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05/maio

Eita episódio feito para passar o tempo, não é mesmo? Pelo menos, ele deixou o aviso de últimas transições em que algumas portas se abrem e outras se fecham. Quando os créditos subiram, me vi diante de um saldo negativo em Chicago Fire (calma que tem textão) e o peso maior veio de menina Dawson. Alerta: segurem meus brincos.

 

Assim, por ainda estar possessa com determinados fins dados a personagens femininas na TV, esse novo percurso da storyline de Dawson me deixou na corda bamba e um tanto quanto preocupada. Primeiro pelo que comentei na semana passada: farão a personagem lidar com um assunto que não se comentou no decorrer dos episódios seguintes à perda do bebê. Isso é péssimo porque o fato em si nem pareceu abalar Dawsey, que prosseguiu a rotina como se nada tivesse acontecido. Um baita descaso dos roteiristas que transmitiram a sensação de que os personagens em questão engoliram o luto (salto temporal) e que agora é só trabalho.

 

Nisso, sinto necessidade de comentar o déjà vu do previously deste episódio e que piorou minha preocupação e a sensação de saldo negativo: confirmaram a redução de Dawson em Fire.

 

Antes que comecem o panelaço, estou cansada de ver minhas heroínas saírem da zona de desafio para migrarem para a de conforto. Isso, sem um motivo forte e condizente com a respectiva storyline. Um ponto que você fala: não é que faz sentido e combina com o momento? Muito que bem, não é o caso da Gabby, cujo encontro com Louie foi como passar o espanador no que aconteceu no 4×04.

 

Dawson sempre fez parte do conflito da série, combateu várias coisas, lutou por tantas outras e, literalmente, lhe dizer não sempre foi o estopim para lhe dar histórias boas. Sem contar que essa personagem tinha ainda mais força ao estar acompanhada de outra mulher (aka Shay) e nem isso tem rolado (embora Kidd esteja lá, mas virou interesse de Severide). Para vocês entenderem o que quero dizer, os minutos de prévia e os minutos que mostraram Dawsey feliz da vida (e que cena, amigos, dei até replay), apenas rebateram a informação de que essa moça é somente a “figura da esposa”. E, considerando a trajetória dela, isso ainda não é coerente.

 

Neste caso, a “esposa” significa deixar a personagem lá no cantinho, isolada, porque ninguém liga e não tem mais o que inventar para ela. Sendo que não há problema em ser a esposa e também ter um trabalho arriscado e projetar um upgrade na carreira/futuro. Dawson parou, virou a “esposa-sombra”, e Casey segue rumo ao futuro. O quanto isso é justo?

 

Nem precisou Dawson estar casada para notar que esta temporada não foi benéfica para a personagem que não teve nada que a desafiasse individualmente (a não ser agora com Louie). Tudo dela foi lidar com o sequestro de Casey, depois a gravidez – infelizmente – de mentira e depois podar o caminho do mozão sendo a assessoria da carreira política dele. Amei esse apoio dela para ele, mas Gabby passou, praticamente, 21 episódios na sombra do mozão. Não consigo nem mais reconhecê-la. Não como a mulher vibrante do início de Fire.

 

CF-4x21---Gabby-e-Louie

Esse momento deveria ser estampado em um jornal

 

A inserção do menino gracinha Louie é uma esperança não para o lado maternal de Gabby, mas para resgatar o desenvolvimento de uma personagem principal que simplesmente parou nos saltos temporais (e Severide nos nudes). É ótimo, com certeza, mas minha impressão de redução vem quando penso no formato dos roteiros das Chicagos – eles não aprofundam e não nos dão o bastante para crer que determinada storyline foi realmente trabalhada. Um erro mais atual porque na S1 e S2 de Fire tudo fluiu bonitinho, com história para todo mundo.

 

Não acho problemático Gabby decidir ser mãe e recorrer a uma adoção, mas o que ligeiramente me incomoda é que, por se tratar de uma protagonista, ela deixou de ter destaque com base em mais desafios que pudessem trazê-la a esse ponto da sua vida. Sinto-me como se tivesse perdido alguma coisa porque a gravidez não foi levada a sério, toda escrita de muita má vontade, e o salto até Louie não foge dessa mesma impressão. O chamado não fez jus ao amor que Dawson agora sente por ele. Não houve intensidade que me convencesse de que aquela criança é para ficar com ela. De novo, parece que tudo aconteceu como no filme Inception.

 

Fiquei realmente preocupada com o envolvimento imediato da personagem e a decisão de dar abrigo e carinho ao Louie sem ao menos pensar na vida que tem. Planejamento é importante, não é? Casey foi até certo em alguns aspectos porque ambos não têm tempo um para o outro (e fingimos que isso não é problema com a escrita da história deles) e vivem imersos no trabalho – seja ele qual for. Daí, bateu o incômodo maior que foi o mozão sair pela tangente, o que me fez lembrar do instante em que Dawson bateu no peito e afirmou que seria bombeira mesmo que isso custasse o relacionamento. Agora, temos o repeat, só que inseriram uma criança.

