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26/abr

Este post é tardio por motivos de RG em manutenção até fim de março de 2016 (sempre faço a retrospectiva, mas falhou dessa vez). Este é outro texto que pensei seriamente em pular porque não fiz tantos avanços quanto gostaria com o We Project. Para ser bem sincera, ele perdeu um pouco o glamour e devo isso a minha confusão geminiana de sempre cutucar a história e tentar dar uma repaginada – algo que preciso parar de fazer com urgência!

 

2015 foi basicamente o duelo da canetada. Tudo começou com uma reescrita de algumas coisas que me incomodavam – como o famigerado Prólogo – até que chegou um ponto que empaquei. Empaquei não por causa de um bloqueio, mas porque havia uma singela insatisfação da qual não conseguia identificar ao encarar o Word ou refletir embaixo do chuveiro.

 

Parti para uma faxina que me ajudou: reuni as agendas, post-its, cadernos e afins que tinha espalhados pelo meu criado-mudo e resolvi fundi-los – sou geminiana e tenho aquela coisa de dividir tudo por assunto ou me perco completamente (falta de atenção e esquecimento, isso mesmo). Passei a tarde de um domingo quente demais, acompanhada da boa e amiga cerveja (e lembro que fiz esse serviço em clima de bêbada risonha), mexendo, rasgando, remexendo papéis cheios de poeira. Fui teletransportada para o início do WP, chorei por dentro, e percebi saudosa que foi uma longa jornada. Nunca me dei conta disso até rever os outlines.

 

Fiquei feliz com a faxina, pois aproveitei o processo para repaginar todos os plots.

 

Mas de novo, Stefs?

 

Sim, porque, caso não se lembrem, comecei a reler a história a fim de editá-la. Ou seja, tirar o que não serve, dar uma melhorada nos capítulos, retirar ou introduzir personagens. Enfim, a faxina do manuscrito para depois ler e ler de novo, de novo e de novo, até achar que está no ponto. Não sei se esse processo tem demorado porque sou daquelas que assiste série e fica enfurecida com buraco na história (e isso me deixa preocupada porque não quero ser essa pessoa) ou porque parece que minhas ideias são iguais as de alguém (bati de frente com várias no ano passado o que automaticamente me obrigou a desviar o caminho e isso é um saco. Lembrando que mudei nome de um personagem por causa da Veronica Roth) ou porque amadureci, então, a história que quero contar nada tem a ver com a versão de 2012.

 

Fato é que vivo no drama da ficção científica: já tem de tudo!

 

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Prof. X sou eu vs. We Project

 

Pensei seriamente em escrever do zero porque, de certa forma, o que já tenho pronto me deixa presa – como aconteceu com o Prólogo. Por saber que o manuscrito está finalizado, editá-lo me parece uma tortura porque nada me parece bom, o que é normal visto que quem escreve tem que melhorar o que fez anos atrás. Só que levando em conta o quanto sou chata com enredo, rola aquele pavor de eternamente nunca estar bom e essa luta cansa demais.

 

Fato é que minhas prioridades mudaram em 2015 e a escrita voltou a ser um hobby. Ano passado foi o período da redescoberta e o We Project perdeu o posto de prioridade para o I Am That Girl (e não me sinto mal por essa troca). Graças ao IATG me encontrei mais e muita coisa que aprendi dentro do movimento tem refletido no como quero contar essa história (e manter sites). Foi uma mudança e tanto que levou a outras e outras, e o livrinho ficou de lado.

 

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A dose de culpa também vem daquela velha sensação que já comentei aqui no RG: para que diabos continuarei escrevendo o WP sendo que as taxas de publicação são nulas? Sabem, sou uma pessoa que não gosta de perder tempo. Sou uma pessoa exata, mesmo tendo esse emocional que só falta me engolir e que me faz querer sumir da face da terra (Vênus em Câncer, migos). Se eu não ver 1% de vantagem, não consigo seguir adiante, algo que nada tem a ver com grana porque se fosse isso não teria site (e não ganho nada com ele).

