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03/maio

Don’t be scared to fly alone, find a path that is your own.
Love will open every door, see in your hands the world is yours.
Don’t hold back and always know, all the answers you will unfold
What are you waiting for: spread your wings and soar

 

Soar da Christina Aguilera é um dos meus hinos particulares que carrego desde a adolescência. Este álbum é um dos amores da minha vida, cheio de músicas marcantes, mas a citada fazia e ainda faz algo se mover dentro de mim. Toda vez que a escuto me sinto energizada e forte, sensações que continuam nem um pouco discerníveis por parecerem espirituais. Rola sempre uma choradeira sem fim quando ela começa a tocar e quando termina sinto minha bateria recarregada. Dentre tantas linhas verdadeiras, há o mandato: abra suas asas e voe.

 

É maio. Mês do meu aniversário. Esse não é o timing em que planejo a intenção do ano para apresentar a vocês. Nunca é tarde, certo? Ainda mais porque o RG só voltou recentemente. <3

 

Com o tempo, deixei de lado essa coisa chamada lista de metas porque percebi o quanto ela mais me deixava desanimada que satisfeita. De 10 coisas, cumpria 3. Assim, troquei-a por frases-chave e, atualmente, por um pote da felicidade (que virou projetinho lindo e cheiroso entre eu e as meninas do I Am That Girl). Sou uma pessoa melhor.

 

Depois do post de reintrodução ao Random Girl, a energia que recebi em troca foi o quanto é importante bater no peito e fazer o que se tem vontade. Isso não deveria ser uma meta, mas um ato diário. Nem todo mundo está no lugar que gostaria e só resta tentar alterar um pouco essa realidade que pode até ser legal, mas nem tanto.

 

As coisas funcionam de maneira completamente diferente comigo, pois, como disse no citado post, sou a pessoa que bota lenha na fogueira e depois sai correndo para não ter que pensar nas consequências. Isso, considerando unicamente meus projetos (porque sonhar, atualmente, só com Jake McDorman). Ninguém imagina, mas aqui do outro lado há uma mão que treme toda vez que aperta o publicar, uma mente que pensa duas vezes antes de compartilhar qualquer coisa nas redes sociais e que se ajoelha para fazer uma oração antitroll.

 

Tradução: rola muita insegurança antes de fazer qualquer coisa. Só que o importante é que ainda faço, pior se não fizesse. Mas sabe quando você quer aumentar a altura do voo?

 

E é aí que entra a intenção um tanto quanto tardia de 2016: #VistaSuaCapa.

 

Citarei de novo menina Kara aka Supergirl, minha fonte de inspiração. Ainda não terminei de ver o resto da temporada, mas o episódio que me marcou até então se chama Human for a Day. Traduzindo: humana por um dia. O que acontece? Depois de um insucesso, a personagem passa pela primeira experiência de não ter superpoderes. Dentre tantas coisas que poderia fazer nessa súbita folga, ela fica preocupada com a ausência do seu mojo para proteger a cidade – e, ironicamente, a cidade desaba embaixo do seu nariz e não há muito que fazer. A não ser o Super-Homem chato chegar (é chato sim, não gosto desse cidadão).

 

Ainda embaixo do seu nariz, rola uma tentativa de assalto e Kara não hesita em vestir seu uniforme mesmo ciente de que não poderia fazer muito. Completamente entregue ao supernada, aka sem nenhum poder para dar uma forcinha, a personagem bate no peito e vai com a cara e a coragem impedir o crime. Ela foi lá como humana e poderia ter morrido no processo devido à ausência do benefício que a torna blindada. Só que em vez de fugir, ela não hesita e veste a sua capa, mesmo temendo as consequências. Sem contar que, intimamente, a moça sabia que ninguém se moveria até que chegasse para assumir a treta. A velha história de deixar o trabalho pesado para o outro.

 

Nisso, entramos em um dos quotes mais marcantes desse episódio:

 

Enquanto isso, precisamos nos ajudar. Acredito que somos melhores do que isso. Ligue para nós, compartilhe histórias de heroísmo. Vamos mostrar ao mundo do que somos capazes. Não podemos fazer o que a Supergirl faz, mas escolhemos quem queremos ser. Precisamos escolher fazer o que pudermos.

 

É um fato mais do que verdadeiro que muitas pessoas sempre deixam o trabalho mais difícil para outras, seja por covardia ou por falta de vontade. Supergirl retratou isso nesse episódio em que a chefia Cat chamou a atenção da população para incitar o movimento “faça a diferença”. Ela pediu para que todo mundo fizesse alguma coisa sem esperar pela heroína da cidade. Infelizmente, tanto na ficção quanto na realidade, há quem apenas assiste a bola de neve rolar. Em contrapartida, há quem que, assim que avista a bola de neve, tenta interrompê-la. Com poder ou sem poder, sempre tem alguém para se destacar e salvar o dia.

 

Ou ao menos tentar.

 

Aproveito para citar um episódio de One Tree Hill, cujo título traduzido é Esperando por um Herói. Nele, Brooke, Haley e Quinn vestem seus uniformes de super-heroínas para salvar o dia. O saldo delas foi proteger uma adolescente contra o bullying, o que lhes deu senso de missão cumprida.

 

O que isso quer dizer? Meio mundo espera por uma super-heroína ou por um super-herói. Vestir a capa não é apenas se autodesafiar, como também fazer a diferença na vida do outro. Atos que movem montanhas.

