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06/maio

Chicago P.D. retornou com um pingue-pongue emocional e estou arrasada. Acreditei que não sentiria nada, pois essa série foi a escolhida para eu pentelhar até o fim de mais um ano e chego aqui surpreendentemente satisfeita. A trama investiu na fórmula e voltou a ser certeira ao lançar a investigação, dar mais do personagem em destaque e fazer a equipe trabalhar em sincronia.

 

Sem contar que há o velho repeteco: quando Voight tem um pouco mais de atenção, a possibilidade de não gostar do que vejo é quase nula. Salvo o último crossover que até amei o foco em Camille, mas não era momento e tenho calafrios só de recordar.

 

O episódio frisou que o grande personagem desta temporada é Voight. Não que seja uma novidade, mas, em comparação aos outros, sairei de mais uma season de P.D. com a bolsinha de segredos do Sargento mais pesada que a dos demais. Tais revelações foram alinhadas e ritmadas pela emoção de uma investigação que discutiu bastante ações e reações de quem comete a desumanidade de abandonar um bebê ao relento.

 

O caso semanal exigiu que a investigação fosse remontada por meio de uma bebê e a história chegou muito perto de ter um final trágico. O interessante é que houve um peso feminino muito pertinente por motivos de caráter em uma situação dessas. Isso salpicou a trama de tensão e de indignação, sem precisar se esforçar tanto. O roteiro tímido e congelante segurou a impressão de que todas foram responsáveis pelo ocorrido e que tinham que pagar de alguma forma, ao mesmo tempo em que deu para duvidar delas e imaginar que nada seria resolvido.

 

Tudo bem que os perfis eram deveras estereotipados, o que não considero um ponto negativo (não dessa vez) porque essas pessoas existem e cometem uma crueldade dessas. Por se apoiar em caracterizações clichês, porém, verossímeis, houve o esfregar de algumas razões para uma pessoa fazer isso. Dinheiro? Ameaça? Solução prática? Impossibilidade de cuidar da criança? Questões que quicaram entre as mulheres e que rebateram a todo o momento em Deborah, a do perfil de quem vive por status, respira status e casou com o status. Sua arrogância foi insuportável de assistir, bem como a convicção de que sairia impune.

 

CPD-3x20---Deborah

 

Deborah, uma pessoa baixa e suja que chegou aos últimos minutos do episódio sem sentir um pingo de vergonha do que fez. A personagem não escondeu sua frieza ao tratar de um assunto delicado por conta própria, isolando a filha que nem sabia direito o que aconteceria assim que desse à luz. Cada negativa ao caso a tornava mais forte, bem como a sua realidade de que doar o bebê sem papelada e investir muita grana no processo foram as coisas mais simples da sua vida. Erin me representou com o prazer de prendê-la e ainda achei pouco. Queria interrogatório.

 

Nessa zona, tivemos Tana, que foi uma surpresa. Pensei que ela não apareceria porque houve vários momentos em que Deborah sinalizou que a filha tinha acordado, mesmo estando claro que havia um desconforto devido à falta de burocracias. A jovem teve seu destino decidido por uma mãe que até o último segundo só se defendeu pelas aparências, detalhe que rebateu discretamente no “menina de uma família rica, privilegiada e tradicional se envolve com o menino negro”. Imaginem se isso também fosse lançado na roda. Essa senhora teria avacalhado ainda mais uma trama que a mordeu no fim de tudo.

 

Por outro lado, Deborah frisou sem verbalizar que é vergonhoso mulher ser mãe com tão pouca idade. Estamos no século 21 e há quem pense assim. Os filhos só podem existir caso a mulher esteja muito bem casada e, se viver nesse mundinho privilegiado de Tana, o mozão tem que ter status e prestígio para evitar que o sobrenome seja manchado. Pensamento que rebate de novo na “ironia” do pai ser negro – e que não seria aceito por não ser branco e rico.

 

Tana apareceu como a garota legal e arrependida. Então, é fácil aceitar que ela não teria problemas com o pai da filha. Ao contrário da mãe que não foi dita como racista, mas, considerando toda a falcatrua para despachar a neta, é bem capaz que fosse.

 

Por mais que não tenha sido um embate familiar, deu para capturar bastante por meio desses perfis o quanto tais comportamentos e pensamentos se repetem e abrem margem para calamidades e para o preconceito. É aí que entra a parteira ilegal que fez o que fez para não ser despachada da América – e acabou despachada. Fiquei passada quando insinuaram que ela era a vilã porque, apesar dos pesares, há uma história de injustiça que Deborah se aproveitou.

 

De novo, outra verdade de que o rico, às vezes, ameaça ou se livra do perrengue em vez de ajudar. Só não neste episódio.

 

Criança esperança

 

CPD-3x20---Voight-e-o-netinho

 

Voight compartilhou mais segredos com Erin e saber que Justin tinha uma gêmea me fez tombar. A expressão do Sargento me deixou arrasada, mas volto à neura de que está rolando um tremendo criança esperança em Chicago. O meio mais fácil para humanizar personagem e deixá-lo/a de mãos cheias enquanto o mundo cai. Tá tendo criança demais, escuto passos trotando e me sinto a tia da creche que não sabe o que fazer com tantas, socorro!

 

Apagando as crianças, o segredo de Voight deixou meu coração trincado, como também me fez indagar porque essa troca não acontece mais em Chicago Fire. É um comentário que só estava esperando a oportunidade porque o mundo dos bombeiros só tem agido no futuro sem um contrabalanço com o antes. Parece que aquela família não tem mais background e isso me soa péssimo, além de ser a razão de não ter mais história aprofundada.

 

Justin e o cheiro da morte

 

Então que Justin voltará a ser uma dor de cabeça e isso me deixa feliz e ao mesmo tempo tensa porque o Sargento e o filho passaram por todo um processo de recuperação para…? Olive sabe do babado, outro péssimo sinal porque há uma criança amada na zona de tiro.

 

Fico preocupada porque Voight não saiu dos trilhos a temporada toda e, do nada, está prestes a perder o juízo por causa de um filho que pareceu remediado. Ok, é bacana vê-lo alterado, amo demais, mas o que acontece se isso se tornar vício de fim de temporada? Se o amoleceram, agora que se desdobrem e aguentem. Uma vez que o personagem aceitou a nova realidade, e até Linstead sem dar um pio, me soa pouco conveniente cutucá-lo a essa altura do campeonato. Capaz que Justin seja aposta de morte e quero acreditar, sem maldade.

 

Concluindo

 

CPD-3x20---Voight

 

Enfim, os desdobramentos desta semana foram sutis, até gentis, e renderam uma reviravolta que me fez lembrar do Griffin Damien 666 de Chicago Med. Esse finalzinho representou a cerejinha, pois fui convencida de que Tommy era o culpado da barbaridade. E não era. Ao menos, não tanto quanto aparentava considerando o interrogatório.

 

Vale até dar aquela cutucada em P.D. se tornando Law & Order. Duas salinhas de interrogatório? O advogado de sei lá de onde tiraram ele de novo? Law & Order/SVU too much? Alguém diga ao Lobo que não adianta correr atrás do que passou (porque esse recalque destruirá as Chicagos e não sou obrigada).

 

E preciso dizer que Med x P.D. funciona melhor que Med x Fire.

 

E Justiça aka Justice vem aí, né, migos? Que morte terrível! Vou para Wisconsin me purificar das Chicago. Se fez bem para Platt, então, posso confiar.

 

PS: meio forçar a barra Roman e Burgess se agarrarem depois do ~ame intensamente~.

Stefs
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