 

O livrinho chegou a esse ponto frustrante porque foram exatos 3 anos me dedicando e me desesperando. Abrir mão se tornou um pensamento absurdamente recorrente – e também não me sinto mal de pensar dessa forma porque minha mente anda exigindo outros focos.

 

E sei que há chance de publicação, não necessariamente vinda de uma editora. Só que meu lado emocional dramatiza a situação e quando afasto a cortina para encontrar a solução dos meus problemas dou de cara com a parede. Posso culpar meu signo o quanto for, mas sei que sou uma pessoa que não consegue sobreviver em um ciclo vicioso e o WP chegou a esse ponto.

 

Resultado: tive que me afastar e me afastei completamente.

 

Mesmo com esse sentimento pesado, houve avanços incríveis com relação ao WP em 2015. Li o Prólogo para as migas – um Prólogo que foi cortado da minha vida, glória! – e falei mais abertamente sobre o projeto com pessoas próximas e online. Isso foi libertador porque saí um pouco da bolhinha quentinha de que ninguém pode saber do meu precioso e reforçou que o que fazia não era uma mentirinha. O feedback foi muito importante, deveria me encorajar, e até encorajou, mas não estava mais conseguindo caminhar junto com menina Amy.

 

Minhas experiências positivas deveriam pesar neste post. Só que as negativas pesam um pouco mais porque também sou aquele tipo de pessoa que não gosta de assuntos inacabados (e para mim isso é bem ruim porque fracasso na lei do desapego). Mesmo não estando animada, não suporto a ideia de abandono. Mesmo não estando animada, nem por mil raios entregarei um trabalho insatisfatório. Já disse, sou pura entrega na escrita, mas isso tem muito a ver com meu estado de espírito. Praticamente como em Another Happy Ending: tenho um timing para escrever, mental e emocional, e só assim dá certo. Às vezes escrevo demais, em outras escrevo de menos e há quando não escrevo nada.

 

Penso que a última vez que me preocupei com o WP foi nos primeiros meses de 2015, dezembro e janeiro de 2016 – quando revoltei naquele domingo calorento e dei um tapa em todo o material. Deu uma clareada? Deu, mas não o bastante para me fazer sentar e continuar o processo de escrita. Sinto-me culpada? Também não.

 

Então, você vai desistir, miga?

 

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Neste instante, me vejo em outro atual dilema que talvez faça referência ao que provavelmente neguei nos anos anteriores (e que tinha certa consciência de que precisava, mas não me dei ao trabalho de realmente botar em prática): há uma pré-história antes (sendo redundante) da história que quero contar. Sinto-me como uma desenhista, que parte do rascunho para depois fazer a ilustração ganhar vida.

 

Em 2014, escrevia em paralelo a história da Amy antes do desaparecimento, o que refletiu positivamente por ter me inspirado ainda mais a escrever a história atual. Um trabalho extra que me ajudava a visualizar o conflito/personagens que queria trazer para o WP.

 

Criei um tipo de storyboard anterior a tudo que acontece no WP. Os outlines não eram mais o bastante. Não queria mais os fragmentos do roteiro para seguir. Precisava do texto. Do desenho colorido.

 

O mais bizarro é que nunca precisei disso em outros tipos de histórias. Quando paro para pensar, percebo o quanto o WP é complexo e uma saída completa da minha zona de conforto na escrita. Sempre escrevi romances, mas jamais ficção científica (e não pensem em robôs e afins. É sci-fi soft). A ideia de falhar me deixa insegura, especialmente porque sou mulher (mulher escrevendo esse gênero que piadinha). Porém, tenho do que me orgulhar porque estou indo bem longe da regra “escreva o que você sabe” porque tenho dado atenção ao que não sei. E esse “não sei” são histórias de condições humanas que me deixam destruída.

 

Para vocês visualizarem melhor, é assim que me sinto atualmente.

 

Rowling escreveu Harry Potter e sempre houve várias histórias pré ao menino bruxo. Até hoje me pergunto como ela conseguiu desenvolver a saga sem ter completa visualização do passado, algo que tenho dificuldade. Para mim não funciona inventar o flashback e inseri-lo na história. Eu preciso sentir a ferida nos meus dedos, sentir a emoção, ver o que houve para transportar essas sensações para o presente. Para mim só criar não funciona, pois não sinto nada quando faço assim. E quero sangue.