 

Passei grande parte da minha vida driblando a bola de neve por acreditar que não tinha nada a ver com os problemas alheios e que não tinha superpoder para fazer a diferença. Enfiava-me em espaços estreitos à espera de um milagre, fosse na escola, para manter o emprego ou para suportar a faculdade. Passei anos escondida porque tinha dificuldade de ficar por muito tempo nos holofotes, algo que não acontecia quando ficava na clandestinidade.

 

Mas eu tenho um impacto e ele afeta não só a mim como meus arredores.

 

E então entra a música da Aguilera, que impulsionou meu voo incontáveis vezes. Ainda há muito o que melhorar dentro de mim, é verdade, principalmente ter motivação para tirar as dobras amassadas da minha capa e voar o dia todo de cara lavada.

 

Carrego a singela verdade de que vestir a capa não se trata apenas de alcançar o prédio mais alto e saltar de lá, mas saltar por um objetivo. O objetivo é o que nos dá poder e uma vez delineado precisamos decidir o norte. O mesmo acontece com menina Kara que ficou escondida por anos e não pensou duas vezes em bater o pé para sair pelo mundo como heroína e como mulher.

 

É uma tarefa complicada sair voando por aí, indesculpável, porque também mexe com a nossa identidade. Kara teve seus conflitos internos, mas só havia uma certeza: a necessidade de alçar voo. Não é todo mundo que está disposto a se abraçar por medo de reconhecer outra faceta de si mesmo e que pode sim ser tão maravilhosa quanto a que se tem agora. Ainda há pessoas muito concentradas na vida alheia e que não conseguem voar por conta e risco. Ou voar para cometer vários erros porque preferem a clandestinidade.

 

Depois que fechei um ciclo com o I Am That Girl, me sinto mais forte e mais consciente de que posso e devo fazer o que bem entender. Só preciso parar de pensar muito, daquele jeito de medir o ângulo do salto, a textura do vento, se vai chover ou fazer frio, e simplesmente voar.

 

O #VistaSuaCapa tem muito de se desafiar. Nisso, voltamos ao quote do episódio mencionado de Supergirl: precisamos escolher o que queremos fazer e fazer o que pudermos.

 

No caso das meninas de One Tree Hill, elas usaram seus talentos aka pontos-forte.

 

É tão difícil para eu, Stefs, se desafiar, embora esteja ciente de que fiz muitas coisas de olhos completamente fechados. Pensei muito, claro, mas, às vezes, quando chego à linha tênue, me pergunto: o que é que tenho a perder? Isso ajuda, mas sempre que dá volto para a clandestinidade. É minha masmorra e ninguém me atinge lá.

 

Todo mundo tem uma heroína dentro de si que é calada por incontáveis motivos. É difícil se desvencilhar desses incontáveis motivos, mas o primeiro passo é importante. Um primeiro passo que tem muito de se voltar para si e verificar qual é o poder estagnado e o que se pode fazer com ele. A partir daí, só alçar voo para o desafio, sem pensar na possível queda brusca.

 

Por mais que trema depois de apertar o publicar, sue frio quando compartilho nas redes e acendo um incenso para espantar os trolls, algo dentro de mim me avisa que a missão de tal dia foi cumprida. E pela missão ter sido cumprida, não tenho que pedir desculpas.

 

Vestir a capa é assumir a responsabilidade de si mesmo. Assumir a responsabilidade do superpoder. Assumir a responsabilidade dos objetivos que, frequentemente, nascem a partir do momento em que se abraça a heroína interna. Assumir desafios e riscos. Quando há essa conexão, o que vem a seguir é intrínseco a alma.

 

Dizem que se nada lhe der medo a vida não está sendo vivida ou a meta não é grande o bastante e, sabem, acredito nisso. Se os desafios forem os de praxe, içar a capa pode se tornar tão monótono quanto voar.

 

Estou prestes a completar 3 décadas de existência e peço por mais desafios. E nem pensem que meu amadurecimento veio aos 20 e poucos anos. Foi ano passado que comecei a sentir realmente que estava crescendo como pessoa. Porque alcei um voo que jamais imaginei que alçaria e algo dentro de mim evoluiu. Um impulso que partiu da certeza de que todas as coisas que fiz ou que aconteceram no passado não me definem, mas o que escolhi a partir delas.

 

E todo mundo tem a sua vez de descobrir isso.

 

É por essas e outras que a intenção deste ano é vestir a capa. Eu quero vestir a minha com mais frequência. Com poder ou sem poder, quero continuar a fazer algo mesmo quando estiver física e emocionalmente desgastada.

 

Este texto faz um aceno a outro que escrevi: Seja sua própria heroína. Ou seja seu próprio herói. Assumir o protagonismo da própria história não é fácil porque é confortável ser antagonista ou coadjuvante ou até mesmo figurante. Reconquistar a nossa história é árduo, principalmente quando há muita influência do passado e/ou de outras pessoas que indicam o caminho mais fácil.

 

Só se lembre que: não importa quantas sabotagens haverá no elenco, a estrela do seu show é você.

 

Brooke fez uniformes para as amigas por ser otimista demais e por sempre ter acreditado que qualquer pessoa pode fazer a diferença. Kara perdeu seus poderes e nada disso a impediu de agir. A diferença está no risco, no autodesafio, lições que quero agregar mais na minha vida no decorrer de 2016.

 

Vamos juntos?

Stefs
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