

Relutante devido à estranheza de ser uma inglesa vivendo na selva de pedra nova-iorquina e seu recém terminado relacionamento, Gretta aos poucos se vê dobrada pelo produtor e é nesse momento que eles desenvolvem uma importante relação. De maneira fluída, assim como o roteiro, suas vidas pessoais e profissionais tomam rumos inimagináveis.

 

Muitos dizem que os três filmes compõem a trilogia musical de John Carney, o que não poderia soar mais verdadeiro. Sendo na Irlanda ou nos Estados Unidos, é apaixonante a forma com que a música e seus intérpretes circulam em cada uma das tramas, todas essas com um forte senso de autoconhecimento, descobertas e a eterna busca por um sonho ou lugar no qual pertencer.

 

Resenha---Sing-Street1

 

The Commitments (1991) é um clássico coming of age irlandês, no qual John Carney, juntamente com sua própria adolescência, presta um tributo pra lá de nostálgico aos anos 80 com Sing Street. Utilizando como cenário sua cidade natal Dublin, e até mesmo a escola que estudou quando garoto, Carney mostra cada vez mais de seu estilo, onde o elemento fundamental é o poder da música no desenvolvimento de suas personagens.

 

Mesmo com um elenco adulto de peso, como Aidan Gillen (Game of Thrones) e Maria Doyle Kennedy (Orphan Black), quem realmente brilha é o elenco juvenil, este em suma desconhecido fora da Ilha Esmeralda e do Reino Unido.

 

Sing Street poderia ser visto como um clichê teen, o que não deixa de ser verdade, mas é a natural narrativa criada por seu diretor/roteirista  e a atuação espontânea e real de Ferdia Walsh-Peelo, interpretando Connor. Esse é o primeiro grande papel do promissor jovem ator/cantor,  e sua colega de cena, Lucy Boynton, a musa inspiradora e girl next door, Raphina, que fazem do filme uma joia encantadora.

 

Connor é o clássico protagonista. Filho mais novo, com um meio-irmão rebelde e uma irmã certinha. Os pais enfrentam dificuldades no relacionamento e também financeiras, situação que o obriga a deixar seu habitual colégio, levando-o até o colégio para garotos Synge Street CBS (Christian Brothers School).

 

You only have the power to stop things, but not to create

 

Mesmo alvo do valentão problemático da escola, Connor acaba se aproximando do irreverente Darren, um pequeno guri ruivo com alma de empreendedor. Só que a história realmente começa a caminhar quando o personagem se depara com uma linda garota, esta que, segundo seu novo amigo, sempre fica parada na frente de uma das casas em frente a escola.

 

Hipnotizado pela garota, Connor cria coragem e se aproxima. Mesmo que sem jeito algum, inicia uma conversa com aquela que viria a ser sua fonte de inspiração musical.

 

Resenha---Sing-Street-2

Going up… She lights me up… She breaks me up… She lets me up.

 

Bom, a música naturalmente entra na vida de Connor quando ele decide mentir para impressionar Raphina. Sua banda, até então inexistente – a moça não precisa saber –, está à procura de uma modelo para a filmagem do primeiro videoclipe.

 

Tentando encontrar talentos musicais na escola, afinal ele precisa de uma banda de verdade até o dia da filmagem, Danner, que age como o  “empresário”, apresenta ao Connor o multi-instrumentista Eamon. Personagem que cede sua casa para as reuniões e ensaios futuros da banda, essa que encontra mais três componentes, iniciando então o árduo trabalho de tornar tudo aquilo algo meramente real. Com forte influência de seu meio-irmão Brendan, o protagonista acaba por mudar o rumo da banda, de músicas covers para originais.

 

Com a veia poética de Connor e o talento nato de Eamon para melodias e acordes, o duo começa a criar o som da banda, esta nomeada Sing Street. Uma bela homenagem à rua na qual eles estudam em Dublin.

 

Considerando a forte onda do pop rock britânico naquela época, com bandas como The Cure e Duran Duran, Sing Street grava sua primeira original, The Riddle Of The Model, esta apresentada à Raphina como isca final para fazê-la comparecer pra filmagem do videoclipe.

 

Com uso de roupas exóticas e maquiagem acentuada, toda essa orientada pela musa de Connor, os meninos do Sing Street iniciam sua jornada em busca de visibilidade. Principalmente o protagonista aka Cosmo (apelido dado por Raphina), que faz de tudo para conquistar seu primeiro amor, mesmo que ela seja dois anos mais velha que ele e planeja mudar-se pra Londres, sonhando com melhores oportunidades em sua carreira como modelo.

 

Mesmo com a implosão do relacionamento de seus pais, Cosmo parece focado em seu amadurecimento pessoal e musical e os primeiros resquícios de sua transformação iniciam na maneira com que se veste. Fator ditado conforme a fase criativa que ele se encontra e, naturalmente, como escolhe atingir o coração de Raphina através das letras da banda.

 

Brendan, como irmão mais velho, serve como conselheiro amoroso e musical, no qual seu quarto, uma meca de vinyls de suas bandas e artistas favoritos, se transforma numa espécie de porto seguro para Cosmo. É ali que ele descobre o estilo de canção “happy sad” e as diferentes transformações e toda a influência musical que dita os anos 80.

 

Toda a transição de garoto deslocado para líder de banda descolado floresce ao olhar da audiência, ficando impossível não torcer pela conquista amorosa do rapaz. Pouco a pouco, e com muita paciência, ele conquista Raphina, que para além do estilo fashionista e a aparente autoconfiança, mostra que no fundo não passa de uma garota insegura e deslumbrada com um novo mundo que nem ao certo sabe se é para ela.

 

Suas inseguranças a fazem desacreditar em si mesma, mas é a música do Sing Street e a conexão do casal através das letras, que faz tudo ressoar na mais sutil harmonia. Mesmo que a maré do destino escolhido seja turbulenta e assustadoramente desconhecida, tudo que resta a fazer é seguir em frente.

 

Sem data de lançamento no Brasil, fica aqui uma recomendação pra lá de certeira pros amantes da nostalgia e dos anos 80 como eu mesma confesso que sou.

 

Trailer oficial hospedado no YouTube através do canal Movieclips Trailers

 

Canção original performada por Adam Levine (Maroon 5), apresentada nos créditos finais do filme.

 

Vídeos hospedados no YouTube e podem sair do ar a qualquer momento

Mari
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