 

Há mais universos além da Era Potter. Há os fundadores, há os Marotos, há a era do Tom Riddle. Tudo isso faz parte do conflito central em uma Hogwarts do presente e penso que a autora não deve ter escrito em paralelo para visualizar o caos do passado. Até porque, considerando meu ponto de vista, não era nada que requereria aprofundamento.

 

Só que eu sou a pessoa que aprofunda o máximo que puder e vou mais a fundo se não estiver satisfeita. Se eu fosse Rowling, escreveria os fundadores para entender Hogwarts, depois a Era dos Marotos para entender os parentes e aliados do Harry, a mãe do Harry, o Snape, e a primeira queda de Voldemort que emendaria com a Pedra Filosofal – a história intencionada a ser contada. É nessa bola que eu estou e não consigo pular etapas das quais sei que preciso.

 

O WP seguiria a mesma linha da construção de Harry Potter: a época dos pais da Amy que foi importantíssima e dá respaldo para o presente. No pacote, ainda há o tempo anterior aos pais dela, que seria a época dos Fundadores. Tenho um monstro na minha gaveta.

 

E essa de escrever fragmentos me soa como perda de tempo, mas algo dentro de mim diz que é exatamente isso que preciso. Publiquei alguns no RG e vocês não fazem ideia do quanto me ajuda. Porque tenho a cena escrita e posso trabalhar o presente em cima dela.

 

Vejam bem: Amy perdeu a memória e é preciso reconstruí-la – algo que não farei por mero insight de “ela tomou sorvete com fulano e foi delicioso”. Não-consigo!

 

Fato é: preciso do contorno completo para depois dar cor.

 

O mais engraçado é que estou muito no clima de quadrinhos. Já, já, terei vários volumes do We Project e lançarei em formato HQ porque em livro já tá virando utopia.

 

 

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O We Project tem tudo de clichê que vocês podem imaginar e já defendi aqui que não acho ruim, desde que seja reinventado – e é o que tenho feito. Afinal, a minha proposta de enredo abre margem para crossover com X-Men – e recentemente descobri uma personagem que tem muito da minha personagem e já as quero como irmãs lindas e cheirosas. Tento ser o máximo que consigo criativa, mas algo me empaca e o que me empaca é não ver o passado.

 

Poderia simplesmente deletar e começar do zero, mas sei que retornaria para a mesma dificuldade de não ver o passado. Preciso deixar de corpo mole e enfrentar essa situação (porque rola sim uma preguiça de começar, mas uma vez que começo só vrá!). Preciso escrever We Project – Dias de um Passado Esquecido. Só preciso aceitar!

 

Enfim, eu espero que deste mês em diante eu retome minha primogênita. A boa notícia é que já engatei os dias de um passado esquecido e é bem estranha essa sensação de começar uma história nova (não deixa de ser nova porque outra década e é tão empolgante). Tinha esquecido como é o drama de fazer e refazer o primeiro parágrafo – e não é nada legal aquele contemplar de desafio.

 

Ainda gosto do We Project. Muito. Amo meus personagens ao ponto de sonhar com eles vezes ou outra. Gosto do que produzi, mas ainda estou no limbo de que precisa de mais e o dilema mora nesse passado esquecido. Enquanto não estiver firme e forte nesse quesito, sei que não irei adiante. Será mais um ano de trabalho extra? Será, mas tenho plena confiança de que me encontrarei nesse passado esquecido e fortalecerei a mensagem.

 

Daí, se nada der certo, a gente lança em HQ (e mando pra Netflix).

 

Desejem-me sorte porque se não houver avanços este ano, transfiro o manuscrito para um ghost writer hahahaahaha

 

E como anda o processinho de escrita de vocês?

 

PS: lembrando que sou de gêmeos com ascendente em gêmeos. Isso quer dizer que tem eu, Marlene King, Julie Plec e Jeff Davis no mesmo corpo (todos são produtores do signo de gêmeos e só quero ouvir Jeff na minha mente porque as outras migas, né? Dispensam comentários).

Stefs
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