 

E, ultimamente, parece que descobriram que inserir uma criança resolve todos os problemas de plot.

 

CF-4x21---Dawsey

 

Dawsey girou para acabar com o mesmo tipo de conflito, em que ele não gosta, age como um babaca de leve (como jogar as palavras de Dawson sobre não querer casamento porque realmente está tudo ótimo). Atitude que nada mais é o motivo para Gabby correr atrás do que acredita ser certo – que está mais intrínseco à sua intuição que a própria realidade. No fim, essa interação não focou na importância da criança, mas no fato de não ter o casamento. Destoou completamente o propósito e, sinceramente, achei terrível Matt recusar tal desafio sendo que prometeu que ficaria ao lado dela até que o Voldemort colasse suas cinzas e voltasse para aterrorizar o mundo trouxa. Aonde está o “you and I are gonna face it together”?. Roteiristas falsos!

 

Dawsey

Outra adoção praticamente e ninguém falou nada.

 

Ter uma criança pode ou salvá-la ou deixá-la ainda mais nas sombras do que praticamente já está. Gabby se destacou pela curta transição para a área de incêndios culposos e não usaram essa oportunidade direito para logo encaminharem os problemas da gravidez. Uma vez que isso acabou, Casey teve praticamente tudo, mais até que o próprio Severide. Sim, mozão Matt é o herói, acho lindo, mas o tom desta temporada começa a se revelar problemático aqui e agora. Afinal, não há mais nada para contar a não ser abrir várias janelas aleatórias para a S5.

 

Dawsey teve a chance de ser um casal melhor depois da perda do bebê e não fortaleceram isso. Preferiram deixar no ar – o que considero uma mancada sem precedentes. O que rolou não foi um mero acidente de trabalho e foi tratado como tal. Como defender?

 

Agora, vejo um sendo mais egoísta que o outro por abdicar da relação, sendo que está claro que não é a intenção de ambos. Só que Casey precisa passar vergonha por representar sempre aquele que não aceita enquanto Dawson precisa mostrar que é assim e ponto.

 

CF-4x21---Louie-e-Gabby

 

Encontrando um ponto de equilíbrio, claro que foi lindo demais ver Gabby com Louie. De certa forma, ela precisa disso. Se é a maneira dela lidar, que seja. E que seja bem aproveitada. Muito melhor que entregar Dawsey ao clichê de tentar engravidar mil vezes e não conseguir, desgastando o relacionamento ao ponto de ser encerrado para todo o sempre. Vejo nesse novo plot crescimento para Dawson, mas sabe quando você não sente firmeza?

 

Louie é um ser humano precioso e merece uma boa história. Chorei quando ele trocou as primeiras palavras com Dawson, impossível não capturar a química ali. Principalmente na maneira como ambos se olhavam, como se se conhecessem desde sempre. Sério, quero acreditar que daqui pra frente a bombeira terá uma história para chamar de sua e com um desenvolvimento bacana. Se ter a guarda desse menino lindo for verídica e para a posteridade, espero que a personagem se fortaleça de si para si mesma já que como profissional Gabby sempre foi esclarecida.

 

Quero apagar essa impressão de redução, pois Dawson é muito mais que a “esposa aka sombra” do Casey. Que recuperem o valor dessa mulher!

 

E nada contra ao papel de esposa na vida real, só mesmo no contexto do qual Dawson se encontra em Fire. Envolver uma criança não deixa de soar cômodo, ainda mais quando a máfia Lobo deve estar ciente do sucesso de J.J..

 

Os demais

 

CF-4x21---Otis

 

Enquanto Dawson teve uma porta aberta, Otis viu a sua porta com a etiqueta bombeiro se fechar. Houve a explicação do medo dele em fazer os exames, mas, no fundinho, queria que fosse leucemia. Porém, considerando que tudo é recorte, prevejo que esse drama contará com os famigerados saltos no tempo. Isso se o personagem não estiver realmente cotado para morrer porque daí o papo é outro (e gostaria de ter recebido o sinal para me preparar).

 

Kidd maravilhosa com Herrmann e minha curiosidade sobre qual é a dela em Chicago só aumenta. Ela tem contato para tudo! Tem amigos em todos os lugares! Às vezes, penso que a personagem não tem nada disso, o que explica sua necessidade de fazer e, se der errado, dar um jeito de reparar sozinha. Essa impressão ficou bem clara neste episódio.

 

Só não gostei do beijo. Era óbvio que aconteceria, mas daí voltamos a dificuldade constante de amizade entre homem e mulher ser apenas amizade. Da mesma forma que me incomoda Dawson nas sombras, não aguento ver Severide sem história. Agora que não terá mesmo.

 

Concluindo

 

Próximos capítulos com jura de morte. Se escolherem, tipo, o Capp, personagem de tamanha utilidade (#ironias), vai ter golpe.

 

E finalizo com um elogio ao trabalho de edição deste episódio. Houve umas tomadas excelentes!

Stefs
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